Kiss Me.

29 Sofrimento e desejo


Notas iniciais
Então gente, capítulo grande, é. Tentei diminui, mas ai ficou maior (?) Enfim, desculpem os erros e boa leitura ♥

—Sasori-chan... O café já está pronto. – ouvi a voz da minha mãe soar pelo quarto, e logo o ranger da porta foi ouvido também. – Querido, você está bem? Não saiu do quarto ontem e nem jantou... – senti um peso a mais na cama e suas mãos tocaram meus ombros. —O que houve? Pode confiar em mim, meu amor.

Eu não queria levantar daquela cama por um bom tempo, não queria ter nenhum tipo de contado humano. Mas mesmo assim, eu virei meu corpo para o lado em que minha okaa-chan estava, e me levantei, sentando e fungando.

Ela franziu o cenho olhando meu rosto e me chamou para um abraço.

Eu podia sentir os meus olhos queimarem e meu rosto dolorido. Encostei a cabeça em seu ombro e solucei, fazendo com que ela me apertasse mais forte. Passei meus braços por sua cintura e correspondi o abraço, sentindo novamente as malditas lágrimas caírem dos meus olhos.

—Vai ficar tudo bem... – disse mesmo não sabendo do motivo por eu estar chorando. —Eu vou fazer aquelas panquecas que você tanto ama, ok? – se afastou secando minhas lágrimas e sorrindo para mim, eu assenti tristemente. —Vou preparar um copo d’água com açúcar também. – beijou minha testa e se levantou. —Estou lhe esperando. – e saiu do quarto, me deixando sozinho outra vez.

Joguei meu corpo na cama e suspirei, fitando o teto.

Que decadência, eu Akasuna no Sasori chorando. Chega a ser vergonhoso alguém com a minha personalidade estar sofrendo desse jeito.

Sentei-me novamente na cama e olhei para a caixa de madeira em cima da escrivaninha. Eu me sinto tão idiota; sinto-me usado e enganado. Eu passei todo o meu sábado pensando no que fazer para ele e quando eu estou acabando seu presente, ele faz isso comigo.

Ainda não consigo acreditar que ele me traiu com a pessoa que o mais fez sofrer, e que ainda dizia que me amava. Quando se ama, não traí, certo? Então todas aquelas juras de amor eram falsas, e eu fui um idiota por ter acreditado em todas.

Levantei-me e rumei para o banheiro em passos lentos. Entrando e jogando um pouco de água no meu rosto.

Que vergonha, meus olhos estão inchados e minha pele em um tom assustador. Respirei fundo, soluçando novamente. Apoiei o rosto nas mãos e sentei no chão.

Quem eu quero enganar? Eu mesmo?

Por que Deidara fez isso comigo? Por que ele quebrou o meu coração em milhões de pedaços e ainda quis me dar explicações como se não fosse importante? Ele me fez mudar a minha vida, para destruir a mesma em segundos? Eu nunca senti nada parecido em toda a minha vida, dói mais do que qualquer dor física.

Respirei fundo e sequei novamente as lágrimas, saindo do banheiro após fazer minha higiene. Desci as escadas e fui até a cozinha, onde a porta estava fechada, coisa que estranhei; aproximei-me vagarosamente e escutei a voz da minha mãe:

—Ele estava chorando, eu nunca o vi dessa forma.

—Você disse que o Deidara estava aqui ontem, talvez eles tenham discutido. – ouvi a voz de Chiyo-baasama. Era domingo e ela sempre passava os finais de semana aqui.

—Hunf, os dois devem ter terminado. – ouvi meu pai murmurar.

—Hisoka, por Kami-sama!

—Ah, não me olhe assim Tomoe, primeiro o Deidara vem aqui com uma cara suspeita e depois ouvimos gritos, logo após o loiro desce as escadas chorando aos prantos. O que acha que aconteceu? É óbvio que ele fez alguma coisa que o Sasori não gostou e meu filho terminou o namoro.

Houve um silêncio mortal na cozinha e eu me surpreendi pelo quanto meu pai é observador. Mas, o que mais me surpreendeu, foi o fato de não haver nenhum tipo de sarcasmo em seu tom de voz, ele parecia... Preocupado.

Abri a porta antes que alguém dissesse mais alguma coisa e as atenções pararam em mim. Até mesmo Gaara me lançava um olhar surpreso, talvez pelo inchaço dos meus olhos e as marcas de lágrimas nas bochechas.

—Ohayo. – minha voz soou fraca, quase falhando.

—Ohayo, meu amor. – minha mãe tocou meu ombro. —Sente-se, vou colocar seu café na mesa. – e me deu um beijo na bochecha antes de ir até o fogão.

Sentei-me ao lado de Chiyo e encarei a mesa cheia de comida. Eu não estava com fome, eu adoro a comida da minha mãe, principalmente aos domingos em que ela capricha mais, porém, hoje eu realmente não estou com nenhum tipo de apetite.

A morena se aproximou, colocando um prato de panquecas na minha frente e depois na de Gaara. Minha mãe sempre foi muito justa, tudo o que ela fazia para mim, ela fazia para Gaara também, ou até mesmo ao contrário. Deu um beijo no topo da cabeça do meu irmão e sorriu para mim.

Olhei para meu prato e tentei engolir alguma coisa, apenas para não fazer uma desfeita a minha okaa-chan. Ouvi minha avó pigarrear, e meu pai resmungar.

—Então... Está tudo bem Sasori? – olhei para a Chiyo-baasama e assenti brevemente.

—Ahn, querido, sabemos que pode ser falta de privacidade, mas... – minha mãe hesitou e eu a encarei. —O que houve entre você e o Deidara-chan ontem?

Novamente todos olharam para mim e eu tive vontade de vomitar. Suspirei e passei a mão pelos cabelos, me levantando.

—Estou sem fome. – e sai da cozinha, subindo as escadas e ignorando os murmúrios dos mais velhos.

Entrei no meu quarto e novamente meus olhos pararam naquela caixa de madeira. Aproximei-me e a abri, deixando que revelasse duas marionetes pequenas, réplicas de Deidara e eu, de mãos dadas.

Sinto-me tão patético por ter perdido meu tempo fazendo essa caixa idiota. A fechei e peguei, espreitando os olhos e a jogando na parede. Eu sou patético, um idiota iludido que mesmo sofrendo por outro idiota infeliz, ainda o quer de volta.

E foi olhando para aquela caixa que eu jurei a mim mesmo que nunca mais iria mudar por alguma pessoa, nunca mais iria me apaixonar. E principalmente, iria cortar tudo o que tinha a ver com Deidara na minha vida.

[...]

—Sasori-kun? – Ino arregalou os olhos a me ver, era muito provável que Deidara tivesse contado tudo a ela. Bem, tanto faz...

—Seu irmão está? – questionei arrumando a mochila nos ombros. Ela assentiu, dando espaço para eu entrar, fez sinal para que eu a seguisse e assim fiz, subindo as escadas e parando em frente à porta do quarto do loiro.

—Nii-san! Abra a porta, por favor... – ela pediu meio hesitante. Houve alguns barulhos atrás da porta e depois uma resposta negativa. Ela suspirou e me encarou, há fitei alguns segundos e batia na porta.

—Ino, me deixe sozinho, hn!

—Eu não sou a Ino, Deidara. – disse não muito alto, mas ele deve ter escutado.

Mais barulhos vieram de dentro do quarto e logo um Deidara com olhos vermelhos, cabelo bagunçado e marcas de lágrimas nos olhos apareceu surpreso na porta.

—D-danna... – ele pareceu meio hesitante, não parecia acreditar que eu estava ali.

—Vou deixar vocês a sós... – a loira sorriu de lado e saiu do corredor, deixando-me sozinho com o loiro.

Nunca pensei que estaria aqui novamente, aliás, eu não queria estar, mas era necessário. Ou talvez nem tanto.

—Danna... E-entre, hn. – abriu mais a porta dando-me passagem. Pude ver a bagunça que estava seu quarto, lenços de papeis e embalagens de chocolate estavam espalhados por todo o chão, algumas bolinhas de papel também, sua cama estava com papeis amassados e lápis, sendo que as cobertas estavam desdobradas.

Entrei o vendo fechar a porta a fungar, sorrindo logo após.

—Você quer conversar... – começou. – Se for isso, eu estou disposto a ouvir tudo, hn.

—Eu vim devolver uma camiseta que deixou na minha casa. – disse o encarando, o sorriso dele se desfez. – Também esqueci uma calça aqui, a procurei por toda a parte, mas não a encontrei. – coloquei a mochila na sua cama. —A camiseta está na mochila... Eu nem iria vir, só que eu gosto daquela calça e... Sua camiseta fica larga em mim...

Ele me olhava com lágrimas nos olhos azuis, sua boca mexia, mas nenhum som saia. Suspirei, passando a mão pelos cabelos. Não estava aguentando essa situação.

—Está terminando comigo? – o encarei novamente. Ele tentava segurar o choro, mas as lágrimas já escorriam de seus olhos até o queixo.

—Não. – ele franziu o cenho e eu desviei o olhar. —Você terminou comigo, não se lembra?

Pelo canto dos olhos, pude o ver fazer uma careta indignada.

—Eu nunca terminei com você, danna. – fungou e respirou fundo. —Você estava tão nervoso, eu... Eu pensei que você precisava apenas de um tempo...

—Um tempo... – ri cinicamente. —Deidara, você terminou comigo no momento em que foi para cama daquele... – bufei segurando o palavrão que iria soltar.

—Eu já tentei explicar, mas você não quer me ouvir...

—Explicar? – me exaltei, o assustando. —Você deu para outro cara enquanto estava namorando comigo!

—Sasori-no-danna, por favor...

—Eu não quero ouvir suas explicações Deidara! Eu não entendo você! Primeiro diz que me ama, passa a vida correndo atrás de mim pelo meu amor e depois... E depois me trai?

Ele colocou a mão em frente à boca, segurando os soluços altos.

—Você se lembra de quando disse que nunca iria me trair? Todas às vezes que disse “eu te amo” para mim? Todas às vezes que ficou gemendo igual uma puta na minha cama? – nesse momento eu não tinha nem controle pelas minhas emoções e nem pelas palavras que eu dizia. —Me diz Deidara, ele é melhor de cama do que eu? Foi por isso que deu para ele?

Não queria admitir, mas estava com uma imensa vontade de chorar.

—Ele te fodeu direito, Dei-chan?

—Pára...

—Você pediu para ele ir mais rápido e mais fundo? Do jeito que pedia para mim?

—Pára...!

—Você gemeu o nome dele igual uma vadia mal comida?

—Pára!

Ele gritou fazendo com que eu parasse de falar, aliás, eu nunca disse nada tão vulgar na minha vida. Ok, já disse algumas vezes quando estávamos transando, mas não quero falar disso.

O loiro se sentou em frente à porta e começou a chorar alto, e fiquei o observando por um bom tempo, pensando no quanto eu sou idiota por querer o abraçar naquele momento.

Olhei para a mochila e sequei uma lágrima que quase escorreu pelo meu olho.

—Pode ficar com a calça... – e com isso, sai do quarto, o deixando sozinho.

Desci as escadas e ignorei os chamados de Ino, sai da casa segurando meus gritos de angustia. E enquanto andava pela calçada puxava meus cabelos com força não aguentando mais segurar o choro.

Maldito sentimento!

[...]

Itachi povs

Otou-sama e Okaa-sama saíram para um jantar de negócios sobre a empresa, parece que Madara estava querendo negociar algo que os dois não quiseram revelar. Sasuke, como já é esperado, saiu com Naruto; meu otouto passa mais tempo na casa do loiro do que aqui, me sinto sozinho de vez em quando por isso.

Não que eu esteja reclamando, às vezes um momento sozinho é muito bom!

Estar em sincronia com seus pensamentos, estar em dia com seus deveres, é ótimo. Talvez, seria melhor se meus sentimentos estivessem em equilibro também. Infelizmente, eu não consigo tirar Sasori de minha mente, o ruivo de olhos inexpressivos sempre está em meus pensamentos involuntariamente.

Pode ser injusto e egoísta da minha parte, querer a pessoa que faz tão bem a Deidara depois de tudo aquilo. Talvez eu estivesse levando o que merecia, aliás, eu desmereci o loiro muitas vezes. É complicado ter tudo o que quer ao longo da vida, mas desejar algo que não pode ter.

Ele deixou claro que não sente nada por mim, mas às vezes, sinto-me obrigado a tentar provar isso. É confuso o ver corando quando eu o encaro muito, ou desviando o olhar e parecendo constrangido. Pergunto-me todos os dias, se Sasori não tem algum sentimento reprimido por mim.

Talvez fosse bom, ou talvez ruim.

Eu não roubaria o ruivo de Deidara, nunca! Isso seria desumano e fora de meus princípios, mas muitas vezes é difícil me segurar. O ver sorrindo e beijando o loiro, ou sempre afirmando que os dois estão juntos.

Sasori é um grande amigo, ele sempre parece preocupado comigo e com meus sentimentos, tentando procurar as palavras certas para se expressar e não me machucar, mas às vezes ele simplesmente não consegue.

Larguei o lápis de escrever e encarei a folha rabiscada. Se eu houvesse aceitado Deidara desde o começo, seria diferente? Se aquilo não houvesse acontecido, e o loiro ainda estivesse com Obito, eu poderia ser mais do que apenas um simples amigo do ruivo? Será que, foram as minhas escolhas que levaram a tudo isso?

Suspirei e me levantei da cadeira de madeira, andando pelo quarto. Encarei um desenho feito à mão, um desenho que ele havia feito para mim. Era um por do sol, e sempre como lhe digo, ele tem muito talento. Assustei-me ao ouvir o toque do celular, procurando o aparelho entre os travesseiros na cama.

—Mochi-mochi...

Itachi? – soou a voz rouca e embriagada no outro lado, como se ele estivesse chorando.

—Sasori, o que houve?

Está em casa? – ele perguntou em um sussurro e eu franzi levemente minha testa.

Ele não era do tipo que chora, então provavelmente ocorreu algo muito grave.

—Sim, onde você está?

Em frente a sua casa.

[...]

—Sasori, por Kami, o que houve? – perguntei olhando-o entrar em minha residência. Os olhos inchados e vermelhos, parecia abatido e estava mais pálido do que costume, o que deixava sua pele em um tom assustadoramente branco.

—Ele... O Deidara ele... – não conseguiu continuar. Não sabia se iria até ele ou o deixava em seu espaço, não sabia como reagir vendo uma pessoa tão forte como ele chorando tão desesperadamente daquela forma.

—Venha, vamos beber alguma coisa. – sugeri, o vendo assentir positivamente.

Sempre Deidara, era sempre aquele loiro. Pergunto-me se o relacionamento dos dois irá durar, ou se o loiro faz tão bem para ele quanto diz. Ou talvez eu esteja apenas com inveja.

Servi um copo d’água com açúcar a ele, e me sentei ao seu lado, esperando que ele se acalmasse e que os soluços parassem.

—Você quer ir para um lugar mais confortável, e reservado? – perguntei e ele hesitou um pouco, assentindo logo após.

Eu realmente nunca imaginei o vendo desta forma, é até apavorante.

O chamei para subir as escadas e fomos até meu quarto, deixando-o sentar em minha cama. Peguei uma cadeira em frente da mesa de estudos e coloquei ao seu lado na cama, ficando de frente a ele.

Esperei que ele começasse, mas seu olhar pensativo e hesitante dizia que ele não iria dizer nada até eu tomar uma iniciativa.

Hesitei no começo, admito. Não sabia o que havia acontecido e tinha um pouco de medo de saber, e se houvesse acontecido algo grave com Deidara? Sasori provavelmente nunca mais seria o mesmo.

—Pode dizer. – disse tocando seu ombro e encarando seu olhar triste.

Ele mordeu o lábio fino e bem desenhado, abaixando a cabeça e se aproximando de mim. Ele, por mais incrível que pareça, me abraçou. Molhando minha camiseta negra e apertando meu braço. Estava sem reação, sem fala.

—Ele me traiu, Itachi... Ele... – soluçou e eu o abracei de volta, envolvendo meus braços em sua cintura e lhe dizendo que tudo iria ficar bem.

Deidara o traiu? Mas... Depois de tudo, de todas as ameaças que recebi do loiro, ele fez isso? Mas por quê?

—Sasori, acalme-se... – me afastei um pouco, secando suas lágrimas. Ele me encarou prendendo alguns soluços. —Me explique isso direito, ele não pôde ter feito isso apenas por prazer...

—Mas fez! – sua voz se sobressaiu e eu me afastei um pouco mais. —Ele não tinha motivos para isso, eu fui um idiota por tentar fazer esse relacionamento dar certo.

Ele segurou o rosto entre as mãos e começou a respirar fundo.

—Devia ter escutado quando você disse que ele não era uma boa influencia... Não devia ter apostado tudo naquele namoro...

Levantou o rosto e me encarou, secando o rosto molhado com as costas das mãos.

—Eu queria conversar... Esquecer tudo isso, pelo menos por algum tempo. – fungou e respirou fundo mais uma vez, suspirando logo após. —Se for incomodo eu posso ir...

—Não, você nunca é um incomodo. – disse segurando suas mãos, ele corou. —Venha, vamos comer alguma coisa, você está precisando.

O ajudei a levantar e o guiei até a cozinha novamente.

As informações ainda estavam processando em minha mente, ainda não estou certo de que Deidara tenha feito isso apenas por fazer, e com quem ele o traiu? Se eu estiver certo, pode ter sido com Obito, mas se for isso, as coisas podem estar piores do que penso para o loiro.

Trair Sasori com Obito, aos meus olhos, é burrice, mas talvez Deidara tenha seus motivos. Mesmo que isso seja uma coisa horrível de se fazer.

Procurei algumas coisas na geladeira, lhe entregando uma barra de chocolate que tenho certeza que é de minha mãe. Ele a encarou, mas não comeu, parecia pensativo, preferi não interferir seus devaneios. Peguei alguns copos e lhe ofereci um pouco de suco, para tentar se acalmar.

Seus olhos passavam por todo o local, desde o dia em que nós nos conhecemos, sabia que ele era uma pessoa muito critica e analítica, provavelmente estava pensando o quanto minha família era “humilde” em ter uma cozinha desse tamanho.

—O que é aquilo? – perguntou apontando educadamente para uma garrafa com o símbolo da empresa da minha família.

—É uma bebida especial, não sei exatamente o que é. – me aproximei da garrafa a pegando e indo até a mesa. —Quer experimentar?

Ele franziu um pouco o cenho e abaixou o olhar, meio hesitante.

Peguei mais dois copos e abri a garrafa, o vendo suspirar e passar as mãos pelos cabelos. Eu sei que ele faz isso quando está frustrado ou angustiado, mas eu sempre acho que ele fica charmoso fazendo isso. Sei que não é hora de pensar nisso, mas é quase que inevitável.

—O que foi? – perguntou, após perceber meu olhar. Desviei o olhar servindo um copo a ele. —Tem um cheiro estranho... – comentou bebericando um pouco. —Mas é bom...

Sorri o vendo tomar timidamente aquela bebida. Eu não fazia questão de beber também, apenas o olhava e ouvia seus desabafos. Então começamos a falar sobre coisas monótonas, falamos sobre estudos, sobre o curso que iriamos fazer, sobre pessoas que não gostávamos. Era bom o ver rir...

...mas foi estranho o ver gargalhar.

[...]

—Sabe quando dizem “o amor é tudo na vida”? Então, são idiotas! Idiotas que nunca deram o rabo para ninguém, e que nunca passaram por nada de ruim na vida! – dizia tomando mais um copo da bebida. Na verdade, ele derramava mais no chão do que na boca. —Eu queria poder bater no seu primo, Ita-chan, mas não faço por respeito a sua família. – Ita-chan, ele começou a me chamar assim depois do quarto copo. Depois de ouvi-lo dizer isso, comecei a ler o rotulo da garrafa, e nela dizia que tinha álcool. Suspirei, devia ter previsto isso. —Espera... Eu já bati nele. – riu. —Mas foi bem feito, né? Foi engraçado ver a cara de nervoso dele. – gargalhou.

Suspirei afastando a garrafa e a colocando novamente onde estava.

—Venha Sasori, vamos... – o chamei na porta da cozinha.

Ele se levantou, tropeçando nos próprios pés. Caiu no segundo degrau da escada e eu tive que o ajudar a andar até o quarto, e quando chegamos, ele se jogou na cama, rindo histericamente.

—Ita-chan, vem aqui, não me deixa sozinho. – pediu estendeu os braços em minha direção.

—Eu estou aqui. – sentei-me ao seu lado e ele me abraçou, roçando os braços em minha cintura.

—Obrigado... Obrigado por não ser loiro, de olhos azuis... Obrigado por ser moreno. – tentei não rir com sua fala. Uma coisa que nunca imaginei, foi o ver chorar, mas o ver bêbado estava sendo ainda mais assustador. —Você é sempre tão sincero comigo, Itachi... Nunca me trairia, não é?

O encarei surpreso com a pergunta.

—É claro que não.

Encarou-me e levantou um pouco, deixando nossos rostos pertos. Pertos até demais. Senti suas mãos tocarem minha cintura com força e outra subindo até minha nuca. Tocou nossos lábios levemente, como se estivesse hesitando em fazer aquilo.

Mas logo o fez, selou nossos lábios delicadamente. Fechei meus olhos, tocando seus ombros e o sentindo sentar em meu colo, deitando-me na cama e ficando por cima de mim, pedindo passagem. Entreabri a boca, sentindo sua língua ágil a explorar sem pudor.

Apertou mais minha cintura e o abracei, envolvendo meus braços em seu pescoço. Deslizou as mãos para minhas coxas e apertou, aquilo me deu um choque, uma sensação boa.

Eu estava fazendo aquilo que tinha vontade há semanas, sentindo suas mãos me tocarem, e seus lábios contra os meus. Mas algo me veio à mente, ele não estava fazendo isso por que queria, estava fazendo por conta do álcool. Afastei-me, o jogando para o outro lado da cama.

—O que foi? – me perguntou confuso, cambaleando um pouco, mas voltando a se aproximar.

—Não Sasori... Por favor, não. – supliquei. —Você não quer isso... – ele tocou meus ombros, voltando a beijar meu pescoço. —Você ama o Deidara... Está apenas triste... Hm... S-sasori, você... Não quer fazer isso de verdade...

Ele não disse nada, continuou mordendo e beijando meu pescoço e me deitando na cama, ficando por cima. Suas mãos foram de encontro até minha camiseta, adentrando e massageando meus mamilos por baixo da mesma.

Subiu os lábios, indo de encontro aos meus, beijando-me novamente.

Ele desabotoou a minha camiseta e a tirou, passando o lábio inferior por todo o meu tronco desnudo. Subiu, mordendo meu pescoço e provavelmente deixando marcas; suas mãos desceram novamente, agora abrindo minha calça e a puxando de uma vez só, deixando-me apenas com a boxer preta que agora era um incomodo.

Mordeu minha coxa e riu, me fazendo arfar e tentar me afastar.

—Você quer Ita-chan? – perguntou me encarando com um sorriso malicioso. Eu virei o rosto para o lado, corado.

Eu queria, e muito, mas eu não podia fazer isso. Eu não era desse tipo, Sasori não estava em plena consciência, e Deidara não merecia isso. Mas, sentir as mãos dele em meu corpo, os lábios dele nos meus, as sensações que tudo isso estava causando...

Ele abaixou minha boxer, ainda me lançando o mesmo olhar. Lambeu os lábios e abriu um sorriso maior, abaixando o corpo. Não sabia exatamente o que ele iria fazer, mas quando ele abocanhou o meu membro eu não pude conter o gemido alto que escapou. Contrai minhas costas e segurei seu cabelo quase que involuntariamente.

Passava a língua por toda extensão, enquanto eu tentava segurar os gemidos. Às vezes ele se afastava e tossia, como se estivesse engasgando, mas logo após voltava. Sugava com força, enquanto fazia movimentos de vai e vem, tudo ao mesmo tempo; eu chamava o nome dele e não acreditava que estávamos fazendo isso.

Bem, admito que esteja gostando, mas sei muito bem que é errado. E eu sou o único com a consciência no lugar, então o mais correto seria o parar, não é? Mas porque os meus braços não fazem nada além de incentivá-lo?

Eu não consigo falar mais nada a não ser seu nome em forma de gemidos, e isso estava me frustrando.

Não demorou muito e eu já estava sentindo espasmos pelo meu corpo, assim, uma sensação de cansaço veio e eu me desfiz em sua boca. Ele engoliu tudo, e quando terminou me lançou um olhar satisfeito, lambendo os lábios.

Ele levantou ficando em pé na cama e mordendo o lábio inferior. Começou a rebolar e subir sua camiseta vermelha lentamente, até tirá-la por completo e a jogar em algum canto do quarto.

Meus olhos se arregalaram e eu quase me amaldiçoei por estar ficando excitando novamente. Eu não queria mais parar, eu posso ser um cretino por querer continuar, mas essa pode ser a minha última chance, não é?

Ah meu deus, no que eu estou pensando? Estou aceitando a ideia de fazer amor com um bêbado, mesmo que seja o Sasori...

Ele abaixou suas próprias calças, deixando o volume significante ficar mais visível. Deitou-se sobre mim e voltou a me beijar, e enquanto eu correspondia, minha mente continuava a brigar com si mesma sobre continuar ou não.

—Eu vou te comer tão gostoso, que você vai ficar rouco de tanto gemer o meu nome... — mordeu o lóbulo da minha orelha e lambeu meu pescoço, enquanto eu corava com sua fala.

Mordeu meu lábio inferior e rolou na cama, me puxando e deixando-me sentado em seu colo. Ele esticou o pescoço e sabia muito bem o que ele queria; beijei toda a extensão de seu pescoço alvo e fui descendo, até seu tórax e abdômen. Ele começou a rir, dizendo que estava sentindo cocegas.

Sorri um pouco, e continuei, até chegar à barra de sua boxer azul. Suas risadas foram diminuindo, até o ponto de pararem por completo.

—Sasori? – chamei, estrando seu silêncio. Subi o corpo e olhei para seu rosto sereno e adormecido.

O encarei indignado, e logo após suspirei.

Não consigo acreditar que ele dormiu. Talvez tenha sido bom, talvez se ele tivesse continuado acordado eu teria feito alguma besteira.

Encarei novamente sua expressão calma enquanto dormia e peguei minha boxer, a colocando novamente e o cobrindo. Aproximei-me de seu rosto e beijei sua testa.

—Bons sonhos, Sasori...

Notas finais
Então gente, quem achou que teria lemon, podem jogar pedras -n O próximo é o Sasori narrando normalmente, ^-^ Então, mereço algum comentário? Hm? Hm? Não? Ok ;u; Agora a fic está igual ao socialspirit, então os próximos não vão vir tão rápidos XD xoxo!