Kiss Me.
30 Lágrimas, magoas, pensamentos... Ridículo.
Notas iniciais
Rolei de um lado para o outro, sentindo uma macieis diferente. Aquele não era o meu colchão, e eu estava certo disso, mas mesmo com esse fato importante, eu estava relaxado, ou quase.
Respirei fundo sentindo algumas pontadas na minha cabeça.
O que aconteceu ontem? Aliás, o que aconteceu depois que eu praticamente me humilhei chorando na frente do Itachi?
Abri os olhos, sentindo a luz do cômodo onde eu estava dificultar minha visão; deixando-a desfocada e meus olhos ardendo. Virei novamente, sentindo um cheiro agradável no travesseiro. Com muito esforço, abri os olhos e vi que aquele lugar era familiar.
Sentei na cama, mas logo deitei novamente. Minha cabeça estava latejando, por eu estar deitado, não havia percebido, mas depois que levantei ela começou a doer com força, tanto que agora deitado ainda estou sentindo.
Fechei os olhos soltando um resmungo de dor.
Mas que merda aconteceu ontem? Que horas são?
Ouvi um barulho muito alto, o qual fez minha cabeça doer mais ainda e meus tímpanos quase estourassem. Tampei os ouvidos e resmunguei mais uma vez.
—Vejo que acordou. – ouvi uma voz familiar e abri os olhos, ainda com as mãos tampando os ouvidos.
—Itachi, fala baixo... – pedi espreitando os olhos. Ele se abaixou em minha frente, apoiando as mãos na cama e se ajoelhando no chão.
—Eu estou falando, Sasori... – ele franziu o cenho e eu afundei o rosto no travesseiro. —Bem, vou ser direto... Você perdeu aula.
Levantei um pulo e gemi de dor.
—E me fez perder também, parabéns.
—Como assim? – levei as mãos até o rosto e respirei fundo.
Antes de responder, se levantou e foi até a escrivaninha. O som de seus passos estava exageradamente alto, e estavam perturbando minha cabeça. Ele voltou, segurando um copo d’água e um comprimido laranja.
Entregou-me, querendo claramente que eu tomasse. Meio hesitante, decidi confiar nele.
E enquanto eu colocava o comprimido horrível na boca e bebia alguns goles de água, ele saiu do meu campo de visão, voltando com uma xícara de café.
—O que aconteceu? – perguntei tentando ser o mais baixo possível.
Ele suspirou e puxou uma cadeira para perto, tentando não fazer barulho.
—Ahn... – corou um pouco. —Você veio aqui, disse o que aconteceu entre você e Deidara...
—Itachi, vá direto ao ponto. – o interrompi, bebendo um gole da bebida fumegante.
Após um tempo, um suspiro e um desviar de olhos, ele continuou:
—Você bebeu... Na verdade, eu não sabia que era bebida alcoólica, então achei que não tinha problema... Desculpe.
Mexi nos cabelos rubros e suspirei, sentindo a cabeça continuar a latejar. Bebi mais um gole e entreguei a xícara para ele.
Foi ai, que eu percebi que estava seminu. E olhar para ele, o ver corando foi a coisa mais estranha do mundo.
—Itachi, nós...
—Não! – se apressou a responder, ainda corado. Espreitei os olhos por sua voz ter saído muito alta. —Não houve nada entre nós dois... Você apenas bebeu, começou a falar coisas sem nexos, caiu algumas vezes na escada e desmaiou. – arqueei uma sobrancelha, tentando procurar algum indício de mentira em seu olhar.
E, infelizmente, eu achei.
Preferi não dizer nada, talvez eu descobrisse o que não queria. Se ele não me queria contar, devia ser uma coisa que o fazia ficar desconfortável, e provavelmente iria me fazer ficar também.
—Desculpe te fazer perder a aula. – disse deitando novamente.
Ele sorriu, ainda parecendo desconfortável.
—Não se preocupe, eu precisava de um dia longe daquele lugar.
O fitei por alguns segundos. Ele tinha uma marca roxa no pescoço; afundei o rosto novamente no travesseiro.
Kami-sama, o que eu fiz? Por favor, que eu não tenha feito o que estou pensando!
Não digo por mim, bem, talvez sim, mas também pelo Itachi. Se nós fizemos alguma coisa, ele provavelmente está magoado por eu não lembrar, estou me sentindo um idiota.
—Não precisa ficar assim... – ouvi sua voz e virei o rosto, encarando-o. —Apenas... Confie em mim, o que aconteceu ontem não precisa ser lembrado.
Nós nos encaramos por algum tempo. Eu ainda estava meio aéreo; ele havia confessado que aconteceu algo entre nós? Tudo bem, estou confuso.
Levantou-se, dizendo que ia avisar a minha família que eu iria ficar por mais tempo em sua casa. Quando ele saiu, minha cabeça começou a dar voltas; minha vida estava tão frustrante atualmente.
Fitei o teto de do cômodo e suspirei.
Estou no fundo do poço.
[...]
—Ei, vocês dois faltaram ontem, o que houve? – perguntou Kisame me lançando um olhar sugestivo.
—Não é da sua conta. – respondi olhando alguns papéis que Pain me mandou ler.
Estava em mais uma reunião da Akatsuki, Kisame me ajudava com a papelada; Kakuzu cuidava de algumas contas complexas; Hidan me olhava de minuto em minuto, como se quisesse dizer alguma coisa; Pain e Itachi estavam em uma parte onde havia livros na sala de reunião, lendo e conversando entre si.
—Vamos lá Sasori-san, vocês dois estão meio estranhos... Pensativos...
—Kisame, cale-se, por favor. – pedi, estava sendo grosso, mas não estava de muito bom humor.
Ele ficou em silêncio por alguns minutos, e claro, como eu sou uma pessoa muito sortuda, ele voltou a falar:
—Cara, não é por nada não, mas... O Itachi-san é um cara bem legal.
Suspirei, pensando onde ele queria chegar tentando puxar assunto comigo.
—Sim, ele é. – de fato, Itachi é um ótimo amigo.
Arquivei alguns papéis entregando para o maior ao meu lado, ele me entregou mais papeladas.
—Eu acho que ele é afim de você, sempre está te comendo com os olhos. – riu da própria fala.
—Bobagem... – comentei com a voz baixa. Estava tão na cara que ele gostava de mim, e eu fui praticamente o último a perceber; eu sou, definitivamente, um idiota.
Levantei o olhar, o vendo arrumar alguns livros junto com Pain. Ele estava apático, como sempre; mas havia algo diferente, uma tristeza adicional. Eu me sinto péssimo em pensar que eu sou o causador disso...
—Ele é bonitinho, não acha? – franzi o cenho encarando Kisame. —Não leve a mal, mas... Ele tem um corpo até que legal... – percebi que ele olhava para as regiões baixas do corpo de Itachi, e quando me dei conta de que também estava olhando, corei.
—Não sabia que você jogava no outro time. – comentei ainda com as bochechas quentes, ele riu.
—Não jogo, sinceramente, eu sou o único heteroxessual dessa organização! – ele afirmou rindo e eu revirei os olhos. —Mas eu sou realista, o Itachi-san é inteligente, bonito, educado, às vezes simpático e tudo mais... Um grande partido.
O encarei incrédulo.
—Você está me jogando para o Itachi?
Ele me fitou por alguns segundos, pensativos.
—Não sei, apenas queria puxar assunto. – deu de ombros. —Você está meio aéreo hoje, aconteceu alguma coisa?
—Não é da sua conta!
—Simpático como sempre, Sasori-san. – ele riu.
Que bobagem, por que eu fiquei ouvindo toda aquela idiotice de Itachi é isso e aquilo? E por que eu ainda estou corado?
Percebi que o albino do local ainda me encarava. Ele sussurrou alguma coisa para Kakuzu e se levantou, sentando-se ao meu lado.
—Precisamos conversar. – disse cruzando os braços.
Não respondi, continuei a fazer meus deveres o deixando irritado.
—Não me ignore, porra!
—Não tenho nada para conversar com você, desculpe. – murmurei entregando uma papelada para Kakuzu.
Levantei-me, e fui até uma caixa, onde havia outros arquivos.
Senti meu braço ser puxado e vi Hidan me encarando raivoso.
—Estou falando sério Sasori, vamos conversar!
Percebi que o resto da organização nos encarava de cenho franzido.
—Já volto. – disse saindo da sala, Hidan me seguiu.
Por que algo me diz que, essa conversa tem algo a ver com Deidara?
[...]
Pois é, eu estava certo. O assunto do dia: Deidara.
—Porra, você não pode fazer isso com ele! Ele está lá, chorando, sem comer, quase morrendo! – o albino andava de um lado para o outro no banheiro, enquanto eu jogava um pouco de água no rosto. —Ele não quer mais sair daquele quarto, está sofrendo muito!
—Hidan. – chamei, fazendo com que ele parasse de andar e me olhasse pelo reflexo do espelho. —O que eu tenho a ver com isso?
Encarou-me incrédulo, parecendo procurar alguma resposta.
—Como assim? – bateu em uma das portas de um dos box do local. —Você devia ouvir ele! Você devia ser mais humilde e perdoar! Erra é humano porra, por Jashin-sama!
Ele começou a andar de um lado para o outro novamente, mas parou, assim que me ouvir rir cinicamente.
—Ele tem os motivos dele, sim, tem... – murmurei. —Mas... Por que eu estou levando esse sermão sendo que o traído da história fui eu? Sendo que eu aguentei toda aquela história de “ainda gosto do meu ex, primeiros amores nunca se podem esquecer”? Sendo que eu confiei meu coração e alma nele para aquele projeto de loiro me trair com a pessoa que mais fez mal a ele? – eu elevava minha voz a cada pergunta, fazendo o maior recuar alguns passos. —Por que eu tenho que ir fala com ele, sendo que ele é o errado da situação? Você acha que eu sou feito de pedra? Mesmo que quisesse ser, eu não sou! Você acha que só ele está sofrendo? Só ele está nessa de passar o dia chorando?
Ele me olhava perplexo, enquanto eu sentia meu pulmão doer, assim como minha cabeça.
—Eu não estou conseguindo comer nada, não consigo me concentrar em nada! E eu sou quem mereço ouvir você falando o quanto ele está depressivo? Ele não é nem um santo, e eu não preciso mais ouvir você falando isso... – meu coração estava acelerado, e não estava conseguindo respirar direito. —Se é só isso, me de licença... – fui até a porta, mas parei, me encostando-se ao encosto, tentando puxar o ar.
Maldito Hidan, maldito Deidara, maldita anemia!
—Ei... O que foi?
—Me deixa em paz. – fui grosseiro, eu já estava ficando tonto.
—Sasori, você não parece bem... – ele tocou meu ombro.
Já ouvi minha mãe dizer que eu não podia fazer muito esforço enquanto estivesse nessas condições, então eu aceitei sua ajuda.
Meio hesitando, ele me ajudou a ir até a enfermaria. Eu odeio quando isso acontece comigo, principalmente quando eu estou nervoso.
O albino me deixou sentado na cama, enquanto a enfermeira não chegava. Quando a morena chegou, me examinou e fez diagnósticos inúteis.
Eu só precisava ficar sozinho, com um copo d’água e sem assuntos frustrantes.
—Eu sinto muito. – ele disse após a mulher sair. —Eu... Eu queria proteger ele, mas... Acabei não percebendo que você também é a vítima.
Não respondi, fechei meus olhos e esperei que ele saísse da sala.
—Que Jashin-sama esteja com você. – e com isso, ouvi o som da porta se fechando.
Eu me sinto péssimo. Em todos os sentidos; nunca poderia imaginar que tudo na minha vida pudesse dar errado dessa forma.
Eu estava magoado e doente, Deidara havia me traído, Itachi estava me evitando, tudo estava uma merda.
[...]
—O que é isso? – perguntei olhando o embrulho enorme.
Konan sorriu de orelha a orelha.
—É um presente, apenas aceite e pare de ser chato! – me entregou com um pouco de cuidado, estranhei.
Eu fui dispensado da escola e me deram dois dias de ausência. Não que eu estivesse reclamando, nesses últimos dias eu estava precisando.
A azulada não foi à escola e veio até a minha casa, para uma visita. Minha mãe pediu para ela vir, na verdade, a morena não queria que eu ficasse sozinho em casa depois daquela crise.
Ter Konan em casa cuidado de mim, era bom e ruim. Eu era obrigado a comer, mesmo sem fome; ela não parava de falar; mas foi bom desabafar com ela, sempre uma boa ouvinte.
Ela me apoiou, e disse que eu estava certo em terminar tudo, mesmo que doesse. E depois de um longo abraço e alguns soluços, ela me entregou esse embrulho.
—Vamos abre.
—Hunf... – bufei o abrindo, estava fazendo alguns barulhos estranhos e eu tive medo do que poderia ter dentro.
Quando terminei de abrir, ela riu animada e eu suspirei.
—Konan...
—Não me olhe assim, ele é fofo! – pegou o animal pequeno no colo.
—Um gato, puxa vida... Tudo o que eu precisava...
—Você precisa de uma companhia, Sasori! – revirou os olhos colocando o bichano no meu colo. —Aliás, que tal colocar o nome dele de Dara?
A encarei por alguns minutos, sem dizer nada. Ela corou um pouco e suspirou.
—Pensei que você ia gostar, olhe... – pegou outro embrulho, porém menor. O abri, vendo uma pequena coleira escrita “Dara”.
Eu realmente não acredito.
Era tudo tão irônico, um gato amarelo, com olhos azuis, Dara. Engraçado por que ela não parece perceber a ironia da situação.
Fiz carinho em sua orelha e ele começou a ronronar.
—Obrigado... Eu acho.
—Espero que você melhore... Não te quero ver desse jeito.
Encarei-a, por alguns segundos, assentindo.
—Hm, vou pegar um pouco de água, espere ai. – e saiu do quarto, deixando-me sozinho com o gato.
Olhei para ele, e alisei seu pelo fino. O mundo deve me odiar, com toda a certeza.
—Dara, é...? – o abracei levemente para não o machucar, o ouvindo dar alguns miados finos e manhosos. —Eu conheço uma pessoa com um nome parecido... E eu sinto muito a falta dela... – beijei sua pequena cabeça cheia de pelos. —Mas isso será um segredo nosso, Dara.
Observei o bichano esfregar a cabeça em minha bochecha e foi ai que eu percebi que estava chorando.
O que eu não faria para voltar no tempo e mudar tudo isso? Eu sou tão idiota por sentir a falta daquele idiota e... Sinto-me incrivelmente ridículo por ainda amar ele.
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