Kiss Me.

25 Revelações. Part II


—Não tem nada a dizer? – minha mãe perguntou enquanto me encarava.

Certo, certo... Vou explicar a situação.

Quando eu acordei para ir ao colégio, ouvi meus pais brigando, e adivinha qual era o motivo? Sim, eu! Não sei bem como explicar, mas eu me senti uma péssima pessoa por fazer o casamento dos dois ir mal; mas isso não foi pior do que ver minha mãe chorando, com toda a certeza não.

Quando eu estava saindo de casa, meu pai mal olhou para minha cara. Isso era angustiante. Gaara não havia voltado para casa ainda, já que, foi para a escola direto da casa do Lee.

O dia em questão foi normal, Itachi e eu conversamos normalmente. Aliás, eu contei a ele sobre a descoberta dos meus pais. A meu ver, Itachi foi bem compreensivo quando disse que eu poderia contar sempre com ele. Porém, Deidara acha que o Uchiha ainda tem segundas intenções, hunf.

Falando em Deidara, o loiro ainda está se culpando, mesmo não sendo dele. A culpa era minha, eu devia ter sido mais atento e ter previsto que meus pais poderiam voltar mais cedo, poderia ter ligado para minha avó e pedido para que ela me avisasse, ou seja, a culpa era inteiramente minha.

Ele acha que nós não vamos mais poder nos ver, já que eu conversei seriamente com ele sobre tudo o que está acontecendo em minha casa. Disse que teríamos que nos ver apenas na escola, já que se eu saísse de casa, iria levantar suspeitas; e ele entrar no meu quarto pela janela também não seria muito inteligente.

Tentei ligar para Gaara, mas aquele ruivo idiota nunca atende minhas ligações.

Pensei em falar com Konan, ela sempre sabe o que fazer nesses momentos difíceis, e agora, pensando assim, vejo o quanto ela me faz falta.

Enfim, quando voltei para casa, tive a surpresa de ver meus pais na cozinha, conversando normalmente com minha avó. E claro que eu não passei despercebido, eles disseram para eu me sentar junto à mesa e conversar.

Digo que não foi muito agradável ficar no mesmo lugar que a pessoa que disse que tinha nojo de mim. Claro, era meu pai, mas mesmo assim; mesmo não sendo muito próximos, aquilo doeu, doeu mais do que pensar no passado em que ele nunca estava presente.

Mas isso é outra história.

Chiyo-baasama já sabia da história, e agora apenas ouvia o que eu tinha a dizer, aliás, o que eu ainda devia dizer. Todos na mesa me encaravam, com expressões diferentes; meu pai tinha um misto de curiosidade e desprezo, talvez mais alguma coisa que não consegui perceber; minha mãe me fitava com compaixão, bem típico dela; e por último minha avó, com a mesma expressão severa e indiferente.

Eu pensava nas palavras certas para dizer, aliás, não sabia se devia dizer tudo ou apenas o que aconteceu na ausência deles.

—Ahn... Deidara e eu realmente estamos namorando. – aquilo foi o começo, mas todos a mesa desviaram o olhar, encarando algo na cozinha que não fosse eu. —Mas eu não tenho vergonha de dizer isso, eu...

Um barulho veio da sala e sabia que era Gaara chegando.

—Gaara-chan, na cozinha meu bem. – minha mãe chamou com sua voz carinhosa, e logo um ruivo apareceu na porta hesitante.

—Precisamos conversar. – Chiyo disse o chamando com um aceno, o ruivo me encarou e logo se sentou ao lado da mais velha. —Como o Sasori estava dizendo, ele está em um relacionamento com o amigo, Deidara...

Todos voltaram a me encarar.

—Desde quando meu amor?

Olhei para minha mãe e ela segurava um copo d’água, como se estivesse prestes a ter um ataque.

—Vai fazer um mês.

Talvez eu não devesse ter dito isso, talvez mentir seria melhor...

—Um mês? E quando pretendia dizer para nós? – meu pai se sobressaiu, assustando Gaara.

—Eu queria contar, mas... Mas não sabia como fazer isso.

—Acalma-se Hisoka – okaa-san disse autoritária, nunca vi a levar a voz daquela forma.

Meu pai se sentou, bufando em irritação.

—Continue Sasori...

—Bem é que... Eu estava me envolvendo com ele, mas era apenas amizade... – corei. —Eu nem percebi que estava gostando dele, então, aconteceu, eu disse que o amava e... É... – corei um pouco mais.

—E os mais pais dele? – minha avó perguntou.

Pensei em mentir, mas talvez fosse pior, talvez eles descobrissem que é mentira e eu me ferrasse com isso.

—Eles aceitaram.

Um silêncio desconfortável pairou na cozinha, aliás, na casa inteira.

—Muito bem. – minha mãe tomou um gole d’água. —Gaara-chan... Tem algo a nos dizer?

Gaara hesitou, segurando a mão da morena e mordendo o lábio inferior.

—Eu... – eu nunca o vi assim, tão hesitante e nervoso. —Eu estou com um garoto...

—Hunf... – ignoramos meu pai.

—... O nome dele é Rock Lee, filho de um dos professores da escola do Sasori. – corou. —Estamos há quatro meses.

—E por que nunca nos disse? – Chiyo-baasama tocou seu ombro.

—Eu tive medo, apenas okaa-chan sabia. – olhou para mim. —E depois o Sasori descobriu, mas ele nunca contou nada para ninguém, obrigado.

Surpreendi-me, ele nunca havia me agradecido a nada, não tão sinceramente desse jeito.

—Nós nos conhecemos em uma excursão, e depois disso, se mudou para minha escola. – brincou nervosamente com os dedos finos de nossa mãe. —Então começamos a sair.

Novamente silêncio. Eu nunca me imaginei nesse tipo de situação com minha família.

—Eu... – okaa-san começou. —Eu aceito. Aceito a decisão dos dois, e aceito o namoro. – sorriu de lado. —Não importa com quem seja, mas se estão felizes, eu também estarei.

Aproximei-me dela e a abracei pelos ombros.

—Obrigado, mãe.

—Mas eu não quero vocês trazendo namorados para casa e fazer o que não deve. – me deu um tapa na cabeça. —E se nós tivéssemos chegado a um momento mais íntimo seu e do Deidara-chan? – ri nervosamente constrangido.

—Nós devemos conhecer os pais dos dois pretendentes. – minha avó sorriu. — Hisoka...?

Ele levantou a cabeça e nos encarou, não sei exatamente qual foi aquele olhar, porém, digo que foi profundo, o que me causou arrepios. No fim, se levantou e saiu da cozinha, sem dizer nada.

Minha avó suspirou e minha mãe fungou.

—Vocês devem estar cansados... Podem ir para seus quartos.

[...]

—Então eles aceitaram?

—Bem, apenas minha mãe e minha avó, meu pai não disse nada. – beberiquei um pouco do café fumegante no copo.

Itachi me encarou alguns segundos.

—Conversou com ele?

—Acho que não seria prudente, aliás, foi ele quem disse que tinha nojo de mim, não é?

O moreno bebeu seu café.

—Faz sentido. – me encarou. —Mas ele pode estar tão confuso quanto você.

—O que quer dizer?

Nós estávamos em uma cafeteria, apenas conversando já que saímos mais cedo após uma reunião da Akatsuki. Estava esperando o horário letivo acabar para voltar a escola e esperar Deidara.

—Bem, quando meu irmão assumiu sua relação com seu amigo, Naruto...

—Espera... Seu irmão é...? – ele assentiu bebendo mais um gole e meu queixo caiu.

—De qualquer forma, não foi fácil para meu otou-sama aceitar. – fez uma careta, como se estivesse lembrando-se do passado. —Eu não entendi muito bem o porquê de tanto drama, aliás, Sasuke era da família. – mexeu no copo com os dedos. —Mas, ele me explicou que, quando se tem um filho, espera que ele se case, tenha filhos, encha sua casa de netos barulhentos e irritantes. Bem, e quando se é homossexual, isso não pode acontecer se pensar bem.

—Adoção existe...

—Mas não é a mesma coisa que acompanhar uma gestação. – suspirou. – Sabe Sasori, talvez seu pai pense da mesma forma...

—Ou talvez ele seja preconceituoso.

—É, talvez. – remexeu-se na cadeira. —Porém, ele pode ser um preconceituoso com esse pensamento, converse com ele... Talvez ajude.

Sorri de lado.

—Obrigado.

Ele me encarou, sorrindo logo após. Inclinou-se um pouco na mesa e tocou minhas mãos com as suas, me fazendo corar.

—Não tem de que. – disse baixo, porém, pude ouvir perfeitamente. —Amigos são para isso...

Puxei minhas mãos das suas e pigarrei.

—Ahn... Que horas são? — rezei para que não estivesse da cor dos meus fios de cabelo, mas pela forma quente em que minhas bochechas se encontravam, acho que devo estar pior do que um tomate.

—Faltam alguns minutos para o fim das aulas, quer companhia?

—Não, obrigado. – nós nos levantamos e saímos da cafeteria.

Eu fui para um lado e ele para outro. Quando o Uchiha não estava mais em minha visão, suspirei pesadamente. Eu sei que Itachi gosta de mim, e nunca fez nada para me separar de Deidara, mas às vezes eu penso se ele está dando em cima de mim...

Ok, eu ele está dando em cima de mim. Mas nunca esperei que fosse tão descaradamente.

—O que foi? – perguntou Deidara após me dar um beijo, o loiro já estava me esperando em frente à escola. Só então percebi que ainda estava corado.

—Nada. – entrelacei nossas mãos e ignorei seus olhares desconfiados.

Eu sei que pode ser idiotice ou coisa da minha cabeça, mas Itachi me pareceu mais interessante. Não que eu esteja gostando dele, não sei exatamente o que seja, apenas... Curiosidade.

Odeio quando eu não sei explicar o que estou sentindo.

Com todos esses problemas, me vem mais essa.

[...]

—Tadaima. – adentrei a casa tirando os sapatos e bocejando. Joguei a mochila no chão e vi meu pai na sala, junto com Gaara.

Pensei no que havia conversado com Itachi, mas não tinha coragem de ir até ele. Não que tivesse medo de apanhar, ser humilhado ou coisa do tipo, apenas... Não tinha coragem.

—Vamos conversar.

Assustei-me ouvindo sua voz. Gaara estava com a cabeça baixa, e meu otou-san se virou em minha direção.

—Eu sou seu pai, Sasori.

—Eu sei... – franzi o cenho.

—Termine com seu namorado.

Arqueei uma sobrancelha. Ele estava mesmo falando serio? Depois de toda aquela conversa?!

—Não.

Não sei se aquilo foi inteligente da minha parte, já que até Gaara me encarou espantado.

—Por que faz tanta questão? Não percebe o quanto isso está arruinando nossa família?

—Não seria mais fácil você simplesmente aceitar?

Ele riu, cinicamente.

—Aceitar? Por que eu devia?

—E por que eu devia obedecer a um egoísta igual a você?

—Eu sou seu pai!

—Eu não me importo!

O encarei e senti uma pontada no peito, isso era ridículo. Toda aquela cena, todo aquele drama.

—Nunca pensei que o Deidara fosse uma má influencia... Ele parecia um bom garoto. – cerrei meus punhos, segurando a vontade de bater nele.

Onde estava minha mãe? Onde estava Chiyo-baasama?

—Eu sei como você se sente... – comecei, lembrando do que Itachi havia me dito. —Sei que você queria ver seus filhos se casando, tendo filhos ou coisa do tipo, mas... Mesmo com essa opção você ainda pode ter...

Ele me encarou e depois Gaara.

—Não olhe para ele assim! – rosnei. —Você realmente vai obrigar os seus filhos a serem infelizes? Não acha egoísmo demais?

—Cale-se Sasori! – bateu o pé e me afastei um pouco. —Por que você não pode me obedecer pelo menos uma vez na vida?

—Por que não vale a pena! – bufei e suspirei pesadamente. —Quer saber, vou para meu quarto. Gaara, vamos!

Fui em direção das escadas. Por um minuto pensei que ele iria começar a gritar comigo, iria jogar alguma coisa em cima de mim ou qualquer coisa para me impedir, mas não fez nada. Meu irmão mais novo me seguiu, hesitante.

Fui para o meu quarto e ele me seguiu, entrando e fechando a porta.

Na verdade, nem sabia o porquê dele ter entrado no meu quarto, até por que, as únicas vezes que ele entrou foi quando éramos crianças quando ele estava com medo dos trovões e pediu para dormir junto comigo, — mas isso faz muito tempo, tínhamos aproximadamente nove e seis anos de idade-, e quando ele me flagrou com Deidara, mas isso eu não quero lembrar.

O encarei, esperando que dissesse algo. Demorou um pouco, mas ele começou a falar.

—Obrigado por me defender... Ou quase.

—Não tem de que... – tirei meu blazer e minha gravata, jogando em algum canto do quarto.

Ele ficou em silêncio enquanto eu tirava meu uniforme.

—Ele vai fazer sua vida um inferno. – riu nervosamente. —Assim como a minha...

O encarei confuso, não fazia a mínima ideia do que ele estava falando.

—Quando ele descobriu que eu era gay quase me bateu, por sorte, okaa-chan não deixou. Você deve se lembrar desse dia...

Arregalei os olhos, surpreso com sua revelação. Sim, eu me lembrava; o dia em que eu estava assistindo um programa qualquer e nosso pai chegou aos berros com Gaara, não entendi, mas vi minha mãe intervindo na situação, defendendo meu irmão.

Eu não fiz nada para ajudar naquele dia, e depois daquilo, Gaara e eu nunca mais nos falamos direito.

Então era isso, me sinto culpado relembrando.

—Você foi corajoso confrontando ele... – deu de ombros. —E foi corajoso me defendendo também, não sei se teria a mesma coragem.

—Irmãos são para isso... – sorri de lado, sem graça. —Aliás, eu nunca fiz nada por você, estava te devendo.

Ele me encarou de cenho franzido.

—Está errado. – arqueei uma sobrancelha e ele foi até a porta. —Você já fez muito por mim... A minha melhor lembrança é com você, Sasori.

—Qual?

—A do natal... A marionete de presente. – pela primeira vez, vi Gaara sorrir largamente. Ele não disse mais nada, apenas saiu do quarto.

Marionete de presente, me lembrava. Bem, não foi exatamente um presente, ele ganhou um boneco de luta do nosso pai e quebrou duas horas depois, não aguentei o ouvir chorando o dia todo então fiz uma marionete e coloquei roupas do boneco nela, e depois dei a ele. Mas aquilo foi apenas para ele parar de chorar e parar de me importunar, nunca pensei que essa lembrança boba fosse tão importante.

Tudo bem que ele ficou todo feliz e depois não largou do meu pé com “Sasori-nii-san” e tudo mais, porém... Bem... Ok, eu sou um idiota.

Olhei para meu cômodo, encarando um porta-retratos da minha família. Sinceramente, tenho saudades daquele tempo...

Notas finais
O Deidara nem apareceu nesse capítulo direito, eu sei... Foi mais voltado para a família do Sasori, eu sei... E esse capítulo não foi lá essas coisas, eu sei... Mas quem quer um especial LeeGaa precisa desse capítulo 8D Aliás, é o próximo