Kiss Me.
26 O poder da juventude.
Notas iniciais
Os trovões soavam muito alto no cômodo, seu quarto era iluminado e o choro estava forte, tanto que os soluços doíam nos pulmões. Fechava os olhos com força, tentando ignorar o barulho, mas estava difícil dormir naquela forma.
Sentou-se na cama e gemeu quando houve outro clarão. O quarto estava muito escuro, e quase tropeçou em alguma coisa no chão quando desceu do colchão, cambaleou um pouco, mas encontrou a porta, saindo o quarto.
Correu o mais rápido que pode até o quarto ao lado, abrindo a porta e adentrando. Estava tão escuro quanto o seu, mas a respiração elevada de seu irmão era o único ruído, logo após um trovão que soou ao ouvidos do pequeno, assustando-o.
—Nii-san... – chamou fungando, com medo que houvesse outro clarão. – Sasori-nii-san...!
O corpo na cama se remexeu, soltando um resmungo e virando-se para o ser de olhos inchados.
—O que? – sentou-se coçando os olhos, mais uma trovoada e o menor gemeu novamente, soluçando enquanto se agachava no chão ao lado da cama. Sasori observou aquilo pasmo. —Está com medo?
A criança assentiu, soluçando.
—Tsc. –deitou-se novamente na cama dando espaço para o outro, o menor se deitou, estremecendo logo após outro clarão. Por meio de reflexo, abraçou o corpo magro do irmão. —Calma, são só trovões, não vai acontecer nada...
Mas aquilo não diminuiu o medo de Gaara.
[...]
Tédio. Escola. Barulho. Tudo o que Gaara mais odiava, mas era o que sempre estava diante de si. Alunos barulhentos e sorridentes, gritando e caindo de cara no chão após uma brincadeira de mau gosto.
Apenas observava.
Ninguém nunca o chamava para brincar, então ficava sentado em um cato qualquer esperando seu pai ou sua mãe o buscar.
Mesmo que achasse besteira ficar o dia todo correndo, ele queria saber o porquê não o chamavam. Convidavam aquela garota gordinha e mandona da segunda série, então por que ele não poderia?
Suspirou, não ligava à mínima, ou pelo menos era o que achava.
Já tinha dez anos de idade, não devia querer brincar com criancinhas. Seu irmão mais velho, apenas com dez anos, já sabia ler coerentemente e fazer contas complexas de matemática; por que ele não conseguia?
Seu irmão não se importava em não ser convidado para brincar com as outras pessoas, então por que ele devia se importar?
Viu seu pai se aproximar do portão da escola primária e correu até ele, contendo um sorriso tímido por sua mão estar sendo segurada.
Era sempre a mesma coisa. Sua mãe estava fazendo o almoço, perguntando se ele queria comer alguma coisa diferente; ela, aos seus olhos, era a pessoa mais linda e gentil do mundo; seu pai ajudava seu irmão com a lição de casa, na verdade, o mais velho se enrolava com as contas enquanto Sasori fazia o ignorando.
Queria saber o porquê seu irmão mais velho nunca tinha olhos para si. Sempre se perguntava se Sasori gostava de si, mas não tinha coragem nenhuma para perguntar.
Seu pai também não lhe dava muita atenção, aliás, todas as atenções eram de Sasori. O gênio da casa, não... O gênio do bairro inteiro.
E mesmo que sua mãe sempre lhe dissesse que Sasori e Hisoka o amassem, ele sempre se sentia excluído nas conversas inteligentes dos dois, mas o que Gaara poderia fazer? Ele era apenas uma criança.
[...]
Dia dezenove de janeiro. Seu aniversário. Se estava animado? Não. Bem, na verdade um pouco.
A questão, era que fazer aniversário dia de semana não era muito confortante. Claro, até por que, seus pais nunca estavam em casa e seu irmão ajudava na loja da avó. Ou seja, Gaara estava passando o aniversário sozinho, ou quase.
Sua mãe ligava de minuto em minuto para saber como o ruivinho estava e também para perguntar o que ele queria de presente;
Mas ele nunca queria nada, ficava difícil.
Agora, com seus doze anos, Gaara ainda não era muito popular com os jovens de sua idade, mesmo que tenha algumas mínimas amizades. Como um garoto do sétimo ano, que fez amizade com o ruivo.
Agora, nesse momento, estava andando pela calçada do bairro, indo em direção a um lugar especifico. Pediu permissão aos seus pais, é claro, e agora, estava caminhando despreocupadamente.
Avistou uma cabeleira morena após chegar ao lugar combinado e correu, abrindo um sorriso quase que infantil.
—Neji-san! – gritou, chamando a atenção do outro, que acenou para o moreno.
—Ei Gaara, você parece feliz. – disse o moreno sentando-se no banco branco oferecendo uma garrafa d’água ao ruivo, o mesmo recusou.
—P-pareço? – sentou-se ao lado do outro.
—Sim, está sorrindo. É bem difícil o ver assim. – bebericou o líquido. —Mas diga, pode ficar quanto tempo?
—Meu pai disse que posso ficar até às duas. – encostou as costas no banco. —Minha avó vai levar um bolo hoje, então eu preciso estar lá quando ela e Sasori-nii-san chegarem.
—Um bolo? – arqueou uma sobrancelha.
—É... – corou um pouco. —Hoje é meu aniversário. – sorriu um pouco mais, porém, desta vez, timidamente.
Neji o encarou, parecendo um pouco surpreso. Era amigo do mais novo há algumas semanas, não sabia do aniversário do ruivo, sendo assim, não tinha presente.
—Eu não sabia... – ficou sem graça com a situação. —Gostaria de lhe dar algo.
—N-não precisa Neji-san. – corou um pouco sob o olhar do mais velho.
—É uma data especial, precisa ser celebrada com algo importante. – segurou a mão fria do outro, Gaara corou um pouco mais com o contato. A mão de Neji era quente e macia. —Deixe-me pensar... – segurou o queixo e fez uma careta pensativa.
Gaara continuou encarando o moreno, observando as feições do mesmo. Neji era um tanto popular na escola, mas o mesmo não ligava muito para sua fama. Na verdade, o ruivo nem sabia o porquê do moreno ter começado a falar com ele, o mesmo dizia que Gaara era interessante e suas personalidades eram parecidas, mas ele nunca esteve muito certo disso.
Às vezes, o moreno lhe lembrava de seu irmão mais velho.
—Já sei. – disse o outro fazendo o ruivo sair de seus pensamentos. —Vou lhe dar um presente, Gaara. – Neji foi se aproximando do ruivo, fazendo com o que o mesmo sentisse seu hálito quente, com cheiro de hortelã.
—N-neji-san...?
—Calma... Aproveite... – sussurrou encostando seus lábios nos do ruivo, em um selinho rápido.
Ele puxou o ruivo pela cintura e afastou um pouco a franja do menor, aprofundando o beijo. Gaara por outro lado, estava surpreso. Estava gostando, mas estava surpreso.
Era seu primeiro beijo, não sabia exatamente como reagir. Entreabriu a boca timidamente sentindo as bochechas queimarem; Neji invadiu a boca do ruivo, explorando a cavidade quente e inexperiente do mesmo.
Fechou os olhos e tentou aproveitar, do jeito que o mais velho havia dito. Após alguns instantes, o moreno se afastou, deixando o ruivo de olhos fechados e boa entreaberta.
Quando Gaara abriu os olhos, viu o moreno sorrindo.
—Gostou?
Corou.
—S-sim, o-obrigado.
Sorriram, ambos.
E assim ficaram, conversando, trocando carícias, até que o tempo foi passando e o ruivo não percebeu.
—Acho melhor você ir, está ficando muito tarde. – disse o moreno dando um selinho rápido no ruivo.
Assentiu um pouco triste por ter que se afastar do moreno. Abraçou o mais velho e lhe deu mais um beijo, porem, mais demorado. Passou os braços pelo pescoço do moreno e sentiu sua cintura ser rodeada.
—Gaara?! – uma voz grave soou no local e o ruivo se afastou bruscamente do maior, olhando assustado para frente.
—Otou-san...
[...]
Tomoe estava na cozinha, encarando o bolo de aniversário de seu filho mais novo. Chiyo havia ido embora para resolver algumas coisas na loja, mas prometeu que voltaria. Sasori estava com a mãe, porém, pela demora do irmão, resolveu esperar fazendo alguma coisa, aliás, odiava esperar.
Estava tudo silêncio, tirando o som da televisão.
Bem, ficou assim por pouco tempo, já que a porta foi aperta. Tomoe se animou, queria dar o presente para seu filho, mas infelizmente, o sorriso da mulher se desfez ao ver seu marido puxar o ruivo mais novo pelo braço, o menor fazia uma careta de dor.
—Hisoka, mas o que...?
—Eu sei o porquê desse moleque ter demorado tanto! – gritou o mais velho furioso. Sasori desviou os olhos da televisão para a cena. —Diga a sua o porquê Gaara!
O ruivo desvio o olhar para o chão, fungando envergonhado por toda a situação.
—Diga! Agora você está com vergonha! Fazer o que estava fazendo você não tem?!
—Hisoka, o que houve? – a mulher olhava a cena abismada, sem entender nada. —Gaara, meu amor, o que houve? – perguntou Tomoe secando as lágrimas do menor. —Pode dizer meu amor.
—Conte a ela! – gritou e o ruivo fungou novamente. —Ora seu! Obedeça-me! – se aproximou do mais novo com os punhos cerrados, prestes a fazer alguma besteira.
—Não ouse tocar nele Hisoka! – disse a morena firmemente, afastando o filho do ruivo mais velho.
—Pai, o que... – Sasori tentou dizer, mas recebeu um olhar furioso do pai, o que o fez ficar em silêncio.
—Vá para o seu quarto, Sasori! – mandou e o filho mais velho não disse nada, apenas subiu as escadas até o quarto confuso. —Ele estava trocando saliva com um garoto! Um garoto! – rosnou se aproximando do outro. A mulher olhou para o maior abismada.
— Hisoka, por Kami... – desviou os olhos castanhos avermelhados para o ruivo menor. —Gaara, meu bem, vá para o seu quarto, ok? – beijou a testa suada e pálida do outro, o ruivo assentiu e saiu correndo escadas a cima.
Correu até seu quarto e se trancou lá, tampando os ouvidos após ouvir gritos do andar de baixo. Deitou de bruços e colocou o travesseiro em cima da cabeça, abafando os soluços.
[...]
—Direto para casa! Sasori irá buscar você, e é melhor o esperar!
Foi isso que seu pai disse antes do ruivo ir para a escola. Depois de um ano, o mais velho não esquecia sobre aquele acontecimento. Gaara agora tinha seus treze anos, e por muita insistência de seu pai, mudou de escola.
Não tinha mais contado com Neji, na verdade, depois daquele dia, nunca mais viu o moreno.
Suspirou vendo as pessoas de a escola saírem em grupos em direção a suas casas. Sentou-se em um dos degraus da escada e esperou, vendo as pessoas se afastarem sorridentes.
Patético, era isso que ele pensava de tudo isso.
—Ei, Gaara-kun, vai ficar ai? – ouviu a voz da última pessoa que queria ver. —É perigoso ficar aqui sozinho.
Olhou para o lado encontrando Rock Lee, um garoto moreno e um tanto estranho aos seus olhos. Ele era do time de basquete, de vôlei, e tudo o que era relacionado a esportes. Nem sabia o porquê do moreno gosta tanto assim de educação física, odiava essa matéria.
O moreno era da mesma classe que si, quando entrou no colégio, ele foi o primeiro a tentar puxar conversa, mas foi cortado, assim como todos os outros; mas infelizmente, Rock Lee continuava a tentar conversar com o ruivo.
E enquanto Rock Lee tagarelava sobre como o ruivo era calado e como a primavera da juventude era importante, o ruivo observava um grupo de valentões se aproximarem de onde eles estavam.
Os conhecia, eram os mesmos que sempre iam colocar medo em alguns garotinhos da primeira e segunda série.
—Ei veadinho, arrumou um namorado, é? – perguntou um deles arrancando risadas dos outros.
Gaara ignorou, mas o moreno ao seu lado ficou um tanto ofendido.
—Não falem com o Gaara-kun desse jeito! – disse se levantando e ficando de frente com o grupo. —Quem vocês pensam que são?
—Olha o sobrancelhudo tentando defender o emo.
—Ei, ignora. – Gaara disse puxando o outro, mas Rock Lee continuou.
—Não vou os deixar falarem assim com você. – se aproximou mais. —Você faria o mesmo por mim...
Na verdade, não faria, mas não comentou nada.
Aliás, o moreno se importava com Gaara aponto de se meter em uma briga? Bem, o ruivo achava idiotice, até por que, depois de fazer um discurso sobre a juventude, o moreno foi pego de surpresa pelos valentões e começou a apanhar feio.
O ruivo não sabia o que fazer, onde estava Sasori para ajudar? Ok, não iria adiantar de nada com o ruivo mais velho, mas mesmo assim.
—Ei, parem! – gritou o ruivo, empurrando um dos garotos para longe do grupo.
No momento seguinte, Gaara foi fazendo praticamente tudo automaticamente. Socando o ar até achar alguma coisa macia para bater, e esperava que não fosse Rock Lee. Quando parou, alguns dos valentões estavam correndo e outros xingando o ruivo, o moreno estava sentado no chão gemendo de dor.
—Está tudo bem? – se aproximou. Rock Lee riu escandalosamente.
—Isso foi demais! Como conseguiu?
—Não sei... Apenas... Não sei. – corou um pouco constrangido. Puxou o moreno para si e o ajudou a se levantar. —É melhor você ir...
—Por quê? Já disse que é perigoso!
Gaara suspirou, que garoto teimoso.
—Olhe, eu preciso esperar o meu irmão, que está atrasado, e você precisa colocar um remédio nesse corte. – apontou para a testa do outro.
—Mas...
—Certo, me dê o seu número, assim eu posso dizer que estou bem. – sugeriu entregando seu aparelho celular para o moreno, que sorriu.
O ajudou a se sentar e digitou seu próprio no celular do moreno, vendo que ele havia feito o mesmo. Quando terminou, o moreno foi embora, ainda um pouco hesitante.
Suspirou pesadamente sentindo suas pernas e braços fraquejarem, já que levou alguns socos e chutes. Sentou-se novamente, olhando para o aparelho “Lee”.
Talvez Rock Lee não fosse uma pessoa tão idiota quanto pensava.
Ficou perdido em pensamentos por mais algum tempo, quando ouviu passos pesados e apresados até si, levantou a cabeça encarando seu irmão mais velho ofegante.
—Desculpe... – disse ele referindo-se a demora. Ele parecia abatido, como se algo houvesse acontecido; mas não ousou perguntar nada.
—Não se preocupe... Se quiser pode demorar mais vezes. – deu de ombros, pegando sua mochila do chão e caminhando em direção a sua casa.
Demorou um pouco para Sasori o seguir, mas o fez. O ruivo mais velho parecia confuso e pensativo sobre alguma coisa.
Quando chegou a casa, mandou a mensagem para Rock Lee, dizendo que estava vivo. Em troca recebeu uma resposta.
“Fico feliz, aliás, obrigado por me salvar! Viva a juventude, Gaara-kun! Nós nos vemos depois! — Lee”.
Não sabia o porquê, mas sorriu após ler.
[...]
—Seu pai é treinador? – perguntou olhando os moveis da casa.
—Sim, ele trabalha em uma escola bem famosa, a Konoha Elite School. – deu de ombros. —Vou estudar lá no ensino médio.
—Meu irmão estuda nesse colégio. – murmurou olhando algumas fotos de Lee com o pai. —Puxa... Vocês são bem parecidos...
—Sério? Obrigado! – sorriu tocando as costas do ruivo amigavelmente. —Quer comer alguma coisa?
—Não, obrigado...
—Vou preparar alguma coisa com chocolate... – ignorou o ruivo.
Gaara e Lee se tornaram amigos, ou quase. Mesmo com personalidades diferentes, os dois se davam bem, mesmo que às vezes Gaara se irritava muito com o outro.
—Gaara-kun, você gosta de biscoitos? – apareceu na sala com uma bandeja de biscoitos de chocolate, o ruivo corou.
—S-sim. – na verdade ele amava biscoitos, mas não quis parecer “frágil”.
—Gaara-kun, você gosta de mim? – quase engasgou com a pergunta.
—Como... Como assim?
—Ora, somos amigos há um tempo...
—Duas semanas.
—... E percebi que às vezes você não parece muito à vontade... – deu de ombros. —Se sente incomodado comigo?
—Não... É que... Não sou bom com amizades.
—Ah que isso! – bateu nas costas do ruivo, fazendo-o engasgar. —Mas você não respondeu minha pergunta...
Gaara corou de leve e encarou os biscoitos.
—Eu... — desviou o olhar para o moreno. —Gosto de você.
—Eu também! – sorriu. Mas o ruivo não sabia que tipo de gostar era aquele, não da parte de Lee, mas sim da sua própria.
—Lee, é seu amigo? – ouviram uma terceira voz e viram uma copia mais velha do moreno no sofá.
—Sim! Gaara-kun esse é meu pai, o grande Maito Gai! (N/A: ou Might Guy, tanto faz...).
—É um prazer. – fez uma pose estranha e se juntou aos dois, começando a conversar sobre juventude, Gaara se segurou para não revirar os olhos.
Conversa vai, conversa vem... E com isso o tempo foi passando.
—É melhor eu ir... – se levantou, Lee o acompanhou. —Foi um prazer...
—Volte mais vezes! – o mais velho disse ao ruivo.
Lee o levou até a porta.
—Nós nos vemos depois? – perguntou o moreno sorrindo.
—Claro... – deu de ombros. Arregalou os olhos após perceber que estava sendo abraçado.
—Eu gosto de você Gaara... Lembre-se disso.
O ruivo corou, sem saber o que fazer ou dizer. Os dois se encararam e Lee sorriu novamente, encostando seus lábios nos do menor, porém, em um contado rápido.
O moreno entrou na casa, deixando Gaara desnorteado. Agora sim ele estava completamente confuso. Foi para a casa a tempo de ver seu irmão entrar em uma limusine preta, sua mãe espionava pela janela. Ignorou e foi até seu quarto, como o mesmo pensamento Rock Lee.
Aquele moreno estranho gostava dele... E ele? Gostava do moreno estranho?
[...]
—O que foi, Gaara-kun?
Estavam em um parque afastado da casa de ambos, o ruivo estava mais quieto do que costume o que deixou o moreno preocupado.
—Nada... – desviou o olhar para o chão e corou. —É que... Eu... Eu... Gosto de você...
—Eu sei, você já disse...
—Não. – corou mais após encarar o maior. Não sabia como dizer aquilo, aliás, era ridículo. O máximo que conseguia fazer era gaguejar.
Respirou fundo e fez o inevitável, beijou o moreno, que se assustou. Mas claro, ele correspondeu.
—Esse é o poder da juventude.
E com isso, o tempo dos dois foi passando; Lee pediu Gaara em namoro, o ruivo aceitou, explicando sua situação atual com os familiares, mas mesmo assim, apresentou o moreno a sua mãe, que o aceitou de bom grado e sempre ajudava o ruivo com suas saídas suspeitas.
Sasori, por mais estranho que pareça, começou a parecer um pouco mais interessado no ruivo mais novo. Os dois irmãos tiveram uma discussão, após encontrar o irmão mais velho brigando com os alunos de Gai. Aliás, os conheceu quando estava com Lee na casa do mesmo, e ameaçou os três por tentar fazer Lee de idiota.
Bem, com isso, a relação de irmãos foi se afastando mais. Mesmo que sentisse falta do irmão mais velho como antigamente.
Voltando no relacionamento do ruivo e do moreno, os dois eram um casal neutro, sem segundas intensões. Gaara não estava preparado para dar um passo mais íntimo, e o moreno não fazia muita questão.
Conheceu um amigo do irmão, Uchiha Itachi, quando o ruivo foi para o hospital. Mas não foi nada muito relevante, mas foi bom ver Konan novamente.
Infelizmente, ou felizmente, Sasori descobriu sobre o namoro dos dois, mas ele não falou nada para ninguém. Também descobriu que o irmão tinha um relacionamento com um loiro estranho chamado Deidara; não sabia como seu irmão foi se envolver com alguém tão extrovertido... Aliás, ele também estava na mesma situação.
Foram para uma festa na escola do irmão, ficou o tempo inteiro com Lee, até o momento em que o moreno percebeu uma movimentação estranha, mas só chegaram a tempo de ver Sasori ser arrastado para dentro do prédio junto com um moreno e o diretor. Deidara explicou tudo, ou quase, já que parecia ocultar algumas coisas.
Quem diria, Sasori estava mudando aos poucos.
Logo após, os pais descobriram sobre o ruivo e o loiro, assim, aceitaram o namoro. Ou pelo menos sua mãe, já que seu pai, como já era de se esperar, não gostou nada da ideia.
Mas o que mais o surpreendeu, foi ver Sasori o defendendo do próprio pai, coisa que ele não havia feito antigamente, na primeira briga do ruivo e do pai.
E com isso, talvez, o relacionamento de irmãos estaria voltando ao normal.
[...]
—Mas... E se ele proibir? — Lee perguntou nervosamente.
—Não importa, a palavras da minha mãe da Chiyo-baa são mais importantes. – deu de ombros.
—Mas...
—Lee, não se preocupe. – tocou o rosto do maior. —Podemos aproveitar o tempo necessário.
O moreno sorriu, selando seus lábios nos do ruivo.
—Eu te amo...
—Eu também. – tocou os cabelos negros. —Eu... Eu confio em você.
—Hm... Eu também, mas por que isso agora?
Gaara corou um pouco.
—Eu quero aproveitar o tempo necessário com você, Rock Lee. – se aproximou. —Estou pronto.
—Gaara... Isso... Isso é sério? Não precisa...
—Eu quero.
Os dois se encararam e novamente, beijaram-se. Lee deitou o menor na cama, agradecendo por seu pai não estar em casa. Ficaram trocando caricias por algum tempo, beijando-se, abraçando-se e ouvindo algumas palavras doces vindas do moreno.
Lee sempre fora carinhoso, Gaara tentava, mas nem sempre conseguia. Continuaram naquilo, até que quando Gaara se deu conta, já estavam ambos nus.
O moreno distribuía beijos por todo o corpo corado do ruivo, recebendo suspiros e gemidos contidos. Mordia o pescoço alvo do menor, subindo para a bochecha e o lóbulo.
—Você é tão lindo... – sussurrou no ouvido do ruivo, fazendo o mesmo corar ainda mais.
—P-pare de falar essas coisas... – virou o rosto para o lado. —Vamos logo com isso, ok?
Lee riu.
—Você quem manda!
Abraçou o menor e inalou o perfume do Akasuna, alisando as coxas e pernas do menor. Gaara era sempre tão indiferente, mas agora, em seus braços, estava tão delicado e frágil.
Desceu os lábios para um dos mamilos do ruivo, mordendo e beijando. Gaara suspirou acariciando os fios negros de Lee. Desceu novamente, passando o lábio inferior na barriga até a virilha do ruivo, mordendo sua coxa e dando um beijo na glande do membro pulsante.
—Hmmm... – tentou conter mais um gemido.
—Não precisa ter vergonha...
—C-continua!
Riu novamente, Gaara estava tão submisso sob si. A visão mais linda que já havia visto.
Lambeu a coxa do ruivo, descendo para os testículos e subindo para o corpo do membro até a glande. Pensou em colocar tudo na boca, mas hesitou um pouco. Respirou fundo e beijou a testa do ruivo.
—Podemos trocar de posição se você quiser... Vai doer. – disse deslizando a mão até o membro do ruivo e começou uma massagem.
—Ah... E-eu... Hm... Não p-precisa... Agh... – os pingos de suor caiam da testa do ruivo. —E-eu... Quero você, Lee... Hmmm...
Sorriu novamente, o ruivo arqueou as costas e soltou um gemido mais alto quando apertou mais o membro entre as mãos.
Afastou-se um pouco, ouvindo protestos da parte do Akasuna.
Abriu as pernas do ruivo, mordendo mais uma vez as coxas já roxas e umedecendo a entrada de Gaara, que começou a gemer contidamente novamente. Colocou um dedo, vendo-o fazer uma careta desconfortável.
—Está doendo?
—N-não muito... – começou a fazer movimentos com o dedo, colocando mais um. Pode ver a careta de dor do ruivo, mas ele não soltou nenhum tipo de som.
Orgulhoso como era, nunca iria.
Começou a fazer movimentos circulares, a respiração do ruivo começou a se elevar.
—Gaara...
—Continua!
Suspirou e colocou mais um dedo, vendo a cavidade se contrair e o ruivo soltar um urro de dor. Tirou os dígitos e encaixou-se entre as pernas pálidas do menor, acariciando suas pernas.
Pensou em dizer alguma coisa, mas o ruivo poderia lhe bater, então apenas continuou.
Pressionou seu membro delicadamente na entrada. E com um gemido, Lee pensou em estar no céu por alguns segundos. Como poderia descrever aquela sensação: apertado, muito apertado.
Gaara por outro lado, mordia o lábio inferior e as mãos, respirando ofegante. Nunca havia sentido tanta dor em sua vida, mas pela expressão do moreno, ele não parecia estar se incomodando. Ignorando a dor, mexeu o quadril, dando permissão ao maior que começasse os movimentos, e assim foi.
Um gemido de prazer ali, e um contido de dor aqui.
Os movimentos de Lee estavam lentos, Gaara respirava fundo e tentava relaxar, percebendo que a dor não estava tão presente quanto antes. Abraçou o moreno, passando seus braços pelo pescoço e suas pernas pela cintura; o moreno começou a fazer movimentos mais rápidos, conseguindo, finalmente, arrancar gemidos do ruivo, os quais não conseguiu conter.
—Lee... Uhn... Ahn... – arqueou as costas novamente, arranhando as costas do moreno.
Lee gemia próximo ao ouvido do ruivo, aumentando a força das estocadas, e segurando as pernas do menor com mais força.
—Ah... – soltou um gemido mais alto, após ser atingido em um pouco especifico. O moreno pareceu perceber, já que imediatamente começou a estocar apenas naquele local com mais força e rapidez.
—Gaara... E-eu... Ahn! – mais algumas estocadas, e soltou o líquido branco dentro do ruivo, porém, não parou os movimentos.
Começou a fazer movimentos vai e vem no membro do menor, e com isso, o fez chegar ao seu ápice também, melando sua barriga e a do parceiro.
Saiu de dentro do ruivo, deitando ao lado dele. Abraçando-o.
Os olhares se encontraram, e sorriram, aliás, gargalharam. Gaara tentou conter, mas não conseguiu, abraçou o moreno forte e pensou o quanto aquilo havia sido especial; até mesmo mais do que seu primeiro beijo com Neji.
[...]
Entrou na casa, tirando os sapatos e bocejando, as luzes estavam ligadas e sua mãe corria de um lado para o outro. Sasori estava no sofá, de terno e uma gravata mal colocada.
—Aonde vão?
O ruivo mais velho o encarou.
—Na casa do Deidara. – suspirou. —É melhor se arrumar...
—Por quê?
—Gaara! – sua mãe apareceu com um vestido vermelho longo, onde deixava uma das pernas a mostra. — Vá se arrumar, sua vó já vai chegar. -Sasori revirou os olhos.
—Okaa-san, você pode, por favor, colocar um vestido decente?
—Já expliquei Sasori-chan, o Deidara-chan vem de uma família rica, então tenho que dar boa impressão! – Gaara e Sasori encararam o vestido com o decote da mulher.
—Mãe...
—Você também não, Gaara-chan. Agora, vá, tome um banho e se troque, suas roupas já estão em sua cama. – o ruivo suspirou e se deu por vencido. —Sasori, arrume essa gravata, por Kami.
—Vá colocar outro vestido!
Subiu as escadas e foi até o quarto, vendo suas vestes na cama. Respirou fundo e olhou para o celular.
“Aquilo foi bom, devíamos repetir! Pelo poder da juventude”.
Nem precisava verificar de quem era a mensagem.
Sorriu sozinho. É, Rock Lee realmente não era a pessoa idiota que pensava há meses atrás.
Fale com o autor