Kiss Me.
36 Perdoe-me
Notas iniciais
—Itachi... Itachi! – chamei o moreno que andava apresado pelos correr em minha frente.
Ele não me ouvia, havia saído da sala de reuniões sem deixar Yahiko terminar de falar. Ele parecia abalado, e estava praticamente correndo. O corredor não estava movimentado, apenas algumas pessoas passavam correndo.
Eu tive que apertar o passo, e o segurar pelos ombros, o obrigando a parar de andar.
—Itachi... – suspirei ao ver sua expressão triste.
—Eu sou muito burro! Muito idiota! – ele me abraçou, fungando. Eu não estava desconfortável naquela situação, mas esperava que nem Deidara e nem Hidan aparecesse no corredor.
Ele estava sentindo remorso, e sei muito bem como é a sensação. Ele descobriu que havia sido enganado esse tempo inteiro e havia acusado Deidara injustamente, sem ao menos saber.
—Não, acalme-se. – alisei suas costas. —Tem uma coisa que você pode fazer para se sentir melhor... – anunciei o fazendo se afastar e secar algumas lágrimas e me encarar após respirar fundo.
—O que?
Sorri de lado, fazendo com que ele franzisse o cenho.
Expliquei para ele o que devia fazer, o vi ficar envergonhado e hesitar por alguns minutos, pensativo. Na minha cabeça, essa era a melhor maneira de fazer com que ele se sinta menor culpado, ou quase.
De qualquer forma, ele depois de pensar muito, acabou aceitando.
Agora o resto é com ele.
[...]
Obito povs
Minha cabeça estava quase explodindo. Não aguentava nem olhar a luz do sol que me sentia enjoado, odeio ficar assim, odeio me sentir assim.
Madara estava em sua sala quando sai, provavelmente estava planejando outro plano inútil e maléfico para roubar o meu tio. Não sei como fui arranjar um pai assim, preferia se minha mãe ainda estivesse comigo, talvez se ele fosse normal, ela não teria nos abandonado.
Estava nos corredores da escola, não queria ir para a aula, a classe B nunca foi tão chata. Não tinha ninguém onde eu estava, e agradecia muito por isso.
Eu não gostava de ficar sozinho, mas eu não tenho mais ninguém para passar o tempo.
Poderia dizer que isso tudo é culpa de Madara! Mas eu sei muito bem que a culpa era toda minha, mas nunca iria admitir isso.
Às vezes, uma parte de mim pensa o porquê eu fiz tudo aquilo. Arruinei minha vida praticamente; perdi meus amigos, meu pai ficou mais obcecado por poder; e perdi o amor da minha vida.
Estava tudo bem, tudo maravilhoso com Deidara ao meu lado, mas eu tinha que ser burro o suficiente para escutar Madara; para acreditar que nós poderíamos ter uma vida melhor se eu começasse aquela organização idiota.
No começo, não sabia que o dinheiro iria para o banco do meu pai, muito menos Yahiko. Quando descobri, ele mandou que eu ficasse em silêncio, que não contasse a ninguém, o único que sabe de fato é Yahiko, mas não digo que ele foi muito a favor no começo.
Quando Deidara descobriu que iriamos roubar a escola para Madara, eu simplesmente perdi a cabeça; o que eu poderia fazer? O que eu devia fazer?
Eu fui idiota, não... Eu fui mais do que idiota por ter feito aquilo. Ele, sozinho, levou toda a culpa do roubo. Mesmo assim, eu fiz Madara se certificar que o diretor não iria descobrir e nem sua família. O que seria da vida dele se descobrissem? Pior ainda.
Quando eu fui embora, para os Estados Unidos, me senti deslocado, senti a falta dele. A Akatsuki continuou, mas desta vez apenas para ajudar a escola; apenas com Pain sendo o líder.
Quando Madara quis voltar, alegando que queria um momento em família. Mentiroso! Ele queria todo o dinheiro que o tio Fugaku tem. Não sei o porquê...
Quando eu voltei, tudo estava diferente. Itachi parecia mais sociável, Deidara havia voltado à escola, a Akatsuki continuava a mesma, apenas ele era diferente.
Ele... Akasuna no Sasori.
O culpado.
Foi ele quem fez isso com Itachi e que fez Deidara voltar.
Até hoje me pergunto como aquele ruivo conseguiu ter tanto poder com meu primo e como conseguiu tirar meu louro daquela depressão.
Eu queria tirar Deidara dela, eu queria que ele me visse e aceitasse meu pedido de perdão e voltássemos a ser um casal feliz.
Mas aquele ruivo, aquele maldito ruivo estava entre nós dois! Não sei de onde ele veio, não sei quem ele é de verdade, nem me importo.
Quando descobri que ele estava com Deidara... Senti tanta coisa junto, agonia, ciúmes, medo, e, principalmente culpa. Perdi a cabeça novamente aquele dia, quis bater tanto nele, — e consegui -, mas não resultou em nada; eles continuaram juntos, e eu me vi perdido, sem saber o que fazer.
Madara me aconselhou a afastar os dois, por que, eu sabia que Deidara ainda sentia algo por mim, eu conseguia ler seus olhos. Quando nós dois conversamos, sobre nós, eu percebi que ele ainda me amava; mas foi doloroso.
Foi doloroso o fato de saber que ele ainda me amava, mas amava ainda mais aquele ruivo idiota. E enquanto nós dois fazíamos amor, foi horrível o ouvir gemer e chamar o nome daquele maldito, “Sasori no danna”. Eu me senti sujo, me senti humilhado... Ele chorou rios depois que terminamos, e sabia muito bem o porquê, por ele...
Sempre ele!
E, sem mais nem menos, Deidara parou de ir à escola. Sasori começou a ficar mais apático e eu percebi que havia conseguido, segui o conselho de meu pai e consegui. Mas eu não me sentia bem, sempre que penso no loiro, me lembro de nossa noite, onde ele insistia em pensar no ruivo em nosso ato.
Depois, novamente em um piscar de olhos, os dois voltaram. E vi ele, junto com o ruivo e mais o Hidan. Eu não me aguentei, não conseguia raciocinar direito e talvez, só talvez, eu tenha levado o que merecia. Nunca me senti tão exausto como naquele dia, o soco de Hidan era forte eu tinha que admitir.
E agora, com um olho roxo, alguns cortes pelo rosto eu estava andando pelo jardim, havia saído do corredor há pouco tempo e tampava os olhos com uma das mãos. O que é isso que eu sinto agora? Remorso? É assim que se chama?
Uma parte de mim está inteiramente arrependida de tudo, e esse arrependimento está me consumindo por completo, mas o que eu devia fazer?
Não sei se foi coincidência ou alguma coisa do destino, mas Deidara estava lá, deitado embaixo de uma árvore com o rosto escondido em um livro de química avançada enquanto seus cabelos dourados estavam espalhados e cheio de folhas verdes.
Respirei fundo me aproximando, ouvindo-o resmungar algo sobre Sasori dar mais atenção ao Itachi.
—Oi Deidara. – ele pulou assustado me olhando e sorri ao ver seu cabelo todo bagunçado e sujo. Pegou sua mochila e o livro tinha o nome do ruivo e se levantou. —Espere! – segurei seu braço, forçando-o a parar de andar.
—Me solta, Obito!
—Deidara, por favor. – supliquei, mas ele continuou tentando se afastar.
—Me soltar se não... Se não eu... E-eu vou gritar, hn! – aquilo não me convenceu, continuei o segurando.
—Por favor, me escuta... Eu quero pedir desculpas. – ele parou de se debater e me encarou incrédulo.
—Acha que eu sou idiota? – sua voz estava meio embriagada e eu quase comecei a chorar junto com ele. —Me. Solta. Agora!
—Eu estou sendo sincero. – o soltei, mas ele não se afastou, massageou o braço no lugar onde eu apertava. Respirei fundo. —Por favor, me escuta...
—Estou escutando, hn.
—Eu... Eu quero o seu perdão...
—Meu perdão é muito caro, hn! – cruzou os braços após colocar a mochila no ombro, vi que ele apertava o livro com muita força.
—Eu vou ser sincero com você. – engoli em seco. —Eu ainda te amo, mas eu sou idiota e irresponsável, infantil também... Nunca devia ter feito nada daquilo, eu...
—Não acha que é tarde demais para pedir o meu perdão, Obito? – ele questionou com a voz baixa. —Você acha, realmente, que merece?
Aquelas perguntas me pegaram de surpresa, eu não sabia o que dizer.
—Não, não mereço... Mas eu quero que você saiba que eu me arrependo, eu... – sentei no gramado. —Você não sabe o quanto foi doloroso descobrir que você me esqueceu, que você ama outro... – ele arregalou os olhos surpreso. —Me desculpe, eu só queria ter alguém para amar, mas...
—Obito, por favor, pare! – o olhei e ele mantinha um olhar duro. Nunca vi Deidara assim desde o tempo em que nos conhecemos. —Você quebrou o meu coração e milhares de pedaços e fez com que eu fizesse o mesmo com o Sasori. – sentou-se ao meu lado. —Eu amo ele, e apenas ele. E ninguém vai mudar isso, nem você.
Estremeci um pouco com suas palavras, abaixei o olhar meio perdido e frustrado.
—Você teve o meu amor e o jogou fora, não vou mais ser enganado por você, hn.
— Não estou te enganando, eu... Foi tudo pelo meu pai, eu fiz tudo por ele.
—Ele planejou me magoar? – ele perguntou me deixando sem palavras. —Obito... – ele respirou fundo. —Eu não vou perdoar você.
—O-o que?
—Quando alguém passa pelo o que eu passei, pode se transformar em uma pessoa cheia rancor, eu perdi amigos, perdi o “eu” que era antigamente. – me encarou apertando o livro. —Mas o danna me ajudou, ele me trouxe de volta, e eu fiz novos amigos, e descobri um amor verdadeiro, que nunca irá me magoar.
Fiquei em silêncio, apertando os dedos no gramado.
—Você não merece o meu perdão, mas eu posso te dar outra chance, hn.
O encarei confuso, talvez com um enorme ponto de interrogação em cima da cabeça.
—Você tem a chance de começar tudo de novo, de voltar a ser o Tobi de antes, divertido, irritante... Chato... Barulhento... Espere, não... Esquece isso, vou pensar em outra coisa, hn. – coçou a cabeça e fez uma careta pensativa. —Ah sim, já sei. – coçou a garganta. —Você tem a chance de concertar tudo, de assumir a sua culpa e mostrar que você é digno de algum perdão.
Entreabri a boca, mas nem um som saiu. Desde quando Deidara ficou tão maduro?
—E, não seja tão manipulável pelo seu pai, chega a ser triste, hn.
Isso me ofendeu um pouco, mas eu não falei nada.
Uma chance. De concertar tudo; mas, se eu fizesse isso, não sei o que Madara poderia fazer. O que eu não daria para voltar no tempo e nunca ter feito nada daquilo?
—Deidara! – ouvimos uma voz grave e levemente rouca soar, olhei para frente e vi Sasori com um olhar desconfiado. Deidara sorria para ele, se levantou e lhe entregou o livro, dando-lhe um selinho demorado.
O loiro se virou para mim e acenou, Sasori começou a andar, afastando-se de nós dois. Deidara o chamou e saiu correndo em sua direção, o abraçando pelos ombros e sendo emburrado para o lado. Vi Deidara reclamar e ri, vendo-o abraçar Sasori novamente, desta vez sendo correspondido.
Eu sinto um aperto ruim no meu peito ao presenciar uma cena assim. Ver Deidara com ele... Parecendo tão feliz... Tão diferente de antes.
Aquele era o meu castigo? O ver com outra pessoa e nunca ter o seu perdão.
Eu o amo, mas ele não me ama mais. Ele não é mais aquele louro ingênuo que acreditava cegamente em mim e eu... Bem...
Eu não sou mais o Obito de antes. Não sou mais o Tobi.
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