Kiss Me.

37 Mentiras do passado. Part II


Notas iniciais
Olá ♥ Então, a maioria pediu outra temporada, mas ela não vai ser grande como essa! Terá no máximo 16/17 capítulos, por ai. ;u; E, algumas perguntaram se ela vai ser tão boa quanto essa; mas ai está a questão, eu nunca coloquei muita fé nessa fic, e fiquei muito surpresa (ainda fico) em ver o quanto vocês gostam dela! Então não dá para eu dizer se a outra vai ser boa ou não, desculpem. x.x Desculpem os erros e boa leitura

—O que estavam conversando? – questionei olhando-o pelo canto dos olhos.

Seus braços estavam em volta do meu pescoço e seu sorriso se desfez. Afastou-se um pouco e encarou o chão, por breves minutos.

—Ele me pediu perdão, hn. – confessou cabisbaixo, parecendo chateado. – Eu não o perdoei, danna... Acha que eu fiz certo?

—Por que isso não seria certo? – franzi o cenho confuso. —Depois de tudo o que ele fez, você pensou em perdoar ele?

Ele parou de andar, me obrigando a parar também. Encarou-me triste, segurando uma de minhas mãos.

—Perdoar não é fácil danna, mas é um gesto bondoso, hn. – argumentou olhando para nossos dedos entrelaçados. —Eu não quero fazer ninguém sofrer, acha que eu posso ter o magoado?

Fiquei perplexo com o que ouvi.

—Ele magoou você, Deidara!

Ele me encarou hesitante, acariciou minha bochecha pálida.

—Você me perdoou, hn.

O encarei sem saber o que dizer. Deidara era tão ingênuo a ponto de perdoar Obito? Ou eu era rancoroso demais para entender o lado dele?

—Desculpe, eu não devia ter tocado nesse assunto.

Respirei fundo, mexendo no cabelo.

—Não sou eu quem decidi quem você irá perdoar ou não, a escolha é sua. – dei as costas a ele, e continuei andando.

—Espera! – ele correu até meu encontro e segurou meu braço. —Está nervoso? Você não quer que eu o perdoe, não é?

—Eu já disse que a escolha é sua, eu não tenho nada a ver com a sua vida.

—Danna, você é o amor da minha vida, é claro que tem a ver com ela. – fitei seus olhos. —Você faz parte dela, hn.

Rosnei irritado com o rumo que aquela conversa estava seguindo.

—Você me mostrou que podemos ter uma segunda chance... Por que ele não poderia?

—Ele tentou nos separar inúmeras vezes, por que acha? – esbravejei. —Eu já disse, perdoe se quiser!

Ele suspirou, me abraçando. Aquele ato me pegou de surpresa, afundou o rosto na curva do meu pescoço e segurou minha cintura, inalando meu aroma.

—Mesmo se eu perdoar ele, vou continuar a amar você, hn. – prometeu mordendo meu pescoço levemente. —Você acredita em mim?

Não respondi, ele sabia nossa situação atual. Ele tentava conseguir minha confiança novamente, mas sempre falhava e resultava em algum tipo de briga entre nós dois.

Desviei o olhar, me afastando dele.

—Vamos logo. – continuei andando sentindo seu olhar sobre minhas costas.

Eu não queria discutir com ele, nem falar sobre confiança. Toda essa história ainda me dá dor de cabeça!

O levei até o local aonde sempre íamos antes, o terraço. Ele entrou meio hesitante, olhando para baixo e não percebendo de imediato a silhueta a mais no local. E quando percebeu, alternou o olhar indignado para mim e Itachi.

—O que ele faz aqui, hn? – ele questionou desconfiado, cruzando os braços.

—Eu... – o moreno começou. —Queria conversar com você.

Ele ficou em silêncio, esperando uma explicação.

—Ahn... Eu vou deixar vocês sozinhos. – disse saindo do lugar, mas o loiro me segurou.

—Eu não vou ficar sozinho com ele!

Itachi me olhou hesitante, mas o lancei um olhar encorajador. Depois de respirar fundo, ele continuou:

—Deidara, eu... Eu queria pedir perdão.

Vi o louro estremecer e me olhar confuso, ele abriu a boca algumas vezes, mas desistiu de dizer o que queria.

—No passado, eu era um jovem muito esnobe... – continuou Itachi. —Não pensava direito nas situações, e julgava as pessoas sem conhecer. Eu... Eu via você como uma ameaça, Deidara.

—Ameaça? – questionou indignado. —O que eu poderia ameaçar?

—A minha segurança! – respondeu prontamente. —Ninguém nunca tentou se aproximar de mim, e você chegou do nada... Querendo ser meu amigo como se a indiferença que eu tinha não existisse.

Eu o entendia, Deidara não era o tipo de pessoa que se deixa abalar por uma personalidade forte. Muitas vezes eu agi indiferentemente ou até mesmo rude com ele, mas o loiro nunca desistia.

—Eu julguei você muito mal no passado, e deixei me levar por uma mentira absurda, não pensei direito. – explicou o moreno. —Você tem o total direito de não aceitar minhas desculpas, que são sinceras, porém, espero que acredite que eu estou realmente arrependido do que fiz a você. – respirou fundo. —Não fiquei ao seu lado quando você mais precisou, mas... Agora, aqui no presente e talvez no futuro, eu nunca mais irei julgar você, Deidara... E não irei deixar que mais ninguém o magoe.

Deidara segurava meu braço com muita força, encarando Itachi com os olhos marejados.

Parecia não ter palavras, e eu me senti um incomodo naquela situação. Ele fungou e encarou o Uchiha.

—Perdoar é um ato bondoso, Itachi? – perguntou me soltando e secando suas lágrimas.

—Acredito que sim. – respondeu o moreno. —Se as desculpas forem sinceras, não há por que hesitar.

O loiro ficou uns dez segundos olhando para o chão, pensativo. Logo depois disso saiu do meu lado e foi até Itachi, o abraçando.

Assisti os dois se abraçarem enquanto os soluços de Deidara eram o único ruído presente na situação. O moreno acariciou o cabelo dourado do menor, mas eu não senti nada... Nenhuma desconfiança ou ciúmes. Eu confiava em Itachi... Talvez parte de mim ainda acreditasse no loiro.

—Nós... Nós somos amigos? – o loiro perguntou hesitante. —Amigos como... Como eu queria que fossemos no passado?

Itachi pareceu surpreso com a pergunta, mas não deixou de sorrir.

—É claro que sim.

[...]

—Tadaima! – entrei em casa tirando meus sapatos, Deidara passou por mim, olhando tudo em volta.

—Puxa, senti falta de vir aqui, hn. – ele se jogou no sofá e sorriu.

Joguei minha mochila em algum canto da entrada e fui até a cozinha, nesse horário meus pais não estão em casa e Gaara deve ter dado uma “escapada” como o loiro dizia.

Ouvi um miado fino e fui até a sala, vendo Dara jogar seu corpo peludo e pequeno no chão aos pés de Deidara.

—Danna, você não disse que tinha um neko, hn. – pegou o bichano no colo, que começou a ronronar. Pelo amor de Deus, esse gato é muito manhoso, me lembra exatamente alguém...

—A Konan me deu ele. – dei de ombros.

—Como ele é fofo! – mexeu no pescoço do gatinho, vendo sua coleira. Ele me lançou um olhar estranho; uma mistura de surpresa, curiosidade e talvez, malicia. —Dara?

Corei até o pescoço. Sentei-me no sofá ao seu lado, pigarreando quando o gatinho veio para o meu colo.

—É uma história bem irônica e engraçada. – comentei acariciando a orelha do bichano. —Mas não quero falar sobre ela!

Tirei Dara do meu colo e fui até as escadas.

—Acho que vou arrumar um gato e colocar o nome dele de Sori, o que acha?

Não respondi, apenas revirei os olhos, entrando no quarto. Como costume, ele se jogou na cama esticando o corpo.

Fui até ele, beijando sua testa e descendo para os lábios.

—Hm... – ele gemeu entre o beijo, me puxando para mais perto. —Quero te dar uma coisa, hn... – se afastou, indo até sua mochila. Ele havia a trazido para o quarto e a deixado perto da porta; se aproximou junto com ela, deixando-a ao lado de minha cama e mostrando-me uma caixinha preta.

—O que é isso?

—Eu não sabia como provar a você que sou digno de confiança... Ainda não sei, mas... – respirou fundo acariciando minha bochecha. —Eu quero que saiba que sou seu... Apenas seu. – abriu a caixa revelando duas alianças.

Arregalei os olhos surpreso. Não esperava algo assim vindo dele, fiquei um bom tempo encarando as alianças de prata com pequenas pedras de diamantes ao redor. Peguei uma, olhando-a e vendo meu nome gravado em seu interior.

—Essa é a minha, hn. – ele comentou sorrindo. Ele pegou a outra aliança e me mostrou seu nome gravado, pegou minha mão direita e colocou a aliança em meu dedo anelar.

Depois de voltar do mundo da lua, fiz o mesmo com ele.

—Não esperava por isso...

—Por isso é uma surpresa, hn. – me deu um selinho demorado. —Eu te amo. – voltou a beijar meus lábios, dessa vez de forma mais intensa.

O afastei, encarando seu olhar confuso.

—Quero te dar uma coisa também. – me levantei, indo até meu guarda-roupa afastei algumas roupas desdobradas e peguei o objeto, voltando ao seu lado. Ele me encarou confuso e eu mostrei a caixa de madeira com seu nome esculpido. —Eu fiz para você... Está meio quebrada por que eu joguei na parede, mas isso não importa.

Ele a pegou de minhas mãos com muito cuidado, abrindo-a e vendo duas marionetes nossas de mãos dadas de pé enquanto uma música bem baixa tocava.

—É lindo, hn. – sorriu alisando a marionete sorridente, que supostamente era ele. —Por que jogou uma coisa tão linda na parede?

Não respondi de imediato, fiquei pensando se era boa ideia responder.

—Era seu presente de aniversário de um mês namoro.

Ele levantou os olhos para me encarar e seu sorriso se desfez. Encarou-me de um jeito culpado, como se tivesse dando-se conta de alguma coisa.

—Danna, eu...

—Não comece! — reclamei olhando nossas alianças. —É passado.

Ele sorriu tristemente e selou nossos lábios mais uma vez. Agora, eu deixei que ele aprofundasse o beijo, segurando os cabelos de minha nuca enquanto ofegava entre nossas bocas.

Ele se deitou, me levando junto; sorriu entre o beijo e nos separou, beijando a ponta do meu nariz.

—Tenho outro presente para você, hn. — esticou o braço até sua mochila e estendeu um preservativo.

Sorriu malicioso e eu ri pelo nariz, enquanto pegava o pacote e deitava sobre ele.

[...]

—Eu odeio isso. — murmurei limpando um pouco de suor da minha testa.

— A aula ou o aquecimento global? — Itachi questionou esticando os braços, ofegante.

—Os dois. — resmunguei sentando-me no chão ao seu lado.

Educação física nesse calor não é uma das melhores coisas que eu faço durante a semana.

— Como ele consegue? — perguntei indignado sobre Deidara, que corria pela quadra sem nem aparentar cansaço.

Gai-sensei juntou duas turmas em sua aula, a melhor sala do primeiro ano e a dos esforçados. Ou seja, Hidan e Deidara junto com outras pessoas estavam na quadra conosco.

O loiro corria em frente a todos, sorrindo aos elogios do professor.

—Ele sempre foi muito bom em esportes. — o moreno ao meu lado comentou tomando um pouco d'água, me ofereceu.

—Estou vendo... – bebi o restante do liquido. Hidan estava largado em algum canto sem conseguir respirar direito, algumas pessoas jogavam água gelada ou o cutucavam com o pé para ver se ele estava bem.

O som do apito soou e todos, que ainda corriam, pararam. Observei o loiro correr até seu amigo albino, ajudando-o a levantar; os dois murmuraram algo entre si e entre risos vieram até Itachi e eu.

—Eae! — o albino cumprimentou sentando ao lado de Itachi. Deidara sorriu e me deu um beijo rápido.

—Deve ter tirado a melhor nota, parabéns. — o moreno comentou fazendo meu loiro corar levemente, mas não perdeu o sorriso.

Ele sentou-se em minha frente, entre minhas pernas e encostou a cabeça em meu peito.

—Pelo menos nisso ele consegue tirar a melhor nota.

—Cala a boca Hidan, hn!

Eu fiquei em silêncio enquanto os três conversavam, o cabelo de Deidara estava me incomodando então o prendi.

—Que porra é essa Sasori-chan? — Hidan perguntou.

—Estou tentando prender o cabelo dele direito. — "direito" eu queria dizer alto, o rabo de cavalo dele estava caindo em meus olhos, mas quando o soltei não consegui prender tudo entao ficou uma parte solta e outra presa bem no alto da cabeça.

—Você piorou as coisas. — Itachi comentou.

—Tsc.

—Eu gostei. — o loiro se afastou tocando em seus fios loiros e lisos. —Ficou diferente, hn.

—Você nem consegue ver. — Hidan falou.

Deidara ia protestar, mas o diretor apareceu na quadra, chamando as atenções para seu rosto juvenil.

—Bom dia. — ele cumprimentou com seu típico sorriso nos lábios. —Yamanaka Deidara, pode me acompanhar?

Todos os olhares vieram para ele, que se encolheu um pouco. Entregou a garrafa de água que segurava para Hidan e foi até o loiro maior, os dois trocaram algumas palavras; Deidara me olhou antes de seguir o diretor para dentro da escola.

—O que será que houve? — Itachi sussurrou desconfiado.

Nós dois nos entreolhamos e percebi que ele queria ir até a diretoria para descobrir.

[...]

—Isso está muito estranho. – murmurou Itachi encarando pensativamente a porta da sala do diretor.

Nós havíamos enrolado Gai-sensei e saído de sua aula, Hidan ficou para não ficar suspeito demais. Não sabia se era boa ideia estar no corredor despreocupadamente, mas os inspetores deviam estar em aula.

E de fato, estava muito estranho. Deidara não é do tipo que é chamado para diretoria sem mais nem menos; se ele tivesse feito algo errado, eu iria saber, sempre sou a primeira pessoa que ele me conta e que pede ajuda depois de alguma idiotice.

E a cara que ele fez antes de sair do ginásio... Suspeito demais.

Além disso, estávamos dez minutos esperando e nada. Irritava-me o fato de eu não conseguir saber o que estava se passando lá dentro e, creio eu, que Itachi estava na mesma situação.

Depois de mais alguns minutos em espera, a porta se abriu revelando uma cabeleira morena e curta.

O encarei sem mudar de expressão, enquanto seus olhos ônix e inchados se abaixavam, fazendo com que os cortes de briga de seu rosto se iluminasse pela luz do ambiente.

Minato-sama saiu, um pouco surpreso e pensativo. Percebeu nossa presença, mas não disse nada, apenas nos deu um aceno com a cabeça.

E, depois, vi Deidara, com o rosto pálido, olhos arregalados e perplexo, seus olhos estavam meio vermelhos e inchados, assim como seu nariz; ele estava chorando... Sempre fica assim quando chora.

Yahiko saiu logo depois do louro e nos encarou sem expressão como sempre. Deidara me abraçou, enquanto o diretor e os outros dois saiam pelo corredor.

—O que houve? – questionei acariciando suas costas.

Ele não me respondeu, Itachi me chamou, fazendo um aceno com a cabeça para ver que Pain nos chamava.

[...]

Eu nunca fui uma pessoa de me surpreender facilmente; bem, a não ser esse ano.

Um garoto que eu nem conhecia direito disse que me amava; depois eu fui descobrindo coisas sobre ele que me assustaram um pouco; logo depois meu amigo, – antigo amigo-inimigo –, disse que me amava; ai descobri que amava aquele louco que havia se confessado no segundo dia de convivência.

Também aconteceram outras coisas, como descobrir que Hidan e Kakuzu tinham um relacionamento. Ou que o irmão esnobe de Itachi namorava um garoto extrovertido e sem noção, assim como meu irmão.

Mas nada se comparou quando Pain reuniu a Akatsuki e confessou que havia admitido sobre o roubo para o diretor; que havia tirado todo o peso de consciência dos membros, — mesmo que nenhum pareceu dar muita importância para isso, a não ser Hidan –, e logo depois, anunciou o final da organização.

Notas finais
Comentem, sim? ^-^ xoxo!