Kiss Me.

35 Mentiras do passado. Part I


Notas iniciais
Oi gente :3 Mais um capítulo para vocês, ele é mais curto do que o costume, mas vamos lá. Desculpem os erros e boa leitura ♥

[...] — Não. – continuou, fazendo com que eu duvidasse que o assunto ainda fosse Obito. —Quero que se afaste do Itachi.

Bem, eu poderia dizer alguma coisa significativa como: “por qual motivo, Yahiko?” ou “Nunca, Itachi é meu amigo e você não irá o tirar de mim” – mesmo que essa última poça soar estranho. Mas, invés disso, eu apenas fiz uma cara de idiota e:

—Eh?

—Eu quero que se afaste do Itachi, Akasuna. – ele estava sério, andando pela sala enquanto exigia.

Ainda não conseguia entender bem o porquê. Pensei em algum motivo; talvez eu estivesse fazendo Itachi se comportar de forma estranha, isso é fato, mas não preciso ficar repetindo o porquê; ou por eu ser um amor platônico que o esteja magoando. É, essa última faz sentido, mas por que Pain iria se importar com isso?

—Eu não vou me afastar do Itachi. – protestei ainda meio aéreo do assunto. —Não tem motivo nenhum para eu fazer isso.

Uma expressão sombria tomou sua face, mas eu continuei firme em meu argumento.

— Pois bem. – ele sentou-se em seu lugar, na mesa principal da sala. —Sasori, você é um idiota.

Não me ofendeu, eu já estava ciente disso.

—Você está magoando o Itachi, e eu não vou permitir isso. – explicou na maior calma possível, o que se não fosse uma pessoa de cabelo laranja e inúmeros piercings pelo rosto, poderia não ser tão assustador.

—Eu não quero magoar o Itachi... – suspirei pesadamente. —Eu... Eu só não sei como lidar com isso, entende? Ele de uma hora para outra se declara e depois de alguns acontecimentos ele me beija... – me dei conta de que estava desabafando com uma pessoa não muito confiável.

Pigarreei, tomando minha postura habitual de indiferença.

—De qualquer forma, não vou fazer isso; Itachi é meu amigo, eu... Eu vou resolver tudo.

Ele revirou os olhos, parecendo impaciente.

—Ele merece alguém melhor do que você... E melhor do que eu. – ele murmurou a última frase baixa, mas eu consegui ouvir. Será que é o que estou pensando?

—Espere, eu não gosto do Itachi desse jeito. – corei um pouco e ele me olhou desconfiado. —Ah por Kami, você nunca percebeu a minha relação com o Deidara?

—Não estou dizendo isso. – protestou calmamente. —Itachi, mesmo querendo esconder, é uma pessoa sensível. E partir o coração dele vai ser o seu pior arrependimento!

Aquilo soou como uma ameaça, mas eu nem sei o que dizer.

—Espero não ver mais os olhos dele tristes. – concluiu, comigo ainda em silêncio. —Agora vá, a próxima aula está próxima.

Levantei-me ainda meio confuso e fui até a porta. Pensei em olhar uma última vez para Pain, mas desisti ao ouvi-lo dizer uma última frase.

—Eu odeio você por ter o amor dele!

[...]

Andei pelos corredores pouco movimentados. Ainda estava com as palavras de Pain em mente: "Ele merece alguém melhor do que você". "Eu odeio você por ter o amor dele".

Quando entrei nessa escola, não esperava me apaixonar ou virar o amor platônico de ninguém. A questão, é que eu não queria me afastar de Itachi, mas não queria o magoar ainda mais.

Era irônico pensar que eu estava com Deidara por culpa dele mesmo, aliás, fora ele quem pediu para eu entregar aquele envelope, se isso não tivesse acontecido, eu não teria conhecido o loiro.

Admito que minha vida fosse muito mais calma e fácil se não tivesse Deidara, mas, mesmo com aquele jeito extrovertido e irritante, eu o amo.

Também odeio pensar que uma pessoa como eu esteja completamente apaixonada por ele; totalmente diferente de mim.

Andei um pouco mais, parando em frente a uma parede com um enorme cartaz, olhei para o lado encontrando uma silhueta morena apática.

—O que ele queria? — questionou com sua voz grave baixa, sem tirar os olhos do cartaz onde havia inúmeros nomes com resultados das provas semestrais; Uchiha Itachi era o primeiro.

—Nada demais... — não iria dizer a ele o real motivo, eu ainda tenho que pensar um pouco sobre tudo o que ouvi.

Procurei meu nome no cartaz, amaldiçoando tanto eu quanto Deidara.

—Sexto lugar, estou surpreso. — murmurou indiferentemente.

Minhas notas haviam abaixado de uma forma significante durante aquela minha "depressão" ridícula.

—Deidara tem muito poder sobre você, nunca pensei em o ver nesse estado. — ele estava certo, o fato de eu nunca conseguir parar de pensar naquele loiro problemático fez isso comigo. —E pensar que eu havia feito um desafio individual contra você, idiota, não acha?

—É... — olhei pelo canto do olho, ele havia feito um desafio, igual a mim.

Que ridículo.

—Itachi, eu...

—Você não sente nada por mim, talvez uma minúscula atração, apenas... — seus olhos se espreitaram um pouco, e eu percebi o quanto ele estava chateado comigo. —Eu entendo, você e Deidara merecem serem felizes...

—Você também. — argumentei me virando para ele. —Eu queria saber como você...

—Me apaixonei por você? — me interrompeu com a voz rouca. —Pensei nisso dias atrás, ainda não sei exatamente, mas... Gosto dos seus olhos, da sua voz, do seu jeito de andar... Da sua concentração, do seu cabelo... — suspirou pesadamente. —Mas, além de tudo, eu gosto da sua amizade.

Tentei dizer alguma coisa, mas as palavras não quiseram sair.

—Eu amo você, Sasori. — sorriu. — Mas também te amo como um amigo, confuso, não?!

—Muito.

—Não entendo muito sobre amor, mas sei o que sinto. – virou-se para mim, com a expressão pensativa. — E sei o que você sente.

—Eu não queria magoar você. – me assustei com a sinceridade em minha voz.

Ele me encarou por alguns minutos, como se pensasse no que dizer.

—Não se preocupe, eu sabia onde estava pisando, sabia que você estava se apaixonando por ele, apenas você não percebia. – percebi que ele tentou não me chamar de idiota. —Eu posso viver com isso... Posso ser apenas seu amigo. – suspirou, batendo amigavelmente em meu ombro. —Talvez isso seja o melhor, eu não iria querer perder sua amizade, de qualquer forma.

—Itachi, eu...

— Não comece, sei que está aliviado em saber disso. – demorei um pouco, mas sorri. Era bom ter Itachi novamente como amigo, como colega e uma pessoa com quem não ficar desconfortável ao lado.

O sinal soou.

—Bem, é melhor nós irmos, aula de cálculo. – vi um brilho diferente em seus olhos, é a aula favorita dele. — Vamos apostar quem faz as equações primeiro? Ou vai ficar pensando em Deidara a aula inteira?

—Cala a boca.

[...]

—O Hidan está bem feliz esses últimos dias, né? – Deidara comentou com os olhos fechados, aproveitando a brisa.

—E o que tenho a ver com isso?

Ele franziu o cenho e se virou para mim, abrindo os olhos.

—Você devia se importar mais com as pessoas, danna.

Não respondi, continuei lendo meu livro em baixo da sombra da árvore. Ele se remexeu, deitando a cabeça em meu colo e beijando minha barriga coberta pelo blazer do uniforme.

—Ele nos ajudou a voltarmos, como se sente? – ele sorriu travesso. Suspirei, abaixando o livro e encarando seus olhos.

—Ele assistiu enquanto eu te comia, como se sente?

Ele corou bufando e revirando os olhos. Depois disso, ficou em silêncio.

Começou a brincar com uma folha enquanto eu continuava a ler o livro; gostava desses momentos em que ele ficava calado, mas eu também gostava de ouvir a voz dele; confuso demais, porém, nunca iria admitir isso para ninguém.

—Você fica tão lindo assim, concentrado, hn. – sorriu deslizando a mão em meu tórax.

—Estamos na escola, deixe seu espirito de ninfomaníaco para quando estivermos sozinhos. – reprimi um riso ao ver que ele havia corado.

—Eu não sou ninfomaníaco, hn.

Ia falar mais alguma coisa, mas vi alguém com a capa da Akatsuki se aproximando.

—Sasori. – vi Itachi com uma careta confusa, mas não por eu estar com Deidara, ele estava pensando em outra coisa.

—Hm? – fechei o livro dando atenção a ele. Deidara me olhou feio por isso.

—Pain-sama quer falar com você.

Suspirei. De novo? Será que ia ser outra ameaça?

Levantei-me fazendo o louro levantar junto. Virei-me para ele, selando nossos lábios brevemente.

—Volto depois.

[...]

Estranhei o fato da sala de reuniões estar vazia, apenas comigo, Itachi e Yahiko.

Admito que fiquei com um pouco de receio, por que ele havia nos chamado aqui e por que diabos ele estava quieto hesitando em dizer o que queria?

Isso estava me irritando, e vejo que Itachi também estava.

—Você vai falar ou não, Pain? – o moreno questionou impaciente. —Eu estava ocupado.

O alaranjado nos encarou e respirou fundo, tomando sua habitual posição autoritária.

—Creio que vocês já saibam do incidente do final do ano passado, bem, pelo menos, creio que você já está ciente disso, Sasori.

Incidente do ano passado? Ah, a injustiça que fizeram com Deidara, quando ele parou de ir à escola e foi magoado por Obito.

Vi Itachi ficar pálido, abaixando a cabeça ainda meio confuso por estarmos falando sobre aquilo.

—Por que estamos falando disso? – questionei alterando meu olhar de Itachi para Pain.

—Por que, vocês dois não sabem o real motivo da Akatsuki e nem daquele evento.

Itachi e eu nos entreolhamos, um tão confuso quanto o outro.

—Como? – o moreno arqueou uma sobrancelha. —Você deixou claro que Deidara havia planejado aquele roubo, mesmo que pensando bem ele não é tão inteligente para tal ato. – ele comentou apoiando os cotovelos na mesa. —Sem ofensa, Sasori.

—Hunf.

—Ai está à questão, Itachi... – franzi o cenho ao notar o tom diferente na voz dele ao pronunciar o nome do Uchiha. —Deidara não roubou a escola.

—Isso é óbvio.

Ele ignorou meu comentário.

—Uchiha Obito me convenceu a começar a Akatsuki, ele planejava os eventos, ele escolheu os membros, ele planejou tudo. – estava surpreso e confuso, quer dizer que Obito era o real líder?

—Aonde quer chegar? – o moreno parecia tão confuso quanto eu.

—A Akatsuki roubou a escola! Não Deidara, Obito planejou tudo! – ele confessou meio hesitante. —Quando Deidara descobriu tudo, e quis nos entregar ao diretor Namikaze-sama, tivemos que fazer aqui com ele. – respirou fundo. —Essa é a verdade.

Ninguém disse nada. A respiração de Itachi estava ofegante e ele estava com a cabeça abaixada, como se estivesse processando tudo.

—Quer dizer que... Por culpa de vocês, eu o acusei de algo que ele não fez por todo esse tempo?

—Eu sinto muito. – Yahiko não soava autoritário arrogante, ele parecia estar sendo sincero.

—Vocês guardaram isso, por todo esse tempo? Por que não confessa ao diretor? – perguntei desconfiado.

Ele me encarou, como se lembrasse de que eu estivesse na sala.

—Por que a Akatsuki tem outra intensão. – olhou para mim e depois para o moreno. —Mas eu não posso dizer para quem trabalhamos.

—Por quê?

—Por que ele pode acabar com sua vida, Akasuna. – ele alertou severo. —A sua, a de Deidara, e de Itachi.

Fiquei em silêncio, apertei o ombro do moreno, tentando o acalmar.

Eu nunca acreditei nessa história do Deidara ter roubado a escola, ele é muito lerdo para isso, não apenas por esse motivo, mas... Ele é muito ingênuo e sincero, é uma boa pessoa.

Mas por que Pain estava nos dizendo isso apenas agora?

Quando eu penso que minha vida está ficando menos confusa, vem essa...

Notas finais
“Espirito de ninfomaníaco” peguei essa de uma leitora no socialspirit >u< -q Ninfomania é o termo para mulheres, como eu já disse, não lembro do termo para homens ;-; Enfim, até o próximo ~ xoxo!