Kiss Me.
28 Escolhas erradas
Notas iniciais
Resmunguei enquanto ouvia o som da campainha tocar. Eram seis da manhã e quem iria à casa de uma pessoa há essa hora? Levantei-me e fui até a janela do meu quarto, ouvindo vozes. Lá estava minha irmã mais nova e um garoto ruivo com um envelope em mãos.
Ele usava o uniforme da escola.
Não era o primeiro que ia até minha casa para me procurar. Lembro-me da vez em que Hidan havia ido, também teve aquele moreno do segundo ano. E, também, aquela garota amiga do Obito que havia ido a pedido do Uchiha.
Eu não conhecia esse ruivo, nunca havia visto ele na escola, mas mesmo assim, não iria deixar que ele viesse na minha casa novamente, hn. Pode até parecer paranoico, mas eu tenho meus motivos.
Desci as escadas correndo, vendo Ino olhar o envelope.
—Ohayo nii-chan, um garoto veio trazer isso para você. – disse me mostrando o papel.
—Já volto, hn. – fui até a porta e sai, ouvindo Ino gritar que eu ainda estava de pijama e bláblá. Como se eu me importasse.
Corri um pouco até achar o ruivo em questão. Ele parecia estar apresado para algum lugar, espreitei os olhos desconfiando que ele pudesse estar fugindo. Ele entrou em uma esquina que eu conhecia, fui para o lado oposto para cortar caminho.
Entrei em um beco cheio de caixas de papelão e esperei um pouco até que o ruivo aparecesse. E quando ele apareceu, o puxei pela mochila, o prendendo contra a parede.
—Quem é você?! – perguntei a ele, o vendo arregalar os olhos surpreso e assustado com a situação. —Você veio a pedido dele? – se ele não conhecesse o Obito, poderia o deixar ir.
Novamente, isso está bem paranoico, mas é necessário. Ou pelo menos eu acho que sim.
Quando ele me respondeu, não sei o que houve, mas eu me senti um idiota. Eu estava assustando um garoto que nunca havia visto na vida. Depois de me desculpar, o levei até uma lanchonete próxima da minha casa.
Meus pais não estavam, então não teria muito problema eu sair antes dos dois chegarem, hn.
Desde que parei de ir à escola, os dois me proibiram de sair para qualquer outro lugar. Eu não contei a eles o que aconteceu comigo, talvez eles tentassem fazer alguma coisa e essa era a última opção que eu tinha em mente. Foi muita sorte a escola não ter ligado para os dois, após eu ser alvo daquelas afirmações mentirosas.
Esse garoto, Sasori, ele era legal. Mesmo não falando muito, era bom ter uma pessoa nova na minha vida que não soubesse dos meus problemas, que tinha dó de mim. Uma pessoa para poder conversar.
—Sinto lhe dizer, mas não são seus amigos. Amigos não ficam pedindo dinheiro sem motivos aparentemente bons, e no final não pedem para você dar e sim para emprestar. Você é um idiota por ainda dar dinheiro para eles, provavelmente estão te usando – foi o que ele disse, quebrando meu coração em milhões de pedaços.
Outra vez eu estava errado sobre alguém. Estava errado de que alguém pudesse querer ser meu amigo.
[...]
Talvez jogar suco de laranja em alguém não tenha sido muito legal. Talvez eu devesse me desculpar, talvez Sasori estivesse tentando dizer uma coisa e eu entendi outra, hn.
Ele foi a primeira pessoa que se aproximou de mim depois daquilo, e foi a primeira que eu tive coragem de conversar. Eu realmente devia investir nessa suposta amizade, hn.
E foi com esse pensamento, que eu o segui até a escola, o puxando para um beco escuro que ninguém passava. Eu podia ouvir o coração dele bater de tão assustado que ele estava, acho que eu devia parar de fazer isso com ele.
Não sabia o que dizer, então simplesmente perguntei se ele estava bem. Ele me olhou irritado e se afastou, corri até ele e tentei uma aproximação rápida.
Ele estava muito nervoso comigo. Claro, eu joguei suco nele e o deixei uma conta para pagar, qualquer um ficaria, eu acho, hn.
Então eu me desculpei, esperando que ele fizesse o mesmo. Mas ele simplesmente me disse que não iria se desculpar, por que não estava arrependido do que disse, que eu era realmente um idiota.
Uma vez, eu vi em uma revista que amigos sempre são sinceros um com os outros, mesmo que isso possa os magoar. E ele estava fazendo isso, certo? Tentando me ajudar, mesmo que doesse ouvir suas falas.
Depois de conversar mais um pouco, eu o levei novamente em uma lanchonete. Essa eu não conhecia tão bem quanto a outra, mas talvez fosse agradável. Ele se levantou, dizendo que iria ao banheiro, acreditei que ele não iria tentar fugir.
Quando eu comecei a ouvir vozes, fui até ele, o vendo enfrentar meus amigos: Kiba, Kankuro e Chouji. Ele estava me defendendo. Ninguém fazia isso comigo desde o incidente, desde que Obito havia feito aquilo.
E, por alguns minutos, eu vi Sasori com outros olhos. Não como um garoto ruivo que estava apenas tentando me evitar, e sim como uma pessoa de bom coração... A primeira pessoa a tentar realmente me ajudar depois de tudo do que eu passei.
Por alguma razão, depois que eu afastei meus ex-amigos do ruivo, meu coração começou a bater mais forte. Não sei bem explicar aquilo.
Eu o acompanhei até um ponto de ônibus, ainda sentindo meu coração saltar pela garganta. Não sabia o que dizer, nem sabia como agradecer, ele simplesmente não parecia ter dó de mim, ele simplesmente me via como uma pessoa normal. E era assim que eu queria que as pessoas me vissem, Sasori era diferente de tudo o que eu já tinha visto.
—Eu acho que te amo, hn. – talvez eu não devesse ter dito aquilo, mas apenas fui sincero.
Sua reação não foi uma das melhores, mas acreditei que era normal. Pelo menos ele não jurou um amor falso por mim, pelo menos ele não me tratou como lixo depois de dizer que sempre iria me proteger; ele apenas me tratou como uma pessoa normal e sem problemas.
[...]
Eu fui atrás dele.
Invadi a escola e procurei em todas as janelas do prédio, achando em uma das últimas, a de frente ao jardim.
Para minha sorte, ele me viu, descendo e vindo para jardim, em minha direção. Estava com medo de que alguém me visse, então fiquei próximo a uma árvore qualquer.
Mas, ele fez algo que eu não esperava, ele me julgou, como todos os outros. Talvez, eu estivesse mesmo errado sobre Sasori, talvez ele fosse igual a todos os outros. Mas ele não saiu rindo da minha cara como qualquer um faria, ele me abraçou.
—... Não quero ver você chorar... – eu poderia não ter acreditado, mas suas palavras foram tão naturais e sinceras que eu me senti na obrigação de perguntar.
—Somos amigos, então?
E, para minha felicidade, ele confirmou. Ficamos conversando por um bom tempo, novamente eu tinha alguém para conversar e compartilhar sobre alguma coisa. Mesmo que os assuntos dele fossem bem complexos e eu não entendesse nada.
Mas, quando ele dormiu, no meu colo, eu senti meu coração bater forte novamente. Ver seu rosto angelical adormecido, enquanto uma brisa fraca batia em seus cabelos me deixou corado, toquei seus fios rubros sentindo a textura macia e mordi o lábio inferior, me abaixando e tocando seus lábios com os meus.
Foi apenas um selinho sem jeito e mesmo que ele estivesse dormindo, eu soube que estava completamente apaixonado por ele.
[...]
Abri os olhos sentindo-os queimarem pela luz que entrava no quarto. Meu corpo estava mole na cama, preguiçoso. Odeio acordar cedo, odeio ter que sair da minha cama para ter que ir a aquela escola idiota.
Rolei no colchão, suspirando entre o travesseiro.
Esperei meu celular tocar, o danna sempre me liga para saber se eu vou ou não para a escola. Eu acho fofa essa preocupação que ele tem, mas também, no começo não deixava de pensar que ele fazia isso apenas para eu não o flagrar com o Uchiha, hn.
Mas agora eu não sou tão paranoico, ou quase.
Despreguicei-me, levantando e indo para o banheiro. Mesmo indo à escola, ainda não me sinto confortável estando no mesmo teto que Obito e os outros.
Eu sou a piada da minha turma, onde apenas o Hidan me defende, mas ainda assim, não param. Eu nunca contei para o danna, e nunca vou contar.
Mas esse não é o pior. O pior de tudo isso é ver o Obito todos os dias, e ainda ter que aguentar o meus ciúmes com o Sasori andando com o Itachi. Eu tenho muito medo de que o danna se canse de mim e fique com o Uchiha.
Antigamente, nosso namoro ia às mil maravilhas, ou quase. Ele se mostrava bem carinhoso quando queria, mas, depois que eu supostamente afirmei que ainda sentia algo pelo Obito, o Sasori mudou.
Ele não me liga mais a noite para saber se estou bem, não faz mais carinho na minha nuca quando estamos no terraço sozinhos, não é tão amoroso e carinho no sexo como antes. Antigamente ele se preocupava se eu me machucava, mas agora, parece que ele sente prazer em me ver sentir dor.
Pensar nisso dói.
Ainda acho que ele parou com nossas noites por causa disso, talvez ele se sinta tão inseguro quanto eu.
Com esses pensamentos eu fui à escola, dando o meu melhor sorriso para o danna e desejando feliz aniversário de namoro. Ele não parecia tão bem humorado hoje, me senti um pouco triste por isso.
Ele simplesmente me beijou e disse que precisava ir para a aula, e que nós nos falávamos depois. Suspirei, rumando para minha sala e encontrando Hidan largado na última carteira.
—Ohayo, hn. – ele levantou a cabeça e me encarou. Olhei para os cortes em seu rosto. —O que houve?
—Nada, só quebrei a cara de um veadinho folgado. – bocejou.
—Você devia parar com isso, hn. – me sentei ao seu lado e coloquei a mochila em cima da mesa.
—Mas ele mereceu porra. – deu de ombros e o professor entrou na sala.
Eu nunca prestava atenção na aula de história, sempre ficava meio aéreo ou conversava com o albino.
E foi quase dormindo, que eu “participei” das aulas. No intervalo, Hidan disse que tinha que ir para a sala de reuniões, Akatsuki tinha assuntos com ele.
Os membros da organização não voltaram a falar comigo, com exceção de Hidan. Eu, particularmente, não sei o porquê voltei a falar com o albino, nós dois nunca fomos tão amigos antigamente, mas agora mudou, ele virou meu melhor amigo e quase um guarda costas. Antes eu achava que ele tinha alguma intensão comigo, mas depois isso foi mudando, ele foi se mostrando uma pessoa confiável.
Eu gostava da companhia dele, até por que ele me informava de tudo o que o Sasori fazia na organização.
Aliás, eu procurei o danna por toda a escola, mas não o encontrei. Vi Itachi parado, próximo à porta da sala de reuniões. Hesitei um pouco, mas em aproximei em passos tímidos.
—Cadê o danna?
Ele me encarou por algum tempo antes de responder.
—Na sala.
Sabia que Itachi tinha sentimentos pelo meu danna, e me surpreendia o fato do moreno nunca ter feito nada para nos separarmos.
Ficamos em silêncio, desconfortável por sinal. A porta da sala de reuniões se abriu, dando visão de Pain.
O alaranjado apenas me olhava com desprezo, nada, além disso. Eu admito que retribuía o olhar.
Kakuzu e Hidan saíram, junto com Sasori.
—Porra, a culpa é sua! – o albino falava alto.
—Vá se foder, você não sabe o quanto aquelas porcarias estavam caras!
—Como foi? – Itachi se pronunciou, estava olhando diretamente para Sasori.
—Muito mal. – suspirou e se deu conta da minha presença. —Ah, eu ia te procurar agora. – se aproximou, deixando o moreno sozinho e desconfortável.
Aproximou-se para me beijar, mas recuou, corando logo após. Soube qual era o problema sem ele dizer nada, Itachi.
—Vamos?! – chamou e eu assenti. —Nos vemos depois. – disse ao moreno e me puxou para longe dos três. Hidan e Kakuzu ainda discutiam, e acho que nem perceberam que nós nos afastamos.
Quando entramos no terraço, ele se sentou cansado.
—O que houve?
Pareceu pensar um pouco.
—Nada. – mentiu. Sentei-me ao seu lado, com medo de insistir no assunto e ele ficar com raiva. —Nós vamos sair hoje, Konan me convidou para um lugar e quero que você vá junto.
Sorri de lado concordando, me animando um pouco.
Encostei a cabeça em seu ombro e ficamos em silêncio.
—Danna... – o chamei.
—Hm?
—Eu amo você, hn. – ele me olhou com uma sobrancelha erguida, como se estivesse desconfiado.
—Eu também. – beijou minha testa.
Eu não queria um beijo amigável, queria um beijo de verdade, aqueles que ele sempre me dava quando estávamos sozinhos.
Novamente, a insegurança acabando com nosso relacionamento.
[...]
Queria dizer a ele que era nosso aniversário, e queria passar o dia sozinho com ele. E não com amigos. Queria que ele entendesse que eu queria atenção, ficar abraçado trocando caricias e juras de amor.
Mas em vez disso, estávamos andando pelas ruas noturnas de um lugar que eu não conhecia, acompanhados de uma garota que já havia visto. Konan era seu nome, amiga íntima do Sasori; não gostava de como isso soava, íntima.
Havia um garoto que eu nunca havia visto, danna parecia não o conhecer também.
—Sasori, esse é o meu namorado, Nagato. – ela apresentou. —Nagato, esse é o meu melhor amigo, Sasori.
—É um prazer, Sasori. – disse o ruivo maior apertando a mão do danna.
—O prazer é todo meu. – ele cumprimentou a azulada. —Konan, você já conhece o Deidara, certo?
—Sim. – ela pareceu animada. —Eu sabia que vocês dois iriam se...
—Não complete a frase. – Sasori a reprendeu e ela corou, mas riu logo após.
Nós continuamos andando pela calçada. Sasori entrelaçou nossas mãos e sorriu para mim, como se percebesse que eu estava quieto demais.
Retribui o sorriso e abaixei o olhar, apertando minha mão entre a sua. Konan e Nagato andavam mais a frente, conversando animados enquanto o ruivo a abraçava pelos ombros, dando alguns beijos e sussurrando coisas em seu ouvido.
Queria o danna fosse assim, carinhoso como antes. Mas eu não poderia reclamar, a culpa, supostamente, era minha.
Mas o que eu poderia fazer? Não é que o sentimento que eu tenho pelo ruivo fosse falso, mas meus sentimentos por Obito no passado foram fortes e verdadeiros, e mesmo que eu tenha sido machucado emocionalmente por ele, eu não consigo afastar esse sentimento idiota!
Ou talvez eu não quisesse de verdade.
Obito foi a primeira pessoa que eu realmente amei, que me acolheu e me ajudou quando eu pensava que ninguém mais poderia, todas às vezes que ele me fez rir, me defendeu, e me fez corar enquanto dizia o quanto me amava, pareceram tão verdadeiras que, mesmo não confiando mais nele, eu não consigo esquecer.
É tudo tão confuso.
Eu sei que amo o Sasori, isso eu tenho certeza. Mas eu não sei se ele me amava da mesma forma que eu, às vezes ele parece tão apático e distante que eu me sinto mal. O que eu daria por uma declaração ou uma jura de amor agora?
Era nosso aniversário e nem um presente eu havia ganhado. Eu dei a ele um pingente de prata, e recebi apenas um obrigado e um beijo curto; nem um sorriso, nem um eu te amo, nada.
Talvez eu devesse me acostumar, Sasori não era do tipo grudento, que gosta de ficar o tempo inteiro agarrado e dizendo o quanto me deseja.
Mas, vendo o quanto ele é neutro em nosso relacionamento, não posso deixar de pensar em como Obito era amoroso comigo.
—Esse lugar é ótimo. – Nagato comentou após nós termos entrado em um restaurante. Ele puxou uma cadeira para a azulada e após uma breve risada baixa, ela se sentou.
Sasori sentou-se de frente para ela, sem cavalheirismo, nem nada.
—Eu vou ao banheiro. – disse a garota após sussurrar algo no ouvido do namorado. Ela saiu, deixando nos três sozinhos.
—Então, é aniversário de vocês, não é? – o ruivo maior perguntou. —Parabéns.
—Obrigado. – respondemos juntos, nos encarando logo após. Ele corou um pouco e eu abaixei o olhar para um guardanapo qualquer na mesa.
—Algum problema Deidara? Você está quieto demais. – perguntou danna ainda me encarando.
O fitei por alguns minutos, antes de desviar o olhar outra vez.
—Não, hn...
Podia sentir seu olhar sobre mim ainda, mas não fiz ou disse nada.
Konan apareceu novamente, sorridente e tagarelando com o danna sobre alguma coisa que eu não prestei muita atenção.
A noite não foi uma das melhores para mim, até por que eu não estava muito contente antes e nem era muito próximo de nenhum dos outros dois.
Sasori estava me levando para casa, já que meu motorista foi dispensado e eu havia pensado que iriamos ficar juntos, sem interrupções. Ele me deixou em frente à porta da mansão da minha família e me deu um abraçado, sussurrando um feliz aniversário e me beijando logo após.
Aquela foi a maior aproximação da noite, então não a desperdicei.
—Eu te amo, danna.
Ele sorriu, beijando as costas da minha mão.
—Não vai dizer nada? – perguntei estranhando a falta de palavras.
—O que? – franziu o cenho.
—Você sempre fala que me ama também, hn.
Ele arqueou uma sobrancelha, e deixou um suspiro escapar.
—Eu falo “eu te amo” todos os dias Deidara, não é o suficiente?
—Bem, hoje é o dia em que você tem que falar com excesso, hn. – ele revirou os olhos e eu fechei a cara.
—Não venha com drama, Dei. – apertou minhas mãos. —Você sabe que eu não sou desse tipo.
—Preferia que fosse, hn.
—Mas não sou, e foi você quem aceitou namorar comigo, vai ter que acostumar. – beijou minha bochecha, mas eu o afastei um pouco. —O que é agora?
—Custa você ser um pouco mais carinhoso comigo?
—Eu sou... – cruzou os braços.
—Não Sasori, você é tão impaciente comigo, tão apático. Poucas vezes você é carinhoso. – talvez eu devesse parar de falar após ver sua expressão mudar, talvez eu devesse parar de querer algo a mais dele.
—Se está insatisfeito, por que não termina comigo logo? – aquilo foi como uma facada no meu peito.
—Não foi isso o que eu quis dizer, hn.
—Mas pareceu.
Nós nos encaramos em silêncio.
—Nos vemos depois. – disse dando meia volta e saindo do jardim da minha casa, virando a esquina e rumando ao ponto de ônibus mais próximo.
É tão difícil lidar com ele.
[...]
Sábado à noite, e Hidan pedindo para eu levar um filme na casa dele, hn.
Não que eu tivesse outra coisa para fazer, estava entediado. Sabia que Kakuzu estaria na casa do albino, os pais de Hidan conheciam o moreno, e sabia da relação dos dois, mesmo que não aceitasse por completo.
A família do Hidan é muito religiosa.
Que eu saiba, a família do Kakuzu não conhecia o Hidan ainda. A família do moreno era muito ocupada e trabalhava muito, não tinha tempo nem para o próprio filho.
Passei por uma esquina que cortava caminho para a casa do albino e vi uma silhueta sentada em um dos degraus da escada que eu iria passar.
—Oi Deidara. – ele disse com um sorriso pequeno, o mesmo que ele me dava antes.
—O que faz aqui? – era muita coincidência ele estar no mesmo caminho que eu iria fazer. —Está me seguindo?
—Não. – se apresou a responder. —Eu sempre venho aqui tomar um ar. – deu de ombros. —Como vai?
Não respondi, passei direto. Senti suas mãos tocarem meu tornozelo.
—Podemos conversar? Sem Sasori, sem Hidan, sem nada... Apenas nós.
Respirei fundo e o olhei, vendo-o se levantar e colocar as mãos nos bolsos da calça, desajeitadamente.
Olhei para o chão pensando se eu devia fazer isso. Se o danna descobrisse iria ficar uma fera.
Olhei para Obito.
—Sobre o que?
—Sobre nós.
[...]
Fazia muito tempo que eu não entrava naquele lugar, muito mesmo, hn.
Fiquei parado ao lado da porta de entrada, o vendo sentar no sofá e me chamar. Meio hesitante, fui até ele, ficando de pé ao lado do sofá de couro.
—Faz muito tempo que nós não conversamos, não é?
—Você fala como se não soubesse o porquê, hn.
Ele ficou calado, abaixando o olhar por alguns minutos.
—Eu... Eu queria me desculpar... – ele disse mexendo as mãos desajeitadamente. – Eu sei que o que eu fiz foi muito grave, e que eu te magoei imensamente... Mas eu não consigo viver sem você, Deidara.
Apertei a caixa de DVD em mãos com mais força e respirei fundo.
—Eu fui embora, e passei todo aquele tempo pensando em como você estaria. – ele suspirou pesadamente. —Eu sou um idiota, de fato.
—Sim, hn. – comentei. —Um mentiroso também.
—Eu estou sendo sincero, Deidara. – ele se levantou, se aproximando. Eu recuei três passos. —Eu ainda amo você, e sei que você também.
—Eu amo o danna, hn.
—Não minta para mim, eu sei que você ainda sente algo por mim, vejo nos seus olhos. – ele abaixou um pouco a cabeça. —Eu sinto muito a sua falta.
—Eu também... – ele me encarou esperançoso. —Mas eu superei, hn. O danna me ajudou, eu não sou mais o Deidara de antes que era manipulado por você, hn.
Ele ficou em silêncio por breves minutos.
—Você está mentindo. Você ainda não superou... – ele acertou em cheio, mas eu nunca iria admitir.
—Você... Você fez me deu as costas naquele momento, e acha mesmo que eu vou voltar para você? Se está tão arrependido, por que fez?
—Eu fiz pelo meu pai... Dei, por favor, me deixe explicar. – fiquei em silêncio e ele continuou. —O meu pai pediu para Yahiko e eu formarmos a Akatsuki, ele quer falir o meu tio, pai do Itachi. Para isso, ele precisava de dinheiro, e então, ele usou a organização. – ele fez uma pausa. —Eu fui usado como você, todos da organização estão sendo. Eu me arrependo todos os dias, Deidara. Por favor, acredite.
—Eu não posso... – funguei, as informações ainda estavam processando em minha mente. Fui em direção à porta.
—Deidara-senpai, por favor.
Parei de andar e minha respiração acelerou. Senti suas mãos tocarem meus ombros e seu aroma invadiu minhas narinas.
—Me deixei provar que eu ainda amo você.
Virei-me, encarando seus orbes ônix.
Minha mente gritava o nome do Sasori, gritava dizendo que aquilo era errado e que eu ia me magoar de novo, gritava dizendo que era tudo mentira.
Mas foi como se tudo tivesse acontecido rápido demais. Como se meu corpo estivesse em automático. Eu sentia apenas suas mãos no meu corpo, seus lábios no meu, e ouvia seus gemidos de prazer.
Quando tudo terminou, pude ver seu sorriso feliz. E com a imagem do danna na minha mente, eu fui para casa. Ainda como se meu corpo estivesse em estado automático. Cheguei a casa sem falar com ninguém, indo para o meu quarto e pegando meu celular.
—Porra, quem é que está ligando a essa hora, caralho?!
—Hidan...
—Deidara-chan, porra, fiquei te esperando há horas, onde estava?
—... Eu preciso te dizer uma coisa.
[...]
Estava tarde, e mesmo assim, eu fui até a casa dele.
Hidan não pareceu muito feliz com o que eu fiz, na verdade, nem eu estou. O albino me incentivou a ir à casa do Sasori, dizer toda a verdade.
Eu prometi ao danna que nosso relacionamento seria sincero, sem mentiras, sem segredos, nem nada. Tudo o que acontecesse na minha vida que ele precisasse saber, eu devia contar; ele fazia isso, creio eu.
Toquei a campainha, e obaa-chan atendeu, sorridente.
—Deidara-chan?! O que faz aqui há essa hora?
—O danna está acordado? – tentei sorrir, e ela pareceu perceber meu conflito.
Deu-me passagem e vi oji-san sentado no sofá, ele me encarou, mas não disse nada. Entrei e corri até o quarto do Sasori, hesitando um pouco, mas entrando. O vi sentado em frente à escrivaninha, decorando uma caixa de madeira.
Ele percebeu minha presença.
—O que faz aqui essa hora? – se levantou e esse aproximou de mim, tirando os óculos e os deixando na mesa. Percebi sua roupa suja de tinta.
—Eu preciso te contar uma coisa, hn.
Ele franziu o cenho e cruzou os braços. Fez sinal para que eu continuasse.
Respirei fundo e contei a ele, tudo. Quando terminei, já sentia meus olhos arderem e o rosto dele na típica expressão indiferente.
Ele levantou uma das sobrancelhas e abriu a boca, mas fechou logo após, sem saber o que dizer.
—Danna, eu sei que o que eu fiz foi errado, mas... Por favor, entenda eu...
—Deidara...
O encarei um pouco hesitante.
—Você veio até aqui, apenas para jogar na minha cara que me traiu?
Arregalei os olhos e segurei as lágrimas.
—N-não, danna eu... Você pediu para eu contar tudo a você, então... Então eu... – solucei e ele não disse nada, apenas me fitava. —Eu tive meus motivos, nós dois não estávamos bem, e ele apareceu... Ele...
—Agora está tentando dizer que eu mereci essa traição?
—Não! Eu nunca disse isso! – comecei a respirar mais rápido, sem conter o choro. —Por favor, danna... Perdoe-me, eu...
—Eu não quero as suas desculpas. – o fitei pasmo. —Também não quero nenhuma explicação, apenas... Apenas quero que você vá embora.
Ele abaixou a cabeça e percebi que ele mordia o lábio inferior. Quando ele levantou a cabeça, pude ver seus olhos vermelhos.
—Saia da minha frente, Deidara.
Solucei alto e me aproximei dele, me ajoelhando e abraçando suas pernas enquanto meu choro era a única coisa ouvida no quarto.
—Danna, por favor, não faz isso comigo... E-eu... Por favor, eu te amo demais...
—Como pode dizer que me ama depois disso? – encarei seus olhos lagrimejados e raivosos. —Eu confiei o meu coração em você, Deidara... Eu mudei por você, apenas por você... Mas parece que eu apostei na pessoa errada. – agarrei ainda mais suas pernas. —Você me dá nojo... Você é tão baixo quanto o Obito! – podia sentir o rancor em suas palavras e o soltei um pouco, encarado seu rosto em uma expressão que eu nunca havia o visto fazer, ele estava magoado. —Saia da minha casa! Agora! – ele gritou, fazendo-me recuar.
Solucei e funguei, cambaleando até a porta. E mesmo que as lágrimas caíssem de seus olhos, ele continuou com o olhar firme. Tampei a boca com a mão, e sai do quarto, encontrando com Gaara confuso no corredor.
Ele me olhou, mas eu não disse nada, apenas desci as escadas correndo. Obaa-chan e ji-san pareceram preocupados, fiquei surpreso pelo fato do pai do danna estar demostrando alguma reação.
Sai da casa sem coragem de dizer alguma coisa e rumei para a minha.
E mais uma vez, minha vida havia sido arruinada pelas escolhas erradas e pela pessoa errada.
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