Kiss Me.
16 Descobrindo a Verdade. Parte I
Notas iniciais
— Você vai ficar bem? – quebrei o silêncio entre nós dois após chegar à porta de sua casa. O céu já estava escuro, a rua estava pouco movimentada e havia apenas o barulho de nossos sapatos no chão.
O loiro estava um pouco abatido e seus olhos estavam inchados, fiz questão de trazê-lo até em casa, aliás, nunca se sabe o que pode acontecer com um cabeça de vento como ele.
— Vou sim, não se preocupe, hn. – respondeu encostado à enorme porta de madeira; a mansão dos Yamanaka era tão grande quanto à dos Uchiha. Apesar de que o jardim era bem mais cuidado e continha mais flores.
Para ser mais exato, nas paredes havia algumas folhas grudadas, junto com a raiz. Também havia algumas flores entre os galhos presos a casa, o que dava um ar de elegância. Era bem bonito de se ver.
— Quer entrar? – o ouvi perguntar, o olhei por algum tempo, observando suas feições inocentes e gentis.
— Não Deidara, já esta tarde. — balancei a cabeça negativamente, vendo-o fazer um bico. — Não quero incomodar...
Ele sorriu aproximando-se um pouco.
— Também esta muito tarde para você ir embora sozinho, hn. — protestou fazendo com que eu arqueasse uma sobrancelha. Olhei para o relógio em meu pulso e vi que ele tinha razão, já eram 22hrs44min.
— Dorme aqui!
Franzi o cenho com sua proposta, corei em seguida e vi que ele corou também. Ficamos em silencio, bem constrangedor em minha opinião. Estava prestes a recusar, mas minha atenção foi chamada pelo ranger da porta.
— Deidara-kun! O que faz ai fora? — uma mulher não muito alta, com cabelos castanhos escuros, enrolados em um coque no alto de sua cabeça, vestida elegantemente apareceu na porta com um olhar preocupado.
— Já vou entrar, hn. — resmungou, fazendo-me rir pelo nariz.
— Não vai apresentar seu amigo? — ela questionou sorrindo para mim, seu sorriso era assustadoramente parecido com o de Deidara. — Ou ele é algo mais?
Arregalei os olhos, corei novamente ao ver que Deidara havia corado violentamente.
— Okaa-sama, já vamos entrar, hn. – ele escondeu o rosto entra as mãos e eu segurei o riso.
— Certo, certo. Estressadinho. –disse isso e entrou novamente, deixando-nos em um silêncio constrangedor. O loiro estava corado e eu fitei-o com atenção. Seus cabelos estavam um pouco bagunçados, mas havia um ar bonito enquanto o vento batia neles e fazia com que eles dançassem com o ar; seu rosto estava meio iluminado e corado ao mesmo tempo enquanto um sorriso pequeno e tímido brotava em seus lábios; seus olhos brilhavam enquanto refletiam a lua e lhe davam um ar angelical.
Aquela imagem era tão linda, que poderia ser apreciada pela eternidade.
— Danna? – sua voz me tirou de meus devaneios e me fez balançar a cabeça um pouco, afastando aqueles pensamentos idiotas. Ele fez sinal para que eu entrasse, e meio hesitante foi o que fiz.
— Com licença. – pedi tirando os sapatos e deixando ao lado dos do loiro.
— Estamos apenas nós dois aqui, não precisa pedir licença, hn. – ele comentou fechando a porta delicadamente.
— Meus pais me deram educação Deidara. – respondi na habitual indiferença e mal humor.
— Nii-chan! – uma garota loira, muito parecia com o loiro ao meu lado, descia as escadas correndo, mas parou e fechou seu sorriso quando me viu. — Oh... Olá.
— Yo. – acenei formalmente para ela que corou de leve.
— Ei, um amigo do Deidara? Prazer. – um homem de cabelo louro longo, e que é espetado no topo e terminando em um longo rabo de cavalo. Seus olhos tinham uma cor diferente, não sei definir exatamente qual cor era.
Que engraçado, a família Yamanaka usa cabelo longo. Deve ser algum símbolo de família. Talvez.
— O prazer é todo meu, Yamanaka-san. – apertei sua mão, tentando ser o mais educado que conseguia.
— Como se chama?
— Akasuna no Sasori.
— São amigos mesmo ou... – ele gesticulou com as mãos e eu senti meu rosto esquentar.
— Otou-sama! Hn! – Deidara resmungou irritado, o mais velho riu divertidamente.
— Ok, desculpe. Diga-me Akasuna-san, gostaria de jantar conosco? – pensei um pouco antes de responder. Eu não tinha intimidade o suficiente com a família para aceitar o convite, mas com Deidara me encarando como se implorasse, não tinha como não aceitar.
—Ahn... Claro. – dos dois sorriram após minha resposta.
Yamanaka-san acenou e entrou por uma porta ao lado das escadas, a irmã de Deidara também entrou, em silêncio.
Deidara me encarou por alguns minutos, com um brilho estranho nos olhos, sorriu e segurou minha mão, puxando-me para a mesma porta.
[...]
— Então Sasori-kun, em que classe esta? – a mãe de Deidara perguntou após dar um gole em uma bebida deliciosa que tomávamos. Ela se referia as classes da escola.
— Classe A. – respondi um pouco mais a vontade junto com aquela família.
— Magnifico. – a morena pareceu impressionada.
— Poderia ajudar o Deidara-chan nos estudos. – Inoichi-san comentou batendo nas costas de seu filho.
— Hm! – Deidara resmungou limpando os lábios com um guardanapo.
— Diga-me, no que sua família trabalha? – o loiro mais velho questionou desta vez.
— Meu pai trabalha em um bar, minha mãe tem uma loja de cosméticos e... – franzi o cenho percebendo a careta de desgosto da mãe de Deidara. — Minha avó tem uma loja de artes.
— Loja de artes? – Deidara perguntou parecendo pela primeira vez, interessado na conversa.
— Sim, ela é monta marionetes, ela juntamente com meu pai são titeireiros. – respondi com um sorriso de lado.
— Que interessante! – a morena sorriu. — Você também mexe com marionetes?
— Sim, eu ajudo a montar às vezes, a maioria das marionetes vendidas são as minhas. – respondi orgulhoso, eu gostava de ajudar minha avó na loja, foi com ela que aprendi a fazer contas, ler, desenhar e muito mais.
E tudo graças a aquela loja, é claro. Quando eu era mais novo, ajudava minha baa-chan com as contas e os trocos, limpava a loja ao seu lado; quando fiquei mais velho, ela me ajudou a montar minhas primeiras marionetes, as tenho até hoje. Réplicas de meus pais.
— Pode montar uma para mim? Sempre quis ter uma marionete. – Ino, que estava até então em silêncio, pediu com um sorriso tímido.
— Claro. – concordei ainda com o sorriso de lado.
— Quer dizer que gosta de artes? – Inoichi-san questionou um pouco mais interessado.
— Amo. – meu sorriso se alargou, adoro esse tipo de conversa. — Desde pequeno sou influenciado pela família e acabei me apaixonando por artes.
— O Deidara-kun também gosta. — a morena comentou sorrindo para seu filho.
— Hm, a arte é efêmera.
Franzi o cenho com seu comentário.
— O que? Isso não faz sentido. – todos na mesa me olharam surpresos. — A verdadeira arte vem de sua beleza eterna; o que há de melhor em ver sua arte ser passada de gerações em gerações, sendo apreciada pelo futuro?
— Tudo, hn. Que brega Danna! – o loiro comentou de forma debochada e eu o fitei, fazendo ele se encolher um pouco na cadeira.
Ficamos em silêncio por algum tempo, até que a mãe do loiro chamou minha atenção novamente.
— Seus conceitos de artes são interessantes... – ela comentou parecendo impressionada. — Mas diga-me, Sasori-kun... O que pretende fazer após os estudos?
—Eu queria fazer uma faculdade de artes, mas não acho que seja apropriada. – falei um pouco decepcionado. Meu pai acha que artes não irá me ajudar e beneficiar no futuro, acho que ele tem razão, é apenas um hobbie. — Estava pensando em fazer alguma outra área, como arquitetura, medicina ou até mesmo psicologia.
O sorriso de Inoichi-san aumentou.
— Psicologia? Eu apoio! – ele bebeu um gole d’água. – Se quiser algumas dicas, pode falar comigo.
Concordei timidamente. Continuamos a conversar, a família Yamanaka era simpática, falar muito deve ser de família mesmo. Falar, sorrir, serem simpáticos e gentis, todos os quatro tem isso em comum; e parecem ser bem unidos também.
Após o jantar, Deidara me levou até seu quarto, e quando ele disse que era do tamanho da minha sala não havia acreditado... Até agora.
—Vou pegar algumas roupas para você, hn. – ele disse indo em direção a um armário enorme. Aproveitei para ligar em casa, minha mãe provavelmente estava arrancando os cabelos de preocupação.
E enquanto o sinal tocava, eu caminhava pelo quarto, observando tudo. Mas uma coisa em especial chamou minha atenção, uma escrivaninha, onde havia livros, lápis, borrachas e folhas amassadas; uma em questão não estava, a qual havia um desenho.
Não me surpreendi muito ao ver que era eu no desenho, mas mesmo assim, não deixei de sorrir involuntariamente.
Avisei a minha mãe que iria dormir na casa do loiro, e depois de um sermão de dez minutos, desliguei o celular e olhei para Deidara que segurava algumas peças de roupas entre os braços.
— Não sei se vai caber, hn. – ele se aproximou, entregando-me uma camiseta branca e uma calça moletom preta. —Aliás, eu sou bem maior que você...
O fuzilei e ele riu, ignorando meu olhar.
Fui para o banheiro de seu quarto, trocando-me. Estava meio desconfortável, eu iria dormir no mesmo quarto que ele, e isso era muito estranho. E pensar nisso, fazia-me lembrar do nosso beijo, corei tentando afastar esses pensamentos.
Troquei de roupa, bufando ao ver que ela havia ficado meio folgada e voltei para o quarto, franzindo o cenho ao ver ele já de pijama sentado na cama com os cabelos totalmente soltos.
—Onde eu irei dormir? – perguntei chamando sua atenção. Ele abriu a boca inúmeras vezes, mas não disse nada, corou violentamente. Caminhei até onde ele estava, sentando-me na cama e me aproximando um pouco mais dele. —Quer que eu durma com você, Deidara?
Ele corou ainda mais, — se é que fosse possível –, tentou justificar, mas eu não deixei.
Deitei ao seu lado na cama, cobrindo-me com o lençol macio e quente.
—Vou confiar em você!
— Como assim?
Virei o corpo, encarando-o.
— Se tentar me agarrar, eu te mato. – e deitei novamente, ouvindo seus resmungos e xingamentos. Desligou a luz do abajur e deitou ao meu lado, ficando de costas.
Essa vai ser uma longa noite, com certeza.
[...]
— Obrigado pela carona. – agradeci abrindo a porta do carro.
— Não há de que, hn. – sorriu. Na noite anterior eu não havia conseguido dormir, não sei ele, mas eu passei a noite acordado. Era difícil fechar os olhos e ter a imagem dele se aproximando do meu rosto, tocando meus lábios com seus e acariciando meu rosto... Imaginar agora também não é confortável.
Estávamos nos encarando em silêncio, e podia jurar que seus olhos estavam implorando; implorando por um beijo.
Tentava ignorar isso e desviei o olhar, pegando minha mochila e colocando uma perna para fora do carro, prestes a sair, porém, ele segurou meu braço.
—Não vai se despedir? – questionou e eu entrei totalmente novamente e não sei de onde arrumei aquela coragem, e nem sei para onde meu orgulho havia se escondido; apenas sei que o puxei para perto, selando nossos lábios agressivamente.
Ele pareceu surpreso no começo, apertando meu braço e suspirando entre o beijo. Soltou-me colocando os braços em volta de meu pescoço enquanto eu apertava sua cintura. Deidara entreabriu os lábios, dando-me passagem para adentrar sua boca quente e úmida; ele deixou com que eu explorasse sua boca totalmente, ainda abraçando-me e puxando-me para mais perto.
Afastei um pouco nossos lábios, mas voltei a selá-los, desta vez, em selinhos rápidos e pequenos. Ele mordeu meu lábio inferior e afastou-se um pouco, mantendo suas mãos nos meus ombros e encostando sua testa na minha.
—Você me deve uma resposta... – sussurrou respirando ofegante.
—Eu sei... – respondi da mesma forma. Soltei sua cintura e ele demorou um pouco para me soltar, mas quando o fez deu um sorriso envergonhado.
Percebi que o motorista nos observava pelo retrovisor e revirei os olhos, saindo do carro.
—Até mais, hn. – disse com a cabeça fora da janela.
—Até.
E com isso, seu carro se afastou. Por Kami-sama, o que eu fiz?
Ok, me dê um desconto, primeiro ele me beija, diz que me ama, age como se nada houve acontecido, me leva a um parque como se fosse um encontro, me apresenta a seus pais como se namorássemos e depois dorme comigo na mesma cama; por favor, eu sou um adolescente cheio de hormônios.
Suspirei caminhando lentamente até minha casa, entrando silenciosamente. Ouvi barulhos vindo da sala.
—Tadaima.
— Okaeri. – não conheço essa voz.
Adentrei o local e vi meu irmão, deitado no sofá com a cabeça apoiada no colo de um garoto moreno, já havia visto ele. O mesmo garoto que havia me ajudado antes da minha discussão com Gaara.
Rock Lee, acho que esse é o seu nome.
—Ohayo Sasori-kun. – ele sorriu e eu me perguntei como alguém tão simpático pode estar com Gaara.
Aliás, os dois estavam namorando? Óbvio, e também era óbvio que meus pais não estavam casa.
Ignorei a felicidade alheia e fui em direção às escadas, mas parei ao ouvir Gaara chamando minha atenção.
—Um amigo seu ligou, disse para você retornar as ligações. – o ruivo comentou sem tirar os olhos da televisão. – Seu nome era Uchiha Itachi, se não me engano.
Não disse nada, apenas continuei indo até meu quarto, jogando a mochila no chão e jogando-me na cama, logo em seguida. Não estava a fim de ver Itachi hoje, mas era o mínimo, aliás, não nos víamos desde que fui para o hospital, e isso faz algumas semanas.
Suspirei e me levantei contragosto, mandando uma mensagem para o moreno. Troquei de roupa rapidamente e sai do quarto, excluindo todos os meus pensamentos da noite passada e o que havia acontecido antes de entrar em casa.
Konan tinha razão... Eu sou um belo hétero...
[...]
Andávamos lado a lado, tomando um café e observando os pássaros naquele parque. Contei o que havia acontecido nesses dias, tirando sobre dormir na casa dos Yamanaka e tudo após isso. Surpreendi-me ao ver que ele já sabia do relacionamento de Kakuzu e Hidan.
Faltavam alguns dias para as provas do bimestre e era quando eu iria voltar para a escola, estava ansioso.
Isso me lembra que, eu estava passando tempo demais com aquele loiro estranho, não apenas isso, mas também estava me preocupando mais com ele; um exemplo era de quando ele estava chorando nos meus braços, dizendo para eu sair da Akatsuki.
Foi Itachi que me convidou para a organização.
—Itachi... Por que quis que eu entrasse na Akastuki?
Ele me encarou um pouco confuso.
—Estávamos com vagas, precisávamos de alguém responsável e talentoso... – respondeu dando um gole na bebida fumegante, encostando-se a uma ponte.
Isso me lembra de algo.
—Quem é Uchiha Obito? – ele se engasgou um pouco com o café e resmungou que havia queimado a língua.
—Por que pergunta? – o moreno pareceu incomodado.
—Apenas responda!
Suspirou, dando outro gole.
— É meu primo... Infelizmente.
Ficamos em silêncio. Fazia sentido, os dois eram Uchiha então obviamente seriam parentes. Mas por que ele ficou tão incomodado com o assunto? E o que esse Obito tem a ver com Deidara?
—Sasori... Posso sugerir algo?
—Claro...
—Tome cuidado com Deidara. – franzi o cenho e o encarei confuso. —Tenha cuidado principalmente com Obito!
—Por quê?
—Obito pode ser um idiota, mas quando o assunto é Deidara ele pode ser possessivo.
—Itachi do que está falando? – já estava me irritando com aquele papo confuso.
Ele ficou em silêncio por algum tempo, como se pensasse no que responder.
—Deidara e Obito namoravam antigamente...
E foi como se tudo ficasse claro em meus pensamentos, mas escuro ao mesmo tempo.
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