Kiss Me.
32 Conversas importantes, ou nem tanto.
Notas iniciais
—É um imenso prazer em conhecê-lo, Sasori-kun. – a mulher morena, alta e parecida com Sasuke sorriu, dando-me um meio abraço.
—O prazer é todo meu, Mikoto-san. – correspondi ao abraço. Nós estávamos na sala de estar, onde esperávamos sei lá quem para o jantar.
—O Itachi falou muito bem de você, deve ser um garoto formidável. – sorriu pequeno, sentando-se no sofá em minha frente.
Itachi estava ao meu lado e Sasuke do outro. Estava um pouco desconfortável; primeiro, não gosto de usar smoking e, ficar junto com a família Uchiha também não é lá muito confortável.
De qualquer forma, a conversa não estava tão ruim. Fugaku-san era tão inteligente quando Itachi, e gostava de exibir o filho; falava sobre sua empresa, sobre Itachi, sobre sua família rica, sobre Itachi, às vezes sobre Sasuke... Já falei sobre Itachi?
Bem, o moreno parecia envergonhado, mas não falou nada na noite inteira.
O som da campainha tocou, e uma empregada foi atender. Creio que é o outro convidado, o qual não faço a ideia de quem seja; a família Uchiha ficou de pé e eu os acompanhei.
—Desculpe... – Itachi desculpou-se em um sussurro repentino.
Franzi o cenho o encarando pelo canto dos olhos. Não havia entendido bem o que ele quis dizer, mas quando os convidados apareceram eu descobri o porquê das desculpas.
—Ei Sasori! – Madara-san sorriu, acenando e passando reto de seu irmão, ele veio até a mim. —Que bom vê-lo, você está ótimo.
Tentei ver algum tipo de ironia em sua voz, mas não achei.
—Obrigado. –murmurei nem um pouco feliz, mas não demostrei. —Você também...
—Eu sei. – mexeu no cabelo cumprido. —Deixe-me apresentar meu filho. – se virou para trás, vendo o moreno de olhos arregalados que olhava para mim. —Ei garoto, venha aqui!
Ele olhou de mim para Madara e se aproximou em passos hesitantes.
—Esse é meu filho, Uchiha Obito.
[...]
—Obrigado pelo jantar. – eu disse tomando o resto do líquido em minha taça.
—Nós que agradecemos por sua visita, querido. – a morena sorriu.
O jantar foi agradável, a comida estava deliciosa, a conversa progredia. Às vezes meu olhar se encontrava com o de Obito, mas os desviava.
Minha vontade naquele momento era de pular no pescoço dele, mas infelizmente, eu não podia.
Após a refeição, Fugaku-san quis me falar um pouco mais da empresa, parece até que ele quer eu trabalhe para ele; Madara-san era uma pessoa bem cínica, sempre rindo e mandando indiretas para Obito e eu. Tenho a leve impressão que ele sabe tudo, na verdade, tenho certeza.
Eu tentei não ser grosso com nenhum dos dois, mesmo que Obito não tenha falado nada durante a noite.
Itachi me levou até a porta da frente, eu respirei fundo esfregando o rosto nas palmas das mãos.
—Desculpe mesmo... Eu soube de última hora. – explicou fechando a porta atrás de si.
—Sem problemas. – me afastei da porta, andando pelo quintal.
Ele me seguiu, ficou um pouco afastado, mas caminhou comigo até a causada.
—Você quer caminhar? – ele propôs se aproximando e tocando meu ombro. —Precisa esfriar um pouco a cabeça...
Respirei fundo novamente, não queria passar mais nenhum segundo perto daquele idiota. Pode não ser culpa dos Uchiha, aliás, os pais de Itachi nem sabem sobre o que eu tenho passado por culpa do sobrinho, mas mesmo assim, eu simplesmente não consigo ficar mais olhando para sua cara cínica.
Assenti, aceitando seu convite.
Seus dedos apertaram um pouco mais meus ombros, ele sorriu, tentando me passar confiança. Não adiantou muito, mas ele tentou. Começamos a caminhar, a rua estava silenciosa, porém, estava muito bem iluminada pelos postes de luz.
Passamos alguns minutos andando, até que sentamos em um banco de praça.
Observei o cenário: a luz estava um pouco escondida pelas árvores, os postes brilhavam na rua enquanto alguns carros passavam sem fazer muito barulho.
—Está uma linda noite... – ele comentou de repente.
—É... – concordei sem muito interesse.
Ficamos em silêncio novamente, senti algo quente tocar minha mão. Olhei para baixo e vi as mãos do moreno sobre as minhas, ele sorria para mim.
—Obrigado por hoje. – agradeci sorrindo de volta. Coramos um pouco.
—Eu quem devo agradecer. – entrelaçou nossos dedos. —Gosto da sua companhia.
Senti minhas bochechas esquentarem mais.
—Eu também...
Fitei seus olhos ônix, me esquecendo de quase todos meus problemas. Eu sentia algo estranho, algo como culpa. Mas por que eu estava sentindo isso? Por Itachi? Por mim? Ou... Ou por Deidara?
Minha cabeça estava girando, eu estava confuso. Não sabia o que fazer...
Aproximei-me do moreno, o vendo corar e fechar os olhos. Mas que diabos eu estava fazendo? Porque eu me importo e sinto como se estivesse traindo o loiro?
Continuei me aproximando até que me afastei, após ouvir seu celular tocar.
Ele suspirou e se levantou, pedindo desculpas.
O que eu ia fazer? Iria realmente beijar Itachi? Estou ficando louco, só pode.
[...]
—Bom dia, Sasori-kun. – Minato, o diretor da escola sorriu.
Franzi o cenho, novamente, não fazia ideia do por que estava na sala do diretor. Ele estava assinando alguns papéis, mas mesmo assim, não tirava a atenção de mim.
—Bom dia...
—Ahn, Sasori-kun, eu posso fazer algumas perguntas?
Arqueei as sobrancelhas, assentindo. Ele soltou um longo suspiro, e afastou os papéis.
—Você está tendo problemas familiares?
—Como assim?
—Você entendeu.
Tentei entender o que ele queria com tudo aquilo, mas mesmo não sabendo de nada, respondi:
—Não.
—Está viciado em alguma coisa? – percebi que ele tentou ocultar mais alguma coisa como “você está viciado em drogas?”, bem, enfim.
—Não!
—Akasuna, eu estou preocupado.
—Com o que?
—Com suas notas. – ele pegou um papel e me entregou. Li, e vi que eram minhas notas; elas haviam caído de uma forma significante.
Encarei mais um pouco o boletim, tentando entender o porquê meu rendimento havia abaixado tanto. Pensei no meu pai, mas mesmo quando nós estávamos tendo uma guerra dentro de casa, minhas notas não abaixaram... Só podia ser...
Não creio.
Será que, realmente, Deidara vai estar impregnado na minha mente e até mesmo no meu rendimento escolar? Talvez tenha sido um erro aceitar meus sentimentos por ele e ficarmos juntos, se eu não tivesse me confessado, nada disso teria acontecido.
Eu sou um idiota.
—Você tem um futuro muito promissor, Sasori. – ele começou. —O que quer que for, que esteja o atrapalhando, resolva.
Olhei mais uma vez para o pedaço de papel em minhas mãos.
—Entendido.
[...]
Entrei no meu quarto, encontrando Dara dormindo no meu travesseiro. Joguei meu blazer na cadeira e tirei a gravata, me jogando no colchão. O gatinho miou e se despreguiçou, pulando em minha barriga.
Ele esticou suas batinhas pequenas e amarelas e se deitou, fitando-me, pedindo-me carinho. Acariciei sua orelha, sorrindo.
—Sabe Dara, acho que algumas coisas não são tão fáceis de esquecer. – desabafei com meu gatinho que ronronava. —Principalmente quando foi tão especial.
Fitei o teto e por alguns minutos, entendi o que Deidara queria dizer com aquela historia de “primeiros amores”. Eu estava sentindo na pele tudo o que eu não acreditei, que idiotice.
Eu me sinto tão ridículo por ainda estar sofrendo por isso; já faz duas semanas, eu não posso simplesmente esquecer? Não posso apagar aquelas memórias falsas?
Ouvi batidas na porta, e me sentei, colocando Dara na cama. Abri a porta, encontrando Gaara.
—Podemos conversar? – ele perguntou com sua expressão indiferente, porém, percebi um pouco de preocupação em sua voz.
Dei espaço para ele, assim o ruivo entrou.
Ele foi até minha cama e começou a brincar com o bichano. Fechei a porta e me encostei-me à mesma.
—O que foi?
Ele sorriu um pouco para o gatinho, mas logo voltou a sua habitual expressão. Sentou-se na cama e me encarou hesitante.
—Eu não sou de me intrometer na sua vida, mas a okaa-chan está preocupada... – fez uma pausa. —Na verdade, ela me obrigou a vir, mas... O que está acontecendo?
—Como?
Sabia muito bem qual era o assunto, mas não estava nem um pouco feliz por ter com Gaara.
—Sasori, você não é do tipo que ficar depressivo e chorando pelos cantos. – franziu a testa. —O que houve?
—Não é da sua conta. – cruzei os braços, desviam o olhar.
Ele suspirou, mexendo na barriga de Dara.
—É algo relacionado ao Deidara, não é? – questionou sem me encarar. —Ele nunca mais veio aqui, e você nunca mais foi até a casa dele.
Não respondi, e isso lhe serviu como uma resposta positiva.
—Pode desabafar Sasori... Eu sou seu irmão, pode confiar em mim.
—Você não confia em mim... – comentei fazendo com que ele me olhasse.
—Eu confio sim.
O encarei por alguns minutos e respirei fundo, sentando ao seu lado na cama.
Ele me abraçou pelos ombros, esperando que eu começasse. Hesitei um pouco, mas lhe contei a história, contei tudo, até a parte em que eu estava tendo uma relação estranha com Itachi.
Quando terminei, ele ficou um pouco pensativo.
—Bem... É complicado. – ele comentou ainda com uma careta pensativa. —Mas, você vai acabar magoando o Itachi.
—Eu não quero fazer isso. – expliquei para que ele não tivesse duvidas. —Ele é meu amigo, mas...
—Você ama o Deidara, por que nega tanto?
—Eu não vou perdoar ele. – esbravejei me levantando e assustando o bichano.
—Sasori, eu sei que deve ser difícil, mas... Se você não perdoar e seguir em frente, vai ser mais difícil suportar.
Aproximou-me, tocando meu ombro e ficando na minha frente, encarando meus olhos. Fiquei um pouco desconfortável, já que pensar que meu irmão mais novo é maior do que eu, não é agradável.
—Também é difícil perdoar.
—Eu entendo. – murmurou entre suspiros. —Converse com ele, provavelmente está arrependido. Ouça o que ele tem a dizer.
Ele ia aconselhar mais alguma coisa, mas ouvimos batidas na porta e nossa okaa-chan apareceu.
—Querido, você tem visita. – avisou olhando para mim parecendo surpresa.
Assenti e ela saiu do quarto, após trocar olhares significativos com Gaara.
Eu ainda não sabia o que fazer, eu queria e não queria perdoar Deidara; era tudo tão confuso.
O ruivo bateu levemente no meu ombro e saiu do quarto, sendo seguido por Dara. Pensei no que meu irmão havia dito, pensei também em tudo o que eu estava sentindo nessa situação.
Sai do quarto, fechando a porta e indo em direção as escadas.
Talvez Gaara estivesse certo. Perdoar deixaria tudo mais fácil, mas é difícil. Também não queria magoar Itachi, mas talvez eu o magoasse de qualquer forma.
O que eu devia fazer?
Desci as escadas e vi minha mãe servi chá para uma mulher alta, morena e com roupas caras sentada no sofá.
Minha mãe olhou para mim e seu sorriso diminuiu, a mulher de costas para a escada me olhou e eu a reconheci.
—Yamanaka-san, o que faz aqui?
A mãe de Deidara se levantou, deixando a xícara de chá na mesinha do centro.
—Quero conversa com você Sasori. – sua voz estava firme, e parecia prestes a pular no meu pescoço.
—Acho que não temos nada o que conversar. – retruquei ainda nas escadas.
—Você sabe muito bem qual é o assunto! – minha mãe saiu da sala. —Como pode fazer o meu filho sofrer tanto?
—O quê?
—Você entendeu! – esbravejou tentando conter a voz. —Deidara não sai mais do quarto, não para de chorar, não come nem bebe nada.
Queria dizer que tudo isso era culpa dele, mas me segurei.
—Quero que fale com ele, e conserte tudo!
Fale com o autor