Kiss Me.
6 A verdade doí. Part III
Notas iniciais
(...) “– Acho que te amo, hn. – falou corado e com um olhar de desdém enquanto eu arregalava os olhos.
– Eh?”
Meus olhos se alargavam mais, suas palavras ecoavam na minha cabeça. Não estava nem ao menos conseguindo raciocinar direito; mal nos conhecemos direito e ele já vem com esse papo estranho para cima de mim?
– Eu li em um artigo que quando sentimos algo forte aqui... – apontou para seu peito, no lado onde fica o coração. –... É porque estamos sentindo algo grande por uma pessoa, e é isso que estou sentindo agora, hn.
Merda, desta forma irei perder o ônibus. E novamente, por culpa dele!
– Também estou sentindo algo estranho na minha barriga, hn. – corou e olhou para mim, que ainda mantinha a mesma expressão. – Então, acho que é amor, hn.
– Você é louco! – não consegui me conter e falei alto, mais do que o necessário. – Nós nem nos conhecemos direito, e somos do mesmo sexo! – não tenho nada contra homossexuais, mas eu tenho total certeza de que sou hétero.
– Mas... E tudo o que estou sentindo? Como explica? – cruzou os braços e eu fiz sinal para o ônibus.
– Talvez seja uma dor de barriga, sei lá. – dei de ombros indo até o ônibus, que por pouco, não havia perdido. A porta se abriu e ele me seguiu, mas não entrou apenas ficou parado na porta. O motorista nos olhou com cara feia.
– É mais que isso, Sasori! – ele disse sorrindo de forma estranha. – Eu realmente te amo, hn. – todos do ônibus nos olharam e pude sentir minhas bochechas arderem. Que vergonha, por favor, alguém me mate.
– Me deixa em paz, Deidara! – paguei minha passagem e fui para o final do ônibus, ainda com as bochechas quentes.
Ele não entrou, para minha sorte. Sentei-me no fundo vazio, ainda sentindo olhares sobre mim, pude ainda ver pela janela sua silhueta acenando sorridente para mim. Céus, eu sou tão azarado a ponto de acontecer isso?
Imagino o caos que deve ser em sua casa. Tenho dó de sua família!
Lancei alguns olhares raivosos para algumas pessoas que ainda mantinham o olhar em minha pessoa. Quando vi que ninguém me encava mais, consegui relaxar.
“– Obrigado por me ajudar... Acho que você tinha razão quando disse que eles não eram meus amigos de verdade, hn.”
“– Não tem de que... Amigos são para isso.” No que eu estava pensando? Eu dei esperanças falsas para ele e agora o coitado está iludido. O que farei? Simples, irei apenas fingir que nada aconteceu, que ele não existe e manter distancia dele ou qualquer coisa que tenha a ver com ele. Sim, ótima ideia.
Aliás, é uma brilhante ideia, o loiro não vai mais para a escola, pelo menos é o que acho, então está tudo certo... Sim, nunca mais irei o ver... Nunca.
Olhei para a janela novamente e vi que já estava chegando ao local onde eu devia descer; olhei novamente para meu relógio que marcava os minutos exatos para minha morte. Corri, mesmo que não faça bem a mim, eu corri.
E o mais rápido possível até a escola de Gaara. Por culpa daquele loiro infeliz eu posso morrer duas vezes, meu irmão mais novo irá me queimar vivo enquanto meu pai irá me ressuscitar e matar-me novamente a facadas.
– Droga! – murmurei parando para tomar ar. Respirei fundo e voltei a correr, vendo o colégio se aproximando ao poucos; meus tornozelos já estavam começando a doer, e estava ficando com falta de ar.
Quando cheguei à porta da escola arregalei os olhos vendo que o ruivo ainda estava lá; sentado mexendo em seu celular com o semblante paciente. Aproximei-me em passos rápidos e ofegante, ele levantou a cabeça encarando-me indiferente enquanto eu parava a sua frente e respirava fundo, sentando no chão mesmo.
– Desculpe... – murmurei alto o olhando pelo canto dos olhos. Ele não disse nada, ficou parado parando seu olhar na tela luminosa do celular; sorriu fraco.
– Não se preocupe... Se quiser pode demorar mais vezes. – e com isso levantou-se pegando sua mochila e começando a caminhar.
Certo, mais confuso o meu dia não pode ficar.
Levantei-me também indo até ele e ficando ao seu lado, lhe lançando olhares confusos e questionadores. Não ia abrir minha boca e gastar minha saliva com perguntas ao ruivo, pois o conhecendo como conheço, ele irá perguntar-me porque de minha demora.
E pode apostar que não quero falar sobre isso.
Quando chegamos a casa, otou-san e okaa-san não fizeram perguntas, apenas lançaram-me olhares raivosos os qual ignorei. Murmurei um “não estou com fome” e corri escadas à cima, trancando-me em meu quarto.
Tinha tempo de fazer meu dever, mas parecia que minha mente não se focava nas questões da matéria. Estava frustrado, angustiado e... Preocupado...?
O que há de errado comigo? Isso nunca aconteceu, sempre que havia algo me incomodando, eu ignorava e esquecia quando fazia um dever de casa ou coisa do tipo. Então porque esse problema não sai da minha cabeça?
Senti algo vibrar em cima da escrivaninha que estava e virei meus olhos castanhos para encarar o celular que eu deixava guardado naquele local. Estiquei meu braço pegando aquele objeto barulhento e olhei descobrindo que havia uma mensagem.
Isso é hora de mandar mensagens para as pessoas?
Olhei e revirei os olhos. “Espero que não tenha se esquecido de mim.” Konan. Claro, sempre ela.
Era uma garota que fez amizade comigo na escola antiga, que chorou rios quando soube que não iriamos ficar na mesma escola, e fez o teste do colégio que estou atualmente; infelizmente ela não passou. Respondi um simples “Estou ocupado, falamos depois” e joguei o celular na cama. Para ser sincero, com todos esses acontecimentos, sinto falta dela; ela sempre me ajudava, me ouvia quando eu precisava e era uma amiga sincera...
Eu gostava de ficar sozinho naquele tempo, porém ela não largava do meu pé até o ponto de aceitá-la como amiga, não melhor, como melhor amiga. Nós não conversamos como antes, até porque sempre estou ocupado. Irei marcar um dia nas férias para visitá-la!
Sinto falta dos dias antigos, sem muitas preocupações... Hunf.
Isso é passado, para que ficar preso nele? Tenho que continuar estudando para realizar meu sonho, não é? Além de dar uma vida melhor para minha família!
Antigamente eu dizia isso para eu mesmo, com muito mais convicção. Então porque agora estou tão receoso quanto a isso?
Minha cabeça doí.
[...]
A professora passava algo no quadro negro, eu estava sentado no fundo da sala, como de costume. Itachi estava ao meu lado, prestando atenção na aula, assim como eu. Depois daquele dia, eu resolvi ir a tal reunião com o Uchiha; ele por sua vez, pareceu animado, mais do que o normal. Ignorei esse fato e tentei ocultar minha curiosidade para tanta animação.
Já estava quase no final da aula, e o sinal iria tocar para o intervalo. Estava com sono, havia dormido pouco na noite passada e estava lutando para manter meus olhos abertos. Não sei se estava alucinando, mas podia ouvir uma voz baixa chamar meu nome.
Olhei para o lado, pelo canto dos olhos e não vi ninguém rindo ou olhando para mim. Talvez eu esteja alucinando mesmo. Voltei minha atenção à lousa copiando os recados que a professora dava. Suspirei ao perceber que ainda estava ouvindo a voz.
Minha cabeça estava doendo, piscava inúmeras vezes na tentativa inútil de me manter acordado por completo.
– Você está bem? – ouvi Itachi perguntar e balancei a cabeça positivamente. Ainda sentia seu olhar sobre eu, mas ignorei.
Prendi minha respiração por alguns minutos e soltei, respirando fundo. Parece até que estou doente, hunf.
– Algum problema Akasuna? – olhei para frente e vi que a sala inteira me encarava de cenho franzido.
– Não. Estou bem... – respondi fraco voltando minha atenção para o caderno.
– Certeza? – insistiu e acenei com a cabeça, c confirmando. Eu estava bem, apenas precisava descansar um pouco. Irei fazer isso no intervalo.
Novamente ouvi a voz me chamando e bufei passando meu olhar para a janela. Estou caducando, é isso? Sou tão jovem! Meus olhos avermelhados foram descendo pelo jardim do colégio até pararem em uma figura alta e loira pulando e acenando com os braços em minha direção.
Ignorei e voltei meus olhos à professora...
. . .
Espera... Voltei meu olhar para a janela xingando aquele ser mentalmente. Mas que merda esse cara pensa que está fazendo? Percebi que era ele que estava me chamando a todo esse tempo, revirei os olhos tentando ignorá-lo.
Apoiei meu rosto nas mãos e suspirei, pedindo para Kami tirar aquele idiota do jardim. Sentia os olhares confusos e questionadores de Itachi sobre eu, mas continuava a ignorá-lo. O que eu faço agora? Aquele loiro idiota veio aqui apenas para fazer gracinhas?
Ouvi a professora chamar minha atenção novamente.
– Só estou com um pouco de dor de cabeça. – comentei e ela sugeriu que eu saísse da sala para tomar um ar. Ninguém merece! Fiz o que ela pediu e rumei para fora da escola, mais precisamente onde o loiro estava.
Iria eu mesmo expulsar aquele projeto de gente deste lugar. Andei em passos largos e apresados; havia decido que nunca chegaria perto deste ser loiro, porém, se eu deixá-lo aqui agindo como um idiota ele terá mais chances de falar comigo. Ou seja, é mais fácil eu o mandar ir embora e me deixar viver em paz.
– Você demorou, hn. – o ouvi dizer quando já estava no jardim. O vi perto de uma árvore, como se estivesse se escondendo.
– O que faz aqui? – perguntei rígido e frio, com meu melhor olhar mortal. Ele não pareceu ligar e isso me irritou.
– Vim falar com você, hn. – comentou sentando-se na grama e sorrindo de lado. – Você saiu tão rápido ontem à noite... Nem tive tempo de pegar seu telefone ou qualquer coisa. – me aproximei e fiquei em pé ao seu lá.
– É porque eu não quero manter contado com você! – disse o óbvio e ele riu divertido, revirei os olhos.
– Já entendi, você não quer acabar com a amizade... – falou sorrindo e eu bufei. Que vontade de esfaqueá-lo aqui e agora. – Não tem problema, hn. Podemos ser apenas amigos... – suspirou triste. – Se é isso que você quiser, claro.
Não respondi, apenas revirei os olhos mais uma vez e olhei para os lados tendo a certeza de que estávamos realmente sozinhos.
– Já disse que não somos amigos!
Ele me encarou de cenho franzido, acho que finalmente entendeu o que queria dizer. Levantou-se e ficou ao meu lado ainda me encarando a mesma forma.
– Por quê?
– E você ainda pergunta? Você é louco Deidara! – respondi ignorando a careta magoada que ele fez. – Você é um idiota, inconsequente que não pensa em seus atos e nem responsabilidades...
Ficamos em silêncio, outra vez. Apesar de sentir um pouco de culpa após dizer tais palavras não admiti e nem pedi desculpas; ele precisava abrir os olhos e ver que a vida não é fácil como ele pensa.
Ouvi um soluço e franzi o cenho ao ver seus olhos molhados por lágrimas. Ai meu deus...
– Você... Você não sabe o que é ser eu! – disse com a voz baixa e embriagada. – Desde sempre eu sou motivo de piadas e brincadeiras sem graças no colégio, hn... – fungou alto e eu me afastei um pouco. – Eu nunca... Nunca tive amigos de verdade! – secou as lágrimas com as costas da mão e me encarou. – Eu nunca pedi para nascer, hn.
E novamente ficamos em silêncio. Não sabia o que dizer; ele sofria bullying como eu? Ele é um dos alunos que Itachi disse que sofre mais do que eu?
E enquanto ele sentava-se fungando no chão, pensei como fui injusto com ele. Minha baa-chan disse-me uma vez que temos que ouvir a historia das pessoas antes de julgá-las, e eu não fiz isso com ele. Na verdade, nem com Itachi.
Será que sou tão idiota e inconsequente quanto o loiro?
Sou tão orgulhoso ao ponto de pensar que todos os riquinhos filhinhos de papai são iguais?
Suspirei com esses pensamentos confusos e sentei-me ao seu lado, com os olhos vidrados no gramado da escola. Soltei outro suspiro e me aproximei dele, o assustando e o abraçando timidamente. Aquele papo de “nunca mais irei me aproximar dele” foi para o ralo... Ótimo!
Esse tipo de coisa nunca foi de meu fetiche. Eu nunca gostei de tocar em outras pessoas, sentir outro calor humano que não fosse o meu, mas não era tão ruim como eu pensava. Os cabelos dourados dele tinham um cheio bom, doce.
O ouvi fungar novamente e retribuir o abraço de forma desesperada.
Nunca havia pensado que ele tinha um motivo para não vir à escola, nem para ele manter “amigos” como aqueles três, ou ser como ele é; será que é por isso que tenho tanta curiosidade em saber sobre ele?
Talvez eu tenha errado. Talvez Deidara seja uma pessoa interessante a meu ver.
– Não precisa me abraçar por dó, hn. – disse entre soluços, mas não desfez o abraço.
– Não estou. – respondi firme. –... É apenas um abraço sem motivo... Na verdade, não quero ver você chorar. – me xinguei mentalmente por dizer tal coisa em voz alta.
Ele se afastou olhando em meus olhos.
– Somos amigos então? – perguntou soluçando, forcei um sorriso.
– Por que não? – dei de ombros sentindo ele me abraçar novamente.
– Então, podemos sair junto? E agir como amigos? Hn? – sorriu levantando-se. Ele é bipolar, agora tenho certeza.
– Hm... Não! – respondi e ele me encarou confuso. – Tenho minhas obrigações escolares, e elas são mais importantes. – levantei-me também e limpei a calça.
– Como vamos nos ver então? – coçou a nuca se aproximando mais.
– Tome vergonha na cara e venha para a escola. – cruzei os braços arqueando uma sobrancelha ruiva ao ver seu rosto ficar pálido.
Não disse nada, desceu seus orbes azuis claros para o chão e ficou o encarando como se fosse interessante.
– E se... – começou chamando minha atenção. – E se voltarem a fazer o que faziam comigo?
Franzi o cenho. Como ele podia perguntar se eu nem sei o que faziam? Certo... Se for ser amigo dele tenho que ter calma. E muita.
Ele parece até uma criança assustada.
– Ignore. – respondi dando de ombros. Ele me encarou e fez uma careta pensativa, desviou o olhar para os lados inúmeras vezes e ficou um tempo em silêncio; sorriu logo após.
– Se eu vir para a escola, vou sair do castigo, hn. – pensou em voz alta e eu franzi o cenho. – E vou recebeu mesada novamente, hn. – sorriu lentando seu olhar para mim. – E posso fazer mais amigos!
Idiota!
Revirei os olhos o vendo planejar como seria vir à escola novamente, mas o estranho de tudo isso é que ele não parecia tão animado. Suas palavras diziam uma coisa, mas o brilho anormal de seus olhos falavam outra...
O que esse loiro esconde?
– Ei, eu li em uma revista que é bom dar apelidos para os amigos, hn. – comentou e eu ignorei, ouvindo o sinal soar. – Vou pensar em um apelido para você.
– Não! – comecei a caminhar para dentro da escola.
– Por quê?
– Não gosto de apelidos. – principalmente os que me dão: baixinho, cabelo menstruado, cabeça de fósforo, e etc.
Ouvi seus passos se aproximarem, ele estava me seguindo.
– Que tal Sori? – pensou em voz alta e senti uma veia soltar de minha testa. Muito gay, muito gay... – Saso... Hn.
Eu disse que não queria apelidos e ele me ignorou por completo, ótimo. Entrei na escola tendo a certeza de que ele não me seguiria, mas foi ao contrario do que pensei. Como sempre...
Fui até o refeitório ignorando os apelidos idiotas que ele pensava em voz alta e procurei Itachi. Seria boa ideia ir até o moreno junto com o loiro aqui? Hunf, o problema não é meu.
As pessoas nos olhavam de modo estranho, e Deidara estava seguindo meu conselho de ignorar. Um ponto positivo para ele.
Mesmo não parando de tagarelar, ele parecia incomodado olhando freneticamente para os lados como se estivesse procurando alguém. Estranho...
Vi Itachi em uma das mesas, ele nos olhava com os olhos arregalados. Fez sinal para que eu não me aproximasse, franzi o cenho mais uma vez e parei de andar. Parece que a história desses dois é tensa, pela forma que ele nos encara.
– Quanto tempo, hn... – ouvi o loiro murmurar melancolicamente e nostálgico. Dei meia volta, saindo do refeitório e voltando ao jardim, ouvindo os passos de Deidara seguindo-me.
Queria fazer milhares de perguntas a ele, mas não sei se devo as fazer ou por onde começar.
Quando já estávamos novamente no jardim, ele se sentou e eu fiz o mesmo bocejando e sentindo minhas pálpebras pesarem novamente.
– Posso fazer uma pergunta?
– Claro, hn.
Primeiro queria fazer perguntas do meu interesse, mas isso seria estar forçando a barra?! Bem, de qualquer forma, irei fazer uma pergunta de cada vez; não quero o assustar e o deixar nervoso igual ao dia na lanchonete.
– Porque fala esses “hn” no final das falas? – perguntei algo idiota. Ele me olhou e pensou um pouco.
– Não sei, hn. – riu e eu suspirei. – Acho que é hábito... Hn. – não sei o porquê, mas tive vontade de rir.
Ficamos em silêncio e fechei os olhos, tentando descansar. Realmente estava cansado, minha cabeça está doendo com mais frequência e isso me assusta, irei marcar uma consulta com o médico.
Soltei outro bocejo ouvindo o loiro murmurar algo, não consegui entender as palavras que saíram de sua boca.
Passar o dia com sono não deve ser bom para a saúde. Talvez a dor de cabeça seja por isso... Talvez.
[...]
Abri meus olhos devagar, encontrando folhas da árvore do jardim mexendo-se pelo vento; o céu estava limpo, com poucas nuvens e eu soltei um bocejo pequeno. Fechei os olhos percebendo que estava deitado com a cabeça encostada em algo fofo e quente.
Onde estava?
A única coisa que me lembro foi sentar no jardim junto a Deidara. Levantei quase em um pulo e olhei em volta, sentindo meu pescoço estralar. Fiz uma careta de dor.
– Dormiu bem? – assustei-me e olhei para o lado onde estava deitado encontrando o loiro.
– Eu... Eu dormi por quanto tempo? – me desesperei. O intervalo já devia ter acabado e eu devo ter perdido as aulas. Não poderia entrar na sala de aula... Droga!
– Você parecia cansado, hn. – comentou com a voz baixa e calma; quase um sussurro. – Pode continuar deitado.
Não disse nada, apenas suspirei sentindo uma pontada de dor na minha cabeça. O olhei pelo canto do olho e corei de leve vendo seu rosto angelical brilhar de leve pelo sol, seus cabelos estavam bagunçados e meio rebeldes, e tinha um meio sorriso nos lábios.
Ainda pergunto-me se dar uma chance para ele é uma boa ideia.
Aliás, foi ele quem disse que me amava, não é? Certo, ocultando isso da mente... Deletando.
Encostei minhas costas na árvore onde estávamos sentados e fechei os olhos novamente; já estava aqui e então poderia descansar um pouco, podia pedir as anotações para Itachi depois.
– Deidara... – o chamei e ouvi um murmúrio vindo dele. – Porque parou de vir à escola?
Ficou em silêncio e soltou um suspiro frustrado.
– Não quero falar sobre isso, hn. – abri os olhos e o encarei, o vendo me fitar serio.
– Por quê?
– Porque a verdade dói, hn. – comentou encostando a cabeça no meu ombro e franzi o cenho, pensando se o afastava ou não; mas estranhamente meu corpo não se mexia. – Obrigado por seu meu amigo, Danna...
– Como? Danna?
– Pensei em um apelido para você... Sasori no Danna, hn. – sorriu de leve e revirei os olhos.
– Não é tão ruim. – admiti.
O mais estranho nesse dia, era que eu estava sentindo-me bem ao seu lado. Nunca senti tanto interesse em alguém. Queria saber o que ele quis dizer com aquilo: “a verdade doí” segredos realmente estão sempre à tona na vida desse loiro.
Para ser sincero, principalmente comigo mesmo, devo admitir que Deidara não fosse alguém irritante quanto pensava. Aqui, agora sentado ao seu lado, vejo a pessoa calma, silenciosa e tranquila que ele pode ser, e isso me anima. Agora que somos amigos, ou sei lá o que, penso que comigo em sua vida, ele possa mudar... Para melhor claro.
E mesmo com a preocupação que sinto por ter acidentalmente matado aula, estou conseguindo relaxar como nunca.
Isso pode dar certo...
[...]
Andava pelos corredores apresado, massageando as têmporas enquanto respirava fundo; Deidara não calava a boca e isso estava me dando nos nervos. Falava sobre comida, televisão, música, e coisas que não me interessam.
Porque eu disse sobre que essa amizade daria certo?
Estava voltando para a sala, já que o horário de aulas já havia acabado e passei a tarde dormindo, estava agora buscar meu material. Algumas pessoas nos olhavam de forma estranha e questionadora, mas assim como o loiro ignorava.
Virei o corredor com o loiro idiota na minha cola e vi uma figura morena e alta caminhar com minha mochila em mãos. Deidara parou de andar quando percebeu sua presença.
– Perdeu uma aula interessante... –comentou entregando-me a mochila. Suspirei, estava triste e feliz ao mesmo tempo; primeiro por perder aulas, segundo por não ter artes hoje...
Seus olhos ônix encaram os azuis do loiro ao meu lado e senti um arrepio correr pela espinha, a intensidade do olhar dos dois poderia congelar um estado inteiro. Nunca vi aquela olhar de Deidara, em pouco tempo que nos conhecemos, já vi um brilho alegre, triste, magoado e irritado em seus orbes, mas agora não sei ao certo o que definir em seu olhar.
– Caham. – chamei a atenção dos dois fazendo sinal para que começássemos a andar. E mesmo saindo da escola lado a lado, dava-se para sentir a áurea assustadora entre os dois.
E isso levantava ainda mais a minha curiosidade. Deidara calou sua boca tão rápido que me assustei. Itachi estava quieto como sempre, porém parecia mais indiferente do que o normal.
O moreno não ofereceu carona, e do pouco que conheço sobre si, isso quer dizer que está desconfortável pela situação, ou simplesmente pela presença de Deidara.
Quando o Uchiha foi embora, o loiro continuou quieto, com passos pesados e tensos até o ponto de ônibus comigo.
– A verdade doí, hn. – murmurou olhando para o chão.
Todas as perguntas vieram a minha mente novamente. E era frustrante ter a pessoa que poderia as responder, mas não podia as fazer.
Deidara e Itachi são pessoas opostas, é normal não se darem bem. Mas o fato de que o moreno ter ficado daquela forma e o loiro também, me confunde. Suas falas; “Eu não o ajudei e não fiquei ao seu lado quando ele mais precisou” e “A verdade doí” estão impregnadas em minha mente.
Olhei para Deidara ao meu lado e franzi o cenho. Ele estava diferente de alguns minutos atrás.
O que o passado dos dois esconde? Talvez só o futuro diga...
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