Kill Me
4 Cap 4 - A Verdade
A casa da namorada humana de Caleb ficava a quilômetros dali, mas correndo com a sua velocidade de incubo ele a alcançou em menos de 5 minutos. Ela vivia em um dos andares mais baixos de um edifício alto, e não foi dificuldade alguma escalar até a janela de seu quarto, que no momento estava entreaberta.
Ele procurou entrar delicadamente para não assustá-la, mesmo assim seus pés bateram contra o assoalho produzindo um pequeno estrondo que a acordou de seu sono leve. Na hora, é claro que ela se assustou, incapaz de reconhecer o vulto que havia invadido seu quarto na plena escuridão da madrugada. Delilah congelou sobre a cama, sem conseguir sequer gaguejar "quem está aí?"
– Oi. Calma, sou eu.
A voz familiar a acalmou e a encheu de alegria. Ela nem pensou em perguntar os porquês. Era uma situação meio absurda. Todos acreditavam que Caleb estava morto, era de fato a explicação mais plausível para o seu súbito desaparecimento. Aquilo talvez fosse apenas um sonho, mas seria o primeiro sonho feliz pontuando seus pesadelos desde a noite em que Caleb a abandonara, e ela vibrava de felicidade.
– É mesmo você? — Ela murmurou, sem conseguir disfarçar sua incredulidade.
– Claro. É uma história muito longa mesmo. — Caleb respondeu, sorrindo largamente. Na verdade, ele realmente não voltara vivo. Mas também não estava morto. Não podia dizer que estava saudável. Embora estivesse mais que bem. Explicar aquilo seria realmente quase impossível. Mas ele teria de tentar.
Antes, deitou-se ao lado dela e afagou seu longo cabelo escuro. Delilah continuava a mesma beldade da qual ele se lembrava, ele, em contradição, provavelmente mudara muito fisicamente. Ela comentou que ele estava gelado, mas pensou que fosse devido a baixa temperatura lá fora. Ele tinha certeza de que ela só não estava apavorada com sua aparência porque o quarto estava um breu e ninguém havia pensado em acender a luz. Era melhor assim. Queria mais do que tudo beijá-la, mas sabia que ainda estava com hálito de sangue, então preferiu começar a explicar a tal longa história.
– Você acredita em vampiros? — Ele questionou, hesitante.
– Que pergunta... Acho que sim.
– E tem medo deles?
– Não, mas preferiria nunca me encontrar com um. — Ela retrucou, rindo. Caleb ficou meio magoado, mas era besteira. Tentou ir direto ao ponto para ver qual seria a reação dela.
– Eu fui sequestrado. Mas não exatamente como nos filmes. Me contaminaram com um tipo de doença que me deixou completamente mudado, mas eu continuo sendo eu mesmo. Resumindo... Fui mordido por um vampiro.
Caleb imaginou Delilah arregalando os olhos no escuro. Mas ela não se afastou dele.
– E-eu acredito. — Sua voz falhou. Não pareceu acreditar.
– Pode ser assustador, mas é verdade. Eu continuo sendo eu. Nunca machucaria ninguém.
Aquilo não era uma verdade absoluta. Caleb passou a ter alguns... instintos. Precisava se alimentar e não era capaz de pensar ou sentir nada quando estava faminto. Mas ele nunca machucaria alguém que amava. Por isso havia se afastado da família. Porém, confiava em Delilah o suficiente para lhe contar tudo. Não queria que achassem que ele estava totalmente morto, que havia se perdido para sempre.
– Tudo bem, eu acho. — Delilah respondeu após um momento de silêncio, depois de Caleb ter explicado sua terrível condição.
– Eu vou tentar explicar a eles. Mas... Você vem me visitar de vez em quando?
– Sempre que eu puder. — Ele a segurou firme e beijou seus lábios. Mas aí percebeu que alguns raios de luz solar já entravam pela janela. Entrou em pânico. Precisava se apressar e não havia tempo para um adeus caloroso.
– Tenho que ir! — Ele disse subitamente, nervoso.
Delilah não questionou. Achava que sabia o motivo. Por mais louco que fosse aquele relato, devia ser verdade. Então, ele pulou novamente pela janela com a promessa de que voltaria. Delilah olhou para a rua embaixo, momentaneamente assustada, mas não viu nada além do que parecia ser uma sombra ambulante transitando apressada pela calçada. Então desviou os olhos para o buquê de flores brancas na cabeceira, a única prova de que não havia sido um sonho. Pensou no quanto seria difícil convencer os outros do que a acabara de acontecer, mas ela teria que tentar. Então se deitou, tentando voltar a dormir, mas não conseguiria.
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