Kepler's Farm
7 Passado Sombrio.
Notas iniciais
O porão se abriu, era Billy, o namorado da minha irmã. Coloquei a caixa no bolso da minha calça e subi logo depois de Bel.
— O que houve? Cadê todo mundo? – Perguntou Billy.
— Ah, eu não sei onde estão, mas não tenho dúvidas de que preciso de ajuda. – Respondi
— O que? O que houve? Cadê a Jennifer? – Perguntou
— Meu irmão começou a ficar doente um tempo atrás, então ela foi com o Théo procurar ajuda, e até agora não voltou. Billy, temos que achar ela e ir embora daqui, isso aqui está um inferno cara! – Respondi, tagarelando rápido demais.
— Espera ai, tudo bem com o Bel? E como assim ela foi procurar ajuda? Aonde? Não estou te entendendo Enzo... – Respondeu ele, duvidoso.
— Sim, ele melhorou. Ela saiu com o Théo procurando a casa do Ruy... – Fui interrompido.
— Quem é esse cara? – Perguntou ele, estranhando toda a situação.
— É o caseiro daqui, eles foram procurar ajuda pra levar o Bel no hospital. – Respondi.
— Ok, entendi. Mas porque isso está virando um inferno? – Perguntou.
— Cara, tem muita coisa doida rolando aqui. Tem umas coisas que aparecem que estão me assustando e que ficam movendo as coisas e... – Fui interrompido de novo.
— Hei, bateu a cabeça forte lá embaixo foi? Isso já está parecendo piada! – Ia dizendo ele, quando algo bateu na porta, Billy olhou pra mim e foi em direção a ela.
— Abre logo! – Gritou Jennifer do lado de fora.
— Ah, então são vocês! – Disse ele destrancando.
— Não temos tempo, rápido gente, peguem as suas coisas e vamos embora. – Disse ela, cansada, mas já entrando rapidamente.
— Espera ai, espera ai. O que? – Perguntou Billy
— Tem um maluco seguindo a gente, ele tentou nos matar. Ele pegou o carro, Jennifer e eu imaginamos que ele esteja vindo pra cá, então corremos o mais rápido que podíamos. – Respondeu Théo.
— Mas não tão rápido. Estou sem gasolina... E como assim tem um louco atrás de vocês? – Disse Billy.
— O que? Sem gasolina? Fodeu. – Disse Théo.
— Billy, amor, estamos sem gasolina? Você não tá entendendo a gravidade do problema que estamos enfrentando? – Perguntou Jennifer.
— Não tinha um posto com gasolina no caminho dessa cidade esquisita! Mas me diz,quem é esse cara?! – Perguntou Billy.
— É o Ruy, um cara que trabalha nessa casa aqui que tá muito maluco. – Respondeu Théo.
— Eu não sei o que houve com ele, só sei que quero ir embora o mais rápido o possível. – Disse Jennifer.
— Eu liguei para os seus pais antes de chegar aqui e conversei com eles. Está quase tudo certo por lá e logo virão pra cá de carro alugado e trarão gasolina para mim, até lá nós só podemos aguardar, até por que estou sem sinal de celular. – Contou Billy.
Estavam todos se acalmando quando ouvimos barulho de carro, que parecia estar andando devagar. Billy fez sinal para que todos ficassem quietos. Peguei Bel pelo braço e subi as escadas até o segundo andar. Jennifer entrou num armário ao corredor e Théo correu para a cozinha. Billy se escondeu atrás de uma porta. Ficamos em silêncio por alguns minutos enquanto ouvíamos os passos de alguém andando lenta e firmemente no chão de terra molhada, depois subindo os degrais da varanda e finalmente pisando sobre a madeira. Quando parou em frente à porta. Só conseguia ouvir minha respiração lenta, e meu coração batendo acelerado demais. Quando o homem atrás da porta a chutou com tanta força que a mesma parecia ser de papelão, que quebrou as fechaduras e abriu. Era Ruy, ele segurava um machado com a mão direita, e usava uma blusa xadrez vermelha. Ele assobiava uma canção sinistra, e andou lentamente pra dentro. Cada passo que ele dava era como um soco nos meus pulmões. O medo tornava o ar frio e denso, sendo quase impossível de manter a respiração, forçando a aumentar o ritmo e o volume. Ele foi se aproximando do corredor, onde estava o armário da Jennifer e eu olhei pra porta em que estava Billy, ele me olhou e fez sinal para ficar quieto, voltei a me focar em apenas não me entregar, e continuei seguindo Ruy com os olhos. Quando ele passou pelo armário deu mais alguns passos em frente, parou e disse: “Posso ouvir sua respiração...” Logo voltou a andar para trás e parou de frente para o armário, posicionou sua mão na maçaneta e quando tentou abrir, Billy apareceu puxando ele pra baixo e o deitando no chão. Billy colocou a mão esquerda sobre a mão de Ruy que segurava o machado, e com a direita forçava o queixo dele para baixo, ao chão. Ruy agarrou ele pelo pescoço, e depois pegou um descanso de porta que estava no chão e golpeou ao pé do ouvido de Billy, que ficou meio tonto e encostou na parede. Ruy se levantou, virou e pegou o machado, quando virou para trás, Billy foi pra cima dele, mas foi atingido com uma joelhada na barriga. Ruy deu uma coronhada com o cabo do machado na garganta dele que se escoriou na parede. Quando Ruy arrumou sua postura, colocou a perna direita na frente da esquerda e com a mão direita no machado, virou ele até suas costas, e num golpe horizontal, acertou o pescoço de Billy. Com o pescoço quase decepado, Billy morreu na hora. Mas no surto de fúria de Ruy, continuou golpeando a cabeça dele, que depois de alguns minutos, não parecia mais do que carne moída e sangue. Bel começou a chorar, eu vomitei e Jennifer, ficou traumatizada. Ela dobrou os joelhos e sem que percebesse, abriu o armário e caiu no chão. Ruy foi até ela e a pegou pelos cabelos. Foi arrastando-a até a porta quando Théo apareceu com um cano de ferro pelo lado de fora e atingiu Ruy com um golpe bem na testa, que caiu no chão. Théo pegou Jennifer e levantou ela, colocou ela sobre seu ombro e a guiou até dentro, quando Ruy puxou a perna dela. Ruy levantou e jogou o machado na direção da cabeça de Théo que desviou e conseguiu começar a correr pra dentro, mesmo segurando Jennifer nos braços. Eu peguei Bel e fui para o quarto da Jennifer e corri pra debaixo da cama, só ouvia barulhos de coisas caindo e quebrando dentro de casa, e gritos de briga. Do nada, tudo ficou em silêncio. Ruy entrou no quarto carregando Jennifer e colocou-a em cima da cama. Abriu a porta do guarda-roupa e pegou um lençol. Rasgou em vários pedaços e amarrou-a na cabeceira da cama. Logo, ele saiu. Esperei alguns segundos e coloquei o rosto pra fora, só pude ver uma mão segurando meu braço e me puxando pra fora, que me jogou no armário. Bel tentou correr, mas levou um chute na cabeça, ele caiu no chão e desmaiou. Ruy amarrou meu braço, e a minha perna e me prendeu na poltrona e vendou parcialmente minha boca. Só consegui o ver desabotoando a blusa, tirou o cinto e colocou na cama. Olhou pra mim e disse: “Veja, sua irmã vai se tornar minha agora. Você gosta disso? Quer ver isso não é? Então vou te mostrar.” Eu comecei a chorar, mas não consegui fazer barulho. Ele deitou na cama e abriu as pernas da Jennifer, passou levemente os dedos no rosto dela, e foi descendo até a perna. Rasgou a blusa dela e começou a tirar a calça. Quando eu comecei a me debater em cima da poltrona tentando chamar a atenção dele e evitar o estupro da minha irmã. Quando caiu a caixa que estava no meu bolso. Ele parou. Colocou seu pênis de volta pra dentro da calça e se levantou. Olhou pra caixa e seus olhos pareceram começar a tremer. Ele se enfureceu, pegou a caixa com a mão direita e com a esquerda, me pegou pelo queixo.
— O que é isso aqui? Hã? – Perguntou enraivecido e soltando a venda da minha boca.
— N-Não é nada. – Respondi gaguejando.
— Nada? Você tá brincando comigo? Não tem medo do que eu possa fazer com você? Onde achou isso? – Disse ele, ficando furioso.
— Tava no porão, no porão. Eu não sei o que é, eu juro, por favor nos deixe em paz. – Implorei.
— Não, não adianta mais. Você já sabe não é? Não sabe? – Perguntou ele, andando de um lado ao outro.
— Não, não sei. Eu não sei de nada. Por favor, me deixa ir, me solta, eu não vou contar nada pra ninguém. Só não me machuca! – Pedi, covardemente.
— Hahahaha, você é um moleque mesmo. Vai deixar sua irmã assim? Você é... Um covarde. – Disse ele.
— D-Desculpe, por favor. – Pedia, gaguejando.
— Você vai ouvir agora, e vai aprender a ser um homem de verdade. Quando eu tinha a sua idade, eu tinha que trabalhar fora para ajudar nas despesas. Então, nunca tive tempo de viver minha infância. Mas, trabalhar nunca foi o verdadeiro problema. Tudo virou um inferno quando meu pai começou a abusar da minha pequena irmã, que tinha apenas sete anos. E eu era forçado a ver aquilo. Quando não era no meu quarto, era na sala, ou na cozinha em pleno almoço. Certo dia, minha mãe não aguentou aquilo e começou a discutir com ele, ele levantou a mão pra ela e bateu. Eu fiquei furioso, e acabei o espancando. Ele veio a falecer alguns dias depois, por causa dos ferimentos. Começamos a passar fome, e minha mãe começou a sair com outros homens para colocar comida na mesa. Um dia, mesmo com todos os esforços, as dividas eram muitas. Foi quando minha mãe esperou minha irmã completar 9 anos, e colocou ela pra sair com os homens junto a ela. Trocando sexo com dinheiro, ganhávamos muito mais quando ela colocava minha irmã pra transar junto com ela com o mesmo homem. E então, rapidamente começamos a ter dinheiro na mesa. Nossos estômagos já não estavam famintos. Mas nós sabíamos que não éramos mais uma família. A gente não se falava, não suportava se olhar. A humilhação, o nojo e a vergonha estavam escancarados dentro de nós. Foi quando conheci seus avós. Aquele doce casal. Eles ofereceram ajuda, e minha mãe aceitou. Eu já tinha dezessete anos, minha irmã tinha onze, e nós viemos morar aqui. Minha mãe virou a babá, eu, cuidava de todos os serviços braçais junto ao seu avô. Mas, minha irmã... Ela nunca pôde voltar a uma vida normal. Ela atacava as pessoas que se aproximavam, e não conseguia conversar. De certa forma, ela não era mais uma menina racional. Foi quando seus avós começaram a duvidar de algo “espiritual”. Algum demônio habitava nela. Era o que eles acreditavam. Então, começaram uma série de testes e exames físicos, mentais e até espirituais. Eu comecei a duvidar disso, então, fui a biblioteca e comecei a estudar sobre o que poderia ter acontecido com ela. No final, eu descobri. Ela não era forte o bastante para a vida que teve, e infelizmente, não aguentou. Ela apenas estava doente. Mas seus avós a torturaram, e a matavam lentamente. Eles a encheram de remédios e orações. Mas nós sabemos que naquele caso, isso não iria ajudar... Então, ela veio a morrer. Ela não aguentou... E a culpa era toda deles, claro. Seus pais não sabiam disso, os seus avós nunca contariam isso e decidiram ocultar tudo. Foi quando eu arquitetei um plano perfeito pra vingar minha amada Melanie. Esperei os seus pais crescerem, casarem e saírem de casa, logo, os seus tios. E aí, quando seus avós decidissem viajar de carro, eu o sabotaria. Conclusão? Eles se acidentaram na rua e morreram... Pagaram pelo que fizeram a minha irmã, com fogo e dor... Eu não pretendia machucar vocês até sua irmã vir pra cá e começar a se oferecer pra mim. E eu não consigo recusar uma menina bonita, sabe? Olha pra ela, ela me quer muito, eu sinto isso. – Contou ele, excitado e emocionado com sua história.
— A culpa não é nossa, eu sinto muito! Por favor, solte a gente! – Eu continuei pedindo.
Billy abaixou a calça de novo, deitou na cama, despiu os seios da minha irmã e me olhou: “Você vai adorar, eu sei. Já passei por isso antes. Se quiser vir aqui, eu te solto...”
— Você é louco! É doente! Seu maníaco! – Tentei fazer ele se concentrar em mim e soltar minha irmã, mas não funcionou.
Ele abaixou a calça dela, ajeitou seu corpo, terminou de abaixar a sua roupa íntima e quando ia se preparar para violentar minha irmã, outro carro passou pela nossa rua, buzinou e parou. Ele levantou, colocou as calças novamente e socou a parede. Olhou-me e fez um sinal de silêncio. Desceu e esqueceu o machado ao lado da porta. Depois de alguns minutos, ouvi gritos e comecei a tentar acordar o Bel com meu pé...
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