Keep yourself Alive
7 Eu vou voltar
Notas iniciais
Kate dirigiu o mais rápido que pode para chegar ao hospital. No carro, nem ela nem Alexis conseguiam quebrar o silêncio entre elas, ambas perdidas em seus pensamentos e incertezas. A palavra 'sequelas' martelava não apenas a filha do escritor, mas também a detetive. Estacionou o carro e andaram em um ritmo tão rápido que quando perceberam estavam paradas em frente à porta do quarto.
"Será que podemos entrar?" Alexis perguntou encarando a porta fechada a sua frente.
"Não tenho certeza, o que sua vó falou ao telefone?"
"Não muito, só que ele havia acordado e que tinha perguntado sobre você."
"Ok". –
Ela respirava ofegante, não tinha certeza se era pela pequena corrida entre o estacionamento e o quarto do Castle, ou pela onda de incerteza e nervosismo que estava crescendo dentro dela.
"Alexis, vai você primeiro e troca de lugar com a Martha, em seguida eu entro."
"Tem certeza? Posso esperar."
Mesmo que não dissessem, claramente nenhuma das duas estava preparada para receber más notícias, tinham medo de que ele estivesse diferente.
"Não querida, pode ir... Alexis?" — recebendo a atenção da jovem que virou para olha-la. — "Lembra do que o médico falou? Vamos tentar manter ele o mais calmo possível. E vamos deixar as notícias". — Ela colocou a mão sobre a barriga e continuou — "Para depois ok?".
"Ok!" — Foi tudo que respondeu.
Beckett observava a garota entrando no quarto, ela queria entrar primeiro, queria vê- lo, poder toca-lo, mas não seria justo, Alexis é filha dele e já não o via há algum tempo devido a faculdade, ela poderia esperar mais alguns minutos.
Seu corpo estremeceu alguns minutos depois ao ver Martha saindo do quarto com o rosto e os olhos avermelhados. Todos os pensamentos negativos que ela estava controlando até agora, voltaram com toda a força.
"Katherine querida!" — Ela disse limpando o rosto com a mão. — "Entre, Richard já perguntou por você várias vezes, e está ficando impaciente."
"Martha, Ele?" — Ela foi interrompida pela mãe do escritor . "Entre querida!"
Beckett não tinha certeza do que pensar, a reação da Martha, por que não respondeu? .
Ela tentou afastar todos os pensamentos ruins. Um sorriso brotou em seu rosto, quando entrou e de longe pode ver aqueles olhos azuis que ela tanto amava. Ele estava sentado, apoiando-se em travesseiros, um lençol cobria suas pernas e assim como ela, ele sorriu ao vê- la.
"Kate! Pensei que ia ter que ir te buscar." — Ele disse sorrindo.
Seu coração voltou a bater no ritmo normal após as palavras dele.
Apesar de todos os machucados, e tudo que passou, ali estava ele, sendo o Castle de sempre.
Alexis se aproximou dele, deu um beijo em Seu rosto. — “Vou ali fora com a vovó, daqui a pouco volto". — Castle sorriu, entendeu o que a filha estava fazendo, estava dando privacidade a eles, deixando eles por um momento sozinhos.
"Não precisa sair Alexis." — Kate estava parada de frente para Castle, porém ainda meio longe da cama.
"Vou fazer ela tomar um café Kate. Se conheço bem, não deve ter saído do quarto. Enquanto isso vocês conversam um pouco." — Ela piscou para a detetive e saiu do quarto, deixando apenas eles.
"Vai ficar aí de longe? Acho que mereço ao menos um beijinho não é? — "Ele fazia sua melhor cara de criança pidona.
Ela se aproximou dele até o máximo permitido, já que ele ainda estava com os fios que eram ligados a máquina de monitoramento e também ao soro. Abaixou-se um pouco e deu um selinho em seus lábios. — "Que bom que está bem, eu fiquei com tanto medo de te perder". — Ela disse passando a mão no rosto dele, e depois nos cabelos.
"Eu te fiz uma promessa não é? Sempre!"
Ela segurava para não deixar uma lágrima cair, durante todos esses dias, almejou tanto ouvir essa palavra, mas não bastava somente a palavra, tinha que vim com esse tom, essa voz. Delicadamente sentou-se na beirada da cama, tomando o máximo de cuidado para não machucar ele.
"Eu sei." — A voz saiu embargada, mais do que ela queria, e, por mais que ela fosse durona como todos costumavam dizer, durante esses dias ela realmente teve muito medo de perde-lo e ainda tinha a notícia sobre o bebê, ela queria tanto contar para ele, queria ver sua reação, mas, para o bem dele, teria que adiar. Torcia internamente para que ele não ficasse magoado com isso e compreendesse que era para seu próprio bem.
"Ei." — Ele esperou que ela olhasse para ele. — "Está tudo bem, eu estou aqui." Ele abriu os braços um pouco. — "Vem aqui."
Abraçada com ele, ela deixou sua cabeça apoiada sobre o peito dele, porém sem soltar o peso de seu corpo. — "Eu senti tanto a sua falta." — Ela disse passando a mão sobre o peitoral dele.
"Impossível ter sentindo mais que eu." — Ele fazia carinho nos cabelos dela, deu um beijo no topo da cabeça dela. — "Como você passou esses dias? Fiquei preocupado."
Ela voltou a se sentar de frente para ele. "Preocupado comigo? Amor, você que estava lá."
Ele não disse nada, apenas esbanjava um grande sorriso bobo.
"Que foi?"
"Você... você me chamou de amor!" Ela passou novamente a mão sobre o rosto dele, levando para trás alguns fios de cabelo que caiam sobre a testa.
"Por que é isso que você é!"
"Nossa! Preciso vir mais vezes ao hospital!" Ele disse com um grande sorriso.
"Não teve graça Castle!"
"Ah só um pouquinho né?! E prefiro amor!"
Beckett revirou os olhos, se ele não estivesse sobre uma cama de hospital, provavelmente bateria nele agora.
"Como se sente?" — Ela perguntou um pouco mais séria.
"Já estive melhor, mas me sinto bem, algumas dores e…." — O semblante dele não passou despercebido por ela, o conhecia bem para entender que algo estava errado.
"E?"
“Essa coisa estranha, não sei explicar. O médico disse que logo vai passar."
"Que coisa estranha Castle?" — Disse impaciente.
"Minhas pernas. Sinto como se elas formigassem."
"Formigassem? Como assim? Você não pode mexer elas?" — Ela não aguentou e acabou mostrando um pouco mais do choque sobre a notícia do que queria.
"Eu não sei. Eu sinto elas mas parece que estão longe. É como se eu não tivesse o controle sobre elas."
Beckett ficou um instante em silêncio, sabia que poderia haver sequelas. O médico havia falado várias vezes sobre isso, mas o que poderia significar? Ele ficaria assim para sempre? Será que ele não andaria mais? De fato que em nada ia interferir no amor que ela sentia ou seus amigos por ele, mas, não seria fácil. Ao notar o olhar assustado dele, provavelmente por que ela ficou em silêncio, decidiu que seja como fosse, futuro é futuro e o que importava de verdade era que ele estava vivo.
"Não se preocupe amor, sei que tudo vai ficar bem."
"Ual, que bicho te mordeu?" — Recebendo o olhar feroz dela. — “Eu sei. Só queria deixar as coisas leves... Aii…"
"Castle? Que foi?" Ele cobria os olhos com as mãos.
"Minha cabeça, voltou a doer."
Rapidamente ela se levantou, apertou o botão ao lado da cama que acionaria os enfermeiros. — "Espera! Me deixa tirar isso." — Ela tirou um dos travesseiros que ele escorava as costas. A cama estava abaixada e devido a dor nas costelas ele estava em uma posição mais elevada por causa dos travesseiros. — "Deita Rick, você precisa descansar".
Nesse intervalo um enfermeiro chegou para atender a solicitação, olhando as medicações e horários, disse faltar pouco para o remédio de dor e por isso ele estava começando a senti-la, o efeito já devia estar passando. Pediu para que ficassem de olho e se aumentasse mais era para chama-lo. Explicou que o médico responsável por ele estava em uma cirurgia, mas antes de ir embora passaria para falar com eles. Kate agradeceu, e voltou sua atenção ao escritor. Ao vê-lo um pouco encolhido, puxou uma coberta que estava aos pés da cama e esticou sobre ele, trouxe uma cadeira bem rente à cama para que pudesse ficar o mais perto possível, porém fora da cama e começou a fazer carinhos delicados em seus cabelos.
"Melhor?" — Ela perguntou acariciando os cabelos dele como se estivesse penteado com mão.
"Unhum" — Ele resmungou de olhos fechados.
De repente ela se lembrou, do desespero que sentiu ao vê- lo preso sobre um colchão e ela sem poder ajudar. Se lembrou da angústia que sentiu ao dizer que o amava e ele não ouvir pois havia perdido o contato, da noite que não dormira, pensando em quanto tempo perdeu por causa de seus medos e inseguranças, então decidiu que não esperaria mais, pelo menos isso ela diria a ele hoje.
"Ei?" — Ela esperou para que ele abrisse um pouco os olhos. — "Eu amo você!” — Se inclinou e beijou sua testa.
"Kate você... "
"Xiiiu, Castle! Apenas quero que saiba. Durma um pouco ok?! Vou ver onde está sua mãe e a Alexis, mas já volto."
"Você vai ficar aqui comigo né?" — Ele disse com os olhos totalmente abertos agora, como se estivesse assustado com a hipótese dela ir embora.
"Claro que vou! Onde mais iria?"
Ao vê-lo fechar os olhos e sua feição mais leve, Kate arrumou novamente a coberta sobre ele. Já estava na porta para sair quando o ouviu chamar por ela.
"Kate?"
"Hum?" — Ela voltou alguns passou para olhar para ele.
"Eu também te amo!" — Disse em meio a um lindo sorriso.
"Sempre!" — Ela jogou um beijo no ar para ele com a mão e foi para os corredores procurar pelas ruivas da Família Castle.
As encontrou sentadas em uma pequena praça de alimentação do hospital, ambas com feições cansadas, e com grandes copos de café nas mãos.
"Katherine querida! Como está o Richard?" — Martha a avistou antes mesmo de chegar perto delas na mesa.
"Está cansado... Ele precisa dormir um pouco e vocês duas também!"
"Nós Kate? Você sabe que precisa se cuidar tambem". — Alexis disse com tanta ternura que a encantou, sempre soube que ela era uma boa menina, mas imaginava que ela pudesse ficar brava por ter omitido do sequestro e talvez ficasse enciumada por causa do bebê. No fundo ela estava grata, precisariam umas das outras agora.
"Querida, Alexis tem razão... E ainda tem o seu trabalho, podemos ficar aqui."
"Ah, com a confusão toda eu acabei esquecendo, falei com a capitã e ela me forçou uns dias de férias e dormir? Vocês não se lembram? Dormi tanto a noite que não dormiria agora nem se eu quisesse muito... Sério, eu estou bem!"
As duas ruivas se entre olharam, realmente estavam cansadas e não haviam dormido muito, mas depois de ver a detetive desmaiar na frente delas, também não queriam deixar ela sozinha. Percebendo que elas estavam pensando de mais, Kate continuou.
"E além do mais, estando em um hospital o que pode me acontecer?". — Ela levantava uma sobrancelha, fazendo uma expressão engraçada que as fez sorrir.
"Como diria meu filho, Touché!" — Então as três sorriram.
"O enfermeiro disse que o médico ia vim ver o Castle, então vou voltar para o quarto e esperar. Vejo vocês amanhã!"
"Promete nos ligar para falar o que o médico disser?" — Alexis perguntou encarando-a.
"Prometo Alexis. Agora vão dormir." — Ela recebeu um abraço de cada, e as acompanhou até o corredor, onde seguiram em direções opostas. Kate se assustou ao sentir alguém a puxar pelo braço. — "Alexis?"
"Eu achei que pudesse gostar disso." — Ela disse ofegante entregando para detetive o livro novo do Castle.
"Mas, esse é o novo?"
"Sim, antes de virmos para cá, entregaram lá em casa, Gina sempre manda um antes para o papai."
Beckett virou o livro para ver a contra capa, passou a mão sobre a foto dele.
"Ah, com certeza vai me manter acordada . Obrigado!" — Ela disse sorrindo.
"Não há de que... Nos ligue se precisar, e dê um beijo no papai por mim." — Então ela virou-se e continuou seu caminho para saída. Beckett voltou para o quarto, encontrou Castle da mesma maneira que o deixara, caminhou até uma poltrona que ficava mais ao canto do quarto, mas, de frente para ele, sentou-se e depois de alguns minutos olhando ele, vigiando seu sono, decidiu ler o livro. Estava há semanas ansiosa para ver o resultado final. Claro que ela disfarçava na frente de todos, até mesmo do Castle, mas poderia dizer que era uma das suas maiores fãs.
Leu páginas e mais páginas, que não percebeu a hora passar, entre um capítulo e outro parava para olhar alguns minutos para ele. A cada som diferente que a máquina fazia, sentia seu coração disparar.
"Nossa, quando fiquei tão mole assim?" — Resmungou para ela mesmo, enquanto virava mais uma folha do livro.
Era incrível, ele podia escrever 100 livros, que ela amaria de um jeito especial um por um. Realmente ele tinha o dom com as palavras, prendia a atenção do leitor em cada fala, cada cena, cada mínimo detalhe era importante para ele. Não era a toa que seu nome era constantemente mencionado no 'The new York Times'. Ela sorriu ao se lembrar, mesmo passando diversas vezes por lançamentos e críticas, ele sempre ficava ansioso e nervoso e ela achava fofo a maneira que ele evitava até de pegar o jornal. Quando o conheceu, pensou que ele fosse mais uma daquela celebridades esnobes e egocêntricas, de certa forma até era um pouco, mas, tinha um lado que somente aqueles que estavam próximos viam. Ele era meigo, atencioso e sobre tudo amoroso.
"Nossa deve ser os hormônios, só pode." — Ela disse baixinho, sorrindo com os pensamentos e lembranças.
Castle dormia tranquilamente, e havia passado horas que estava ali sentada. Ela sentia que precisava levantar um pouco. Espreguiçou-se, esticando os braços e levando a cabeça de um lado ao outro, as horas naquela poltrona estavam surtindo efeito em seu corpo. Fora que seu estômago já reclamava, fazia um bom tempo que havia comido. Ela se aproximou dele, acariciou seu braço. Ele estava tranquilo, e se não fosse as marcas em seu rosto, ela diria que ele nunca havia passado por tudo que passou.Ouviu uma batida na porta, e quando olhou, era o mesmo senhor educado que havia falado com ela antes, ele estava com a aparência cansada. Havia passado o dia em cirurgias tensas e complicadas, afinal era neurocirurgião. Ele foi até ela, a comprimento com um ‘boa noite’, checou a prancheta ao pé da cama, fez algumas anotações e verificou as medicações no soro.
"O Senhor Castle é realmente teimoso eu diria, nunca vi alguém se recuperar tão bem, em tão curto espaço de tempo." — Ele disse voltando a anotar algo na prancheta.
"Doutor, ele falou sobre estar sentindo um formigamento nas pernas."
"Sim, parece que o Senhor Castle, tem uma pequena alteração na coordenação motora, ele me comunicou quando acordou... Não vou dizer que não é preocupante, quando lidamos com a cabeça e o cérebro, não há nada insignificante, porém, ele está reagindo melhor que o esperado... Ele recuperou a consciência rápido, tem pacientes que levam semanas, já se comunica bem, não houve alterações em sua memória, nem visão ou audição, agora só precisamos ter paciência, iniciar mais para frente uma fisioterapia e dar tempo ao tempo."
"Ele vai ficar muito tempo aqui?"
"Tudo depende dele, como disse antes, pode ser uma recuperação lenta, e ás vezes o melhor lugar para começar o tratamento é em casa. Veremos como ele estará amanhã, e repetiremos alguns exames, se todos os resultados derem positivos, Castle irá para casa mais cedo do que pensamos."
"Isso é ótimo! "
"E você senhora Castle? Como se sente?"
Kate sentiu seu corpo congelar mediante a pergunta do médico, não a pergunta em si, mas 'Senhora Castle', de fato ela estava com ele, esperava um filho dele, porém ouvir a menção de seu nome mais o dele tornava tão real e surreal ao mesmo tempo. Ela foi incapaz de corrigi-lo e apenas disse estar bem... Ele havia visto ela de manhã, e provavelmente se referia ao fato dela ter passado mal.
"Bom! Eu vou para casa agora mas retorno amanhã bem cedo. Qualquer coisa o hospital entrará em contato comigo ok?"
"Sim ! Obrigada doutor."
"Não há de que. Tenha uma ótima noite!"
"O senhor também."
Assim que o médico saiu da sala, Beckett voltou sua atenção para Castle. Ele estava com um semblante diferente, parecia estar sorrindo.
"Vamos Castle? Fingir que está dormindo não vai te livrar de um banho." — Ela disse para ver sua reação.
Ele não se conteve e acabou sorrindo, abrindo devagar os olhos, fazendo aparecer a cor azul que ela tanto gostava. — "Senhora Castle?" — Ele mais afirmou que perguntou com um enorme sorriso no rosto.
"O que? Você queria que eu dissesse o que? Estou aqui te acompanhando e ontem cheguei feito louca, fora o fato de eu estar…" — Ela rapidamente interrompeu.
"Você estar?" — Ele perguntou, pedindo que continuasse a falar.
"Eu... Eu estou sempre perguntando sobre você, preenchi sua ficha, aposto que ele presumiu que somos casados." — Ela quase havia soltado, tentou fazer a cara de 'presumiu' o melhor que pode, afim de que ele comprasse essa explicação um tanto sem nexo que ela tinha dado.
“Mesmo assim, adorei ouvir senhora Castle” e o médico não disse nada se eu posso tomar banho”.
"Mas o enfermeiro sim, vou chama-lo."
"Ah não Kate! Vem aqui." — Ele disse tentando se levantar na cama.
"O que foi?"
"Já não basta..." — Ele se esforçava para ficar em uma posição mais elevada. "Essa roupa ridícula? Você ainda vai chamar um enfermeiro? Mas nem de sonho, prefiro ficar assim!" — Ele que com certo custo já estava sentado, cruzou os braços e fez uma carinha manhosa.
"Ah Castle! Acha mesmo que vou deixar sua carinha fofa me impedir?"
"Kate.. Por favor, eu prometo ser bonzinho". — Ela que já não aguentava mais conter acabou sorrindo, fazendo com que ele ficasse confuso.
"Que foi? Sorrindo da desgraça alheia detetive?"
Se aproximando dele, fez um carinho em seus cabelos descendo a mão pelo rosto.
"Acha que vou deixar mais alguém encostar no meu escritor favorito? Eu só vou perguntar se você pode mesmo tomar um banho e aproveitar para tomar um café ". — Ele agora com o belo sorriso no rosto.
“Só te perdoo se trouxer para mim".
"Hahaha Claro! Por que já não atiro em você de uma vez."
"Hum, adoro quando fica bravinha.” — Recebendo o olhar aterrorizante que ele conhecia bem. — "Olha, meu livro! O quê você esta achando?"
"Mudando o assunto é?” — Ela sorriu. – “Nada mal!"
"Nada mal?"
"Muda essa carinha escritor! Sabe que estou adorando." — Ela foi até a cadeira, pegou o livro e entregou a ele."
"Ficou realmente bonita a capa, escuta...” — Ele aguardou ela dar atenção para o que ele ia dizer. — "Você está aqui há horas, vai comer alguma coisa enquanto eu admiro meu mais belo trabalho." — Falou apenas para irrita-la
"Vejo que já está de volta o Richard Castle que eu conheço."
"Always!" — Ele piscou para ela brincando com a palavra de 'sempre’. — Onde estão mamãe e Alexis?"
"Elas estavam cansadas, falei para voltarem para casa e dormir um pouco. Amanhã cedo elas voltam, deixaram beijos para você."
"Não lembro de ter recebido eles.” — Ele sorriu, voltou para perto dele, deu um beijo suave e delicado em seus lábios. – “Entregue!" — Ela disse sorrindo, indo em direção a porta.
“Ok, não vou demorar, e se pensa que vai escapar do banho, pode esquecer.” — Ela disse fechando a porta.
Já fazia uns bons minutos que Kate havia saído, e Castle não podia negar, era amante sim de sua própria escrita, estava lendo alguns trechos, analisando a capa e contra capa, estava tão distraído que não percebeu que alguém havia entrado no quarto.
"Belo quarto Castle!" — Aquela voz era familiar. Sentiu como se o seu coração parasse de bater alguns instantes. Abaixou o livro, colocando sobre suas pernas, e olhou em direção de quem ele sabia que estava falando. Ele estava encostado na parede de frente para ele sobre a cama.
"Vejo que já está se recuperando."
"O que você faz aqui?" — Ele disse quase gritando.
"Nossa, assim que trata os amigos? Fiquei preocupado com você e decidi vim ver como tem passado." — Ele dizia olhando diretamente nos olhos do escritor, encostando um dos pés na parede.
"Beckett está aqui, e a qualquer momento entrará.”
"Seria ótimo! Há muito tempo aguardo por essa reunião.” — Desencostando da parede começava a se aproximar. — "Sabe Castle, eu pensei mesmo em ir embora. Mas, odeio deixar assuntos inacabados...”
Richard se esforça o máximo, mas não sentia suas pernas corresponderem, ele olhou rápido para o botão ao lado que acionaria o enfermeiro, mas antes que apertasse.
"Não faria isso se fosse você!” — Tyson puxou o fio trazendo o botão para longe do escritor, se aproximou e pegou o livro de suas pernas.
"Ora, ora. Nikki Heat... Sabe, adoro ler e imaginar a bela detetive, principalmente nas cenas mais quentes." — Ele folheada o livro
"Cala boca seu..."
"Olha Castle, não importa quanto tempo leve, ou para onde você vá, eu vou voltar e vou te achar... Você e sua querida detetive."
"Por que não acaba de uma vez com isso Tyson?"
"E perder a graça toda? Não obrigado." — Seu celular começava a tocar, ele retirou do bolso da calça jeans, atendeu e voltou a encarar o escritor. — "Minha carona chegou! Diz a Kate que mandei minhas felicitações pelo bebê!"
Castle ficou confuso com as palavras e ao perceber que ele estava saindo e fugiria novamente, tentou se levantar da cama, mas ao por o peso do corpo sobre as penas ele veio ao chão de uma só vez.
"Socorro!" — Ele gritou o mais alto que pode. — "Kate!!!" — Ele sentia seu corpo pesado e aquela sensação de desmaio o dominava.
"Castle, Castlee!!!" — Kate disse entrando com o copo de café na mão, que ela jogou longe para ir de encontro do escritor que estava no chão.
"Kate? Tyson..."
"Rick amor, olha para mim!"
"Tyson, Kate!"
"O que tem ele? Socorro alguém pode me ajudar?" — Ela gritou com a cabeça do escritor em seu colo. Era madrugada e o número de enfermeiros transitando para lá e para cá nos corredores havia diminuído.
"Ele esteve aqui." — Foi o que ele disse, com a voz baixa e fechando os olhos, desmaiou sobre seu colo.
"Não Rick, não me deixa, acorda... Alguém!!!" — Ela continuava gritando.
Continua...
“De tudo, ao meu amor serei atento antes. E com tal zelo, e sempre, e tanto. Que mesmo em face do maior encanto. Dele se encante mais meu pensamento.”
Vinícius de Moraes
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