Keep yourself Alive
1 Capítulo 1 J.T
Notas iniciais
“O que fazemos para nós, morre conosco. O que fazemos pelos outros e pelo mundo, continua e é imortal.”
(Albert Pine)
— Castle? É você?. Disse Beckett ao atender o telefone. Porém não obteve respostas. Tudo que ouvia era o som de uma respiração. – Castle, responde. Seu coração começava a disparar. O som da respiração e a falta de resposta do parceiro indicava que algo estava errado.
— Castle?. Ao chama-lo mais um vez, o que ouviu foi uma risada. O som que partira do telefone era horripilante.
— Detetive Beckett! Quanto tempo. Sinto muito Castle está ocupado agora, pode deixar recado se quiser. E mais uma vez a risada ecoava na ligação.
Não podia ser. Isso não era para estar acontecendo. As pernas da detetive estremeceram na medida em que ouvia aquela voz. Jamais esquecera dela. Mas por que agora? Por que Castle? Foi tirada de seus pensamentos na medida em que a voz surgiu novamente.
— Detetive ainda está aí? Ou seria melhor te chamar de Kate?
— O que você quer? Onde está o Castle? Sua voz saia como um trovão em uma tempestade. Seu tom áspero e mais alto do que o normal, chamou a atenção de seus parceiros e amigos Ryan e Esposito. Eles saltaram de suas mesas e se aproximaram da amiga. Sabiam que algo estava acontecendo. Kate sempre fora discreta. E lá estava ela vermelha segurando o celular como se fosse quebrar e gritando.
Ela deu lhes um olhar fazendo um sinal com a outra mão apontando para o celular. Ryan entendendo o recado correu de volta a sua mesa e apertando as teclas do computador fez um sinal de positivo para ela.
— Então? Ainda não me disse o que você quer. Disse agora num tom mais baixo. Sabia que era preciso segurar ele na linha por alguns minutos, até que Ryan pudesse rastrear a chamada. Esposito a olhava atentamente, tentando compreender a situação. Tudo que ouvia era o nome do Castle e o que aparentemente alguém queria.
— Me diga detetive como seria sua vida sem o seu escritor? Sabe ouvi dizer que ele pode ser útil. Sua voz era fria. Tinha um tom de ironia. Uma ironia assustadora.
— Não se atreva a machuca-lo. Disse agora com o mesmo tom áspero de antes.
— Hum Kate, acho que você não pode fazer muita coisa. A propósito, adorei a nova decoração do quarto. Aquele quadro do leão era um pouco sinistro. Até mais detetive.
Antes de poder ter alguma reação, Kate ouve o som da chamada terminada. Ele não estava brincando. Sua relação com o Castle era recente e somente eles sabiam da mudança do quadro para outro cômodo. Sua expressão era de pânico. Ao se lembrar das promessas de que Castle e ela iriam pagar, mais cedo ou tarde por terem estragado os planos do assassino.
Sua expressão foi percebida por Esposito que a encarava durante toda a ligação. Sem responder pegou seu telefone e enviou uma patrulha ao loft. Afinal podia ser apenas um trote. Esperava que fosse mas não conseguia conter os pensamentos e a angústia que se espalhava por ela no momento.
— Droga Beckett. O que está acontecendo? A voz do Ryan tomou conta do lugar. Tirando Kate de seus pensamentos. Seus olhos estavam vidrados no monitor do computador em sua mesa, como se não acreditasse no que estava vendo.
— Ryan, conseguiu rastrear? Ela perguntou se dirigindo a mesa do parceiro. Percebeu seu olhar e com o que tinha ouvido sabia que não podia ser bom. Mas ainda tinha esperança. Podia ser apenas um blefe do assassino que era conhecido por suas artimanhas.
— Sim. Quem era na ligação Kate?
— Ryan fala logo. De onde veio a ligação. Disse ela apertando a região da cabeça entre os olhos com os dedos. Fazendo um movimento circular. Sentindo pontadas de dor e preocupação.
— Do loft do Castle.
Antes que alguém dissesse algo. Foram surpreendidos por um homem que trazia consigo um envelope marrom grande e uma pequena caixa. Eram destinados a Katherine Beckett e o endereço do distrito, que estava escrito de vermelho com letras grandes na frente. Os olhos dos três se encontraram para depois juntos focar os olhares no homem e suas entregas.
Kate assinou o documento para que pudesse pegar os itens. Pediu que o homem aguardasse, correu até a gaveta de sua mesa retirando uma luva de látex. Após colocar as luvas analisou e abriu o envelope. Dentro tinha uma folha. Ao retirá-la foi pega de surpresa com o bilhete que dizia:
“Querida Kate.
No momento que vi soube que era extraordinária.
Me apaixonei por seus olhos. Aquele tom de castanho com um toque esverdeado. Me apaixonei pelas ondas que se cabelo faz quando está secando naturalmente. Por todos os teus sorrisos. Sim existe mais de um.
Um quando está nervosa eq que vem acompanhado de uma mecha de cabelo que você sempre coloca atrás da orelha.
Um quando precisa disfarçar sentimentos ruins e sorri com o canto dos lábios (Esse não gosto tanto, mas é lindo também)
Um quando está com pensamentos safados e morde o lábio inferior (ah esse eu adoro)
E meu preferido, quando você está feliz. O som de sua risada é como música para meus ouvidos. O jeito que fecha os olhos quando sorri. Sim me apaixonei desde que o vi.
Sou apaixonado por sua força e dedicação. Cada pedaço de teimosia, cada careta quando brinca.
Jamais em toda minha vida acharia alguém que me inspirasse tanto como você me inspira. Não importa onde a vida nos leve. Saiba que SEMPRE estarei aqui.”
Com amor... RC.
Os olhos de Kate quase a entregaram. O por que daquele bilhete. As palavras tão doces de Castle. Isso não podia estar acontecendo.
— Kate. Tem algo escrito atrás. Esposito disse apontando para o papel.
Virando a folha sentiu como se seu coração parasse no momento que leu:
“Uma pena que ele não pode te entregar em mãos detetive. Seria mesmo uma grande desconsideração minha se não te enviasse não é. “
Sem amor nenhum JT.
PS: Não saia do distrito, você receberá surpresas que só poderão ser entregues à você. Uma vez que não forem entregues poderá dar adeus ao Senhor Castle.
Por sorte havia uma cadeira atrás dela. Por que do jeito que estava caiu. Segurando as lágrimas para não desmoronar na frente dos parceiros. Kate se recompôs. Engolido seco, se levantou. Perguntou quem tinha mandado entregar os pacotes a ela, obtendo a resposta que teria sido deixado cedo por uma mulher e que como fora bem pago não pegou documentação. Chamou um dos policiais e pediu que acompanhasse o entregador a sala de espera para falar com ele mais tarde.
Olhou para seus parceiros. Que estavam perdidos até o momento. Não ia ser fácil. Sua relação com o Castle era mantida em segredo até agora. Temiam que eles não poderiam mais trabalhar juntos no distrito se a capitã soubesse do envolvimento.
— Kate. O que está acontecendo? A voz do seu parceiro agora tinha um pouco de frustração.
— Tyson Esposito. Tyson está com o Castle.
— Como? O loft! Droga. Era ele no telefone? Ainda confuso com toda situação.
Kate sem dizer nada entregou o bilhete a ele. Sua preocupação era maior do que qualquer segredo. E de que adianta proteger a parceria se ele não estivesse vivo. Enquanto Esposito lia junto com Ryan, ela pegou o seu casaco que estava pendurado atrás da cadeira e parou apenas porque Esposito a segurou pelo braço.
— Beckett onde você vai? Você não leu o bilhete?
— Eu não posso ficar aqui esperando de braços cruzados. Ainda não recebi notícias dos policiais que mandei no loft Esposito, eu preciso saber.
— Kate conhecemos o cara e sua capacidade. Quer mesmo jogar com a vida do Castle? Ele sabia que estava sendo duro com as palavras. Mas conhecia bem sua parceira. E depois de ler o bilhete. Bom não era surpresa para os parceiros que havia algo entre escritor e musa mas sabia que ela era teimosa o bastante para arriscar até mesmo sua própria vida.
— Beckett. Os policiais ligaram. Não havia ninguém no loft e encontraram a porta aberta. Esposito soltou o braço dela na medida que as palavras iam saindo da boca do Ryan.
Por um momento ela permaneceu estática. Não respondeu, não questionou. Apenas ficou ali parada perdida em seus próprios pensamentos. Não faziam muitas horas em que acordara nos braços de Castle. Ainda podia sentir seu perfume como se estivesse preso a ela. E agora ela poderia nunca mais vê-lo. Juntou todas suas forças e disse:
— Ok, vamos pegar esse desgraçado. Ryan você vai ao loft junto com a perícia. Ele ligou de lá, Castle é inteligente deve ter deixado alguma pista. Esposito veja se consegue alguma imagem das câmeras. O prédio tem um grande sistema de segurança. Ele tem que ter deixado passar algo. E se deixou vamos pega-lo.
Recebendo apenas um sinal de positivo os dois saíram apressados. Eram todos amigos do escritor. Já tinham passado por inúmeras situações juntos e mesmo que não fosse demonstrado, estavam igualmente abalados.
Kate foi deixada sozinha com seus pensamentos. Sabia que tinha que contar a sua capitã. Mas não poderia omitir a parte do relacionamento. Afinal o bilhete era uma evidência. – Espera a caixa. Com todo o sentimento e raiva após ler o bilhete e em saber do loft esquecera completamente da caixa que foi entregue junto. Ficou algum tempo apenas segurando. Vindo de Tyson poderia ser qualquer coisa. E se fosse..
— Kate! Ei, Kate! Como você está amiga? No caminho do loft Esposito ligou para Laine. Sabia que seria bom para Kate ter alguém por perto. E elas sempre foram amigas.
— Lanie. Ela disse sem tirar os olhos da pequena caixa.
— O que é isso? É do Castle?
— Eu.. eu não sei. Foi entregue junto com um bilhete. Nem sei se quero saber o que tem aqui. Como você soube?
— Esposito. Vamos amiga. Quer que eu abra? Pode ser algo importante.
Ela balançou a cabeça em sinal de negação e com cuidado e bem devagar retirou a tampa da caixinha.
Seu olhar era fixo dentro da embalagem. Não podia acreditar no que estava vendo. Dentro havia uma mecha de cabelo castanho. Mesmo sem exames, ela sabia de quem era. Sentiu novamente as teimosas lágrimas voltarem ao seus olhos. Sua cabeça pulsava ainda mais. Era inevitável o sentimento de perda.
Laine a observou em silêncio. Não havia palavras certas para aquele momento. Sabia que a amiga era durona e que não se perdoaria se desmoronasse ali, no distrito, e na frente de outros policiais.
— Você pode levar para análise? Perguntou entregando a caixa com a mecha de cabelo a doutora.
— Claro. Você quer vir comigo?
— Não posso. Preciso avisar a Gates.
Laine deu um abraço na amiga e saiu em direção ao laboratório enquanto Kate se conduzia a sala de sua capitã. Sabia que a conversa não ia ser das melhores. Sempre teve a impressão de que Gates nunca gostou muito do escritor. Mas que diferença poderia fazer. Tudo que desejava era vê-lo em casa, seguro e vivo. Parou alguns instantes na frente da porta e por fim bateu. A resposta veio rápida, indicando para que entrasse.
Ela entrou e a pedido da capitã se sentou. Explicou tudo o que estava acontecendo. De seu envolvimento com Castle. Da ligação que recebera. Das entregas e a atualizou sobre quem era Tyson.
— O assassino 3XK? Eu não entendo. Suas vítimas eram mulheres e todas loiras. Por que agora o Sr. Castle?
De uma forma objetiva e sem prolongar explicou de quando pegaram um caso que havia levado ao assassino de 3XK. Que por pouco ele quase saiu impune colocando a culpa em um comparsa e que no último momento Castle descobriu seu plano.
— Então. Tudo isso é vingança detetive?
“Vingança” essa palavra entrou como um tiro no coração dela. O que ele estaria fazendo com Castle? Ele ainda estaria vivo?
— Beckett! A voz firme a fez sair do mundo assombroso que estava sua mente agora.
— Desculpe capitã. Eu...
— Eu sei Kate. Vamos encontrá-lo. Do pouco que conheço o Sr Castle sei que ele é esperto. Temos que nos manter esperançosos ok? Faça o que for preciso para encontrá-lo . Me avise se precisar de algo.
— Ok capitã. Obrigada!
O tempo passava de maneira diferente. Não sabia explicar se era rápido demais ou lento. Não podia fazer nada e estava ficando nervosa com a situação. Já tinha bebido mais xícaras de café do que poderia tomar em uma semana. A pouco tinha falado com os rapazes, ambos sem novidades. Não foi encontrado nada no loft e nem nas imagens. Laine tinha confirmado o que já sabia sobre o cabelo. Era mesmo do Castle.
Parada em frente ao quadro de evidências. Se pegou olhando para o retrato que nunca desejou ver grudado ali. Lá estava a foto de Richard Castle. Na foto ele sorria, estava com uma camiseta azul e seus olhos eram destacados pela peça. Lutou para não chorar ali. Mas o pensamento de perdê-lo a destruía por dentro. O sentimento de culpa e invalidez a tomava de uma maneira que quem passasse por ela conseguiria ver em seus olhos. Agradeceu por Martha estar em Hamptons com Alexis e decidiu que enquanto não tivesse provas concretas não as contaria. Afinal nada poderiam fazer.
O dia passou sem avanços para o desespero da detetive. Os rapazes ficaram fora quase o dia todo. Analisando o prédio, câmeras de segurança, interrogado vizinhos, porteiros. Nada levava a Tyson. Era como se ele fosse um fantasma. Não apareceu em nenhuma imagem. Não tinham digitais. Nada. Era ridículo o fato de que ela teria que ficar ali jogando um jogo com um criminoso.
Olhou no relógio por um momento eram 17:45 min. Sabia que entregas eram feitas somente até as 18:00 min. Estaria ele atrasado? Ou apenas usou isso com vantagem para que ela não saísse da delegacia. Sua cabeça doía de forma extrema. Já tinha pensado em inúmeras situações, analisado o caso do assassino no passado, já tinha ligado para outros policiais onde ele fora preso durante um tempo, tinha interrogado o entregador e em nada tinha êxito. Apenas que uma mulher entregou o pacote. Tinha uma descrição que não levou a ninguém. Ela apertava firmemente sua cabeça quando ouviu seu nome sendo chamado.
— Kate Beckett?
Levantou e foi até o rapaz que segurava um tipo de embalagem nas mãos. Identificou-se e pegou o pacote. Era pequeno. Mas a sensação de pânico a tomara. Perguntou sobre quem havia mandado o pacote. E tudo que ouviu foi que um adolescente tinha ido até a agência e pago pela entrega. Assinou o formulário e dispensando o rapaz voltou para a embalagem.
“O que poderia ser? Seria outro bilhete? Pior seria mais alguma coisa ligado ao Castle?” O medo aumentava na medida em que ela lembrava da mecha de cabelo. “E se fosse algo maior? E se fosse um pedaço dele?”
Reuniu suas poucas forças e abriu a embalagem. Dentro tinha um pequeno potinho, como se fosse uma latinha. Novamente pegou um par de luvas e ao abrir o potinho, sentiu suas pernas estremecerem. Seu maior medo foi posto ali. Havia uma unha ensanguentada no recipiente. As lágrimas que foram presas durante todo o dia agora saiam sem permissão. Sentou na sua cadeira e colocou o pote sobre sua mesa, abaixando a cabeça sobre os braços em cima da mesa, ali mesmo, chorou. Não lembrou que era um lugar público ou que as pessoas iam comentar. Apenas lembrou-se da imagem que acabara de ver. Castle estava sendo torturado. Quem sabe morto e ela nada podia fazer.
Ryan e Esposito que voltavam para o distrito foram pegos de surpresa com a cena ao sair do elevador. Lá estava ela. A famosa detetive Beckett. Conhecida por ser mais durona que um homem, inclinada sobre sua mesa chorando. Ao se aproximarem da mesa onde ela estava ficaram chocados com o que viram.
Continua...
Fale com o autor