Karakuri Burst
58 Somos todos loucos aqui.
Notas iniciais
LEN POV’S ON
–O que você fez com ela? – Aumentei a voz. – Que merda você fez com ela?
Rin estava parada desde então. Simplesmente parada. Ela devia xingar, espernear e gritar. Provavelmente agredir Kaito. Isso seria normal.
Se bem que Rin nunca preencheu os parâmetros de ‘’normalidade’’.
Se eu fosse levar para o lado bizarro, conseguiria definir Rin de apenas uma maneira.
Ela seria um manequim vivo.
–Eu vou repetir. O que você fez com ela?
–O que você acha que eu fiz com ela?
Kaito jogou a cabeça para o lado, alternando o olhar entre mim e ela. Sorrindo um pouco, me olhou com falsa expectativa. Queria a porra de uma resposta. Que espere sentado, eu não consigo formular nada no momento. Foda-se Kaito, primeiro Rin.
Queria estalar meus dedos na cara dele. Em menos de dois minutos ele, de algum jeito, tinha fodido com tudo. Eu supostamente deveria entender tudo, e pra variar, estar no controle na situação.
Mas eu não entendia porra nenhuma.
Pra variar.
Avancei em direção a Rin quando percebi que não adiantava esperar alguma coisa de Kaito. A agarrei pelo ombro, a puxando contra mim. Ela estava fria. Anormal. De novo.
Rin, quietinha, mantinha seus olhos fixados em algum ponto. Pareciam vidrados. Isso atraía meu interesse nela, mas agravava minha preocupação. Eu nunca entendia o que acontecia com ela, e agora, definitivamente, não seria diferente.
Mas era e é perturbador não entender o que se passa com ela.
Isso provoca algo dentro de mim.
Algo como raiva.
–Rin.
No fundo, era como se ela cobrisse os ouvidos.
Rin era pequena, por isso, inclinei minha cabeça para manter contato com seus olhos vidrados. Apenas para entrar no seu limitado campo de visão. Eu abri espaço entre meus lábios e a chamei mais uma vez.
–Rin.
O som de palmas ecoou por todo o andar.
–Digno, como um espetáculo. Lindo, lindo, lindo. – A voz de Hatsune Miku escapava entre pequenos risos que ela provocava. – Oh, por favor, não acreditem no que disse, só estou sendo falsa. – Apertou os olhos, sorriu. — Vocês dois formam o mais grandioso clichê que já vi. Quase é bonitinho. Mas a intitulação de ‘’quase’’ a vocês dois é muito vaga, a não ser que ‘’quase’’ signifique ‘’nada’’. É tosco. Apenas tosco.
Recaí meu olhar para Miku. Era repulsivo saber que aquela mulher estava falando comigo. Porém, não afetava isso que chamamos de ‘’meu ego’’. Contraía um ‘’foda-se’’ interno para cada frase entre vírgulas que ela citava. É só tosco.
É só tosco a maneira como ela se porta, afim de abalar a merda que ela queira.
–Apenas não toque nela. Algo em você é corrosivo nela. Você pôs em risco o meu projeto preferido. Sinto que quase a estragou. Mas não é irreparável. – Os dedos de Miku tamborilavam o braço da cadeira. – Namoradinho da Rin, sua expressão está interessante. Parece que não tem idéia do que estou falando.
Minha boca assumiu um formato retilíneo.
–E eu teria motivos pra saber do que você está falando?
–Você não se corrói de curiosidade para saber o que aconteceu com a Rin? Sua curiosidade só se limita ao presente? Excelente ponto. – Ela bateu palmas. – Consegue acreditar que eu sei o que aconteceu no Festival? Não é divertido eu saber o porquê, ‘’de repente’’, a Rin ter parado de querer matar as pessoas? Oh sim, nunca te intrigou saber pra onde foi a ‘’Insanidade’’ dessa menina? Porque eu sei tudo o que aconteceu. Eu sempre sei de tudo. Ah, e por favor, não me diga que acha que foi por ‘’amor’’. Seria ridículo demais, não acha? Mais uma coisa, não seja ganancioso de achar que ela vai te responder. – Ela esticou os braços, parecia se espreguiçar. – Oh, agora ficou interessante me escutar.
Arqueei minhas sobrancelhas.
Era algo quase anestesiante.
Estava vindo de um modo fácil demais.
Mas a verdade era quase anestesiante.
Um suspiro insatisfeito saiu de mim.
–E... Kaito?
Me virei para trás subitamente quando escutei essas palavras. Eu não precisava da confirmação visual para saber que a pessoa que disse isso era, certamente, Meiko. Mas, de qualquer forma, ela acabou chamando minha atenção.
–Quem disse isso? – Miku arrumou a armação metálica no seu rosto. Seus óculos brilhavam a medida que a luz do aparelho em seu colo refletia. – Oh, Sakine. Sem apresentações, eu sei exatamente quem é quem aqui nesta sala. Bem, sobre o seu namorado... Estou pouco me fodendo pra ele, Kaito não passa de um inútil. O quê? Realmente espero que não tenha passado pela sua cabeça um triângulo amoroso, querida.
Sorri de canto quando ouvi Rin ofegar ao meu lado. Aquilo era uma confirmação que ela estava bem. Relativamente bem.
–Rin! – Miku gritou animada. Ela se levantou da cadeira e desceu pequenos degraus localizados a direita do seu pseudo-patamar. Os saltos contrastavam com o piso, o barulho chegava a ser insuportável. – Você não vem fazer ‘’contato humano’’ comigo?
–Eu não vou te abraçar. – Rin resmungou. – Quase me enganou com essa história de contato.
–E eu lá iria tocar em você? – Miku riu divertida.
A voz de Rin estava diferente. Era ela, mas monótona. Seca.
Rin pretendia andar em direção a Miku, chegar a seu encontro. Porém seus passos hesitantes pareceram se prender quando ela passou perto de mim. Ela sem dúvida chamava e gritava por atenção de todos, sem dizer uma palavra. Ela era uma estrela morta. Seus olhos subiram e desceram sob mim. Seu olhar me percorreu de cima a baixo.
–Rin?
Suas sobrancelhas firmavam sua expressão de tédio. Ela formou um sorriso debochado e jogou a cabeça para o lado.
Eu sabia o que aquilo era.
Indiferença.
–Não fique me chamando. – Ela desviou o olhar de mim para Miku. Depois seu olhar voltou correndo até mim. – É nojento.
O sorriso se alargou de forma perfeita.
Seus passos retomaram a ter som. Ela caminhou até Miku sem pressa.
Eu não fiquei assustado. Ou perplexo. Ou perdido.
Eu conhecia aquela Rin.
Era a antiga Rin.
Ela cruzou os braços, completamente alheia e desinteressada.
–Você refez a personalidade dela. – Comentei. – Tem certeza que sou eu que estou a estragando?
–Eu não diria isso. – Miku ergueu os dedos e fez aspas. – ‘’Refazer’’. Está mais para o ‘’Despertar de um antigo monstro’’. Algo bem chamativo e dramático. Sua curiosidade é tão limitada que você só se contém com ‘’refiz a personalidade da Rin’’? – Ela olhou ao redor. – Nenhum de vocês acha isso, no mínimo, estranho?
Houve uma série de mudanças drásticas desde o dia que Kaito entrou na nossa sala avisando que tínhamos que apreender uma pessoa chamada ‘’Kagamine’’. ‘’Estranho’’ virou uma palavra costumeira da minha rotina.
Só que dessa vez, excedia todos os graus que essa palavra já teve antes.
–Eu não sou a malvada da história. Sou até legal. Vou contar a verdade sobre tudo antes de mandar a Rin matar vocês. O uso do pleonasmo vai ser totalmente piegas, mas não dá pra ganhar todas. Comecemos pelo inicio. Consegue se lembrar o que aconteceu no ano de 2006? Claro, como esquecer? Foi nesse mesmo ano que vocês dois foram separados. – Levou a mão à testa. – Que fatídico. – Sorriu. – Estou sendo falsa. Só quero que comecem a ligar os pontos. Para onde acham que a pobre Rin-chan foi levada?
Resmunguei descontente.
–Aqui.
–Aqui. Palmas. Eu mesma não conseguiria descobrir. – Seus olhos rolaram pela sala. – Eu não sei dizer o que isso é. Ou foi. ‘’Aqui’’. Um manicômio? Uma usina? Um hospital? Só um lugar feio e esquecido. Um lugar conhecido como aqui. Não parece um lugar para cuidar de uma criança.
Luka, que até então analisava tudo com uma cautela. Uma cautela milimétricamente calculada. Uma cautela estranha.
–Nem de longe.
–É de perto que vemos todos os erros e defeitos dos humanos. Você está certa, Megurine. ‘’Nem de longe’’. Nem crível de perto. Exatamente isso. Não é um lugar pra cuidar de uma criança. É um lugar para cuidar de uma cobaia. Com muito amor e carinho, claro. – Ela sorriu novamente. – Sinto, é mentira. Falsidade é minha qualidade mais notável. Papai sempre me elogiava por isso. Qual o sentido de ligar animais nos outros, se você pode fazer isso com pessoas? É interessante. O cheiro. É interessante. Carne escura e apodrecida tem um cheiro interessante.
Meiko arqueou as sobrancelhas e arrumou a postura.
–É notável sua naturalidade ao falar essas coisas. Isso sim merece a atenção do seu pai.
–Merecia.
–Assim você parece uma boneca, garota. – O jeito que uma confrontava a outra, direta ou indiretamente, era quase divertido de presenciar. – Fala as coisas mais asquerosas possíveis, mas o sorriso estará sempre no rosto. Simplesmente lindo. Ou doentio. Fica a critério de vossa pirralheza.
–Rin não fez parte desta série. – As sobrancelhas postas em um formato retilíneo criavam a feição de raiva interna mais sobreposta. Era controle. Ela havia ignorado Meiko. ‘’Ignorância é uma benção, ’’ não é? – Quem fez parte foram a 085 e a 087.
Piko juntou as sobrancelhas, encarando Miku.
–Números?
–Pessoas. Num lugar de ninguém, você não precisa de identidade. Nomes são taaão superficiais.
Luka pôs as mãos na cintura.
–Você considera isso normal? Se considera normal?
–‘’Ah. Você não pode ajudar com isso. Somos todos loucos aqui.’’ – Miku riu. – Eu sou louca. A Rin é louca. Vocês são loucos. ‘’Tem de ser. Se não, vocês não estariam aqui.’’
–Cheshire. Não tente ser o gato, você não consegue ser ele. – Gumi murmurou. – Mas que você tem bigode, ah, isso tem...
–É só falar de loucura que essa retardada ridícula se pronuncia. – Miku novamente sorriu, olhando para Gumi.
–Estou achando incrível a capacidade de migração das piranhas do mar pra terra. – Gumi acrescentou.
–Cala a boca. – A voz rígida de Miku tomou conta do ambiente. Notando que perdeu o sorriso, se, no que podemos considerar, ‘’recompôs’’. – Eu já não gosto de você, imagine agora. – Ela forçou um pigarro. – Crianças são seres tão adoráveis. – Abafou um risinho com a mão. – Estou sendo falsa. De novo. Não as suportei durante esses anos. 043 e 065 eram as piores. Papai insistia que deveriam ser crianças. Querem ouvir o que ele dizia? Ah sim. A opinião de vocês não conta. ‘’Crianças são perfeitas. Estão começando a aprender a diferenciar o certo do errado, o bem e o mal. Inocentes. Sinônimo de burras’’. Supostamente mais fácil de manipular. E lidar. Mas, uh, as mordidas delas doem.
–Você é nojenta. – Meiko não demonstrava qualquer tipo de hesitação quando dizia essas coisas.
–Obrigada. Já ouviram a expressão ‘’Os fins justificam os meios’’? – Ela inclinou a cabeça para o lado, esperando algum tipo de resposta. – Bem, bem. Como eu dizia, Rin fez parte de uma série de experimentos diferente. Ela sim é uma bonequinha. Uma bonequinha que podemos controlar os movimentos e as ações. Ah sim. Uma marionete. Enfim. Era desperdício demais fazer as mesmas coisas que fizemos com ela, com, sei lá, outros animais de olhos vermelhos. – Ela pôs as mãos na boca e olhou para Rin. – Ah, desculpe Rin. Não foi minha intenção te comparar com um rato. Sinto muitíssimo mesmo, ‘’amiga’’. Bem. Era um desperdício. Com ela foi diferente. Um resultado muito mais grandioso cobrindo a cortina de horror. Rin é um sucesso. Praticamente o rato mais sucedido.
–Merda. – Luka balançou a cabeça. — Isso está sendo tão doentio de tantas maneiras que eu nem sei se a palavra ‘‘doentia’’ é doentia o suficiente.
–Nem chegamos na parte mais interessante de todas! Só queria informar que Rin não é psicopata. Será que vocês são tão ignorantes que não tinham o conhecimento que psicopatas não tem capacidade de sentir? Se ela fosse algo do tipo, seria algo mais para sociopata. Bah, só detalhes inúteis. A verdade é que a Rin é a melhor de todas. Foi a única a ser ‘’aprovada’’ pra fase dois da experiência. Que orgulho eu tenho de você, Rin-chan.
–Para. Para. Para. – Gumi começou. – Para agora, piranha-migrante-rainha. Para agora de falar como se a minha amiga, fosse a sua.
–Rin não é minha amiga. – Miku falou alto. – É só uma ‘’coisa’’ eficiente. Como eu disse, ela foi aprovada. Mesma alegria de passar num vestibular. – Ela sorriu. – O que quer dizer que ela foi aprovada para fazer a operação. Simples, simples, simples. É a simples introdução de ‘’um corpo estranho’’ na cabeça dela. Haha, o problema está literalmente na cabeça. Foi só silício, nada demais, claro. Colocamos um chip preso a uns nervos neurais na Rin faz uns cinco anos. ‘’E qual seria a tão mágica funcionalidade disso?’’ vocês deviam se perguntar. Ah, é tão difícil explicar isso pra pessoas que tem caras de retardadas...
–Ao invés de insultar a inteligência dos outros... – Meiko e Gumi trocaram olhares. – Porque não conta logo a porra da verdade?
–Sakine, Megpoid. Os apressados comem cru, queridas. Eu vou explicar basicamente como o cérebro manda informações para o resto do corpo. A palavra-chave é impulso. Qualquer ação é realizada por impulsos. Uma palavrinha muito bonitinha. Ah, falsidade. Essa massa cinzenta e nojenta que chamamos de ‘’cérebro’’ cuida de todas as ações de um indivíduo. E essas ações só acontecem por conta de um impulso que o cérebro mandou. É igual uma corrente elétrica. Espero que os imbecis tenham entendido essa parte. – Ela arqueou as sobrancelhas. – Com um chip preso a nervos neurais, as coisas ficam cento e dez por cento mais interessantes! Pensem comigo. Esse chip é controlado por um computador mestre. Simples? Simples. Se eu quiser, o nosso pequeno chip cria uma frequência elétrica na cabeça da Rin. O cérebro é basicamente como uma corrente elétrica. Então, na hora que eu quero, quando eu quero, o chip cria uma frequência elétrica no cérebro dela. Como um estímulo. Que ser vivo não corresponde a um estímulo? Ou seja, quando eu quero, eu crio um impulso nela. Sendo assim, eu controlo as ações dela.
–Puta que pariu! – Gumi gritou. – Você tem que se foder bonito, Hatsune.
–Isso é... Desumano. – Luka falava baixo. – Deuses, você não pode nem se considerar uma pessoa!
–Puta merda. – Meiko colocou a mão sobre os olhos. – Você é uma espécie de monstro.
–Monstro? Eu? – Ela pôs a mão no peito. – Rin é um monstro. Eu não. Eu sou humanamente perfeita. Vocês não tem idéia quanto tempo Mikuo investiu na criação desse chip. Organizar a alteração das frequências, o sinal infravermelho que emitia, os padrões a serem enviados, dar um jeito do organismo não tentar eliminar ‘’o corpo estranho’’, e canalizar as ondas, demarcar o local onde deveria ser inserido... Sem dúvida, o projeto mais brilhante dele. E pensar que vocês quase estragaram. – Ela bufou. – Cerca de um ano atrás, o namoradinho da Rin colocou um outro chip nela. Na cabeça dela.
‘’–Onde estão as roupas dela?
–Como? — Perguntou corada.
–Podem conter evidências. — Paciência, paciência...
–Ali no banheiro.
Ela me indicou onde é o banheiro e comecei a mexer. Evidências que nada, só estou afim de por meu plano em prática. O plano consistia em por um chip localizador naquela flor que a Kagamine sempre usa, assim, caso ela fugisse, o que eu não vou permitir, era só rastreá-la e aproveitar a cara de otária que ela iria fazer por acha-la tão rápido. ’’
–Justo no acessório preferido da Rin. Aquela lótus vermelha. E veja a dimensão do problema, aquele chip era um rastreador, ou seja, emitia um sinal do mesmo jeito que o do Mikuo emitia. E assim, um sinal sobrepôs o outro. O chip de vocês além de estarem num ponto mais alto, estava próximo demais do nosso. As informações conflitaram. O de vocês, era a porra de um chip policial, e tinha a capacidade de rastrear e enviar sinais a vocês mesmo que a Rin estivesse a milhares de quilômetros. Olha a merda que fizeram! – Ela gritou. – Eu perdi o meu poder sobre a Rin, mesmo que ela estivesse a milhares de quilômetros, eu não poderia controlar meu projeto principal! Extremamente injusto... E nesse tempo lindo, ela teve uma espécie de ‘’liberdade’’. E foi por isso, e apenas por isso, que ela passou a gostar de você.
–Você diz que...
–Essa historinha de vocês, literalmente, não passa de um erro. A ‘’liberdade’’ é dada por um indivíduo ter a capacidade de escolha. Rin nunca teve. Portanto, não é livre. Não era. Se tudo corresse conforme o planejado, o chip da Rin funcionaria seguinte os conformes, e eu simplesmente mandaria matar vocês. Essa coisa de ‘’consciência’’, ‘’remorso’’ são patéticas demais. Supérfluas. É por isso que eu controlava a Rin-chan. Mas não pensem que a Rin é uma pobre menina presa na própria mente. – Miku se inclinou e colocou um dedo na frente dos lábios. – Shh, é um segredo. Mas de tanto ‘’fazerem coisas ruins’’ com a Rin quando ela era pequena, ela aprendeu a ‘’fazer coisas piores’’. Mas, bem, alguém que não consegue controlar os próprios movimentos não passa de uma marionete.
–Filha da puta. – Rangi os dentes. – Você e aquele outro lá. Mikuo. Dois filhos da puta. Puta merda, eu não sei como consegui calar a boca até agora. Garota ou não, eu vou te surrar até a porra desse seu cabelo falso ficar vermelho.
–Eu também! – Gumi gritou. – Eu tambeeeeém!
–Rin. – Miku chamou. – Aquilo que você já chamou de ‘’namorado’’ está fora de controle. – Ela revirou os olhos. – Algumas coisas que ela fala são só o reflexo da personalidade que eu criei pra ela. Viu o nosso diálogo agora? ‘’Contato humano’’? É só a boca da bonequinha de mexendo conforme o manipulador ordena. Sabe o quão foi medíocre o motivo do mau funcionamento do nosso chip? Sabem quantas coisas eu quebrei quando eu descobri, quando Kaito finalmente entendeu, o quê que havia de errado? Quase estragaram a Rin! Consegue ao menos perceber que falta uma informação? – Ela arqueou a sobrancelhas. – Quando você tentou lembrar a ela a sua ‘’linda’’ infância, o que aconteceu? Ela enlouqueceu.
‘’ –Rin?
–Cala a boca.
–Eu até entendo que esteja chateada comigo por...
–Cala a boca! – Gritava. – Cala a boca!’’
–E você sabe por quê? – Ela continuava. – Cada palavra que saiu da sua boca estava machucando ela. ‘’Uma dor de cabeça na vida dela’’. Se ela pedia pra você calar a porra da boca, era porque, em algum lugar dentro dela, ela realmente pedia desesperada pra você ficar quieto. Vejamos, a parte do cérebro que cuida das memórias se chama hipocampo, hm, acho que isso tem a ver com... – Sorriu. – Ups! Sem spoilers. Porque acha que Rin tem ‘’má memória’’?
Toda vez. Toda vez ela me dizia.
‘’–Rin, você pode me contar como conseguiu essa cicatriz no rosto?
–Eu... Eu até posso tentar, mas não consigo lembrar muito da minha infância, toda vez que tento vem um clarão e não me sinto bem.
–Entendo... ’’
...Que não tinha boa memória.
‘’–Ah... Eu já usei o cabelo assim.
–Ah é?
[...]
–Você realmente não se lembra, né?
–Lembrar? Lembrar do quê?
–Deixa pra lá. ’’
–Você não quer saber por que ela não se lembra de você? Não é só isso que você quer, Len? Descobrir o passado da Rin? Que ela lembre do que, uma vez, vocês viveram juntos? Então eu vou te mostrar o que realmente aconteceu. Vou te mostrar o porquê ela não consegue se lembrar de você, mesmo que você tente a forçar para isso. – Ela pôs as mãos na cintura. – É uma frase que eu digo muito, querido. Volte no passado, para entender o presente e conseguir um futuro.
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