Karakuri Burst
47 Sem você.
Notas iniciais

LEN POV’S ON
–Para de catar o meu cobertor, Rin. Que saco, já é a sexta vez. – Resmunguei enquanto puxava o cobertor para mim mais uma vez.
–Como assim ‘’meu’’? Nós somos namorados, o que é meu, é meu, e o que é seu, é NOSSO. – Resmungou no seu canto, quase gritando a palavra ‘’nosso’’.
–Isso não é justo.
–‘’Quem disse que era pra ser justo’’? – Respondeu.
–Ah é? Quer que eu te ensine como brincar mais uma vez? – Movi minha mão silenciosamente até sua perna, e apertei sua coxa.
–AÍ! — Gritou. – SAI, CAPETA! – Ela se virou e jogou um travesseiro na minha cara.
Era simples. Começo de manhã, nós dois como cadáveres na cama. Normal? Normal. O que não era normal é que estava frio pra caralho aqui em Tokyo. Eu falei pra Rin pra gente dormir iguais aos casais fofinhos, de conchinha. Mas ela disse que não tem nada de ‘’fofinho’’ nessa posição, e que era só uma desculpa pra mim abusar dela de noite.
Tá, em partes, era isso mesmo.
Então resolvemos dormir com os cobertores. Primeiro foi um único cobertor, só que acordei no meio da noite com a Rin toda enrolada no cobertor. Tá, foda-se, é só pegar outro e dormir, não? CLARO QUE NÃO, ILUDIDO. Rin fica catando meu cobertor a cada 5 minutos! Daí eu pego de novo, e ela cata de novo. Quase fizemos um cabo de guerra agora pouco.
Tirei o travesseiro do meu rosto.
–Porra Rin, devolve meu cobertor! O que é isso? Tá criando um casulo?
–ISSO AQUI É MEU NINHO! – Respondeu.
Rin havia literalmente se enrolado no cobertor, e agora estava em metamorfose.
–Esquece, você acabou com meu sono. – Levantei da cama. – De novo.
–Isso, vai embora mortal. – Se virou para o lado direito, ficando de costas pra mim. – Vai fazer café da manhã.
–Claro... – Coloquei minhas mãos embaixo do colchão. Segurei firme naquela espuma fofinha costurada e o levantei. Rin não aguentou e caiu, rolando até o chão.
–Argh! – Praguejou no chão. – Miserável...
–Você achou mesmo... Que iria se livrar dessa? – Andei até o lado em que ela caiu, me agachei e peguei a ponta do cobertor enrolado nela, me levantei, e comecei a andar, arrastando ela.
Andei até a cozinha, até que soltei a ponta em que estava puxando ela. Que ficou deitada no chão da cozinha igual a um cadáver numa cena de crime.
–Você não espere que eu me levante, certo? – Perguntou.
–Preguiçosa. – A ergui pela mão. – Te mimo muito, sabia?
–Isso, isso, agora eu quero uma tiara de princesa e um vestido cor de rosa e se manca, Len! – Respondeu irritada.
–O que interessa é que hoje é contigo. – Respondi cruzando os braços.
–Como assim ‘’comigo’’?
–É simples. Hoje você vai fazer o café da manhã. É isso, ou é greve de comida.
–O QUÊ?! — Gritou. – Não Len, você ta de brincadeira, né?!
–Não. – Suspirei. – OU, você admite que precisa da minha ajuda, e quem sabe eu te ensino.
–Você quer que eu rasteje pra você, é isso? – Estreitou os olhos. – Tudo bem, mas é só porque COMIDA É VIDA. – Exclamou. – Você vai ver, vou te deixar pançudo. Eles vão perguntar ‘’O Len tá grávido?” e eu vou dizer: ‘’Sim-
–Para de falar merda. – Revirei os olhos. – Eu vou te ensinar uma coisa simples. É a panqueca americana. Eu vou te dizer os ingredientes e você vai buscando um a um. Entendeu, ou vou ter que desenhar?
–Não, você desenha muito mal. – Deu aquele sorriso falso. – Pode falar.
–Farinha... – Me sentei encima da mesa, observando Rin tentar pegar a farinha no armário alto da cozinha.
Ela dava pulinhos tentando alcançar o pote de vidro que continha a farinha. Suspirei, saindo de cima da mesa e andando até ela.
Coloquei a mão no topo da sua cabeça e a afastei.
–Baixinha. (N.A: Gale ♥ Gajeel fazendo presença, Fairy Tail ). – Disse. – Muito baixinha, que coisa horrorosa.
–Você podia ter me chamado de ‘’Pequena’’. – Reclamou de braços cruzados. – É muito mais fofo, muito mais casal e..
–Mudaria a sua raiva? – Indaguei arqueando uma das sobrancelhas enquanto pegava o pote de farinha para ela.
–Não.
–Aqui. – Entreguei o pote pra ela e voltei ao meu lugar. – Não seja tão inú... – Não, essa palavra não. – Ãn... Imprestável. Não seja tão imprestável.
–Eu te amo, hein.
–Eu também. – Levantei as mãos. – Só estou relatando fatos. – Sorri. – Açúcar, leite, manteiga, fermento... Ovos e sal.
–Onde é que ficava isso mesmo... Ah, aqui. – Bateu as mãos uma na outra. – Tá tudo aqui.
–Beleza, deixa eu só pegar uns potes aqui e... Pronto. Agora, pega tudo o que é seco e coloca nesse pote daqui.
–‘’Seco’’? – Perguntou. — Ah tá, já sei.
–Quatro colheres disso, uma xícara disso daqui, três colheres... Não Rin, colherzinhas. – Ela me olhou confusa. – Não pode colocar três colheres de sopa de fermento, são as de café, aquelas colherzinhas. Okay, agora pitada de sal. NÃO RIN, PITADA NÃO É UMA MÃO DE SAL.
–Chato... – Resmungou. – Ah, que ver um truque legal com minha mão?
–Rin... Isso é só uma desculpa pra fugir da aula, porque você é péssima, não é?
–Também não joga na cara... – Resmungou. – Quer ver ou não?
–Primeiro coloca os líquidos nesse mesmo pote e mexe.
–Tá. – Rin mexeu rápido, até o negócio ficar com aspecto normal. – Agora... – Se virou de costas para mim, logo depois voltando a me fitar. – Isso aqui parece um simples punho fechado, não é?
–Você não vai me socar, vai? – Perguntei aumentando a guarda.
–Não. – Respondeu. – Ainda não. – Agora, murmurou. – Parece ou não?
–Parece.
–Observe bem. – Ela colocou a mão mais perto de mim.
–É só a sua mão.
–Olha melhor, olha mais de perto. – Falou. Inclinei meu rosto e o aproximei da mão dela.
–É só uma mão.
–É isso que eu quero que você pense. – Respondeu, aproximando seu rosto de sua mão erguida. – É meu punho, mas se você chegar mais perto ainda...
–Nada de diferente. – Resmunguei. – Estou quase beijando sua mão, Rin e...
–OTÁRIO! – Rin colocou a boca em uma das aberturas da mão, assoprando com força, fazendo a farinha voar toda na minha cara. – Hahahahaha, caiu no truque mais antigo, idiota! Ai... Ai, achava mesmo que não tinha nada? Eu coloquei farinha na minha mão Hahahahaha, agora você parece o Edward Cullen!
–Quem? – Resmunguei enquanto tirava a farinha do meu rosto.
–Ah, não importa. – Sorriu. – Ai Len, precisava ver sua cara de idiota...
–Eu vou lembrar disso.
–Que medo. –Ironizou. — Agora to até animada pra cozinhar. O que a gente faz agora?
Suspirei.
–Prova pra ver se a massa tá boa.
–Deixa eu ver... – Pegou a colher que bateu os ingredientes e passou o dedo, pegando um pouco da massa com ele. – Hum, tá bom. Prova?
Peguei a colher e sorri. Me virei para Rin e esfreguei a colher na bochecha dela. Ela fez uma careta pelo ato repentino, e pela massa estar meio geladinha.
–Uh, que no... – Segurei seu queixo com meus dedos e aproximei seu rosto do meu. Lambi a bochecha de Rin, provando a massa.
–É, tá gostoso. – Me afastei dela.
–V-Você não tinha outro jeito de provar, não? – Reclamou com as bochechas coradas.
–Não.
–Monossilábico. – Suspirou meio envergonhada. – E agora, o que a gente faz?
–Untar a frigideira com manteiga. Depois é só fritar.
–Fritar? Tá louco, homem?! ISSO É PERIGOSO.
–Sei, isso vindo de uma pessoa como você... Deixa de ter esse cagaço, e faz, você não vai morrer com isso.
–Mas fica soltando esses ‘’Tisc, tisc’’! ‘’Prik , prik’’!
–Mas o que quê... Espera, tá falando dos pingos de gordura que pulam pra fora? Tá, quer saber, eu frito, em partes, a senhorita já terminou o dever de casa.
–Graças aos Deuses. – Murmurou. – Eu vou me sentar ali e te observar.
Untei a frigideira por conta da preguiça eterna de Rin. Peguei uma concha e despejei pequenas quantidades na frigideira, até se espalhar e ganhar forma. Deixei cerca de um minuto cada lado da pequena panqueca apenas pra dourar.
–Tá pronto. – Levei o prato com as panquecas até a mesa onde Rin estava. – Não sei se ganho o título de Master Chef Platina, mas deve tá bom.
–Não se ache tanto, fui eu que fiz, afinal. – Se endireitou na cadeira.
–O que foi? Não vai comer?
–Claro que vou. – Respondeu. – Mas come você primeiro.
–Eu comer e você observar. Isso parece coisa de gente que colocou veneno na comida. – Suspirei. – Tá eu vou comer. – Coloquei uma garfada na boca enquanto ela me observava. Devia admitir, estava gostoso, mas...
‘’ Eu vou lembrar disso.’’
Comecei a tossir. A fingir a tossir.
–Len! – Ela gritou.
Ri por dentro. Coloquei minha mão ao redor do meu pescoço, simulando como se estivesse engasgado.
–Água! – Ela gritou. – Você precisa de água!
Ela se levantou as pressas e correu até a pia. Pegou um copo que havia por ali e encheu com água da pia mesmo.
Rin... Você é tão burrinha.
–Toma! – Estendeu o copo pra mim.
Fingi que iria pegar o copo, mas tremi a mão no final, fazendo ele cair no chão.
–Me desculpa... Me desculpa! – Gritou por fim.
Tá, eu vou parar, vou traumatizar a garota pra sempre.
–Otária. – Olhei pra ela, que olhou surpresa pra mim. – ‘’Ha-há-há. Caiu no truque mais antigo, idiota. ’’
Ela ficou em silêncio por um curto período de tempo.
Espera... Silêncio mortal?
Eu já sei no que isso vai dar. Ela NÃO vai agredir o Len Júnior de novo.
Mas por fim, ela sorriu.
–Idiota. – Sorriu pra mim. Cacete, vai dar uma merda TÃO grande... – Eu sou mesmo idiota. – Concluiu. – Sou idiota demais pra me preocupar com você.
–Ah Rin. – Len, aqui é o Len Júnior. É muito importante que você fale as coisas certas, porque rapá, se ela me acertar igual aquele dia, eu não te garanto que irei funcionar mais uma vez. – Era só uma brincadeira, baixinha.
–Não devia ter brincado comigo. – Me mostrou a língua. – Hoje, você vai dormir no sofá.
–Quê?!
–É ISSO MESMO! – Gritou. – Quem mandou dar uma de babaca pra cima de mim? Agora sofra as consequências.
–Não Rin, deixa de drama, caralho. Foi só...
–Uma brincadeira? Foda-se. – Revirou os olhos. – Aliás. Com esse ‘’showzinho’’ eu perdi a fome, obrigada.
–Mentira. Você? Sem fome? Até parece.
–Talvez eu não seja tão previsível quanto pensa, Len. Acredito que não esperava que fosse dormir no sofá. Então pense melhor, porque eu posso me tornar indecifrável.
Quanto drama... Caralho, essas mulheres...
/////
Peguei um cobertor e o coloquei sob meu braço. Olhei para Rin. Pelo menos, pro cabelo dela. Ela estava deitada na cama, de costas pra mim. Andei até a porta do quarto e me recostei ali.
–Então... Boa noite.
Não escutei nenhuma resposta.
–Rin, eu sei que não está dormindo. – Suspirei. – Boa noite.
–Boanoite.
–Quê?
–Qualquer coisa noite.
Dei um sorriso.
–Pra você também, baixinha.
Me virei indo até a sala. Saco, se soubesse não tinha feito nada. Deitei no sofá e acomodei minha cabeça no travesseiro que havia deixado ali, logo após, me cobri com o cobertor.
Me revirei no sofá umas quinze vezes. Fechei e abri os olhos várias vezes naquela sala escura. Espiei o relógio digital. Já eram duas da manhã, mas pra mim essa hora continuava tardia.
Fechei os olhos mais uma vez.
Suspirei, sentindo um peso encima de mim.
–Rin?
–Shhhh.– Respondeu se aconchegando no meu peito.
–O que você tá fazendo aqui? – Sentia seu corpo todo encima de mim. Sua cabeça aconchegada no meu peito, onde desenhava círculos com o dedo. Conseguia sentir sua respiração quente próxima ao meu rosto, e seus pés entre minhas pernas.
–Sem você, não é a mesma coisa. – Sussurrou.
–Isso é engraçado. – Acariciei seus cabelos. – Eu não podia nem te ver... E agora, bem, eu já te vi mais que qualquer outra pessoa. – Dei uma pausa. – Ei Rin... Desculpa.
–Não precisa se desculpar...
Afinal,
Foi uma brincadeira, não foi?
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