Karakuri Burst

73 Quatro de sete.


Notas iniciais
OLAAAAAAAAAR ヾ(・ω・`)ノヾ(´・ω・)ノ゛ Eu sei que vocês devem estar muito WTF ლ(ಠ_ಠ ლ) ''Que título é esse poarr?'' Mas relaxa que logo vocês entenderão ┐(︶▽︶)┌ Desculpa povo, mas eu to amando os kaomoji, então vai ter um montão (〜 ̄▽ ̄)〜 Eu tô puta comigo mesma por esse capítulo. Puta com a Miku, e pela primeira vez, com a Rin (凸ಠ益ಠ)凸 E olha que eu nunca fico com ela. Ou seja, THE COBRA IS GOING TO FUMAR (╮°-°)╮┳━━┳ ( ╯°□°)╯ ┻━━┻ Enfim. A imagem de hoje deu um puta trabalho, mesmo não aparentando. Eu editei três imagens das cinco. A Miku (http://static.zerochan.net/Hatsune.Miku.full.246100.jpg) a Lily ( https://i.ytimg.com/vi/z-VG2W19dek/maxresdefault.jpg ) e a IA ( http://data.whicdn.com/images/184149450/large.jpg ) As outras duas vocês se viram ¯_(ツ)_/¯ AH, E SIM, ESSE É O ÚLTIMO DEFINITIVAMENTE, FINAL FLASHBACK DA FIC INTEIRINHA, já podem parar de reclamar, arigatou ヽ(  ̄д ̄)ノ AH, E OBRIGADA PELOS 70 FAVORITOS (´。• ω •。`) ♡

RIN POV'S ON

Flashback on

Apertei a toalha de mesa entre os dedos, reconhecendo meu estado de choque.

Pouco a pouco fui me tocando que não podia simplesmente ficar parada ali. Não desse jeito. No pouco de senso que me restava, a razão soprava ao pé dos meus ouvidos um singelo ‘’corra o mais rápido que puder’’. Entretanto, teimosia era algo que nunca me faltou.

E por isso, eu fiquei ali, olhando para um defunto.

Não era necrófila, garanto. Estava enojada, tanto dele quanto de mim.

E o pior, é que não deveria estar assim.

Aliás, não era isso que eu queria?

Tinha feito o que Miku queria. O que eu queria também, em partes. O problema é que seu pai doente riu da minha cara, e me anunciou como perdedora de um jogo que eu mal sabia que estava jogando. Eu não podia simplesmente tacar o foda-se, porque, na verdade, não confiava na Miku. Eu tinha mil e um motivos para duvidar de tudo que a puta de pornô fazia ou deixava de fazer. E isso me matava por dentro.

Não era uma via de mão dupla. Nada que eu fizesse ou deixava de fazer, mudaria tragicamente a vida dela. O máximo que poderia fazer era me matar, mas aí só seria questão de tempo até ela arrumar outra pirralha alucinada para fazer o trabalho dela.

Ah, merda.

Eu estava sem saída.

Sempre tive noção que estava sendo usada esse tempo todo, mas isso não era importante. Também estava os usando para alcançar a chave da porta de saída desse Inferno.

Desci da cadeira quando não aguentei mais o cheiro desse velho. Sangue além de manchar, tinha um cheiro que provocava ânsia. Morto com olhos abertos e sorriso no rosto, era isso que o homem a minha frente esbanjava. Nenhuma ruga ou linha de expressão era capaz de desmanchar a satisfação que eu sabia que ele está, ou no caso, esteve sentindo durante a morte.

Psicológico, realmente foderam com você.

Deixei minha respiração pesar, pensando na famosa frase ‘’perdi o apetite’’ e naquela saída dramática da mesa. Pois bem, não tive a oportunidade de ‘’clichêzar’’ com estilo. E, bem, nem queria. Estava mais preocupada em como passar por aquela mesa sem meter os pés em sangue.

Ao passar perto de Primeiro, sua cabeça tombou, assim como seu corpo, para frente, em direção à mesa. O sorriso trincado foi desmanchado mais rápido que eu pude notar, e de sua boca caiu mais um misto de baba e sangue, que escorreu de suas roupas ao chão.

Praticamente, me sentia pronta pra rezar umas cinco orações só pra isso. Pena que meu lado cético agia bem mais que o religioso. Os músculos faciais relaxaram, só isso. Embora eu já não me sinta mais no direito de negar que esse homem me assustava, tanto vivo, quanto morto.

Deixei a sala sem pensar em olhar pra trás. Não valia a pena, afinal.

O sexto sentido da curiosidade clamou para que eu continuasse a andar pelo andar em que nunca havia pisado, mesmo estando em cárcere por quatro anos. O andar onde morou e residiu o Hatsune mais importante.

Não. Eu não queria.

Queria ir embora.

De uma vez por todas.

Não houve nenhuma espera quando me aproximei do elevador. Convenientemente, ele já estava de portas abertas para mim. Estranhei. O universo nunca ousou arquitetar ao meu favor, então eu já sabia que conveniência aquilo não era. Talvez devesse chamar isso de ‘’Efeito Hatsune Miku. ’’

Entrei no elevador. Me faltou ar. Minhas pernas falharam e eu caí no chão. Não era claustrofóbica, então supus que era o peso da consciência, ou o peso dos meus problemas. Minha consciência deu as costas pra mim em tantos momentos que nem me passava pela cabeça que isso ainda existia. Ha-ha. Que irônico. Já os problemas, nunca na vida que nunca houve algum. Arcar com problemas, não era um problema.

Busquei nos cantos da cabeça, minha última, e nem tão inviável, opção.

Pressentimento.

Ri comigo mesma em um chão de elevador. Quer dizer que agora eu ganhei o poder de saber quando vai dar merda?

Realmente incrível.

Suspirei á medida que meu sorriso se diminuía. Poderia zoar o quanto quisesse, mas não podia negar que estava me sentindo mal.

Franzi o cenho quando percebi que nem me incomodei com o fato de o elevador estar descendo sem ao menos eu apertar algum botão. Estava estendida no chão como um tapete barato, e quem quer que entre, viria minha ‘’amável’’ condição. Ainda assim, não era isso que me incomodava. O quesito vergonha fora arrancado de mim no dia em que me forçaram a tomar banho na frente de algo que nem sabia o sexo. — Homem, mulher, meio termo, hermafrodita – seja o que for, tinha apelidado de ‘’Coisa’’ e me assustado o suficiente no passado. Estar esparramada no chão de um elevador não entrava nem para o top dez das coisas mais vergonhosas que fiz ou que me submeteram.

O que me intrigava, e também a razão do meu incômodo, é que o elevador estava indo justamente para o andar em que eu precisava ir.

Coincidência? Não.

Conveniência? Não.

Chama-se ‘’Efeito Hatsune Miku’’.

Recompus-me sem realmente querer. O som eletrônico que tentava reproduzir o barulho de sinos apitou quando o elevador chegou ao seu destino. As portas lentamente se abriram, e a primeira coisa que vi foi o sorriso barato de Miku.

Me arrastei para fora do elevador extremamente indiferente a ela. As palavras daquele velho não saíam da minha cabeça, e me forçavam a perceber que se desse merda, era por minha culpa. Afinal, quem optou andar ao lado do inimigo, fui eu. E se aquele quem eu chamo de inimigo passar por cima de mim, foi fruto da minha burrice.

Bravo, Rin. Bravo.

Apesar de que não podia me culpar tanto. Não tinha liberdade, o que significava não ter escolhas. Primeiro não tinha me dado respostas, e sim mais perguntas. E ele não era o ‘’mocinho’’ da história. Pra falar a verdade, a história que chamo de ‘’minha vida’’ não tem mocinho nenhum. Todos têm culpa no cartório, o que difere os ruins dos piores é que uns tinham um pezinho no Inferno e outros não.

Estava fazendo tudo isso unicamente por três pessoas. E são essas pessoas que eu quero ver.

–Miku...

–Eu sou tão... – A puta de pornô me interrompeu. – Grata a você, Rin! Você mudou completamente tudo! E agora, é a sua vez de mudar também.

–Eu já disse. Não é você quem decide meu futuro. Já fiz o que você queria, coisa que você sinceramente poderia fazer sozinha. Eu não faço milagres. Se vire á partir de agora.

–Não se trata somente de ‘’sujar as mãos’’, meu amor. Se dependesse disso, eu teria deixado você morrer de frio desde a vez que eu te dei meu casaco de corações. Ou não se lembra disso? Ah não. Sempre enxerguei potencial em você, mesmo sendo uma chorona que nem o nome falava. Me esforcei pra ser legal, e... Até um jeito do meu pai gostar de você. E você acha mesmo que isso tudo foi à toa?

Calei a boca. Aquilo era mais sério do que eu queria que fosse.

–Eu não podia matar meu pai. Até porque, eu precisava de alguém pra incriminar. E esse alguém é você.

–Vai me chantagear?

–Não preciso. Mas, espero que entenda, Rin. Eu preciso de uma história, uma versão que todos acreditem.

–Não acredito. – Ri com desdém. – Vai bancar a filha vitimada?

–Vou. Afinal, os advogados do meu pai terão que enfiar meu nome no documento desse lugar. Sou a única filha biológica, portanto, a herdeira de um patrimônio excelente. Não tem melhor maneira de fazer com que os outros, façam algo para você, do que comoção. Mas, claro, isso não é tudo. Nenhuma história boa, é uma história sem sentido. E é por isso que existem provas. Até porque, quando me perguntarem, eu vou ter um...

–Vídeo meu colocando vidro na comida do seu pai, e logo depois ele comendo e enfim...

–Morto. – Deu de ombros. – Viu só? Precisava que alguém fizesse por mim.

E a teoria de ser usada-pois-estou-os-usando realmente se destaca.

–Você é uma cobra...

–Obrigada. Eu me esforço. – Sorriu. – Mas, ainda tem mais. Claro que não vou expor a público o meu mais novo playground. Mas eu cansei de viver apagada pelo meu pai. Quero ser alguém importante. Alguém que todos amem e idolatrem.

–Esquece a cobra. Seu problema é alguma doença mental mesmo. E grave. Você sabe que eu sinceramente pouco me importo com isso. Eu só quero saber o que eu tenho a ver com isso.

–Você não compreende que você é importante demais para mim. Aliás, eu sempre estive com você, Rin. Somos... Amigas, não é mesmo? Sou a única que você precisa. Apliquei e investi demais em você por muito tempo.

–Cala a boca. – Mandei. Estava ficando desnecessariamente perturbada com o rumo que a conversa estava tomando. – Eu não quero saber. Eu vou embora. E eu vou levar Lily, Miki e IA comigo. Você fez a minha vida um verdadeiro Inferno, e quando eu morrer, vou me sentir em casa por sua culpa.

–Awn, Rin. É hora de mudar, esqueceu? Quando te conheci, te achei inteligente. Não muito inteligente, mas ao menos, esperta. Agora vejo que é uma completa imbecil. Não escutou aquele velho? Eu venci. Você perdeu. Eu nunca vou te deixar sair daqui, garota.

////

Meus olhos foram abertos por culpa dos assovios ao meu lado. Respirei pela boca, percebendo que meu nariz não estava bom. Minhas pálpebras pesaram, e eu quase pude dormir mais uma vez, embalada por um cansaço desconhecido. Já os assovios, continuavam sem pausa, me impedindo de fechar os olhos.

Daí, eu me dei conta do que aconteceu.

Abri os olhos de vez, me arrependendo no próximo segundo de ter feito isso tão subitamente. Queimei minha retina sem querer querendo. Chiei por baixo da máscara de oxigênio presa em meu rosto, finalmente notando sua existência.

Abri os olhos com mais cautela dessa vez. Não estava a fim de me cegar de novo. Tentei tirar a máscara do meu rosto, testando se conseguia respirar sem ajuda. Tomei fôlego, e pude continuar dependendo apenas dos meus pulmões.

Rolei os olhos pelo quarto, notando o soro caindo em minhas veias e o homem que assoviava.

Olhei para minhas mãos. Não tinha mais gesso lá.

–Á... – Deixei minha voz morrer. A garganta seca destruía minhas cordas vocais. – Água.

Antes sentado, o homem que assoviava levantou-se sem reclamar, e dirigiu-se ao canto do quarto, que detinha um criado mudo com uma jarra de água.

–Então deu certo mesmo. – Ele comenta, enquanto servia água num pequeno copo de vidro. – Quem diria. – Ele sorriu com um toque de deboche. – E então? Pra você eu continuo apenas um familiar ou um desconhecido, Rin-chan?

Agarro o copo de sua mão sem ao menos dar uma devida resposta. Assim que me sentei, bebi pelo menos metade do copo. O encarei pelo canto do olho, tentando reconhece-lo. Aparentemente, era um daqueles casos onde a pessoa conhece você e você não conhece a pessoa, e as conversas se resumem á ‘’Aham’s’’.

–Somos conhecidos de vista?

–Pode me apelidar de ‘’desconhecido conhecido’’. Mas não vai valer a pena. – Solta um suspiro descontraído. – Hoje é o dia que vou me despedir de você.

Mordi a boca, sem vontade nenhuma de prosseguir com a conversa. Não estava no luxo de conversar com um estranho que assoviava. Minha situação atual estava um verdadeiro caos. Não sabia exatamente onde estava, e nem com quem estava, e tão pouco porque eu estava daquela maneira.

–Você é bem desocupado, não é?

–Você já foi mais curiosa. – Respirou fundo. – Sinto muito por você, baixinha.

Particularmente não me incomodava de ser chamada de baixinha. Aliás, eu sabia que era baixa, e mesmo que fosse um empecilho na maior parte do tempo, não ligava. Só que dessa vez, eu me senti insultada.

Arranquei o soro do meu braço, e me arrastei pela cama. Pesadelo não era, e sonho estava longe de ser. O desconhecido conhecido estava indo embora, e eu pouco me fodia se ele iria me dar um tchau ou não. O problema é que eu tinha que ele não era o único que tinha de ir.

–Disse que sente muito. Pelo quê?

Seus passos cessaram quando chegou próximo a única porta do quarto. Confirmei meu pensamento de que ainda estava no inferninho da Hatsune, só não sabia exatamente em que andar. Depois de ‘’Eu nunca vou te deixar sair daqui, garota’’ eu não esperava menos.

–Não é uma simples despedida. Eu ainda vou te ver, marionete da Miku. Já a Kagamine Rin... – Respirou fundo, aparentemente sem vontade de me explicar. – Nunca mais.

–Eu não sou marionete da Miku. Muito menos Kagamine.

–Esses são seus últimos minutos como Rin. Então se eu fosse você, eu não me preocuparia em como me chamam. Eu vou tentar explicar da maneira mais rápida e direta possível, já que a sua curiosidade ainda não foi capaz de me preparar um questionário do que aconteceu e porque aconteceu.

Reviro meus olhos, sem muito tempo. Precisava ir embora.

–Se apresse.

–Para que você pudesse fazer a cirurgia, te doparam.

Fechei os olhos, incrédula.

–Eu o quê?

–Achei que estava com pressa, Rin-chan. Isso nem é o início da minha história. E isso mesmo que você ouviu. Você passou por cirurgia, porque ela quis que te operassem.

Parei por um segundo para pensar se sentia algo diferente em mim. Comecei a passar a mão pelo meu corpo, disfarçando o meu desespero na frente daquele homem. Mas que merda. Não bastava me dopar, essa filha da puta precisava que eu fosse operada?

Respirei fundo, tentando manter a calma. Isso explicava o quarto, a boca seca, a máscara de oxigênio, o soro, e até mesmo o cansaço. Fragilizada, debilitada, pós-operada. Vários jeitos de dizer fodida.

–O que ela fez?

–Agora sim. Ficou curiosa. Já checou a sua cabeça? Colocaram uma coisinha aí.

Pus as mãos no meu cabelo. As enfiei entre as mechas e comecei a procurar por algo diferente na minha cabeça. Já não tinha minhas habilidades de disfarce. Estava realmente desesperada a esse ponto, mesmo sabendo que deveria estar grata de ainda estar viva, depois de enfiarem alguma coisa na minha cabeça.

E então, eu achei.

Seja lá quem for que tenha feito essa merda, tratou de fazer uma merda bem feita. Me olhando, ou passando a mão pelo meu cabelo, provavelmente ninguém notaria. Só que sendo eu, dona da minha própria cabeça, alguma hora repararia que uma pequena parte do meu cabelo tinha sido raspada pra poderem colocar um troço dentro do meu crânio. Até que estava escondido, pois havia uma grossa mecha encima daquela porcaria. Como se estivesse encobrindo uma besteira.

–O que foi que ela fez comigo?

–Tem um chip dentro de você, Rin-chan. Você não faz nem ideia do trabalho que deu pra fazer isso. O babaca do Mikuo deve ter ficado uns dois anos só nisso. Tudo pra agradar ela. – Balançou a cabeça, como se nem ele mesmo acreditasse no que estava falando. – Mas tem idiota pra tudo, não é mesmo? Bem, o agradeça por estragar parte da sua vida também. De qualquer forma, essa porcaria não é uma porcaria qualquer. É aquilo que vai te fazer mudar.

‘’Aquilo que vai me fazer mudar’’. De repente as conversas mal intencionadas de Miku fizeram um cruel sentido. Quis me matar por não perceber um esquema barato desse. Nem a língua ela conseguia prender, então me perguntava quantas vezes eu tive a oportunidade de perceber suas segundas, ou quem sabe primeiras, intenções.

–É por isso que ela está obcecada por mim. – Sussurro para mim mesma. – Que nojo.

–Seu comportamento já é tão instável que vai ser interessante de assistir. Sua personalidade vai mudar. E quando der por si, vai ser a bonequinha da Miku. Também não vai ter muito controle do que vai fazer ou não. Vai sentir na pele o que é ser um fantoche de teatrinho infantil. Vai estar ali, em cena, mas não é você de verdade. É alguém controlando até mesmo quando sua boca mexe. E ninguém vai se importar, porque o público só quer ver o fantochinho em ação, não por trás das cortinas. E é por isso, que sinto muito por você, Rin-chan. Muitíssimo. – Ele se aproximou de volta a mim, e tomou o copo d’água de minhas mãos. – Assim que Primeiro percebeu que sua filha estava ficando mais poderosa que ele próprio, reconheceu a sua derrota. É o que chamamos de fim. E agora, um brinde a você, Rin. Um brinde a derrotada. Um brinde para quem é tarde para fugir, assim como Primeiro fez.

Joguei minha cabeça pra trás e fechei os olhos. Agora, mais do que nunca, precisava de todo o tempo do mundo. A última coisa que eu deveria fazer agora era me desesperar. Embora, isso era tudo que eu estava sentindo. Desespero. Desenhava pequenos círculos com os dedos no lençol da cama, tentando me acalmar.

Não disse nada a ele. Preferi ficar quieta. Até porque, de novo, não tinha nada pra dizer. Por hora, ele era o personagem ameno da minha história. Ou não. Só o fato de estar envolvido com a Hatsune já tendia a o levar para o lado com pezinho no Inferno.

Bufei, estressada. Não aceitava isso de jeito nenhum.

Pouco tempo depois ouvi saltos estalarem no chão da sala. Ao menos me dei ao trabalho de adivinhar, porque já sabia quem era. Não estava com humor de encarar Miku logo de manhã – ou tarde, noite, nunca -, e o pior é que eu mal podia me situar no momento.

Mordi os lábios como sempre fazia, e abri os olhos.

Peguei de volta o copo de água que foi arrancado de mim e taquei na Miku.

–Filha da puta. – Xinguei. – Filha da puta traidora, ainda por cima.

Ela tombou a cabeça para o lado, assim desviando da água e do copo, que se espatifou na parede atrás dela.

–Ah... Imaginei que iria ficar bravinha. Mesmo depois de tudo que eu fiz e farei por você, que ingratidão. Sua mãe realmente não te deu educação. – Revirou os olhos. – De qualquer forma, já estou há quatro dias esperando você acordar, pra poder terminar esse pequeno experimento. Então... – Ela olhou para o desconhecido nem tão conhecido assim, e sorriu. – Está na hora de você mudar de criança. E quanto a você, — Voltou seu foco em mim. – vamos começar... – Deu uma olhada em seu relógio de pulso. – Em três. Dois... Um...

Mesmo com a intenção de se despedir, o homem que assoviava foi embora sem dizer mais nada.

Encarei Miku de maneira estranha, antes de baixar a cabeça. O que aconteceu veio exatamente da forma em que imaginei, depois de processar todas as informações que ganhei. Vinte segundos de imaginação nunca foi um tiro tão certeiro e óbvio. Tinha pensado justamente em dor de cabeça, uma vez que o treco foi colocado lá.

Sabia que devia gastar meus últimos pensamentos próprios com algo mais inteligente do que dizer que acertei como um chip iria se ativar. Porém, isso era genuinamente o que estava pensando. Originalmente eu.

Só não sei por mais quanto tempo.

Minha cabeça doía. E muito. Se isso era resistência do meu corpo, parabéns, isso estava me ferrando ainda mais. Olhei para ela com os cantos dos olhos, que estava ainda de pé, assistindo um sofrimento interno.

E então eu comecei a ficar com raiva.

Muita, muita, raiva.

–Mais rápido que eu imaginava. – Comentou. – Ia perguntar como se sente, mas acabei de esquecer que não tem opinião própria. Iria te explicar o porquê de fazer isso com você, mas o imbecil do meu irmão resolveu gastar o meu tempo com coisas dele. – Balançou a cabeça. – Agora não tem graça te explicar.

–Eu não preciso de explicação.

–Deuses. – Deu uma meia risada. – Eles não tem senso. Programaram personalidade forte pra alguém que já tinha uma. Mas tudo bem. Para o que você tem que fazer, é bom que você seja insuportável assim mesmo.

Sorri sarcástica. Ela era incrivelmente irritante.

–O que você quer?

–Antes eu deveria criar uma história pra você. Como sou esquecida. – Pôs a mão na testa. – Aliás, eu não posso te deixar sabendo que tem um chip na sua cabeça. Mesmo sendo obrigada a ser obediente, eu não pretendo fazer um plano com furos. Nem uma história com furos. Preciso fazer com que você, cabeça oca, acredite que só vai fazer o que tiver que fazer por ter um espírito mercenário.

Rolei os olhos pela sala.

–Vai apagar minha história?

–Querida, eu já fiz isso, você que não consegue se lembrar. Mas eu não tenho tempo pra criar sua identidade falsa na sua cabeça agora. O que temos de fazer agora, é ver se está tudo em ordem.

–Eu vou repetir. – Disse, já sem paciência. – O que você quer?

–Cortar laços. – Sorriu. – Espero que não me entenda mal, Rin. Mas você não precisa mais de gente como aquela. Amor é uma fraqueza que você não tem permissão de ter. Por isso, vamos cortar os elos fracos. Você não precisa das suas amiguinhas. Nem daquela mulher que acha que é sua mãe. Então, a minha primeira ordem é acabar com os elos fracos.

A Hatsune deitou um revólver no meu colo.

Segurei a arma em mãos.

–Onde elas estão?

Ela se afastou de mim e abriu a porta do quarto.

–Você vai saber. Vá, e se divirta. Só tenho que te advertir que depois de atirar numa pessoa pela primeira vez, não tem volta.

–Eu sei. – Pulei da cama. – Portanto, não se intrometa.

–Pra você vai ser diferente. Vai se sentir bem com isso. E por isso não vai parar.

Passei por ela sem muita pressa. Andar por esses corredores me dava à sensação de fazer algo novo. Estava me sentindo muito bem com aquele vento de ar condicionado tirando meu maldito cabelo da cara.

Só estava de mal humor.

Entrei num elevador que estava parado no andar. Não que eu tivesse um espetacular senso de direção, mas de certa forma a Hatsune estava certa. Sabia pra onde tinha que ir, e tinha que descer alguns andares pra isso.

Num instante o elevador parou de descer e as portas foram abertas. Descruzei os braços e fui andando num corredor estreito até as celas que queria. Entendia o motivo das paredes serem de vidro – para que pudesse observar o que estiver nela -, e agora era uma comodidade pra mim. Ficava muito mais fácil achar quem eu tinha que achar.

–Rin! – Uma menina gritou. – Aqui! Eu estava começando a ficar preocupada, você não...

Apertei meus lábios.

Esse era o tipo que me irritava.

Fui me aproximar da cela da menina, para a encarar melhor. Não precisava pensar, apenas sabia que ela era quem eu precisava achar. A porta de sua cela foi aberta sem que eu precisasse fazer nada. Praticamente uma confirmação que Miku estava coagindo comigo.

–Sophia! – Ela correu para uma das paredes e começou a gritar para uma menina que estava jogada na cela seguinte. – Sophia, acorda! A Rin voltou!

Que animação.

Me aproveitei de sua ingenuidade pra acabar logo isso. A garota já estava de costas pra mim, de qualquer forma. Também não estava a fim de caçar a lunática por aí. Do mesmo jeito que passei pela Hatsune, foi a mesma forma em que entrei em sua cela. Sem pressa.

Seis de sete.

O sangue que espirrou da cabeça dela escorreu pela parede, criando um tipo de arte moderna. Se os gritos dela não tinham acordado a outra menina, pelo menos eu tinha acordado. Seis de sete. Faltavam seis tiros pra zerar o revólver.

Por um momento, eu e a outra menina nos encaramos.

‘’Sophia.’’

Andei para fora daquela cela e fui para a próxima. A garota de cabelos brancos não tinha um dos olhos, e aparentemente ninguém tinha se incomodado de que o rosto dela estava a arrastando pra morte.

Tanto faz.

Quem iria fazer isso seria eu, agora.

–Miki... – Ela gaguejou. Oh, eu mal tinha começado e já estava botando medo. Interessante. – Rin! – Me chamou em tom de censura. – Nós éramos amigas! – Gritou. – Você prometeu que saíriamos daqui juntas!

Revirei os olhos em desprezo.

Assim que Miku abriu a cela dela, resolvi nem por o pé lá dentro.

­-Amigas? – Levantei o revólver. – Eu não preciso de amigas como vocês.

Cinco de sete.

Voltei pelo mesmo caminho que vim. Tinha conseguido ficar ainda mais irritada depois dessa última garota. Sem dúvida o mau humor evoluiu para um péssimo humor.

O elevador parou sem eu ter chegado onde queria ir.

E nele entrou quem eu estava procurando.

De acordo com a Hatsune, ela achava que era minha mãe. E essa mulher sabia o que eu iria fazer. Não que ela tenha me dito alguma coisa, mas estava óbvio só pelo jeito que me olhava. Isso me satisfazia. Assim eu sabia que teria menos trabalho do que com aquelas duas que ficaram alguns andares pra baixo.

Sua mão deslizou até o botão de fechar as portas, mas não escolheu um andar para onde ir.

–Sabe, eu tentei. – Comentou, enquanto deitou o corpo na parede do elevador. – Tentei mesmo. Tentei impedir que apagassem as suas memórias, tentei impedir que a Hatsune ficasse com você, tentei impedir que você confiasse nela, e tentei impedir que te operassem.

A olhei, não muito a fim de escutar história.

–Você está sofrendo?

–Por você.

Torci o nariz.

–Então é por isso que está chorando?

–...Sim. – Pareceu ficar sem graça por isso, e então limpou as bochechas com as costas da mão. – E por isso queria pedir perdão por não conseguir, filha.

–Você não é a minha mãe.

–Assim como eu te perdoo. – Prosseguiu sem dar a mínima pra minha frase. – Eu sei que não é mais você de verdade, Rin. Sei que não pude me despedir. E também sei que já posso dizer que já sinto a sua falta. – Me encarou de maneira triste, e respirou fundo antes de continuar. – E eu sei que um dia você vai encontrar a solução, ou pelo menos alguém que vai a encontrar pra você. E nesse dia, eu sei que vai passar a viver de verdade. Eu sei que isso vai acontecer, e eu realmente não ligo se mais ninguém acreditar. E quando isso acontecer...

Ela guiou a mão que eu segurava o revólver e a deixou mirada em sua cabeça.

–Você não vai se perdoar...

...Mas eu vou.

Quatro de sete.

Notas finais
┬┴┬┴┤(・_├┬┴┬┴ ... Oi ┬┴┬┴┤・ω・)ノ NÃO ME MATEM |・д・)ノ Foi necessário/ na verdade não. Tô meio deprê de ter feito esse final. Iria acabar de jeito diferente, mas eu curto fazer as pessoas terem feels, aí dá nisso (シ_ _)シ ANYWAY, VAMOS VOLTAR PARA O TEMPO NORMAL (✧∀✧)/ Vou voltar a ser Len ( muita falta disso na minha vida ) e também queria avisar que eu vou fazer a rapa da fic (;⌣̀_⌣́) ''Ain Tia Suiti o que é a rapa da fic?'' ლ(ಠ_ಠ ლ) Pronuncia-se ''Rápa'' e vem de Raspar. Tirar tudo. Ou seja, todos aqueles personagens que eu achar desnecessários vão... POOF ( ´-ω・)︻┻┳══━一 - - - - - - (╥﹏╥) Hue hue hue 乁( • ω •乁) FELIZ ANO NOVO PRA VOCÊS ☆ヾ(*´・∀・)ノヾ(・∀・`*)ノ☆ Vejo vocês nos reviews! ( Nop, não teve Kaomoji ali encima. Mas aqui tem ε=ε=ε=ε=┌(; ̄▽ ̄)┘ / Sim, parece que esse bonequinho tá peidando, mas ele tá correndo, eu juro / )