Karakuri Burst
29 Problemas em dobro.
Notas iniciais

LEN POV’S ON
–Ah, então, prestou bastante atenção? – Oliver sorriu. – Quer que eu repita para você não esquecer nenhum detalhezinho?
Aquele prazer doentio que ele tinha em ver Rin sofrer, só alimentou minha raiva. Eu não pensei em nada, não cheguei a meio raciocínio. Não sei o que me deu para chamar Rin de impulsiva nos nossos dias de perseguição. Esse papel é meu, todo meu.
Rin estava de cabeça baixa, parecia se envergonhar, chorar, e gritar só de apenas pensar naquela merda de história. Agora ela pareceu reviver tudo. E ver ela sofrer não me faz pensar direito.
–Quero te informar, Oliver. – Comecei a sorrir feito psicopata. –Mortos não falam.
É, como disse, não cheguei nem a meio raciocínio. Foi apenas impulso. Impulso de me virar para Rin, impulso de percorrer meus olhos a procura do que queria, impulso de agarrar o seu revólver, impulso de...
Atirar.
Neru se distanciou o máximo que pode de Oliver. Rin nem ao menos se mexeu, já Oliver...Está com um sorriso sádico estampado na cara, porque a bala não o acertou, só passou de raspão na sua orelha direita.
Merda!
–Eu suponho que você tentou me acertar. – Oliver colocou a mão na orelha direita para limpar o pouco de sangue que escorria, assim que o fez, olhou para a ponta dos dedos, agora manchada com o vermelho viscoso. Esfregou seus dedos uns nos outros, e voltou a me encarar. – Péssima tentativa, a propósito.
Oliver sacou a arma dele, então ficamos um apontando pro outro.
–Vamos ver quem é o mais rápido? – Perguntei em desafio.
–Claro, mas vai que...Meu dedo ‘’sem querer’’ escorrega do gatilho? – Oliver perguntou entrando no jogo.
–Eu ‘’sem querer’’ já terei atirado. – Dei um sorriso de canto.
–NÃO! – Neru entrou no meio de um inicio de fogo cruzado. – Oliver, eu já te disse, eu não vou deixar que você acerte o meu Len!
–Você é só mais uma coisa no caminho da bala. – Desviei minha atenção de Oliver por um mero momento. – Você é desperdício de munição. Faça-me o favor de sair da frente. Meu assunto é com ele.
–Mas...
–Neru, eu te deixo ficar com os restos. – Oliver falou sem desviar o olhar. –Pegue o resto do cabelo e faça uma boneca.
–Sim! É um jeito de ficarmos juntos pra sempre, não é? – Ela disse animada.
Pelo canto do olho, olhei para Rin. Ela continuava ali, de cabeça baixa, com os fios de cabelo cobrindo seu rosto, deixando impossível de reconhecer a sua expressão. Eu queria abraça-la e reconforta-la, dizendo que tudo ficará bem, assim como ela me dizia na infância, quando eu ficava triste ou chateado. Será que ela se lembra disso?
–Eu tenho um conselho importante pra te dar, Len. Sempre que você gastar uma bala, certifique-se de recarregar o revólver.
Merda! Eu não vou ter tempo de concertar esse maldito erro. Ele sorriu com essa minha falta de atenção, levantou o seu revolver na altura da minha cabeça, e...
No último momento desviou, e mirou em Rin, logo apertando o gatilho.
AH! QUE TIPO DE DOENÇA MENTAL ESSE FILHO DA PUTA TEM?!
Não me joguei na frente da Rin, como um novo tipo de idiota. Se eu me jogasse na frente dela, isso poderia consequentemente me matar. Deixando completamente indefesa para o babaca em pessoa. Porém a outra merda é que eu não posso ficar parado. Então fiz a única coisa que poderia fazer, o que seria um puta risco também.
Me joguei encima de Rin, logo levando os dois ao chão. Se ela não estivesse de cabeça baixa poderia ter visto tudo que estava prestes a acontecer, mas não é culpa dela. É dele. Se ele não tivesse feito essas coisas, ela não estaria de cabeça baixa, como se fosse inferior a ponto de não erguer a cabeça com coragem.
Caímos atrás de uma caixa de madeira , que não era alta, nem baixa, mas servia para um tipo de abrigo para nos protegermos do fogo cruzado que eu criei.
–Rin? Rin, olha pra mim. – Coloquei minhas mãos em suas ambas bochechas e gentilmente ergui sua cabeça, forçando-a olhar pra mim. –Eu preciso que você preste atenção no que está acontecendo, tá bem?
–Me desculpa...É que...Eu me sinto tão suja quando me lembro disso. Se eu não fosse tão ingenua, tão idiota, ou burra...Talvez nada disso esteja acontecendo. É culpa minha.
Parecia que ela havia escolhido o último insulto a dedo. Burra...Foi desse jeito que eu a chamei. Suspirei. Ela não está fazendo de propósito, só parece rever as coisas que eu disse, pensando que estou certo. Aí que está:
Não estou.
–Rin...Tenho certeza que não é o melhor momento, mas...Me desculpa. – Suspirei.- Pra incio de conversa, nós dois só estamos aqui por minha culpa, você só me seguiu porque eu saí de casa no meio da noite, só me contou do seu Ex porque eu te obriguei, só discuti com você porque me importo. Mas se eu realemente me importasse o quanto acho que importo, não teria te machucado, feito você gritar e chorar.
–Você faz muita merda, não? – Ela recomeçou a ficar animada e determinada como estava antes de reviver um passado esquecido.
–Ei, estou tentando te animar, sua ladra de quinta. –Impliquei com ela.
–Olha aqui seu jumento, não fui eu que peguei a arma dos outros e praticamente me banhei de inteligencia ao disparar um tiro que pegou de RASPÃO e não regarregar a arma de volta.
–Me dá um desconto eu não uso uma arma há uns...-Fui interrompido.
–Rin? Rin, meu amor, eu não te acertei, acertei?
Oliver. Droga, isso me puxa de volta a realidade. Eu tenho que dar um jeito nele, e provavelmente nela, tambem.
–O que você acha? – Rin gritou de volta, enquanto se ajeitava atrás da caixa.
–Estamos em dívida. – Gritei para Oliver enquanto espiava pelas extremidades da caixa, para tentar localiza-lo. Ele também havia se camuflado, provavelmente se esgueirando para tentar nos encontrar, do mesmo jeito que estou fazendo com ele.
–Nossa, que incrível. – Oliver debochou. – Com que nossa querida princesa de olhos azuis está em divida comigo?
–Primeiro, você entende mesmo de princesas, né não? – Sorri, mesmo sabendo que ele não veria. –Segundo, você atirou em mim, babaca. Vou retribuir o gesto. ( N.A : Cap 11. )
Me levantei, e comecei a atirar em determinada pilastra. Eu já tinha o achado.
Assim que terminei uma pequena série de tiros, voltei a me abaixar e me esconder atrás da bendita caixa.
Espiei mais uma vez pelas extremidades da caixa, apenas para voltar a me esconder. Uma bala tinha passado a poucos centímetros do meu rosto. Droga, agora ele tinha me achado.
Me virei para Rin que olhava para mim numa mistura de admiração, surpresa e...Tédio.
–Que foi agora? – Perguntei enquanto colocava a mão no topo de sua cabeça, e a forçando para baixo, tentando fazer ela se abaixar. Claro que ela iria reclamar comigo, mas nunca mais iria reclamar de nada se tivesse uma bala atravessada na sua cabeça.
–Sim, obrigada por perguntar, estou adorando fazer um belo dum nada! – Bufou. – O que eu vou fazer? Você roubou a minha arma! O que iria achar se eu fugisse com a sua katana?!
–Toma. – Entreguei a ela. E voltei a disparar em Oliver.
–Eu não quero isso! –Brandou.
–Rin, você sabe que a minha prioridade é tirar você daqui, não sabe? Você sabe muito bem que eu estou sério por fora, mas por dentro estou morrendo de medo de algo acontecer com você ou Aya.
–Mas...
–Ele já fez você sofrer demais. – Voltei a olhar para frente, aparentemente, Oliver tinha mudado sua posição enquanto eu conversava com Rin. – Eu não vou deixar você derrubar mais nenhuma lágrima por ele.
–Len...
–Vai ficar tudo bem.
Me manti concetrado tentando reachar Oliver. Merda, eu realmente o perdi.
–Eu cansei desse nosso joguinho. – Oliver gritou de algum canto. – Neru, pode por favor deixar as coisas mais interessantes?
–Ah, finalmente!
Neru subiu encima de um antigo container, e segurava um botão que ativava qualquer coisa que eles haviam planejado. O apertou sem hesitar, e um tipo sirene começou a tocar alto. Tocar alto o suficientemente para que o portão da casa deles, ou seja, os portões do inferno abrirem para xingarem quem é o filho da puta que ta fazendo esse barulho.
–Mas que droga é essa? – Rin perguntou/gritou pra mim.
–Eu não tenho a menor idéia! Parece até o alarme da organização! – Respondi/gritei.
–É, mas quando vocês ativaram o alarme era porque eu e Gumi tínhamos fugido! – Ela falou/gritou. Deixe-me explicar porque esse negócio de gritar. Se não fosse na base do grito, não íamos ter a menor idéia do que o outro estava falando.
–Sei, mas nós ativamos porque nós estávamos chamando... – A ficha caiu.
–Reforços! –Gritamos juntos.
Ótimo, se já não tava uma merda proteger a Rin do Oliver e da Neru, imagina agora que tem reforços. Há-há, imagina que legal pra mim.
Ah, sabe aquela linda e maravilhosa embarcação velha e escura, nadica de nada suspeita? ( N.A: Vamos ver se vocês estão atentos! A Rin menciona ela no cap 25! Podem ir ler que tá lá. u.u ) Ela se abriu, e um monte de fulano e circlano saiu de lá, toda aquela gente era o ‘’reforço’’ do Oliver.
Me sinto na Bifurcação da Noite. Só que o Ted e a Teto são o Oliver e a Neru. Bando de puto, só digo isso.
–Vão continuar a se esconder como ratos?- Oliver gritou, enquanto subia encima do container junto a Neru. Pareciam querer estar superiores aquela gente.
Eu e Rin nos levantamos devagar.
–Como você diz no seu trabalho mesmo? – Oliver fingia pensar no assunto. — Oh, sim. ‘’Mãos ao alto!’’
Neru gargalhou.
–Nossa, Oliver. Igualzinho. – Ela piscou pra ele. – Mas o fato é, Loirinha e Len...
–Pra você é Rin, vadia.
–Argh! Mas o fato é, Rin e Len, estão em menor número, e claramente temos mais poder de fogo que vocês. Vamos ser piedosos e deixar vocês se entregarem. Caso o contrário, eu realmente só desejo o que eu quero. Nunca disse que precisava ser inteiro. Você tem algum problema com isso Oliver?
Semicerrei os olhos. Estavamos ferrados. Muito ferrados.
–Nenhum, Neru. – Oliver disse enquanto a olhava, depois olhou pra mim, e se divertiu com a raiva estampada no meu rosto. – Preocupado, Len? Não se sente frustrado? Não conseguiu proteger justamente a nossa Rinzinha, né? – Riu. – Vamos lá. Põe as armas no chão, e as chutem para cá.
Eu e Rin trocamos olhares.
Lentamente, saímos de trás da caixa até ficar em uma área completamente desprotegida, expostos a eles. Pus as armas que carregava no chão, e chutei até chegar o mais perto possível de um dos fulanos. Depois disso, completamente a contragosto, levantamos as mãos no ar. Completamente incapacitados.
–Isso é jogo sujo. – Rin brandou.
–Ué, Rin, justamente você, deveria saber que é assim. – Oliver começou a falar. – A melhor coisa a se fazer nos jogos é...
Trapaçear.
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