Karakuri Burst
30 Coração partido.
Notas iniciais

RIN POV’S ON
–Nossa, que frase de efeito linda, achou isso aonde, no papel do chiclete?-Olhei pra ele puta. Ele conseguiu. Conseguiu me humilhar na frente do Len. Era só uma má lembrança, que vivia presa em minhas memórias, algo que não deveria existir. Algo feito pra esquecer. Ninguém precisava saber disso. Nem essa cachorra ( N.A: Neru, mas cês já sabiam, né? ) nem Len. Me dá nojo de mim mesma quando eu penso o quão fraca e ingênua eu fui, pra deixar as coisas chegarem aquele ponto.
–Sua voz me irrita. Definitivamente me irrita. – Aquela prostituta manca falou. Ah, imagina que deleite é ouvir a sua maravilhosa voz, ‘’amiga’’.
–O que vocês dois querem com a gente? – Len falou com a voz fria. Ele parecia estar se corroendo de ódio, doido pra pegar um garfo e arrancar o olho de Oliver que está a vista.
–Com você, merda nenhuma. – Oliver falou seco. – Mas com ela...Com ela eu quero brincar.
Um calafrio percorreu minha alma. Vá brincar com as tuas Pollys, garoto.
–Não esqueça os meus interesses, Ollie. – Neru falou. – Quero fazer com que o Len se apaixone por mim – Ela sorriu pra ele, e eu quase demonstrei o meu amor por ela quebrando todos aqueles dentes e fazendo um colar. –Pra depois que eu o chute e rejeite ele. O ‘’use’’. Quero ver ele se rastejando aos meus pés, se jogando nos níveis mais baixos. Quero ver ele sofrer. Quero ver ele chorar. –Ela riu. – Não vai ser divertido? Depois de provar o seu valor por mim, ficaremos juntos pra sempre.
–Estou começando a gostar dessa sua história de dor e lágrimas. – Oliver sorriu pra ela. Isso, agora se beijem e encontrem o amor doentio que existe entre vocês e liberam eu e o Len. Obrigada.
–Vamos logo com isso. – Neru fez um sinal com as mãos. –O imobilize e traga-o para mim.
Uma parte da muvuca, caham, caham, reforço do Oliver começou a andar em direção a Len. No entanto, Oliver assoviou para que parassem.
–Isso não é divertido. – Ele começou a falar. – Sabe o que vai ser divertido? – Ele falou com ar brincalhão, mas depois começou a rir que nem maluco. – Só por diversão. Len... – Ele apontou a arma pra minha cabeça. Normalmente nem ligaria, mas agora estou com...Medo. Estou com medo pela Aya, estou com medo pelo Len. – Eu quero que você entregue ela pra mim. Vamos, eu quero ver você entregando a sua ‘’namoradinha’’ pra mim.
Olhei para Len. Se os olhos dele fossem metralhadoras a gente já taria jogando Oliver pelo barranco.
–Se não o que? – Ele perguntou vociferando.
–Se não o que? ‘’Se não o que?’’ Se não você pode dar adeus pra ela.
–Você é imbecil por acaso? Deixa quieto, já sei a resposta. – Ele falou debochado. – O fato é que você não pode ter algo que já ‘’se foi’’. Vai matar ela se eu não a entregar, vai me matar se eu não a entregar? E essa daí, — Ele inclinou a cabeça em direção a Neru. – O que vai achar de me ver morto? Acha mesmo que vai conseguir a Rin, se a Neru não me ter? É um conflito de interesses, idiota. Essa sua chantagem ridícula não vai funcionar.
Ah....Esse oxigenado é tão espertinho.
–Realmente. – Oliver baixou a arma. – Se ela estiver morta, não vai dar o mesmo prazer na hora de brincarmos. Mas, imagino que não goste ver ela sofrer. Estou certo, não? Vamos bater uma aposta. – Ele arqueou a sobrancelha. – Eu digo 15, você diz...
Mas que merda ele estava falando?
–30. O dobro. – Len provavelmente também não entendeu, mas...
–Ah é? Vamos ver então. – Ele sorriu sádico.
Antes que algum de nós percebesse, um grupo de homens chegou por trás de Len e o seguraram. Len tentou se soltar, mas era uma puta duma covardia, então ele ficou imobilizado. Tentei ir até ele, para o ajudar com aquela gente, mas nessa hora dois homens vieram pra cima de mim.
OH, CLARO RIN, SÓ DAR UMA JOELHADA NO ESTOMAGO, SOCO NA GARGANTA, E CHUTE NOS TESOUROS ESCONDIDOS, CORRETO?
Não.
Porque eles são enormes. E fortes.
Len começou a gritar por mim e me mandar correr, mas era tarde demais. Um deles me ergueu pelo pescoço e me jogou contra a pilastra, tirando meus pés do chão.
Eu tentei tirar a sua mão do meu pescoço, estava usando as duas mãos, pois ele estava quase me...
Sufocando.
‘’Eu digo 15, você diz 30.’’
Agora eu entendi.
–Vamos contar quantos segundos a Rinzinha aguenta até sufocar! – Oliver gritava para Len. – Eu digo 15, você diz 30. Não acha 30 segundos tempo demais para a pobre gargantinha da Rin, não acha que ela vai morrer até completar os... –Ele não conseguiu completar a frase.
–RIN! RIN! RIN! – Eu escutava Len gritar, e pelo canto do olho, se debater para tentar se soltar. Somente em vão.
–Já se passaram 10 segundos Len! Grite mais, grita pra ela aguentar os próximos 20!
Eu tentava com todas as minhas forças tirar a mão do homem do meu pescoço, mas era forte demais. Eu não aguentaria por muito mais tempo. O pior de tudo isso é o desespero que eu sinto de procurar ar e não achar.
Tentei me debater. Não deu certo.
–OLIVER! – Len começou a gritar desesperado. – SOLTA ELA AGORA! FAÇA ELES PARAREM!
–Se não o que? – Ele perguntou com um sorriso sádico estampado no rosto, adorando torturar o Len com suas próprias palavras.
Eu...Eu não vou aguentar por muito mais tempo.
–Eu... – Len abaixou a cabeça, não querendo acreditar no que ia falar a seguir. – Eu entrego ela pra você...
–Pode falar mais alto, Len? Não escutei. – O sorriso ia de orelha a orelha.
–EU ENTREGO ELA PRA VOCÊ, FILHO DA PUTA! AGORA FAÇA ELES PAPAREM!
–Oh, que bom que colabora comigo, Len. Viu como tudo é mais simples? – Oliver estalou os dedos. Eu e Len fomos libertos.
Eu caí no chão, sem mais nem menos. Coloquei minhas mãos no pescoço, tentando aliviar a dor. Respirava fundo e ofegante, diversas vezes.
Len correu até mim se ajoelhou no chão rapidamente, me ajudando a me apoiar no chão, e pelo menos me sentar. Olhou pra mim, e mesmo sem dizer nada, no seu olhar eu encontrei um ‘’Me desculpe.’’
Ele colocou a mão no meu rosto e se reclinou pra frente, encostando nossas testas, apenas murmurando ‘’Me desculpe, por favor, me desculpe.’’
–Tá, já deu. – Oliver começou a falar. – Chega desse ‘’amorzinho.’’
–Len... – Murmurei manhosa. O...O que vai acontecer comigo, quando eu voltar para as mãos de Oliver? Eu, estou com medo? É isso? Talvez. Mas vou apenas me limitar a murmurar seu nome. Se contasse tudo que sinto, eu não sei como ele aguentaria.
–Vai ficar tudo bem. – Ele falava com segurança, mas parecia duvidar de suas palavras. – Agora, vamos. – Ele levantou e esticou a mão pra mim. Eu a peguei com receio, e olhei para ele.
A passos lentos, ele me guiou até Oliver. Quando chegou mais perto, permanecemos com os dedos entrelaçados o máximo que conseguíamos. Até nos ...Separarmos.
–É...’’sua’’. – Len sibilou.
Oliver me agarrou pela cintura e me colou a seu corpo.
–Como se eu não soubesse disso, idiota. – Ele riu vitorioso. – Neru, agora é com você.
–Ótimo. Eu venho esperado por isso faz bastante tempo. – Ela esfregou as mãos. AH, VOCÊ ACHA QUE É O QUE, CADELA? OS VILÕES DO MJUNDO INTEIRO SOFRERAM UM CALAFRIO IMENSO DE VOCÊ COPIAR A POSE MALIGNA DELES.
–Espera. –Len disse sério, com a voz alta. – Eu quero fazer um acordo.
–Que tipo de acordo? – Neru cruzou os braços.
–Eu por ela. – Disse sem rodeios.
‘’Eu por ela’’ Não, espera...
–Len! O que pensa que está fazendo?! — Gritei enquanto tentava me ‘’descolar’’ de Oliver.
Ele olhou pra mim de relance e me ignorou.
–E o que te faz pensar que eu irei trocar ela por você?
–Eu faço qualquer coisa. – Ele disse.
–Ah é? Qualquer coisa mesmo? – Oliver perguntou com um sorriso formando em seus lábios.
–Sim. Qualquer coisa. – Falou firme.
–Você me beijaria na frente dela? – Neru falou e...
–NÃO! – Gritei.
–Sim. – Ele falou.
NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO , NÃO!!!
–Então estamos de acordo. Não é Oliver? Um coração partido é só inicio, né? Ela vai...
–Esquece-lo. – Oliver concluiu. – É Len, temos um acordo. Vai. Faça isso. Ela vai embora, você fica...Ela sofre, e você é o culpado. Aquele que a traiu. Enquanto eu, sempre vou estar esperando minha Rinzinha voltar pros meus braços.
–NÃ.. – Oliver colocou a mão na minha boca.
–Quieta, Rin. – Ele disse. – Só observe.
Len se quer pensou em olhar pra mim. Só andou calmamente até Neru, como se estivesse em um parque, a caminho de um encontro.
Ele não vai fazer isso...
Vai?
Neru deu um passo a frente, ansiosa para aquilo. Len se aproximou, e deu um longo suspiro. Eu só vi ele por a mão na cintura dela, a puxar mais para frente, e sem hesitar,
A beijou.
Fechei os olhos depois disso.
Eu não queria ver.
Eu não queria acreditar.
Porque?!
Senti as lágrimas se formando nos meus olhos, e como eu já havia os fechado com força, elas apenas desceram dos meus olhos e escorreram pelo meu rosto.
–Rin... – Oliver me chamou e eu abri os olhos. – Você vai chorar por isso? Por isso?!
Eles já haviam se soltado. Neru olhava pra mim, esbanjando a felicidade dela. Já Len, me encarava com o olhar baixo e triste. Não consegui ver mais, por mais que nossos olhares insistissem em se cruzar, eu lutava para não o encarar.
–Solta ela, Oliver. Solta ela agora. – Ele falou seco.
Neru e Oliver começaram a rir.
–Promessas são quebradas...
Assim como acordos são desfeitos.
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