Karakuri Burst
27 O meu pior erro.
Notas iniciais

RIN POV’S ON
Flashback on...
Sinceramente, eles acham que eu sou a empregadinha deles?!
Bufei enquanto cruzava os braços. Além disso, não basta ser de noite, eu ainda tenho uma missão a fazer. E mais uma coisa! Porque diabos chamam essas coisas de missões? Podiam simplesmente falarem: ‘’Rin, hoje queremos que você assassine tal pessoa’’ MAS NÃÃÃO, ‘’Rin, hoje você tem tal missão pra fazer, não falhe e blá, blá, blá’’.
Definitivamente eu não sou empregadinha da Burst!
E eu ainda por cima não posso ficar pronunciando o nome da ‘’minha organização amada.’’ É algum tipo de protocolo ou algo assim. Pra inicio de conversa, quando é que eu fui aceitar os pedidos deles? Eu nem me lembro de como cheguei lá, e desde quando estou lá. Minha memória é péssima.
Okay, é compreensível não querer que o nome de uma organização de mafiosos ou sei lá o que seja pronunciado por aí, mas ficar falando ‘’minha organização’’ é insuportável! E pra completar o meu dia, digo, noite, eu não vou matar ninguém nessa jossa! Não importa que eu estou indo comprar justamente a minha munição, é chato e não tem ação nenhuma! O vermelho escarlate manchando o chão, como se fossem pequenas pétalas de rosas, que aos poucos vão caindo e acabando com um rastro de existência que um dia já foram. Morte. Isso sim é divertido.
Mexi na minha franja mais uma vez. Esse vai ser um dia daqueles! Longo e incrivelmente chato.
Entrei naquele maldito porto de uma vez. Se eu tenho que fazer isso, que eu faça logo.
Vamos lá... Aqui no papel que eu tenho diz que é o desembarque número nove.
Andei calmamente entre os portões, e nossa, como tem gente esquisita por aqui. Nos cantos escuros, viciados acendiam muito loucamente os baseados recém entregados. Na cabeça deles, devo estar com uma borboleta neon na cara. Torci o nariz. SÓ. GENTE. ESQUISITA.
Parei quando estava a pelo menos 10 metros do portão do desembarque 9. De longe, eu consigo enxergar um cara loiro de olhos dourados e, assim como eu, ataduras cobrindo parte de seu rosto. Coloquei minha mão na parte direita do meu rosto. Eu sinto um calafrio percorrer minha espinha. Não consigo me lembrar porque, mas eu definitivamente não podia tirá-las.
O garoto loiro estava assinando um papéis que um cara moreno o entregou. Ele estava de cabeça baixa, parecendo ler aquilo rapidamente e sem interesse nenhum. O moreno, assim que percebeu meu olhar, se apoiou no container que o navio havia acabado de descarregar e murmurou umas coisas ao garoto loiro, que rapidamente levantou a cabeça. Ele me olhou de cima a baixo e me mandou um sorriso de canto. Apoiou as costas no container, estendeu a mão e flexionou seus dedos para trás, me chamando.
Ah, problema nenhum. Não espera. Tem um sim.
ELE É GATO, TIPO, MUITO GATO MESMO.
Eu não vou dizer que o garoto é perfeito-delicia-sedução, mas tá chegando perto.
Que que eu disse mesmo? Que esse dia iria ser ‘’ Longo e incrivelmente chato.’’ Esquece. Esse dia vai ser, dependendo do garoto, agitado e incrivelmente interessante.
Arqueei a sobrancelha e sorri. Como se estivesse dando uma de inocente. Olhei em volta ainda com o sorriso sedutor, depois apontei pra mim, movendo os lábios sem produzir som, perguntando: ‘’Quem, eu?’’
NÃO. IMAGINA.
Mas faz parte do meu joguinho.
Ele olhou pra mim, sorrindo e estreitando os olhos. Tombou a cabeça para o lado, tentando me olhar de mais maneiras. Mordeu o lábio inferior, como se tivesse prazer em só me olhar.
Ah, isso vai ser divertido.
Comecei a andar lentamente até ele, e não, não andei rebolando iguais aquelas putas que se encontra em alguns becos atrás. Ele deu uns tapinhas no ombro do moreno que o acompanhava, que rapidamente entendeu a mensagem e deu o fora dali. Parei bem perto dele, mais perto do que é considerado normal.
–Eu sou obrigado a perguntar – Ele começou a falar. –O que uma garota como você está fazendo aqui?
–Como eu? – Perguntei. – O que quer dizer com isso, exatamente?
–Geralmente não encontramos garotas bonitas por aqui. Garotas que são bonitas e sabem disso. Garotas que são lindas e sabem disso.
–Está tentando me seduzir?
–Está funcionando?
Foi minha vez de sorrir de canto.
–Rin. Kagamine Rin.
–Oliver. Só Oliver. Não precisa saber meu sobrenome.
Misterioso. Mas eu não to nem aí.
–E o que te traz aqui, Rin?
–Eu preciso de munição... – Peguei minha arma. – Pra essa brincadeira aqui.
–Você parece uma rosa. – Arqueei a sobrancelha. – Bonita e perigosa.
–Você tem o que eu quero... – Me aproximei e sussurrei em seus ouvidos. – Oliver?
–Você está me seduzindo?
–Está funcionando? – Continuei a sussurrar, roçando meus lábios no canto do seu rosto a medida que me distanciava de seus ouvidos.
–Sim. E muito. – Me puxou pela cintura, me pressionando contra seu corpo. – Você é algo que eu quero. E o que eu quero, eu pego.
–Quem disse que você pode me ‘’pegar’’, hum? – Sorri, afim de provoca-lo.- Engraçado, as coisas que eu quero, eu roubo.
Foi então que ele me roubou um beijo.
Engraçado.
Enquanto nos beijávamos, eu sentia sua língua lamber meus lábios, querendo que eu conceda passagem para que ele explore cada canto da minha boca. Eu não tive tempo de pensar. Impaciente com a minha demora, mordeu a ponta do meu lábio inferior enquanto apertava com força minhas coxas. O suficiente para me fazer arfar. O suficiente para que sua língua entrasse na minha boca. Um pequeno gosto de sangue se formava em ambas as bocas. Ele havia me mordido com força, fazendo a ponta do meu lábio sangrar. Isso não me incomodou nem um pouco. Tinha um gosto diferente, era viciante, era quente, era provocativo, era sensual, e principalmente...
Nos separamos por falta de ar. Ele olhou pra mim com desejo brilhando em seus olhos, enquanto eu lambia os lábios, acabando com a última gota de sangue que se formava em meus lábios rosados.
–Respondendo a sua pergunta, Rin...Sim, eu tenho o que você quer. Provavelmente muito mais do você quer.
–Sério? Pode me mostrar?
Espero que ele não entenda errado. Espero mesmo.
–Claro. –Me soltou e virou de costas, e começou a andar até uma grande e escura embarcação. – Me siga, milady.
–Claro...Claro...
Comecei a segui-lo até passar pela rampa de desembarque que a embarcação possuía, ao lado dela havia uma escada móvel, especialmente preparada para a descida e a subida dos tripulantes. Claro, havia a rampa também, mas aquela levava ao que eu julgava ser o porão do navio, onde algumas mercadorias ficavam, por isso , a não ser em embarques e desembarques, seria raro ver a tripulação transitando por lá. E sim, a munição não estava lá. Porque? Porque caso algum idiota deixe a escotilha aberta, a maresia ou ondas grandes podem acabar no interior do navio e molhar a pólvora. E pólvora molhada não serve pra droga nenhuma.
Assim que Oliver terminou de subir as escadas, empurrou uma porta de metal e entrou, deixando caminho livre para eu passar. Começamos a subir alguns andares do navio, e caminhar por corredores, até chegar em uma sala sem nenhum tipo de janela ou ventilação, com a única entrada e saída sendo a porta pela qual entramos.
–Quantos cartuchos precisa?
–Por hora, 70.
–70? Você é assassina por acaso? – Oliver perguntou, e eu não sabia se ele estava brincando ou não.
–O que acontece se eu disser ‘’sim’’? – Pus a mão na cintura. – Vai chamar a policia? – Brinquei.
–Bem... – Ele fingia pensar no assunto. – Se eu puder ‘’roubar’’ mais um beijo e você não chamar-los...
Sorri com perversão no olhar e andei para trás até encostar o fino tecido do kimono branco nas gélidas paredes de metal do navio. Ele andou até mim e pôs a mão na parede, se apoiando nela antes de me encarar.
Outro beijo.
Outro toque.
Outra malicia.
–Não posso te deixar levar 70 cartuchos. Pelo menos, não desse jeito. Posso te emprestar uma mochila para carregar.
–Tá. Tudo bem.
Depois de acertarmos mais algumas coisas, entreguei o dinheiro a Oliver. Quando saiamos do navio, olhei para o céu. Estava quase amanhecendo. Quanto tempo eu demorei ali?
Ajeitei a mochila em um dos meus ombros mais uma vez. Comecei caminhar para fora do porto, porque, sei lá, eu precisava dormir.
Parei de andar quando Oliver praticamente surge das trevas e segura minha mão, me impedindo de continuar.
–Eu te vejo aqui amanhã?
–Talvez sim, talvez não. – Respondi.
–Talvez sim. Podia te deixar levar os 70 cartuchos na mão mesmo, mas a mochila foi só um pretexto para você me ver denovo.
Sorri. Esse era espertinho.
–Que horas?
–Volte aqui a noite. Aí eu te empresto mais algumas coisas para ter certeza que vai voltar para me devolver.
–Não vou voltar apenas pelos objetos. – Virei de costas e continuei a andar em direção a saída – Até amanhã, Oliver.
Bom, saída dramática sendo executada, isso, isso, isso...
Dobrei a esquina.
YEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEES!
Seduzir é comigo mesmo! Sinto que esse Oliver ainda vai me trazer coisas interessantes...
Bocejei. Vou voltar para minha amada C-A-Z-A, porque casa aquilo não é. É meu trabalho que insiste em dizer que vou fazer uma missão. Eles acham que eu tenho cara de que? Das três super espiãs demais? Faça me o favor. Se essas palavras não saíssem da boca da Miku, juro que não faria bosta nenhuma.
//////////
Faz mais ou menos três meses que estou namorando o Oliver.
Huh, namorar é uma palavra esquisita. A gente não tá mais ‘’ficando’’ sabe? Onde as coisas eram mais sem compromisso, agora, digamos, é ‘’sério.’’
Ah, e não, ainda não dei pra ele.
Posso ser mais objetiva, ainda não transei com ele.
Preguiça? Não. Na verdade, não. É simplesmente porque Oliver está viajando muito, e mesmo essas viagens não durando muito tempo, ele volta com um sorriso diferente em relação quando partiu. Chega a ser algo doentio.
Mas, eu ainda estou com ele.
Estou achando meio enjoativo o gosto de nossos beijos, estou achando meio entediante o jeito que ele fala comigo. Eu não sei dizer se ele me ama, mas posso dizer que não o amo. É, foi só um caso passageiro, foi legal enquanto durou, mas ta na hora de trocar o disco.
Sinto muito, Oliver.
Agora, é quase 4 da manhã, e eu sou a única alma viva deste porto.
Quer dizer, tirando Oliver e sua tripulação. Muito lindo isso, ele sempre me disse para eu chegar depois de 6 horas da tarde e ir embora antes de 2 da manhã. E como eu sou uma bela, BELA, MAS MUITO BELA MESMO, de uma enxerida, eu vim aqui saber porque a praticamente três meses eu cumpro esse horário determinado por ele. Eu já tinha denunciado anonimamente para a policia o contrabando de animais que ele fazia, eu lembro que quando coloquei a mão no telefone era como se eu estivesse decidindo se ainda gostava de Oliver. Seja o que for, já tá denunciando. Acho que esse foi ápice do meu desinteresse, pois a perda de dinheiro que ele teve, o deixou muito irritado, mas eu não me importei, mas agora, eu tenho que lidar com as consequências que isso trouxe a mim
Quando cheguei mais perto da desembarcação 9, me escondi atrás de umas grandes caixas de madeira, e espiei para ver o que acontecia.
MAS...QUE...PORRA...É ...ESSA?!
O moreno do primeiro dia, agarrada uma mulher de cabelos castanho escuros e olhos verdes, segurando seus pulsos atrás de seu corpo, e usando umas das mãos para amordaça-la. A mulher se debatia e tentava gritar através da mão do homem.
Senhora, nunca te ocorreu que você pode morder a mão do cara? Enfim.
O moreno jogou a mulher pela rampa que levava ao porão, outro lugar que Oliver insistia para eu passar longe, e foi chutando ela até ela entrar no navio, como se ela fosse uma espécie de bola.
Depois veio outra. Essa era loirinha de olhos azuis. Patético. Parece uma Barbie. Ser estilosa é ter olhos vermelhos, procura uma única pessoa que tenha olhos vermelhos e não seja maravilhoso e/ou perigoso. Ah é, não tem.
Oliver que assistia tudo com o mais puro sorriso sádico caminhou até mulher que parecia se afogar nas próprias lágrimas. A puxou pelo queixo e a encarou por alguns breves segundos, até a beijar.
MAS...QUE...PORRA...É ...ESSA?! ( O retorno. )
Ah não. Me levantei da caixa e comecei a andar até eles na cara dura mesmo. Sem me preocupar em me camuflar. Sou eu quem traí as pessoas nesta caralha, tá me ouvindo? AS PESSOAS NÃO PODEM ME TRAIR.
–Oliver... – Ele levantou a cabeça rapidamente quando ouviu minha voz. – ‘’Meu amor,’’ o que você está fazendo?
Ele soltou a menina de um jeito bruto e semicerrou os olhos para mim.
–Que merda que você está fazendo aqui, Rin? –Falou com a voz calma, mas no seu rosto claramente se enxergava irritação.
–Eu é que pergunto. Seu fetiche doentio é sequestrar mulheres? – Passei discretamente a mão na minha perna, onde tem um coldre destinado a mulheres, onde eu escondia a minha arma.
–Elas são só a minha mercadoria. – Deu uma risada seca. – Não entendeu o que está acontecendo aqui?
–Eu..
–É o seguinte, Kagamine Rin. Essas mulheres darão umas ótimas prostitutas em outros países, sabe? Eles pagam bem caro por elas. – Alisou a face da garota loira, que ainda estava sendo segurada por outro tripulante. – É algo bem lucrativo, se quer saber.
–Ah, claro! – Devolvi com irônia. – É meu sonho ser sequestrada por um filho da puta e servir de brinquedinho sexual para gente carente. –Coloquei a mão na cintura. – O que acontece se eu contar pra qualquer um, qualquer um mesmo, desse seu esqueminha? Eu já deixei de me importar com você a muito tempo, assim eu fecho com chave de ouro essa merda de relacionamento.
Oliver por um momento me olhou de cima a baixo com o profundo desgosto, reprovando a minha fala. Depois sorriu ironicamente e murmurou um pequeno trecho de frase.
–Você vai ser minha...
Virei para trás só a tempo de escutar o barulho do ar se movimentando rápido. Um de seus tripulantes pegou um dos pedaços de madeira que viviam espalhados pelo porto e me deu um golpe enorme na cabeça. Eu só lembro de cair de bruços no chão, e enxergar os sapatos de Oliver vindo em minha direção. Depois disso, tudo ficou preto.
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