Karakuri Burst
7 Meu nome é Rin, Kagamine Rin.
Notas iniciais

LEN POV’S ON
49 Segundos atrás...
Escutei a Kagamine soltar um gemido de dor e me virei para ver o que estava acontecendo. Ela estava no chão, apoiando e fazendo pressão sobre seu tornozelo, ficou óbvio que ela havia o torcido. Escutei o barulho das motos se aproximando e corri para carrega-la, imaginei que seria difícil, mas a Kagamine é mais leve do que eu esperava.
Chegamos a um beco sem saída e estou começando a odiar becos. Olhei de um lado para o outro e não havia escapatória, e as motos estavam chegando.
Até que uma porta se abriu e uma mão nos puxou pra dentro.
Presente.
–Loira!
–Gumi?!
Uma garota de cabelos curtos esverdeados vestida com um manto preto, segurando um lampião surgiu da escuridão da casa.
–Eu mesma, em carne e osso. Ok, mais osso do que carne.
–Quem é você? — Tenho que admitir que ela é bastante suspeita.
–Nada de informações para ‘’tiras’’.
–Eu não sou um ‘’tira’’ – Suspirei. – Sou um agente.
Ela mandou um olhar desconfiado para a Kagamine.
–Loira... Justo você, pegando um... – Me olhou de cima a baixo. – Um agente?
–Nós não estamos nos pegando! – Falamos juntos, o que só piorou a situação. Eu corei, a Kagamine corou e... Quantos anos eu tenho pra ter vergonha dessas coisas?!
–Humhum sei. E essa posição de vocês?
Ela ficou observando a posição em qual nos encontrávamos, eu ainda estava carregando a Kagamine no colo. Quase que imediatamente a soltei, o que fez a Kagamine cair com tudo no chão.
–Ahh! – Ela não me bateu e nem me xingou então já estou no lucro. Mas por segurança coloquei a mão entre as pernas e recuei até bater com as costas na porta.
–Loira, mas que homem tarado é esse que você arrumou?
–Gumi, quer ir no dentista antes do esperado? – Ameaçou a Kagamine ainda no chão.
–Não, não... To bem aqui. – Disse com um sorriso preocupado.
–Gumi, né? – Assentiu. — Tem umas 60 pessoas lá fora, então é melhor não acender as luzes.
–Nem que eu quisesse! Estão vendo isso daqui? – Apontou para o lampião – É minha única fonte de luz, mas como estão fugindo dos Kasants não vão se importar.
–O que diabos é Kasants? – Nome de gangue, sei lá.
–Seguidores dos Kasanes. – A Kagamine respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Andei até ela e a peguei no colo novamente, sem me importar com Gumi. Até pediria desculpas, mas meu orgulho não me permite.
A coloquei em um sofá rasgado e um pouco empoeirado, Gumi veio até nós e depositou o lampião na mesinha de centro desbotada. Logo após entrou em uma porta completamente escura, como o resto da casa. Por Deus, aonde vim parar?
–Guuuuumi! –Ela gritava. — Vem destorcer meu osso!
–Se vira! – Gritou de uma das portas.
–Vem aqui agora!
–Me obriga!
Bufei, me apoiei na parede e fui aos poucos deslizando até o chão, na minha frente se encontravam duas malucas discutindo sobre um tornozelo. Olhei em volta, estávamos em uma sala muito pequena, mas havia um sofá, uma mesinha de centro, uma mesa velha com 3 pés e 3 cadeiras, duas portas e um corredorzinho que levava as escadas.
Fitei a chama do lampião queimar. Poderia ficar ali o dia todo se um barulho de vértebras se estalando não desviasse meu olhar.
–Prontinho, novo em folha.
–Obrigada Gumi.
–Tá pensando que engana quem?
–Ok, ok... Valeu sua vaca.
–Agora sim!
Amizade esquisita, porém verdadeira.
–Gumi, o que tem pra comer?
Bufei novamente, como essa garota pode ser tão insensível? Sem nada para fazer, comecei a resumir meu dia: Persegui a Kagamine depois dela fugir de um hospital, pulei de um telhado atrás da Kagamine, a Kagamine chutou o Len Junior, fiz trégua com a Kagamine, comecei um briga com mais de 500 pessoas com a Kagamine, a Kagamine salvou a minha vida, eu salvei a vida da Kagamine e agora estou em uma casa com uma esverdeada e a Kagamine
Kagamine, Kagamine, Kagamine, Kagamine, Kagamine, Kagamine! Droga! Essa garota não sai da minha cabeça!
Só que ela saiu nesse exato momento, por que essas duas malucas estão começando a gritar.
–E eu vou tacar essa suar arma na privada e... E dar descarga!
–E eu vou pegar esse seu cabelo e tirar fio por fio!
–Cai dentro baranga!
–Baranga é a tua mãe! Vou te tampar na porrada e.... Hahahahaha!
– Hahahahaha!
– Hahahahaha!
– Hahahahaha!
Hospício? Não, manicômio. É isso, manicômio, é onde estou.
Meu estomago roncou baixinho, e a pergunta da Kagamine fez sentido, perdi a noção do tempo, meu relógio foi espatifado por um bandido banguela durante a luta. Minha ultima refeição foi no hospital, e nem me lembro se isso foi hoje ou ontem.
–Eu estou com fome. – Anunciei.
–Eu também Len, e agora? – Pronto, Gumi surtou de vez.
–Ei! – Kagamine se mostrou ofendida – Só eu chamo ele de Len!
–Ninguém me chama de Len. – Porque essas garotas pensam que tem essa intimidade comigo?
–Ahhhh! Porque? – Perguntaram juntas.
–Como conseguem ficar bêbadas sem beber?
–Doença.
–Cuidado que é contagioso!
Depois voltaram a rir feitos duas vagabundas. Ver a Kagamine rir me fez sorrir, uma cena tão rara que eu até devia ter tirado uma foto. Fiquei a olhando descaradamente, como se estivesse hipnotizado. Elas pararam de rir e se voltaram pra mim.
–Sabe... Eu não quero ficar segurando vela... Literalmente. – Gumi pegou o lampião e começou a subir as escadas.
–Gumi! Sua bobona!
Gumi gritou já no segundo andar:
–Não me chame de Gumi, me chame de casamenteira!
–Casamenteira é o caralh.... – Interrompi.
–Se acalme, estou com fome — E quando digo fome, digo que estou com vergonha de você ouvir a arrastação de móveis que está acontecendo no meu estômago.
–Eu também. — Não me diga.
Do nada uma almofada empoeirada voou na minha cara. Abri os olhos e vi a Kagamine quase caindo do sofá de tanto rir.
–Pfffff- Tirei a poeira que entrou na minha boca. — Isso não vai ficar assim!
Taquei a almofada na cara dela, ação que fez seu cabelo se soltar e a flor levemente escorregar dele, a franja permanecia no mesmo lugar. Eu nunca a vi desse jeito, de cabelo solto. O corte é desigual, com as pontas roçando nos ombros, mais ainda belo.
–Len!!!! – Ela rapidamente arrumou seu cabelo e colocou a flor no mesmo lugar.
Ela ficou vermelha de raiva. E uma Kagamine com raiva é letal pra minha saúde. Eu já estava grudado na parede, então não tinha pra onde fugir. Ela se levantou e veio até mim muito brava, me pegou pelo colarinho da camisa e me arrastou até uma porta escura. Claro que sou mais forte do que ela, mas ela estava realmente irritada, então me deixei levar. Mas preocupado eu estou, ah, como estou!
Essa porta não se mostrou tão escura quanto eu pensava, tinha uma pequena janela que iluminava o cômodo com a luz da lua. Percebi que estávamos em uma cozinha bem apertada.
–Procure.
–Am... Evidências?
–Se forem evidências de comida, sim.
–Esfomeada... – Murmurei.
–Reclamão...
–Psicótica!
–Esnobe!
–Ladra!
–Jumento!
Já ia responder esse comentário ridículo quando Gumi chegou.
–Que fofo, a primeira briga do casal...
–Nós não somos um casal! – Ótimo, uníssono de novo.
–Sei... Vou sair pra... – Me olhou. – ‘’Comprar’’ comida.
A Kagamine se jogou no sofá e começou a brincar com os dedos. Me dirigi até a porta da entrada e tomei o lampião das mãos de Gumi.
–Juízo, hein crianças!
A Kagamine revirou os olhos e eu mandei um olhar ‘’corta-alma’’, Gumi só revidou com um sorriso safado. Abri a porta pra ela.
–Len?
–Sim?
–Cuide bem da Rin. – Saiu para escuridão da noite.
Rin? Rin!
Fechei a porta com violência e a Kagamine olhou pra mim assustada.
–Qual seu nome? Digo, além de Kagamine?! – Estava atônito
–Meu nome é Rin,
Kagamine Rin.
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