Karakuri Burst

33 Mentiras e mentirosos.


Notas iniciais
Oi! Só posso dizer: Esse é o meu cap favorito!! Gente, vocês já pensaram que eu podia terimnar a fic no cap passado? G-zuis. Não vou ficar amolando porque devem estar curiosos para o desenrolar da história ^-^ Vai....Surpreender vocês.

RIN POV’S ON

Sete dias.

Já fazem sete dias desde que o Len morreu.

Hoje, eu deveria estar vestindo um longo vestido preto e segurando flores brancas para colocar no seu... Túmulo.

Mas eu não consigo sair de casa.

Eu não quero sair daqui. Do apartamento do Len. Do nosso apartamento.

Luka já veio bater na porta de entrada 3 vezes, Gumi duas, Meiko sete.

Eles estão esperando por mim. Acham que eu vou sair daqui. Acham que eu vou destrancar a porta e deixar eles virem, tentarem dizer palavras bonitas, e me arrastarem até o cemitério.

Eles são mentirosos. Todos são mentirosos.

Len não morreu.

Ele me prometeu.

Eles, os mentirosos, me disseram que eu precisava me despedir. Os mentirosos disseram que mesmo apenas restando cinzas, mesmo estando em uma urna, deveríamos ter uma lápide para honrar sua memória.

Eu coloquei a mão em ambos os ouvidos quando os mentirosos disseram que ele morreu.

É mentira.

E mentira são feias.

Ouço baterem na porta novamente. As palavras que são ditas são apenas ignoradas. Talvez eu devesse dormir, talvez eu devesse me alimentar, talvez eu devesse beber, talvez eu devesse me levantar deste chão frio onde estou sentada a 7 dias, esperando que Len abrisse a porta.

Talvez.

Eu evito ir no banheiro. Sei que só irei estragar meus rins desse jeito,

Mas eu estou esperando.

Estou esperando ele voltar. E eu quero estar aqui quando ele voltar.

Além disso, tenho medo de tirar alguma coisa do lugar. Tudo deve estar intocado, exatamente como estava antes de tudo isso. A casa também está esperando.

Esperando por ele.

Por isso, tenho que permanecer quieta. Não posso dormir. Não posso comer. Não posso beber. Só posso...

Esperar.

Afinal, ‘’tudo vai ficar bem’’.

Estou ansiosa para sua chegada, mas também estou com medo. Estou com medo do desaprovo e decepção de Len. Eu não consigo cuidar de mim mesma, imagine de um bebê.

É culpa minha ter a perdido.

Não vai ter ‘’papai’’ ou ‘’mamãe’’ por minha culpa.

É porque sou fraca.

Ela não merecia ser vitima da minha fraqueza. Len também não.

É sempre assim, meu amor machuca.

Agora percebo, já faz mais de 20 minutos que as batidas na porta cessaram. Eles desistiram.

Uma brisa gelada percorreu o apartamento.

Eu estou com frio. Mas eu não devo ir no quarto pegar uma coberta. Ligar o aquecedor, ou fechar as janelas.

Não.

Eu tenho que continuar aqui. Preciso continuar aqui.

Abracei minhas pernas e escondi o rosto entre meus joelhos.

Eu não quero chorar...

Len não iria ficar feliz se me visse chorando quando chegasse.

Eu sinto tanto a sua falta... Só queria que estivesse aqui.

Por que você demora tanto pra chegar?

Estou com saudades.

Já se passaram sete dias desde que me prometeu. Promessas não deveriam ser quebradas, certo? Se não... Seria uma mentira. Será que é mentira?

‘’Vai ficar tudo bem’’

Len... Você não é como eles. Não pode mentir pra mim. Você não é mentiroso.

Você continua vivo, e só está tentando voltar pra casa, porque sabe que estou te esperando.

O céu já começa a escurecer. E a escuridão começa a tocar meus pés. Estou sentindo algo estranho, parece medo. Eu nunca tive medo do escuro, porque teria agora?

É porque estou sem você?

É porque tenho medo de passar mais uma noite sem você? Apenas...Esperando?

Se o clima ficasse nublado com a escuridão, e trovões me assustassem quando seus estrondos percorressem a noite, a chuva fina deveria cair, e se tivesse sorte, invadiriam o apartamento pelas janelas abertas e molhariam meu rosto. Para que pudesse chorar.

Na chuva, nunca sabemos o que são lágrimas ou o que são respingos do céu.

Por favor...Eu não quero passar mais uma noite sozinha, com medo das sombras, imaginado a sua volta, e não a vivendo.

Eu não gosto de ficar sozinha. Eu não quero ficar sozinha.

/////////

Ouço batidas na porta. Qual dos mentirosos é agora? Observo o relógio, 8:34 exatamente.

–Abre a porta garota, eu sei que está aí.

Ótimo, a mais odiosa visita vem me importunar.

–É muita coragem, ou devo dizer burrice, vir aqui falar comigo. – Suspirei pesadamente. – Neru.

Um barulho se formou na porta. Parecia que ela tinha recostado ali. Essa garota pretende ficar?!

–Sabe que eu não gosto de você.

–Eu também não gosto de você. – Revirei os olhos. – Eu estou esperando alguém, e não é muito adequado ter lixo na porta de casa. Então, apenas saia.

–Estou aqui pra fazer um acordo com você. – Ela deu uma pausa. – Não está interessada?

–Não mandei você sair?

–Len. – Parece que o mundo parou para mim por um segundo. – Eu sei o que aconteceu. E estou aqui justamente por isso.

–Eu... – Comecei a criar um fragmento de frase.

– Eu quero me vingar. – Ela disse sem rodeios. – Sei que isso te interessa.

–Eu mandei você sair.

–Já entendi. Você não é tão fácil de malear, não? Ou talvez apenas não quer falar comigo.

Calei-me. Revejo nossa conversa em minha mente. Fui educada demais.

–Rin.

O dono daquela voz...

–Nero.

–Pelo nosso último encontro, presumi que gostava do seu namoradinho. Mas agora vejo que não. — Fiquei calada. – Você não é assim.

–Como você acha que sou? – Perguntei ironicamente.

–Kagamine Rin dos jornais, televisões, das conversas e boatos não é essa garota encolhida que deixa a morte de seu ‘’precioso’’ namoradinho passar sem consequências.

–Ele não morreu!

–Acredite no que quiser. Mas não creio que deixará Oliver impune.

Ele... Ele estava certo.

–Estamos aqui por isso. – Neru falou. – É um acordo...Não, uma parceria entre nós. Apenas por vingança. E logo depois, não iremos olhar na cara da outra. Temos uma trégua?

Eu não acredito no que irei dizer a seguir.

–Trégua.

–Então pode abrir essa porta?

–Não. – Dei um longo suspiro, me levantando, e pela primeira vez em dias, esticando minhas pernas. – Esperem aí fora que eu já vou.

–Certo...

Escolhi com cuidado meus passos até a cozinha, não queria mudar de posição nada além do necessário. Em um dos armários próximo a geladeira havia uma prateleira com livros de culinária, e alguns livros de romance. Bufei.

Coisa de Kaito.

Tirei cuidadosamente os livros sobre casais perfeitos em seus mundos perfeitos. Lá estava. Colt Special Series 12mm . O único jeito de esconde-la é onde Len nuca iria procura-la. Atrás dos livros de romance de Kaito.

Arrumei na exata posição de onde os livros permaneciam, e me atentei a pisar exatamente nos meus passos de vinda até aqui.

Cheguei no hall, desviando meu olhar para meu singelo lugar de espera. Vou fazer isso rápido, tenho que estar aqui quando ele chegar.

Coloquei a mão na maçaneta e simplesmente a girei. A porta não estava trancada. Nenhum dos mentirosos tentou abrir a porta só batiam e apertavam a campainha incessante vezes. Porque a porta estava destrancada? Porque não imagino que Len ainda tenha as chaves em seu bolso. Como ele irá abrir a porta sem chaves?

Abri a porta lentamente, dando chance desses dois idiotas se desencostarem dela. Fitei os loiros por um momento.

–Localização.

–Porto. Depois de todo esse fracasso, Oliver planeja se afastar do Japão por uns tempos.

Encarei Neru.

–Como tem certeza disso? – Perguntei incerta.

–Você iria com ele lembra? Antes do plano começar a falhar. Com todos esses acontecimentos, ele teve que acobertar o caso, além do mais, os seus amiguinhos abriram o bico pra policia local. Estranho, não? Mesmo sendo autoridades não fizeram nada a respeito para a captura de Oliver. – Neru falou pensativa. – Será que estavam com medo de sujar as mãos? – Perguntou numa tentativa de me provocar.

Olhei para ela.

–Você ficaria linda com a boca costurada. Eu faria com uma linha preta e prenderia suas bochechas com alfinetes para que estivesse sempre com esse seu sorriso ‘’lindo’’. Não se atreva a falar. – Me virei para Nero. –Horas.

–Daqui a exatos vinte minutos. Não temos muito tempo.

–Veículo.

–Meu carro está na garagem.

Suspirei.

–Certo. Vamos.

/////////

Estamos andando normalmente até o navio. Eu na frente, com aqueles dois atrás. Neru empunhando uma Heckler e Nero uma Remington 750

–Não vamos na surdina? – Neru se atreveu a falar. Vou costurar a sua boca.

–Não costumo trabalhar pela surdina. – Continuei olhando fixo para a entrada do navio. – Nós vamos chegar matando.

Nero colocou a mão no meu ombro e me forçou a parar. Não me dei ao trabalho de virar a minha cabeça para falar com ele.

–Como podemos confiar em você?

Sua voz era séria e autoritária.

–Não podem.

Respondi fria tirando sua mão do meu ombro e recomeçando a caminhar.

Primeiramente, havia dois homens fazendo uma espécie de vigia aos arredores do navio. Para não chamarem reforços o único jeito é os matando.

No primeiro, dei um tiro na sua cabeça, apenas para ser mais rápida. Já no segundo, que entrou em alarde pelo corpo sem vida do homem, dei um tiro no joelho, apenas para vê-lo cair e se contorcer de dor, como uma espécie de lesma que sofre ao sentir o sal jogado em suas costas.

Passei reto por ele, deixando para Neru ou Nero finalizar o serviço.

Comecei a subir aquelas escadas que iam até a porta metalizada do navio, a abrindo com o pé, sem me importar com o barulho que ressoou por todo o navio quando o atrito entre o metal da porta e o metal da parede se formou.

Claro, naquela hora uns ou outros vieram checar o que havia ocorrido, e foi nessa hora que selaram a sua vida com a morte.

Gastei pouca munição. Neru e Nero pareciam estar numa espécie de fliperama, como se estivessem brincando num brinquedo, e se divertindo e acertar seus alvos.

Aquele cheiro...Sangue tem um cheiro detestável.

Em pouca quantidade é um belo vermelho escarlate, mas quando poças de sangue são formadas ao redor de vários corpos, e se juntam tornando-se um só, a cor passa a se tornar um rubro tão intenso que assemelha-se a preto. Odeio isso. Esse cheiro.

–Façam a limpa.

Não esperei por qualquer tipo de resposta. Ninguém podia enfrentar minhas palavras. ‘’Façam a limpa’’ é só outro jeito de dizer matem tudo e todos. A última coisa que quero são testemunhas e pessoas me atrapalhando. Além disso, só eu sei onde fica o quarto dele.

Arrombei a porta dando um tiro rente a maçaneta e a fechadura. Depois de subir vários andares internos do navio, eu não tenho nenhum tipo de paciência para abrir porta.

Deparei-me com ele deitado na cama, dormindo.

–Acorda. – Subi encima da cama.

Ele nem se mexeu.

–Acorda. – Dei um tiro na sua mão esquerda, fazendo ele acordar de qualquer sonho. Que assim seja, pois ele acaba de entrar em um pesadelo. Ele gritou e rapidamente apertou sua mão esquerda contra a direita, tentando conter a dor. Ele soltou por meros instantes e encarou sua mão esquerda, baleada, que agora havia um buraco nela.

Sorri. Então a bala tinha atravessado mesmo.

–Bom dia! – Disse infantilmente. – Dormiu bem?

–Sua...

–Eu perguntei. – Me levantei encima da cama e chutei sua barriga com meu salto. – Dormiu bem?

Ele grunhiu de dor.

–Tudo bem, não responde. Você vai ter bastante tempo pra dormir.

–O que você...

–Vamos logo com isso. Seu sangue está espalhando. – Forcei o meu peso no pé, fazendo pressão e dor na barriga de Oliver. Que pena, meu salto ainda não o furou. –E eu odeio quando começa a feder.

Ele tossiu.

–Você também não pode fugir. – Me virei e gastei minha munição atirando nos seus joelhos, não o permitindo escapar. – Você não pode acordar desse pesadelo.

Ele se remexeu e gritou de dor, gotas de suor começavam a se formar em sua testa. Mas logo o seu típico sorriso sádico se fez presente.

–I-Isso é p-porque ele n-não está a-aqui? – Ele perguntou com a voz baixa, mas ainda me encarando.

–Eu não te dei permissão para falar.

–L-en morreu. E-e a culpa f-foi sua. – Ele riu. – S-sua e d-desse bebê imundo.

Desci de sua cama e comecei a jogar as gavetas de cômodas e criados mudos no chão. Finalmente eu achei o que queria.

Agulha e linha.

Coloquei a linha na agulha sem nenhum problema. Aquela linha era a mesma usada nas varas de pescar, era anzol. Por isso teria certeza que teria uma por aqui.

–Quando eu digo que não dei permissão para falar... – Subi na cama em uma área que ainda não havia sido atingido pelo sangue. – Eu não quero que falem!

Fiz de um modo para que ele ficasse com a expressão triste.

Os buracos em que a linha partia saiam um pouco de sangue. Aquilo não me importava.

–‘’Porque essa cara? Você devia estar feliz.’’ ( N.A: Cap 31 ) — Sorri para ele.

Ele disse coisas incompreensíveis, já que agora está costurado.

–O quê? Não entendi. – Olhei para a varanda que havia em sua cabine. Isso me deu uma idéia. – Você gosta de pescar Oliver? Acho que sim. – Fui até a varanda dele e recolhi o anzol preso a uma vara de pescar que repousava ali por perto. Assim que recolhei o anzol, encontrei o que desejava. O gancho. Desatei o nó em que ele era preso no anzol e voltei a subir na cama. –Você fica lindo com essas ataduras no rosto, exatamente como eu. Só que eu sou única. Está na hora de inovar Oliver. Vamos ter que enfaixar seus dois olhos.

Ele murmurou alguma coisa. Até que percebeu o que ia fazer. Daí eu comecei escutar algo parecido como ‘’Pare!’’

–Pare? – Ri amargamente. – ‘’Se não o que?’’

Oliver vai precisar enfaixar o outro olho.

Eu também enfaixaria, se tivesse um gancho atravessando minha orbe.

–Uh, você está começando a feder. – Torci o nariz. – Eu odeio isso.

Coloquei a Colt colada na sua testa. Simplesmente,

Atirei.

/////////

–Foi uma ótima parceria! – Neru falava animada.

Estávamos saindo daquele maldito porto.

–Foi um ótimo trabalho também. – Nero falou descontraído.

–Mas ele não acabou... – Falei baixo e fria, mas de modo claro para que todos ouvissem.

–Do que você está falan... – Neru começou a falar.

–Você... – Encarei em seus olhos. – Beijou ele. Era aliada do Oliver. Me fez sofrer. Ajudou a nos separar... Você precisa entender uma coisa. Eu sou a namorada dele. Não você. As coisas que você fez foram...

Imperdoáveis.

Gastei mais uma munição na cabeça de Neru. Ela atingiu o chão. Morta.

Nero olhou pra mim abismado, com seus olhos arregalados e sua pele pálida.

– Você...É louco. Maníaco. Não sabe o que está fazendo. – Olhei para o corpo de Neru no chão e logo voltei minha atenção a ele. – Te dou exatos 10 segundos para sumir da minha vista.

–Mas...

–Nove...Oito..

Ele correu, até desparecer do meu foco de visão.

Depois de longa caminhada, voltei pra casa. Sentei e me acomodei no meu pequeno espaço de chão frio. Olhei fixamente para porta de carvalho claro a minha frente.

Só me resta...

Esperar.

Notas finais
Pobre Rin ;-; Eu sou uma má autora, eu sei... Bem, é isso. Foi surpreendente, não? Hey, destruí os ''Fragmentos de esperança'' que ainda lhes restavam, né não? KKKKKKK PARE SWEET, NÃO TEM GRAÇA PORRA. Viu o trocadilho Bia-chan? Esses nomes estranhos que apareceram galera, são armas. Sendo respectivamente: Colt Special Series 12mm, Heckler & Koch HK227-S e Remington 750 Provavelmente postarei segunda! Vejo vocês nos reviews!!