Karakuri Burst
49 Festival de inverno.
Notas iniciais

RIN POV’S ON
–Rin...
Não. Não Len, Não.
Eu sei que está me chamando, mas na verdade, você não quer me chamar. Você, na mais sincera e espontânea vontade, só quer me deixar dormir por mais tempo.
Então cala a boca, desgraça.
–Rin, eu sei que não está dormindo. Anda, levanta.
Ficar em silêncio. Em busca de proteção, os animais se fingem de mortos diante do inimigo para que eles parem de encher a porra do saco.
–Eu vou buscar o balde, tá?
–Ai que lindo dia, os passarinhos cantando, os raios de sol com cheiro de canela, as flores coloridas! – ‘’Raios de sol com cheiro de canela’’? O que caralhos você está fumando, Rin? – Bom dia Len, amor da minha vida, tudo lindo e radiante? – Perguntei enquanto me levantava subitamente.
Não.
Até parece que Len vai pegar aquele maldito balde de novo.
–Eu não acredito que você esqueceu. – Suspirou.
Calma.
Erm... Bem, hoje não é aniversário dele, também não é meu aniversário, não é o dia que nos conhecemos...
Esse tipo de drama definitivamente está invertido.
–Era pra eu ter lembrado de... – Balancei as mãos e deixei a frase morrer, esperando que ele a terminasse.
Balançou a cabeça em negação.
–Que dia é hoje?
–Dezessete... De Fevereiro.
–E isso não te lembra nada? – Perguntou com cara de entediado.
–Len, vamos simplificar, se você não disser, eu não irei lembrar, então não faça jogos mentais comigo.
–Yokota Kamakura. – Respondeu.
‘’ — Eu queria ir num festival de inverno com você. – Suspirei enquanto olhava meus pés descalços. – Talvez o Sapporo Yuki Matsuri, já que é o mais famoso, mas eu sempre quis ir ao Yokota Kamakura. Eu sei, ainda tá longe para um festival que só ocorre em Fevereiro. Mas eu queria estar com você... ’’
Ele lembrou.
Realmente se lembrou.
–Você se lembrou! – Soltei um gritinho.
–E você não, pelo visto. – Murmurou. – Bem, não importa. Anda logo aí, porque daqui dentro de uma hora nós vamos viajar até Yokote, e você sabe como a província de Akita é longe daqui.
–Len... – Chamei.
–Quê?
–Não me observe enquanto durmo. Seu esquisito.
–Quem te disse que eu faço isso?
–Vamos especular. Foi você que me acordou, e para tal fato, precisa estar acordado.
–Não necessariamente.
–Não me interrompe! Enfim, você já está arrumado... – Dei uma pausa, observando aquilo. – E... Com cabelo preso?
–Ah. – Passou a mão no cabelo. – Sim.
–Hm. –Dei de ombros. -Bem, e como já está arrumado, teve tempo de levantar, trocar de roupa, e nesse período você podia muito bem estar... Ah quer saber, você estava certo, eu não estava dormindo, e eu senti quando você e sua bunda sentaram no colchão. E você ficou um tempão quieto.
–Então eu te observo dormindo, parabéns, Sherlock. – Disse naturalmente, enquanto andava em direção à porta do quarto. – Sério, anda logo, demos sorte do festival estender até hoje, já que ele naturalmente só dura entre quinze e dezesseis de Fevereiro.
–Tá... – Resmunguei em direção ao banheiro.
/////
–Vrum, vrum! – Gumi representou.
–E em que ano você comprou esse carro? – Perguntou Piko.
–Ano passado. – Len respondeu. – Mas eu troco de carro a cada ano, a quilometragem também já ta alta, e de vez em quando ele faz uns barulhos estranhos.
–Cara, e a revisão?
–NOSSA. – Resmunguei. – Que assunto interessante.
–Tsc, eu concordo com a Rin. Sabe o que seria mais legal? Um carro das meninas e outro só dos meninos. Aí vocês poderiam falar as putarias que quiserem lá, e nós iriamos ser poupadas disso. – Gumi argumentou.
Era simples. Tínhamos que ir até Yokote, na província de Akita, mais ao norte do Japão. Estávamos organizados da seguinte maneira: Len, eu, Gumi e Piko no carro do Len. Enquanto Kaito, Meiko, Gakupo e Luka estavam no carro do Kaito.
Len dirigindo, eu no banco do carona, e Piko e Gumi no banco de trás.
–Vocês não podem ficar na estrada sozinhas. – Piko comentou, mas a ‘’Jujubinha’’ não ficou contente e puxou as bochechas dele.
Que lindo.
Só que não.
–Primeiro que pra isso, uma de vocês iria precisar dirigir meu carro. – Len acariciou o painel com uma das mãos. – E ninguém mexe no Len Júnior.
–Mas que porra, quantos ‘’Len Juniors’’ você tem?! – Bufei. – Seu egoísta.
–E não me leve a mal, mas mais cedo ou mais tarde vocês se perderiam. – Apoiou Piko.
‘’Não me leve a mal’’.
Jeito cretino de dizer coisas cretinas sem se passar como um cretino.
–Mas... E aquela televisãozinha que...
–Pela milésima vez Megpoid, aquilo não é uma Tv, é um GPS. – Piko respondeu.
Len olhou pelo espelho interno do carro. Eu me encostei no banco apenas pra escutar o barraco melhor.
Ah, cara. Você usou ‘’Megpoid’’ na frase.
–Utatane Piko. – Gumi começou.
Len moveu os lábios sem produzir som.
‘’Se fodeu’’.
A amizade dos garotos é linda pra cacete.
–Desculpa Jujubinha! – Piko gritou jogando seu orgulho pela janela.
–Ajoelha. – Gumi mandou.
–Mas estamos num carro...
–Não quero saber.
Eu e Len trocamos olhares. O negócio ta ficando bom.
Piko se tornou um belo contorcionista, e se ajoelhou no carpete do carro, e Len, como é um bom amigo, pra não dizer grandessíssimo filho da puta, deu uma freada no carro, o que fez Piko bater a cabeça no banco.
Meu banco.
–Ah, um esquilo. – Comentou com um sorriso.
Piko lançou um olhar mortal pra ele.
–Me desculpe, minha Gumy Bear. – Disse pra Gumi.
Nossa.
Depois dessa.
Eu abria a porta e me jogava na estrada.
–Ownt, tudo bem, Docinho. – Gumi sorriu.
Seguido alguns minutos passados em silêncio, escutamos uma buzina bem ao nosso lado. Todos nos viramos pra esquerda, observando o carro.
–OI LEN! – Kaito gritou lá de dentro, após Meiko abaixar o vidro com cara de entediada.
Len abaixou o vidro, e olhou para Kaito.
Piko também abaixou, dando de cara com Gakupo que também havia abaixado. Os carros estavam próximos, mas não próximos o suficiente para colidirem.
–OIE KAITO. – Len respondeu com a mesma animação forçada.
Engraçado, meu sentindo de ‘’Vai dar merda’’ está apitando a níveis críticos.
–NOSSA LEN, CONTINUA DIRIGINDO UM LIXO DESSES? — Perguntou Kaito com um sorriso no rosto.
Meiko suspirou com uma cara de tédio horrorosa. Espiei Luka, que também não estava em estado melhor. Meiko encarou Len.
–Não de corda pra ele Len, você é bem mais maduro e...
–DO QUE ESTÁ FALANDO, VOVÓ RADICAL? – Len devolveu com o mesmo tom.
Ah, algo me diz que vamos bater se eles continuarem a se falar em vez de olhar pra estrada.
–EU APOSTO QUE NÓS VENCEMOS NUMA CORRIDA, KAITO. – Gakupo falou com maldade no olhar.
Bip. Bip. Bipbipbipbip! ( N.A: Reconhecem isso? )
Meu sensor de ‘’Vai dar merda’’ acaba de quebrar.
–NOSSA LEN, JÁ VIU COMO ESSA RODOVIA ESTÁ SUJA? PERFEITA PRA LIMPAR COM A CARA DO KAITO E DO GAKUPO. – Piko comentou.
–Não. – Disse logo.
–Primeiro, porque estão gritando desse jeito? Os carros não estão tão longe desse jeito. – Luka reclamou no outro veículo.
–Segundo, não que eu esteja por dentro das leis, mas eu tenho quase certeza que isso é crime. – Gumi argumentou. – Aliás, não seria muito antiético da parte de vocês, justo vocês, fazer isso?
–Terceiro, nós estamos aqui, sabe. – Meiko bateu as mãos, chamando atenção. – Eu não quero morrer por culpa da idiotice de vocês, que é bem forte por sinal.
–ATÉ O POSTO DO QUILOMETRO OITENTA E NOVE, ENTÃO. – Kaito falou.
Puta merda. Porque a gente ainda tenta?
–TRÊS! – Gakupo gritou.
–Vocês NÃO vão fazer isso. – Luka gritou.
–DOIS! – Piko gritou.
–Docinho, pelo amor dos Deuses, você nunca viu essa peste correndo! – Gumi se referiu a Len.
–UM! – Kaito e Len falaram juntos.
–Parem com essa palhaçada! – Meiko gritou.
Sabem como está minha paciência?
–Zero. – Murmurei.
E pronto, o retardado mental e o caso perdido aceleram.
–AHHHHHHHH MANHEEEEEEE – Gumi gritava no banco de trás como se tivesse parindo uma bola de basquete.
–AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH – Luka gritava lá no borrão azul, porque agora o carro do Kaito virou um borrão.
Sério mesmo, espero que não tenha nenhum detector de velocidade por aqui, porque se tiver, bem, hahaha,
Fu-deu.
Sabe o pior? É uma estrada! Pode ser toda limpa, até acharmos um engarrafamento.
E achamos.
Len e Kaito ficavam fazendo ziguezague igual duas baratas tontas pra ver se ficavam na fila direita de carros, ou na fila esquerda. O que eles queriam? Queriam pegar uma que achassem que tinha menos carros, só pra depois argumentar que ‘’a fila do lado sempre anda mais rápido’’ e mudar novamente.
Estávamos empatados, com os parâmetros de velocidades relativamente baixos, porque enquanto não chegavam no engarrafamento eles tinham chance de escolha. Por isso, quando Len pensava em escolher a esquerda, praticamente jogava o carro encima do de Kaito, porque estávamos lado a lado.
No fim de quase trinta trocas de esquerda pra direita e direita pra esquerda, Len ficou na esquerda, e Kaito na direita.
–Graças aos Deuses isso acabou. Vocês duas pareciam duas putas bêbadas andando de salto alto. Sério, mais um ‘’vai pra lá, vai pra cá’’ e eu fazia vocês dois baterem. – Comentei cruzando os braços.
–Pronto Gumi, paramos agora... – Piko falou no banco de trás.
Olhei pra Gumi, agarrado no braço de Piko, que já deve até ter parado a circulação sanguínea por lá.
–Ainda bem, eu estava tão...
–Merda! O Kaito tá passando pelo acostamento! – Len resmungou, passando a mão na marcha e jogando o carro pra trás, sem se importar se tinha algum outro carro atrás dele ou não.
Passou na frente de um carro que preparava pra entrar na fila da direita, quase batendo. Logo depois, foi seguindo no acostamento, partindo rápido pra caralho, pra alcançar o Kaito.
Assim que avistamos a traseira do carro do Kaito, um sorriso maligno surgiu nos lábios de Len. Não cara, seitas malignas vão querer aprender como se faz.
–Rin. – Me chamou sem tirar os olhos da estrada, no caso, acostamento. – Pega a sacola de lixo.
–O quê? Por quê?
–Preciso que atire coisas no carro do Kaito.
–Você ta de brincadeira, né?
–Não. Rin, você não ta entendendo, EU NÃO POSSO perder pro Kaito!
Encarei ele por mais uns segundos.
Suspirei.
Abaixei o vidro, pressionando meus dedos encima do sensor na porta do carro. Peguei a sacolinha e olhei o que tinha lá. Coloquei minha cabeça pra fora e peguei uma casca de banana, logo arremessando ela.
Nice Shot.
Foi parar no vidro de trás.
–HÁ-HÁ-HÁ, POLIU SEU CARRO VACILÃO? – Len ria igual doente mental.
Peguei uma garrafinha de iogurte sabor frutas vermelhas, onde restava um pouquinho do conteúdo.
Joguei.
–PARA DE JOGAR COISAS NO MEU CARRO, CARALHO! – Kaito pôs a cabeça pra fora e se virou, encarando a gente. – A PINTURA TÁ NOVINHA E EU ACABEI DE POLIR.
–Eu sei disso. – Len murmurou com a maior cara de satisfação do mundo.
E o iogurte voador?
Bem, foi parar na cara do Kaito, que foi puxado pra dentro do carro por Meiko, já que ele estava com a cabeça pra fora do carro, e ainda por cima, olhando pra trás.
Não sei se eles dirigem bem ou se possuem uma maldita sorte concedida pelo capiroto.
Andamos no encostamento na maior cara lavada, enquanto todos ficavam na fila de carros, passávamos correndo pelo acostamento.
O engarrafamento se dava por uma obra na estrada. A estrada era possibilitada para três carros lado a lado, ou seja, havia três vias. No entanto, a obra pegava um trecho de duas vias, deixando somente uma para vários carros passarem.
Porém, mais a frente, era possível ver que os operários da obra estavam descansando numas cadeiras.
Aonde?
No acostamento.
–O KAITO VAI MATAR OS CARAS! – Gritou Gumi.
–É o carro dele que vai ser arranhado por aquelas cadeiras. – E o sorriso de seita voltou. – Então pra mim tá ótimo.
Gumi abaixou o vidro do carro e colocou a cabeça pra fora.
–KAITO, FAZ BI-BI! – Gumi gritou. – BI–BI!
Ih, Gumi. Acho que o Kaito se esqueceu de fazer ‘’bi-bi’’.
Kaito lindamente só acelerou mais, e escutando os barulhos, os pobres operários se jogaram na estrada. Tá certo que lá também passa carro, mas é a vida. Outros se jogaram pra fora do acostamento, caindo na grama e rolando morro abaixo.
–Jura que vocês não veem problema em fazer isso? – Perguntei.
–Estamos numa competição, Rin! Os fracos são devorados!
–Tá bom então. Ah, e se usarmos um pouco de lógica, Kaito está dirigindo numa velocidade absurdamente rápida, e quando colidir com aquelas cadeiras, elas vão ser arremessadas pra trás. E quem é que ta atrás?
–NÃO NO MEU LEN JÚNIOR.
Quando Kaito acertou aquelas cadeiras, eu tenho certeza que o capo foi todo riscado. E bem, as cadeiras estavam vindo na nossa direção.
Sem as proteções de metal que ficavam separando a estrada da mata e ao mesmo tempo amortecendo o impacto de carros desgovernados, Len jogou o carro dele encima da grama pra evitar as cadeiras.
O planeta Terra chorou, Len.
Ele não voltou pro acostamento, ele foi seguindo pela grama costeira até ultrapassar Kaito. Quando os carros estavam mais uma vez lado a lado, Gakupo abriu a janela de trás, e arremessou uma berinjela.
Uma o que? Quem carrega isso?
Piko que estava de janela aberta, pegou a berinjela ainda no ar, e como se jogasse Baseball desde o três anos, arremessou de volta, atingindo a cara do Gakupo, fazendo com que a berinjela explodisse na cara dele.
Uh, que nojo.
Len aproveitando a distração no carro de Kaito, acelerou mais e jogou o carro de volta no acostamento, passando na frente de Kaito.
–O MCDONALD’S! – Gumi gritou. – Len, eu quero ir no banheiro, para?
–Espera, ali não é o posto de que vocês estavam falando? – Perguntei.
–É. – Respondeu. – Piko, turbo ou nitro?
–Seu carro não é o batmóvel! – Só parece. – Então não inventa!
Kaito começou a usar a dianteira de seu carro pra bater na traseira do nosso.
–Aquela vadia... – Resmungou Len.
Bem, de qualquer forma, eles dois entraram pelo estacionamento do McDonald’s como se estivessem dando Big Macs.
Quando estacionaram, Luka e Meiko abriram as portas. Luka se jogou no chão e Meiko se apoiou no banco. Gumi gemeu, mas gemeu mesmo, lá trás. Acho que o parto foi um sucesso.
Len destravou o carro, e com aquela cara de ‘’Fuck yeah’’ encarou Kaito.
–Eu... – Len adora esfregar na cara dos outros. – Venci.
–Eu não acredito que fizeram isso! – Meiko reclamou. – Olha o estado que vocês nos deixaram!
–A Rin tá bem. – Len falou.
–A Rin é estranha. – Meiko ralhou. Espera, o quê? – Luka tá morrendo, Gumi ta parindo, e eu to puta, sabem a gravidade disso?
–Eu quero ir no banheiro, Docinho. AGORA! OU EU FAÇO AQUI MESMO.
–C-calma, Gumi. – Piko gaguejou. – Vamos logo entrando no McDonald’s pra seguir viagem.
////
–Eu posso comer neve? – Gumi abriu a boca, comendo uns floquinhos. – Não tem um gosto muito bom... – Cuspiu.
–Se alguém começar com... – Luka começava.
–LÉRIGOU, LÉRIGOOOOU. – Kaito gritava.
–Ah, merda. – Luka balançou a cabeça. – Bem, se alguém começar com...
–VOCÊ QUER BRINCAR NA NEVEEEE? UM BONECO QUER FAZER? – Gakupo cantarolava.
Luka bufou. Tarde demais.
Mas dessa vez, dessa vez mesmo, eu estava pouco me fodendo pros outros. Estávamos aqui, no festival de inverno que Len disse que iria me trazer.
É um festival tão bonitinho, e além de tudo, é feito desde quatrocentos anos atrás. Kamakura quer dizer cabana de neve, como iglus ou casinhas de gelo. E sei lá, eu me sinto como um pinguinzinho aqui.
Len pôs a mão no meu ombro.
–Feliz agora?
Me virei pra ele, logo sorrindo.
–Vem cá. – Disse tomando minha mão.
Não conseguia sentir sua mão por completo. Como nevava, precisávamos usar luvas pra nos proteger do frio.
Começamos a caminhar pelo festival, observando as diversas Kamakuras de variados tamanhos. Mas a cima havia um templo onde as pessoas oravam para o Deus Suijin.
Estava tão distraída que ao menos vi quando Len parou, e acabei batendo em suas costas.
–O que foi? – Perguntei.
–Nada... – Disse como se acabasse de se recuperar. – Só vamos por outro caminho.
Olhei para frente, o caminho estava livre e nem estava obstruído, só tinha uma pessoa de costas usando um casaco com capuz.
–Qual o problema de passar por aqui?
–Podemos, por favor, não passar por aqui? – Ele havia feito essa frase em forma de interrogação, mas não parecia que estava cogitando minha opinião. Parecia um tipo de ordem.
Olhei para ele e depois pro caminho.
Comecei a andar por mim mesma até lá.
–Não. – Ele me puxou pelo braço, o que me fez quase cair e parar de andar. – Eu já disse que não vamos passar por ali.
–Mas que merda, qual o problema de passar ali? – Me virei pra ele.
Ele apenas encarou o caminho atrás de mim.
Virei pra trás, só tinha uma pessoa encapuzada. E daí?
–Eu cansei.
–Len? – Perguntei confusa.
–Se você sozinha não consegue lembrar da nossa infância,
Eu irei te fazer lembrar.
Fale com o autor