Karakuri Burst
53 Errado? Por quê?
Notas iniciais

LEN POV’S ON
Flashback on
É fim de tarde. O céu não está alaranjado, não está azul, não está em tons de violeta. Só está escuro, com nuvens dispersas e algumas poucas estrelas.
As lâmpadas dos postes já se acenderam, clareando as vias do parque.
O pipoqueiro já foi embora, a propósito.
Olhei pra criatura de boca estranha e dentes tortos ao meu lado.
Quero dizer, a Rin.
Acompanhei seus ombros subindo e descendo e sua respiração descompassada.
–Você é gorda mesmo. Como se uma simples brincadeira de esconde-esconde se resumisse a uma maratona.
Ela não me respondeu.
Mordi meus lábios, tsc, que menina grossa.
Ela balançou os pés no ar, pois não tocava o chão quando estava sentada. De repente, simplesmente, deitou no banco.
Igual uma mendiga.
Cheguei um pouco pro lado, sentindo a beira do banco. Seu corpo ocupava muito espaço enquanto deitado.
–E é isso que podemos chamar de folgada. – Comentei.
Ela não respondeu.
Ficou olhando pra cima, para a copa das árvores que cobriam os caminhos do parque.
Eu estava sentado perto da sua cabeça, na beira do banco. Ela estava quieta como um corpo no necrotério.
Por um momento, desejei que um besouro caísse no rosto dela, só para ela gritar e dar um daqueles surtos de menina.
Coloquei as mãos nos bolsos da minha calça. Olhei pra ela, mais uma vez. Algumas mechas do seu cabelo escapavam do banco de madeira e caiam no vão entre elas.
Por um momento, quis passar a mão no seu cabelo, e grudar um chiclete ali.
–Ei. – Chamei. – Vamos embora.
Ela não respondeu.
Sorri com desgosto. Era um falso sorriso.
Tirei uma das minhas mãos do bolso, e apertei as bochechas dela, apoiando minha mão e ao mesmo tempo segurando seu rosto pelo maxilar.
–Não se atreva a me ignorar.
–Me solta. – Pediu. – Por obséquio, Ellen.
Segurei seu rosto com mais força. Balancei de um lado para o outro.
–Qual a dificuldade de dizer ‘’por favor’’? — Dei uma pausa. – Já estava ficando irritante.
–O quê? – Sua voz saiu um pouco distorcida por ainda estar apertando suas bochechas, fazendo sua boca ficar num formato irregular.
–Seu silêncio. – Respondi.
–Claro. – Sentia sua pele se mover vagarosamente embaixo de meus dedos a cada palavra que dizia, fazendo suas bochechas se mexerem. – Se eu falo demais, sou irritante. Se eu fico quieta, sou irritante. Se eu quero brincar, sou irri...
–Resumindo, você é irritante de qualquer forma. – Soltei seu rosto, colocando minha mão no bolso mais uma vez. – Mas quando você me ignora, fica mais irritante.
–Caramba, hein. – Trouxe suas mãos ao rosto e massageou suas bochechas. – Meninos são brutos...
–Meninas é que são frescas. – Demais, sinceramente.
Ela bufou.
Cavalos bufam. Pois é.
–Me promete uma coisa?
–Não sou de prometer coisas. – Respondi de imediato. – E o que você quer, Laranja murcha? Não acha que está muito cedo pra ‘’selarmos a amizade eterna... – Olhei pra cima. Não tenho ideia de qual árvore é essa acima de nós. – Ah, embaixo de uma árvore qualquer’’?
–Por favor. – Pediu.
Encarei-a. Qual será a futilidade diária? Promessas são tão vagas, e as pessoas as esquecem com o tempo. Em outras palavras,
–Promessas são inúteis.
–Por... Obséquio?
Soltei um sorrisinho. É tão irritante que chega a ser divertido. É uma espécie de contradição, uma contradição bastante estranha, aliás.
Droga, como as pessoas são insistentes.
–Certo, o que você quer?
–Eu quero que, você me prometa, que enquanto nós formos amigos, você não irá me machucar.
–Te machucar? – Promessa inútil, como se eu fosse agarrar ela, claro. – Vamos fazer uma aposta.
–Não quero. – Disse.
–Estou afirmando, não te interrogando. Não estou pedindo sua opinião.
–Eu não vou fazer nada do que me pedir enquanto não fazer a promessa. – Assoprou um fio de cabelo que cobria um de seus olhos.
–Por quê?
–Porque é importante pra mim. Só isso.
–Eu juro solenemente... –Tirei minha mão direita do meu bolso, a levantando. — Sabe o que é solenemente?
–Sei. – Resmungou.
–Eu juro solenemente que, enquanto o que a Laranja murcha chama de amizade e eu chamo de acontecimentos precoces e incômodos, eu não vou machuca-la. – Dei de ombros. — Fisicamente, não. Psicologicamente, eu te torturo.
–Moço, você é assustador quando quer.
–Eu te assusto?
–Não, eu disse que você é assustador quando quer, não que me assusta.
–Bem, então. Vamos a minha aposta.
–Ah, o que quer apostar? – Se sentou no banco, erguendo suas costas e deixando de estar deitada. Ajeitou-se, sentando de pernas cruzadas como um ‘’indiozinho’’.
–Corrida até em casa. Porque, caso não tenha percebido, já devíamos estar em casa já faz muito tempo. – Suspirei. – Mas é uma aposta.
–Ou seja, só tem um vencedor e um perdedor. – Cruzou os braços.
–Se eu vencer, nunca mais eu te dou carona em dias de chuva.
–Mas... – Fez indicio de protesto. – Tudo bem. Se eu vencer, vai me dar carona, sim senhor. E ainda por cima vai ser obrigado a brincar comigo.
Desci do banco, arrumei minhas mãos nos bolsos, e fiquei em frente a ela.
Arqueei uma das minhas sobrancelhas.
–Admita que gosta de mim.
–Quê?!
–Nem que seja só um pouquinho, você gosta de mim.
–Não! – Começou a balançar as mãos de um lado para outro. – Não, não, não, não, não, NÃO.
Que situação divertida.
–Levou para o lado amoroso? – Sorri. – Não Laranja murcha, estou falando amigavelmente.
Ela ficou quieta. Esse tipo de silêncio é interessante.
–Eu...
–Não me diga que, — A ignorei. – Você pensou daquele jeito. Está cedo demais para se apaixonar loucamente por mim.
Ela ficou me encarando. Seu rosto inteiro estava vermelho, parecia a bandeira do Japão. Jogou a cabeça para o lado, ajeitou a franja. Esticou aquela mãozinha e me beliscou.
Ela é irritante sim.
Franzi as sobrancelhas e coloquei minha mão em frente sua testa. Posicionei meus dedos que estavam formigando pra dar um peteleco nela.
–Espera. – Ela disse. Ops, meus dedos quase escaparam. – Você disse que não ia me machucar.
Meus dedos ameaçaram escorregar. Quase dei um peteleco involuntário nela.
–Tsc. – Chiei. Baixei minha mão e recuei meu braço. Dei um passo pra trás. – Quando eu disse que você supostamente gosta de mim, quero dizer que para me obrigar a brincar com você, você deve gostar da minha pessoa.
–Ãn? Ah. Só um pouquinho... – Indicou com as mãos. Seus dedos praticamente se colavam. – Só um pouquinho assim.
–Essa é à proporção que você gosta de mim? – Não esperava menos. – Podemos, por favor, parar de enrolar e começar logo o nosso ‘’joguinho’’?
–A suas marcas, senhoras e senhores. – Anunciou. – Preparar, apontar, VAI!
–Calma. – Estiquei meu braço pro lado e ela bateu de frente nele. – Assim não. Ao meu sinal. Três, dois... Um.
–EI! – Gritou. – ISSO NÃO VALE!
Comecei a correr na frente dela. Eu vou ganhar isso, de qualquer jeito. Trapaceando ou não.
–O mundo é dos espertos! – Gritei sem olhar pra trás.
Nossas casas realmente tinham um caminho relativamente curto até o parque. Correndo então, ia ser questão de poucos minutos. Saí pela quarta entrada leste do parque, a mais próxima da minha casa. Desviei de uma mulher que carregava sacolas de supermercado, encontrando atrás uma senhora que passeava com seu cachorro.
Passei reto por eles, quase acertando um biciclista.
Começo escutar gritinhos de menina.
Gritinhos irritantes.
Olho pra trás e vejo ela correndo da forma mais desajeitada possível. Inclino um pouco a minha cabeça e vejo o que está atrás dela, logo recomeçando a correr.
–Me espera! – Gritou. – Len!
Isso criança, agora que você foi correr perto do cachorro e ele ficou atiçado e está perseguindo nós dois –Porque o cachorro está perseguindo ela e ela me perseguindo-, ela magicamente cria a capacidade de pronunciar ‘’Len’’.
Agora corre, condenada.
Virei a esquerda, dobrando o quarteirão. Dentro de vinte segundos chego na minha casa. Checo a Rin mais uma vez, correndo igual uma desesperada.
Piso no meu quintal, destruindo a grama. Corro até a árvore retorcida que há no jardim dos fundos, pulando o portão que divide os jardins frontais e traseiros.
Puxo ar, foi cansativo.
Escalo um ou dois galhos, logo me apoiando neles. Observo aquele ser laranjêsco pular o pequeno portão de madeira escondido na lateral da minha casa, como uma espécie de divisória.
–Você está invadindo minha casa. – Acusei.
–Ah... – Respirou pela boca. – Desculpa... – Ofegou de novo. – Eu, eu vou pedir permissão pra invadir sua casa na próxima, tá? Valeu colega.
Revirei os olhos.
Ela se aproximou a raiz da árvore, olhou pra cima e me encarou. Esticou as mãos.
Que babaquice, Rin.
Segurei na mão dela, me apoiando na árvore ao mesmo tempo. Ela se apoiou em mim como a perfeita folgada que é, e me usou de suporte para subir.
Ela devia estar cansada. Mas eu realmente não entendo esse desespero todo por culpa de um simples filhote de Yorkshire. Recostei minha cabeça no tronco e respirei fundo. Deixei um pouco de ar escapar pelos meus lábios.
Aquilo ainda era invasão de propriedade.
–Vai embora.
–Hm. –Murmurou. — Ah, espe...
–Vai embora.
–Você venceu. Quero dizer, a aposta, a corrida, você venceu.
–Vai embora. – Desviei o olhar. — Já cansei de você.
E dessa vez, ela não me respondeu.
Escutei seus barulhos e observei seus movimentos pelos cantos dos olhos. Desceu com extremo cuidado, mas ainda sim escorregou na formação de lodo em um ponto da árvore. Escorregou, mas se manteve se apoiando em um dos galhos. Espiei com cuidado, inclinando um pouco minha cabeça. Sua palma havia ficado vermelha.
Enfim chegou ao solo. Bateu suas mãos na roupa, logo depois as batendo uma com a outra.
Me ajeitei no meu lugar. Daquela maneira, ela ficava de costas pra mim, me impedindo de ver seu rosto. O problema realmente não era esse, o problema era que ela estava parada.
E eu quero que ela vá embora.
–Va...
–É impossível. – Cortou. – Você pode reclamar o quanto quiser que é sozinho. Mas você é o único que não percebe que é você que afasta as pessoas.
Eu não respondi.
Ela foi embora, ao menos olhou pra trás.
Estou cercado de idiotas.
Vi ela pular o pequeno portão e sumir do meu campo de visão. Batuquei meus dedos na árvore, pensando se eu devia ou não fazer isso. Desci do ponto que estava diretamente para o chão.
Andei até o portão e coloquei minhas mãos encima dele, me apoiando para ficar mais alto.
Fiquei em silêncio enquanto a via atravessar a rua e correr até em casa.
Bateu na porta cerca de três vezes até ela se entreabrir e uma mão feminina a agarrasse pelo pulso e a arrastasse pra dentro.
Me debrucei um pouco mais pra ver, mas a porta bateu logo após.
Suspirei com tédio, eu queria saber o que aconteceu.
Mas a curiosidade matou o Len.
E tem mais, a vida dessa idiota definitivamente não me importa, não me interessa, e muito menos me diz respeito.
Me desencostei do portão e fui pela andando até o jardim da frente, até chegar na porta.
Tirei as mãos dos bolsos, forçando a maçaneta, desse jeito, empurrando toda a porta.
Droga, isso não era pra estar aberto.
Olhei para os lados. O primeiro andar estava completamente apagado.
Entrei na minha casa e fechei a porta atrás de mim. Aquilo era um péssimo sinal. Eu estava atrasado.
Assim que encontrei as escadas, tateei a parede para me localizar. Tropecei no quinto degrau, mas me apoiei na parede. Subi o que restava até chegar no corredor. No final dele, na última porta a esquerda, uma fresta de luz trilhava pelo corredor.
Andei lentamente até a porta do meu quarto, escutando o teclar do meu pai na porta da frente.
Forcei a maçaneta do meu quarto, e a porta se abriu exatamente como a da entrada.
Merda, essa tinha que estar trancada.
Bati minhas mãos nos bolsos. Minhas chaves não estavam mais lá. Em que momento estava? No instante em que eu coloquei minhas mãos nos bolsos na primeira vez eu deveria ter notado.
Entrei no meu quarto, acendendo a luz de imediato.
Suspirei de alívio, nada havia mudado.
Senti os ventos noturnos passar pelo meu quarto. Porque mesmo? Porque ela quebrou minha janela.
Lembrei-me de fechar a porta. Andei até minha escrivaninha, pegando um caderno do ano passado e arrancando uma folha. Abri uma das gavetas e peguei fita crepe. Puxei a fita com a boca e tampei o buraco com a folha. Usei pedaços da fita para vedar os pedaços.
Deve calhar pelo menos por enquanto.
Deitei na minha cama, logo me contorcendo por minhas costas estarem encima do controle da tv. O peguei, logo ligando a tv.
No canal 447, um homem havia sido apreendido com um carregamento de dois quilos de crack numa mochila vermelha da Wilson.
Ri um pouco.
Trabalhar neste ramo deve ser no mínimo interessante.
Não que eu espero o prestigio do ‘’heroísmo’’, mas vou estar ajudando alguém de qualquer forma.
Fazer algo que preste.
Ser uma pessoa boa.
Mamãe era uma pessoa boa.
Eu sei. Mesmo realmente não sabendo, eu sei.
De complicada já está a minha mente, muito obrigado.
Passei para o próximo canal. Pokémon. Era um episódio antigo, em que eles ainda estavam em Kanto, Ash com o bicho amarelo, Misty e Brock.
Revirei-me na cama. Hoje eu não almocei, nem jantei. Comi na escola e um chockito mordido por ela. Eram oito e trinta e sete da noite e eu sentia meus olhos pesarem.
Tinha dever hoje?
Provavelmente.
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Abri meu guarda-chuva ao sair do pátio da escola, segurando aquele bilhete em mãos.
Era um comunicado.
Eu nunca havia recebido um comunicado.
‘’Falta de cumprimento de tarefas. ’’
Requer assinatura do responsável. Assinaturas falsas é crime. Falsidade ideológica, se não me engano.
Ajeitei o guarda-chuva na minha mão livre. Se não prestasse atenção, molharia o bilhete. Era uma simples garoa, mas ainda sim incômoda.
Olhei para frente, observando ela andar num ritmo acelerado com uma pasta na cabeça a poucos metros na minha frente.
Apertei o bilhete, pensando se devia ou não fazer isso.
Acelerei meus passos, até ficar próximo a ela. Estendi o guarda-chuva encima dela, a protegendo da chuva.
Ela parou de andar e olhou pra trás.
Alguns pingos caiam no bilhete e distorciam as letras.
Andei até ficar plenamente do seu lado, cobrindo nós dois desse modo.
Eu não disse nada, muito menos ela.
Comecei a andar a passos lentos, esperando que ela entendesse que era para me acompanhar. Ela entendeu, ajeitando sua mochila e começando a andar comigo.
–Por quê?
Eu não respondi.
–Por quê? – Beliscou meu braço. – Anda Len, diz por quê! Eu quero saber por...
–Cala a boca. – A cortei. – Você me confunde.
Guardei o papel no bolso e suspirei, ajeitando minha mochila nos ombros.
Ela estava me perturbando.
Olhei pra ela, que me encarava com um sorriso-trinta-e-dois-dentes.
Só não sei dizer se isso era bom ou se isso era ruim.
Enquanto nós nos aproximávamos de nossas casas, eu vi uma pessoa na calçada da Rin. Uma mulher. Estava de costas para gente, gritando no celular.
–Mãe! – Gritou Rin.
A mulher tirou o telefone do ouvido, e se virou para nós.
Rin correu para o ouro lado da rua, não se importando mais com a chuva.
–O que você estava fazendo? – Perguntou em tom acusatório.
–Ah, eu não te apresentei, mamãe. Aquele é o...
–Quem te deu autorização pra andar com esse garoto? – Balançou a cabeça. — Você está proibida de andar por aí com ele.
–Mãe! – Gritou.
–Eu não estou te pedindo, eu estou te mandando. Isso é uma ordem.
–Mas mãe! – Gritou mais alto dessa vez. – Ele é meu amigo!
Eu movi meu pé por impulso.
Eu deixei o guarda-chuva cair no chão.
Mas era tarde demais.
A mãe de Rin desferiu um tapa na bochecha direita da filha.
–Você não vai desrespeitar a sua mãe! – A puxou pelo braço, fazendo ela tropeçar nos próprios pés.
Arrastou Rin pelo braço, enquanto a mesma tentava manter o ritmo de seus passos como em condições normais.
Elas entraram por aquela porta, e eu fiquei parado na chuva, sabendo que o bilhete não seria, nunca mais, legível.
A noite, eu ainda pensava sobre isso. Deitado na cama, apenas observando o teto.
Ouvi meu celular vibrar. Tateei meu criado mudo e peguei ele, olhando o número na tela e não tendo idéia de quem é.
–Alô?
–Len?
–Rin? – Me sentei na cama. – Como sabe meu número?
–Eu tenho uma amiga que é amiga de um amigo que é primo de um amigo que estuda lá na sua escola.
–Aham. – Disse. – Você está bem?
–Ah, sim... Estou.
–Se isso ajuda, dizem que setenta por cento da dor é psicológica.
Ela riu.
–Bem, eu estou ligando pra dizer que... Eu acho que não vamos mais poder brincar. – Deu uma pausa. – Eu sinto muito.
–Não Rin. Faz parte da aposta. Você claramente disse que eu era obrigado a brincar com você.
–Mas foi você que...
–Pois é. Eu também disse que nunca mais iria te dar carona na chuva.
Ela ficou quieta por um instante.
–Vamos desobedecer as regras então?
–Porque houve essa regra? Porque sua mãe não te deixa brincar comigo?
–Ela disse que não era para eu falar ou brincar com o filho daquela mulher. Disse que era errado. – Parou de falar. – Len, eu tenho que desligar.
E a ligação se encerrou.
Um minuto e quarenta e seis segundos de conversa.
Ela me confundiu demais.
De tudo que ouvi, há um ponto principal preso na minha mente.
Errado?
Por quê?
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