Karakuri Burst
65 Entrada do Inferno.
Notas iniciais

RIN POV’S ON
Flashback on
Abracei minhas pernas e escondi meu rosto entre meus joelhos. A respiração que soltava era quentinha e parecia errada, como se aquilo não fosse durar por muito tempo. Mas, pelo menos, por um tempo, alguma parte de mim se aqueceria.
Meus dedos batucavam minhas pernas enquanto mordia minha boca. Me encolhia como um inseto medroso naquele banco gelado, onde ás vezes eu me mexia uns poucos centímetros tentando me afastar o quanto podia.
Cocei minhas bochechas, sentindo algo descascar e se prender embaixo das minhas unhas. Franzi minhas sobrancelhas, tentando descolar meu cabelo da testa. Minha garganta estava arranhada e estranha, como se eu só pudesse falar baixinho.
Senti um dedo cutucar minhas pernas, me fazendo encolher ainda mais. Mexi um pouco minha cabeça, tentando abrir os dois olhos para espiar. Minhas mãos escorregaram pelas pernas, fazendo riscos vermelhos na minha pele. Tinha me assustado ao abrir os dois olhos e ver só borrões escuros.
Apertei meus olhos, segurando para abrir apenas o esquerdo. Forcei a visão, e vi que tudo havia voltado a ser normal. Fiquei nervosa pelo meu olho ‘’machucado’’ não ter conseguido ver tão bem quanto o esquerdo, mas também fiquei feliz dele ter visto alguma coisa.
E então, aquele pingo de uma falsa felicidade foi embora quando fiquei assustada por um outro toque em mim.
Levantei a cabeça e espiei em silêncio com um dos olhos.
Ela também quando se assustou quando me pegou olhando para ela.
Quis fechar meus olhos mais uma vez e chorar mais um pouco, mesmo que isso fosse irritar o garoto mau que ficava no carro com a gente. Não entendia o porquê do medo dela, já que ela me cutucava como se estivesse cutucando um ursinho de pelúcia empoeirado e abandonado.
Sua mão recuou uns poucos centímetros, mas seus dedos se contraíram e voltaram ao normal, decidindo ou não se iria fazer de novo. Me encolhi mais uma vez, sentindo a porta do carro tocar minhas costas como nas outras vezes. Estava no canto, do canto, e procurava me aprofundar mais nele, querendo fugir de um lugar impossível.
Mesmo com atitudes meio vacilantes, ela tocou minhas pernas mais uma vez com o indicador, logo olhando preocupada para meu olho que acompanhava cada movimento com grossas lágrimas lutando para escaparem.
Não queria olhá-la por mais tempo, mas ela não queria parar de me olhar. Tinha medo de fugir do seu olhar e me assustar mais ainda. Cobri minha boca com as mãos e arranhei minha garganta com pesadas tosses que escaparam de lá. O ar condicionado que circulava entre o carro gelava o meu corpo e tombava minha cabeça de sono várias vezes.
Ela recuou seus braços e olhou para as mãos, logo olhando para o insetinho loiro que se encolhia e chorava no canto do banco. Ela fechou suas mãos em dois punhos, e puxou o casaco escuro de capuz que ela tinha no seu corpo até então.
Ela enrolou o casaco em suas mãos, ajeitando a blusa branca de manga comprida em si. Os vários corações avermelhados espalhados pela roupa coloriam o tecido branco de um jeito bonitinho. Com um suspiro leve, ela se virou para mim, e esticou as mãos em minha direção.
Balançou uma, duas, três vezes.
Olhei timidamente para suas mãos e o casaco enrolado nelas. Logo depois, mesmo nervosa, olhei para ela, um pouco assustada por aqueles atos.
Meu nariz coçou, como se a ponta dele estivesse vermelha, feito o dia que peguei chuva com o Len. Senti uma pontada de tristeza dentro de mim forte o suficiente para me fazer chorar mais uma vez.
Ela olhou para mim e fez um sorriso triste, arrumando o casaco em suas mãos, abrindo-o um espaço entre o tecido escuro, que parecia quentinho.
O garoto que tinha seu rosto apoiado no próprio punho observava a janela, apoiando o cotovelo na porta do carro. Por poucos segundos, olhou para mim apenas por olhar, e voltou a observar a paisagem noturna sem nenhum tipo de preocupação.
Voltei a olhar ela, que se arrastava de pouquinho a pouquinho pelo banco, se aproximando de mim. Usei minhas pernas como minha única opção de proteção, não as tirando de cima do banco, mesmo com ela querendo chegar perto de mim.
Não a chutei, nem fiz nada do tipo. Eu só me escondia entre os joelhos, lugar onde enterrava o rosto e ficava em silêncio, observando com cuidado o que ela fazia.
Meu olho subiu em direção a seu rosto, que continuava com o mesmo sorriso entristecido. Ela estava me assustando da maneira que estava perto de mim. Vi seus dedos ajeitarem o casaco com mais firmeza, apertando as bordas do tecido. Ela olhou para mim e levantou as mãos me mostrando o espaço no casaco que ela havia feito.
Levantei minha cabeça um pouquinho, espiando o resto do carro. Olhei para ela uma última vez, balançando a cabeça num ‘’Sim’’ tímido. Ela sorriu um pouco mais feliz, levantando as mãos um pouco mais alto enquanto eu abaixava um pouco minha cabeça.
Senti o casaco me cobrir como um cobertor quentinho. Não tinha terminado de me arrumar, então eu só enxergava a escuridão que um casaco poderia me fazer. Se por um momento eu ignorasse a dor, o medo, e o desespero, aquele casaco poderia ser um lugar aconchegante para se esconder.
Ela puxou o casaco até minha cabeça passar entre um dos buracos dos quais meu corpo deveria caber. Estiquei meus braços pelas longas mangas, percebendo que minhas mãos acabavam antes das mangas do casaco.
Ela deu um riso baixo, e dobrou as pontas até minhas mãos finalmente aparecerem. Ela era bem maior do que eu, então não esperava que o casaco fosse me couber. A gola passava das minhas medidas, indo até quase meus ombros.
Puxando o capuz sobre minha cabeça, ela riu mais um pouco enquanto tentava implicar comigo. O capuz caiu sobre meus olhos, me deixando no escuro que, de algum jeito, achava reconfortante.
Um pouco sem jeito, puxei o capuz do meu rosto e o joguei para trás, onde ele deveria estar.
Olhei para ela um pouco hesitante, e voltei abraçar minhas pernas contra mim, procurando me encolher, não de frio, mas como defesa. Achava estranho, mas achava bondade usar esse casaco. Ele me esquentava bem mais que o vestido, embora tivesse tamanho em mim para ser um vestido.
Ela fez uma cara para mim de que não precisava de permissão para fazer o que ia fazer. Observei em silêncio mais uma vez seu dedo tocar minhas pernas.
–Sei que está com medo, mas... – Ela comenta, com voz baixa. – Mata você falar um simples ‘’obrigada’’?
Mordo meus lábios, balanço a cabeça devagarzinho de um lado a outro. Olho em seus olhos, e mesmo me assustando por qualquer coisa, tentei encher o pulmão de ar antes de dizer algo. Minha voz sairia como unhas contra um quadro negro, ou garfos arranhando um prato.
Mas tudo bem.
‘’-Você é trouxa. – Seguro no guarda-chuva mais uma vez, contra a vontade do garoto estranho. –Quem mandou me oferecer carona?
Ele soltou um ‘tsc’ baixinho, quase como um segredo que ninguém pudesse ouvir.
–Mata você falar um simples ‘obrigado’? – Ele puxou o guarda-chuva forte o suficiente para meus dedos escaparem do metal gelado. ’’
–O... – Começo, com medo até do som da minha própria voz. -... Obrigada.
Não saindo de perto de mim, ela junta as mãos e acaba criando um som de palmas com isso. Um sorriso pequeno e meio tímido aparece em seus lábios, como se ela estivesse realmente contente com isso.
–Já é um começo. – Ela olha para mim. — Viu? Não foi tão difícil assim.
–Miku.
Meu olhar corre para o garoto mau que até então observava a janela. Com uma postura ameaçadora e uma cara de poucos amigos, sua atenção corre entre mim e ela por menos de cinco segundos. Ele havia cuspido o nome da garota com tanta raiva que aquilo parecia mais do que uma advertência.
Ela olhou para mim e depois para ele diversas vezes. Ele continuava a encará-la sem nenhum tipo de brecha. E eu só me encolhia dentro do casaco, no meu cantinho.
–Eu sei, eu sei. – Ela balançou as mãos no ar, como se estivesse dando pouca importância ao garoto. – Você tem olhinhos assustados.
Meu rosto estava imundo. Meu cabelo, colado por sangue e sujo por terra. Meu vestido, repleto de manchas nojentas. E mesmo embaixo de tanta sujeira ela conseguia ver olhinhos assustados.
Sem pedir licença, me cutucou mais uma vez nas pernas, chamando a minha atenção.
–Para.
Peço em meia voz, escondendo novamente meu rosto em meus joelhos. As pontas das suas unhas contra minhas pernas me incomodavam e me assustavam a cada vez que ela me tocava. Não queria que ela me tocasse. Não queria que ela falasse comigo. Não queria falar com ela.
Ela toma um susto e não fica muito surpresa com minha reação. Com aquele mesmo sorriso triste, ela sussurra mais uma vez.
–Desculpe. – Seu olhar mantém-se baixo, o suficiente para o garoto se dar por satisfeito e virar para a janela novamente. O observo por cima das largas mangas do casaco, com aquelas sobrancelhas franzidas num rosto irritado. – Mas... – Ela recomeça, olhando para mim com um pouquinho de esperança. Rolei meus olhos pelo carro, olhando aquele garoto mais uma vez. – Mas... Eu disse meu nome. – Ela aponta o indicador para o peito. – Você podia, pelo menos, falar o seu? Por favor?
Mordo meus lábios e escondo até meu nariz entre os joelhos.
–Ri...
Ouvindo minha voz falhar, ela sorri e se aproxima mais um pouco no banco. Ela levanta uma das mãos e faz movimentos circulares com ela, me encorajando a terminar de falar.
–Ri...?
–Rin.
–Rin? – Balanço a cabeça positivamente, confirmando meu nome. – Como é bonitinho! Tão pequenininho e fofinho. Então... Prazer, Rin-chan.
Ela estende a mão dela em minha direção e faz um pequeno sorriso.
–Kagamine.
–O quê?
–Kagamine. – Repito. – Rin. Kagamine Rin.
–Ah sim. É um prazer então, Kagamine Rin... Que prefiro chamar de Rin-chan. – Ela põe uma das palmas ao lado de sua boca, abafando sua voz e dando um sorriso discreto para mim.
Olho para sua mão, ainda estendida no ar e em minha direção.
Lentamente ergo a minha, e dou um pequeno cutucão na palma dela.
–Miku. – O garoto a chamou novamente, com mais impaciência na voz. – Eu já disse. Não crie afeto. – Ele torna a se virar para janela. – Pelo menos, não com ela.
–Eu... – Ela olhou para mim e apertou as finas mangas da sua blusa de corações. Ela baixou a mão e me olhou uma última vez com aquele sorriso estranhamente triste. Pouco a pouco, se distanciou até estar na janela, onde correu os dedos e suspirou, antes de ficar completamente de costas para mim. – Sei.
////
Fui acordada por um bater de portas.
Minha cabeça tombou do encosto do banco e bateu no vidro da janela. Resmunguei baixinho e apertei as mangas do casaco, que por sinal, ainda estava quentinho. Meus olhos rolaram até o canto, onde pude olhar a janela.
Demorou uns poucos segundos para eu notar que, mais uma vez, tinha aberto os dois olhos. Procurei pelas manchas que havia visto antes, mas não tinha nada. Não que isso me incomodasse, claro. As manchas eram estranhas e assustadoras.
Procurei pelos bancos por eles dois.
Me assustei quando percebi que estava sozinha. Fiquei de joelhos encima do banco e tentei espiar as janelas, mas era difícil porque elas eram escuras. Cutuquei o vidro algumas vezes antes de correr o dedo até a trava da porta.
Puxei, mas não quis abrir.
Engatinhei até o outro lado do banco, me atrapalhando com as mangas do casaco, que se soltaram da bainha que Miku fez pra mim. Cutuquei a janela mais uma vez, logo colocando as mãos ao redor dos meus olhos e colando o rosto no vidro, pra ver se enxergava alguma coisa.
Apertei meus olhos e suspirei, embaçando um pouco do vidro. Esfreguei com as mangas antes de puxá-las para cima. Tentei abrir a porta, mas ela também não se abriu.
Me sentei no banco e balancei as pernas, porque estava com frio. Mesmo vestida com o casaco dela, não dava conta do vestido que usava e o frio que sentia nas pernas. Bati meus dedos em meus joelhos, pensando num jeito de fugir dali.
Me arrastei até a janela mais próxima e a cutuquei uma outra vez.
Esse vidro era muito duro.
Não sabia se tinha força o suficiente para chutar a janela até que ela se quebrasse. Não, com certeza eu não tinha. Era muito difícil pra mim.
Sim, era.
Me deitei no banco e fechei os olhos, deixando o cabelo, que não estava grudado na sujeira do meu rosto, cobrir meus olhos e machucados. Trouxe meus joelhos até mim e abracei minhas pernas, puxando a barra do casaco o máximo que podia para que pudesse cobrir um pouco da minha pele.
Senti meus olhos coçarem, e precisei dar uma ou duas piscadas fortes para parar. Minha bochecha roçava no banco, me incomodando cada vez mais que os segundos passavam. Estava escuro lá fora. E aqui dentro também.
Levei um susto tão grande que quase cai do banco quando uma das portas foi aberta.
Me arrastei até a outra porta feito um gatinho assustado.
Apertei meus lábios e tombei a cabeça para entender o que acontecia. E quando percebi, corri para ficar de joelhos no banco e bater na janela.
–Não, não. – Ele murmurou, enquanto colocava parte do seu corpo para dentro do carro. – Fica quietinha... – Seus olhos reviraram com um enorme tédio, com um sorriso sarcástico pouco disfarçado. – Rin-chan.
Deslizei minha mão até a trava da porta e a puxei mais uma vez, só escutando o estalo da porta, ainda trancada.
Me sentei no canto e encarei feio para ele.
–Porque essa carinha brava? – Ele sorriu sem se importar muito. – Vem aqui.
Balancei a cabeça de um lado a outro, logo cruzando os braços.
Não tinha ideia que podia conversar com ele. Mas tudo bem, só ele falava, o que me deixava um pouquinho mais segura. Mesmo assim, sentia medo de estar com Kaito. Ele era mau. E eu não tinha dúvidas disso.
A partir da cintura pra cima, ele estava dentro do carro, apoiando uma das mãos no recosto de cabeça do banco. Sua outra mão estava apoiada no banco, enquanto ele me encarava com tédio e sarcasmo. Ele me incomodava, e constantemente apertava seus lábios esperando alguma reação minha por ele estar tão perto de mim.
–Eu vou te explicar. – Ele bufou. – Eu vou te levar até eles. – Apertou seus lábios mais uma vez e encarou a janela atrás de mim com uma raiva que eu não entendia. – E você vai me obedecer.
Balancei a cabeça novamente, franzindo as sobrancelhas de raiva.
–Não? – Forçou a respiração pelo nariz. Vi a mão que se apoiava no banco sair dali lentamente, coisa que me fez recuar um pouco mais para o meu canto. Ele sorriu como se eu tivesse feito a maior palhaçada do mundo, e apertou minha bochecha entre seus dedos, puxando e logo soltando, forte o suficiente para a fazer estalar. – Tudo bem, eu te permito me odiar, pirralhinha. – Ele recuou até estar completamente fora do carro, e com a voz um pouco abafada, bateu no teto do carro como aviso. – Sai, Rin. Agora.
Recomecei a me assustar. Chegou num ponto em que eu estava com medo do medo, de novo. Pensei um pouco, e vi que me faltava coragem. Talvez aquela fosse minha primeira e única chance. Havia percebido que, ali, naquele momento, só tinha ele pra ‘’cuidar’’ de mim.
A porta não era grande nem espaçosa, mas eu podia tentar.
Eu acho, pelo menos.
–Rin.
Congelei quando ele me chamou por uma terceira vez. Nunca sabia o que fazer.
Era Len quem sabia.
Passei minhas unhas pelo banco tentando decidir. Se conseguisse passar por ele, que me esperava justamente colado na porta, o que faria depois? Ele era um menino! Não conseguia nem fugir do Len durante uma brincadeira, imagina dele!
Só seria um fracasso...
Queria me assustar por um certo idiota me dizer que teria que amputar a perna por um tombo, não por tudo ao me redor, que pudesse me tocar, que pudesse me ouvir.
Eu não conseguiria.
Não queria me dar por vencida, Len mesmo havia me convencido que eu era uma péssima perdedora. Então eu tinha de ser. Nunca iria aceitar o que estava acontecendo, mas precisava fingir. Não entendia muito bem porque eu, e porque comigo.
Mas eu pretendia sobreviver para voltar pra Len.
Eu voltaria.
O mais rápido possível.
Pra mamãe e para o Len.
Eu tinha que fazer as coisas certo.
Talvez tudo vá voltar ao normal amanhã!
–Como... – Mordi meus lábios quando percebi o sussurro fraco em que minha voz saiu. A cabeça de Kaito rapidamente apareceu na porta, com aquele tédio estampado no rosto pela minha demora. Imaginava que se ele me chamasse mais uma vez e eu não respondesse, ele fosse me arrancar do carro a força. – Como eu posso te chamar?
Ele suspira antes de se desencostar da porta.
–Só sai do carro.
Escutei o barulho da sola do sapato pesado que ele usava bater contra o chão. Parecia que ele havia entendido, antes de mim, que agora eu sairia.
Me arrastei de pouquinho a pouquinho até chegar na ponta do banco. O vento soprou algumas mechas do meu cabelo e só serviu para despertar o frio que sentia antes. Olhei para Kaito que estava encostado na porta do motorista me esperando para fazer alguma coisa.
Coloquei minhas pernas para fora e enfim pulei da borda.
Olhei em volta de mim, dando um giro completo.
Estava perdida.
Era o nada mais vazio que um nada poderia ser.
Só... Nada.
Meus olhos correram para o encontro dos dele, que mantinham aquela aparência de imparcialidade com tudo. Ficamos poucos segundos encarando um ao outro, eu com a cabeça levantada e ele com a cabeça baixa, coisa que irritava. Podia até ser baixinha perto dele, mas, menor, não, isso com certeza não era.
Ele desencostou do carro e bateu a porta da qual eu havia saído.
Não conseguia ver muito bem. Estava muito escuro. Me sentia perdida. Muito.
–Kaito. – Ele disse. – Já me apresentei, pirralha. E não, não é pra me chamar assim. Na verdade, não quero que se lembre de mim. Não sou ninguém. – Sua atenção mantinha-se cravada nos próprios sapatos. – Mas, é, eu tenho nome. Kaito. – Ele levantou a cabeça subitamente, dando um meio sorriso para mim. – Agora, me dê sua mão. Estou te direcionando diretamente pra entrada do Inferno.
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