Kalahari

4 Capítulo 3


Notas iniciais
minha nossa que alegria imensa desta autora pela aceitação da fic. E ainda maior pela indicação da Junninha, a primeirona....!Obrigada flor! Segue-se capitulo dedicado a ti.Boa Leitura!

Kalahari

Capitulo 3

Um riso abafado escapou dos lábios de Jacob. Eu estava cansada, machucada e fui roubada! Não tinha um pingo de paciência para aturar as grosserias do parceiro da minha mãe. E, para minha imensa “alegria e sorte”, o cowboy se aproximou de mim. Eu tinha como única barreira o corpo grande e forte de Jacob, com desespero me agarrei nos ombros largos dele e encostei minhas costas no jipe. Eu não tinha para onde fugir.

—Você me conhece, moça? – a voz era muito máscula, e sendo pronunciada assim, de tão perto era sensual também, pois o desgraçado do homem não se deu ao trabalho de gritar, ele apenas sussurrou. Minhas pernas tremiam mais do que quando eu vi o tiroteio na boate da Sue.

—É madre, Hombre!

Eu estava ficando zonza, era muita coisa para uma pobre moça como eu em um dia só. Colei meu corpo no de Jacob antes de responder fraquinho:_Com certeza, você deve ser o amante de Rennee.

Eu tinha certeza que depois daquela frase meu disfarce não serviria para mais nada. Onde uma madre iria falar a palavra amante? Nem na boate da Sue se ousava tanto. O cowboy? Ele nada disse, mas eu ouvi um “Vale-me Dios”, sair da boca de Jacob. Já o grosseirão, ele me olhou de cenho fechado e colocando as mãos na cintura antes de ordenar:

—Sai Jacob! – claro que me agarrei nas costas do espanhol, ele era o meu escudo de vida. Jacob deu um passo para o lado e me levou junto com ele pendurada, mas uma mão forte pegou no meu braço me descolando dele e eu gritei de pavor.

—Ahhhhh! – eu tremi inteira, a mão do homem era grande, quente e me causou choques por todo o corpo. Eu levantei meu rosto e vi fogo saindo dos olhos dele.

—O que vai fazer hombre?! Largue a pobrezinha da madre! — eu ouvi a voz de Jacob intercedendo.

—Onde diabos você arranjou esta maluca vestida de freira?

Maluca, eu?! – ele destrói a vida do meu pai e ainda me ofende?! Eu mordi minha boca com raiva, eu suava bicas e minhas mãos tremiam.

—Nós a encontramos na trilha dos leões, estávamos no rastro do bezerro perdido.

—E por acaso o meu bezerro é aquele morto dentro do carro? – minha cabeça seguiu em direção do queixo duro apontado para dentro do jipe, então aquele animal fedorento era um bezerro?

—Sí!

—Pode me explicar como meu bezerro morreu e, como esta mulher está aqui na minha frente?

Eu tinha que fazer alguma coisa e rápido!

—Edward o búfalo passou com tudo por cima dela, ele fugia de uma leoa, eu não pude fazer nada e atirei no bezerro e depois na leoa.

—Você matou o meu bezerro, Jacob?

O homem berrava, parecia que ele havia crescido ainda mais. Eu sentia a força emanando do corpo dele junto com o suor. Em nenhum momento ele tirou aquela mão imensa de mim e por um instante eu temi pela minha vida e pela vida de Jacob também, tamanha foi a ferocidade da criatura.

—A pobrezinha ia morrer, hombre!

—Antes esta louca, do que o meu bezerro!

—_Hombre! Tenha penitência, que ofende a Deus assim!

Se eu tivesse ensaiado não teria saído melhor, deslizei pelo carro e cai no chão, só não bati com força porque o grosseiro me segurou pelo braço, para em seguida me pegar no colo

—Viu o que você fez?

—Eu não fiz nada!

—Você sacudiu a pobre madre feito um saco de esterco! Ela passou por momentos difíceis, Edward! Seja humano e deixe que ela se refresque dentro da casa.

—Se até agora ela não morreu, meia hora não vai fazer esta benção! Eu preciso de respostas, quero saber quem é esta mulher?

—O nome dela é Isabella Marie Swan, você leu nos documentos.

Eu fiquei parada, procurando deixar meu corpo mole, o que não era muito difícil, enquanto sentia que estava sendo carregada por ele. Em nenhum momento abri meus olhos, era uma questão de vida ou de morte. De repente senti a suavidade de uma sombra no meu rosto e o momento em que fui posta deitada em um lugar macio.

—Chame Zahara!

Ouvi passos se afastando para depois sentir algo repuxando na minha cabeça, ele tentava tirar a parte de cima do hábito, a que cobria meus cabelos enquanto praguejava.

—Inferno! Eu pensei que as freiras fossem mulheres velhas.

Tentei me segurar o máximo que pude quando percebi que ele quase cobriu meu corpo com o dele, eu podia sentir o hálito no meu rosto, era muito bom.

—Droga, esta merda está grudada no cabelo dela... – ele parou de falar assim que conseguiu o que queria. Eu senti um frescor no alto da minha cabeça e quase beijei o homem de tanta alegria, mas me contive, pois lembrei que ele achava que eu havia desmaiado.

—Sr. Cullen? – uma voz linda de mulher chamou a nossa atenção, eu não me contive e abri um olho. Eu vi o grosseirão sem o chapéu, ele tinha cabelos bronzes, mas a minha curiosidade estava na mulher com quem ele falava.

—Zahara, ainda bem que está em casa.. – quase que abro minha boca também, a mulher era linda, mas fechei meus olhos, pois Jacob estava olhando para mim.

—O que você fez Edward? Estava tentando tirar as roupas da madre?!

Havia revolta na voz de Jacob e eu quase gargalhei quando ouvi a voz do cowboy:

—Não é para menos que ela tenha desmaiado, com tudo isto de pano no corpo...

—Você queria ver o corpo dela?!

—Não seja ridículo Jacob, é uma freira!

—Agora ela é freira?

—Eu só tirei aquele treco da cabeça dela, sei lá o nome, aquilo estava colado nos cabelos, alias, me admira mesmo, que ela não tenha morrido no sol do deserto com todos estes panos!

—Mas pode morrer com sua falta de respeito, Zahara, acho melhor levarmos a madre para um dos quartos e você pode cuidar dela como se deve.

Alguém me pegou e pelo cheiro era Jacob.

—Nossa olhe para os cabelos dela? São lindos! – quando Zahara acabou de falar me deu tremedeira. Havia esquecido que as madres não usam cabelos compridos.

Era o meu fim!

—Calma madre! – a voz de Jacob soou bem baixa perto de mim, mas eu não conseguia parar de tremer, eu lembrei dos olhos enfurecidos de Edward, ele iria me estrangular feito uma galinha destroncada! Ele iria colocar a culpa em mim por causa da morte do bicho fedido dele e depois me daria um pontapé nos fundilhos.

—Feche a porta Zahara, tranque ela por dentro.

Senti que estava sendo colocada em algo macio, acho que era uma cama.

—Pode abrir os olhos madre, é seguro.

Foi o que eu fiz! Olhei a minha volta, eu estava em um quarto, simples diria e sobre uma cama. Em pé ao meu lado estava Jacob e depois pude olhar com mais atenção para a mulher que eles chamavam de Zahara. Ela era negra, tinha uma pele lisa e sem máculas e o rosto dela era impressionante de tão belo, quando ela me sorriu então, fiquei com vergonha de ver tanta beleza em um só corpo.

—Como se sente, senhora?

—Eu ainda não sei, nos meus últimos momentos de vida?!

Jacob riu.

—Fique calma, nada de mal vai te acontecer, Deus está do teu lado, madre! – ele sorriu, tinha dentes tão perfeitos quanto Zahara e um sorriso inocente. Por incrível que pudesse parecer Jacob Black ainda acreditava que eu fosse de fato uma freira.

—Desculpe, mas seu amigo me assustou... – eu coloquei minha mão na testa — ...eu não sabia o que fazer então achei mais prudente fechar meus olhos.

Olhei para os dois que me observavam com muita atenção.

—Quando se ora a Deus é melhor o fazer de olhos fechados, vocês sabem....!

—Sim madre, Edward foi muito grosseiro! Quando ele se acalmar irá perceber o enorme erro e vai pedir perdão.

Duvido muito!

—Eu vou sair e deixar Zahara cuidar da senhora, até mais tarde madre.

Eu acompanhei Jacob com os olhos, ele parecia um daqueles garotos crescidos preso no corpo de um homem. A porta se fechou e eu pulei da cama.

—Madre? – eu corri até a janela, eu tinha que fugir dali.

—Zahara, como faço para chegar até a cidade mais próxima?

—Como madre? – será que ela entendia direito a minha língua, julguei que sim quando ela falou com Edward e Jacob.

—Cidade, Zahara, eu tenho que ir para a cidade mais próxima, você me entende?

—Sim, mas não sei porque?

Mais esta!

—Eu, eu tenho que ir para o convento. – tentei parecer o mais convincente possível.

—Mas não temos convento por aqui!

Me enrolei!

—Eu vou abrir um!

—Que ótima noticia! A sua mãe foi uma mulher maravilhosa, claro que a filha seria ainda melhor!

—Foi? Como assim?! – em meio a tanto susto eu havia me esquecido de perguntar por Rennee.

—Zahara, onde está a minha mãe?

Eu vi os enormes olhos negros dela brilhando e voltei a tremer.

—Ainda não sabemos.

—Como assim?

—Bem, acho que este é um dos motivos do meu patrão está tão nervoso, não é culpa da senhora, pois coisas estranhas andam acontecendo na fazenda Cullen.

—Não estou lhe entendendo Zahara, o que tem isto tudo com a minha mãe?

—A senhora, ela partiu com o marido para visitar uma tribo dos Bantus, mas parece que eles sofreram um ataque antes de lá chegarem e....!

—Marido?!

—Sim, O Sr. Dwyer! – havia surpresa nos olhos de Zahara e espanto na minha voz.

—Então, aquele homem enorme que me agarrou, Edward, ele não é o... – lembrei de o haver chamado de amante da mamãe, comecei a gelar – ele, quem é ele?

—Ele é o dono de tudo isto, sócio de Rennee e Phil Dwyer.

Senti algo me puxando do meu corpo e depois me jogando nele novamente.

—A senhora Dwyer ficaria tão feliz em saber que está aqui conosco...

—você disse que minha mãe, ela está desaparecida?

—Sim, o Sr. Cullen está fazendo tudo o que pode e...

Uma batida na porta fez Zahara se silenciar, depois eu vi os olhos verdes de Edward Cullen, ele entrou silencioso no quarto e fez um gesto com a cabeça para que Zahara saísse e, por um instante eu quase pulei em cima dela.

—Não precisa ter medo de mim, madre.

Eu olhei abismada para ele.

—Como você me chamou?

—Jacob, me fez vir até aqui. Diabos!

Eu vi o homem andando até a janela e depois ele se voltou para mim com gestos nervosos, passando as mãos nos cabelos, eu estava hipnotizada e acho que de boca aberta também.

—Bem, fui pego de surpresa, eu, quero dizer, ninguém esperava por você! Rennee falou da filha, mas, eu achei que fosse uma garotinha de doze anos e não, uma...uma... – ele apontava para mim com um dedo.

—Freira! – eu completei a frase.

—Isto!

—Agora o senhor acredita que eu seja uma religiosa? Eu tomava cuidado com as palavras enquanto falava, talvez, nem tudo estivesse de fato perdido.

—Bom, até que me provem o contrário, a senhora é filha de Rennee Dwyer e madre vinda de um convento. Mas eu realmente gostaria de saber o que fazia naquele deserto com estas roupas? Olha, moça — neste momento ele me olhou muito atentamente e eu voltei a sentir aquela sensação estranha, aquele tremer dentro de mim – nós temos freiras aqui na Africa, mas elas não andam vestidas feito um urubu, tão pouco cheias de panos até o pescoço e cobrindo os cabelos.

Ele ficou olhando para os meus cabelos durante um bom tempo e eu não conseguia me lembrar de algo razoavelmente bom para dizer.

—Eu não sabia que aqui era tão quente assim... – mordi minha boca, toda vez que eu ficava perto daquele homem só conseguia me complicar. Depois não sei o que deu no homem, parecia que um bicho havia mordido ele, pois com passadas largas passou por mim e foi direto para a porta. Eu fiquei ali, no rastro dele, embebida pelo cheiro doce daquele corpo forte. Tive que sacudir minha cabeça, eu estava ficando louca...

—Vou deixá-la, Zahara já deve estar aprontando seu banho, só lamento que tenha perdido suas coisas, pois não temos roupas de freiras por aqui.

—Eu posso usar qualquer roupa.

—Eu não sei se isto seria uma boa idéia!

—Como assim?

—Nada, falei demais! – ele me olhou estranho antes de voltar a falar — ...diabos, mas, você é tão jovem para ser chamada de senhora.

E, sem pensar eu disparei:_Me chame de Madre Bela!

Em seguida ele saiu batendo a porta, mas antes ainda pude ouvi-lo dizer alguma coisa sobre ter feito muita merda na vida para ter que passar por aquilo. Desanimada eu praticamente me arrastei até a cama e contabilizei minhas ações e cheguei a conclusão que nada fiz para ter que passar por todo aquele sofrimento.

continua....

Notas finais
ai está....bem as coisas vão se complicar para os dois...imaginem...a tensão sexual.....minha gente!Muitas surpresas a caminho.Bjus!