Kalahari

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Olha eu aqui....que luxo.....graças a alma que fez uma indicação linda para a fic....que me deixou tão feliz que eu resolvi antecipar o capitulo que iria rolar no meio da semana que vem.....Tá vendo como se alegra uma autora!Boa leitura

Kalahari

Capitulo 4

Não tive muito tempo para contemplação e suspirei resignada quando ouvi uma batida leve na porta, era Zahara que entrava sorrindo, além de bonita ela era muito simpática. Havia algumas peças de roupas nos braços dela.

—Madre? Eu lhe trouxe umas roupas limpas, foram de sua mãe... – não sei dizer, mas uma sensação estranha tomou conta de mim, era horrível ouvi-la falar assim de Rennee, como se de fato ela estivesse morta — ...acho que elas irão lhe servir, vejo que seu porte físico era muito semelhante ao de sua mãe.

—Mesmo?! – quando fora a ultima vez que eu vira mamãe? Acho que tinha doze anos, na saída do colégio, ela se aproximou de mim, sem que o motorista do papai visse. Eram outros tempos aqueles, éramos ricos ainda, foi antes da crise. Rennee me abraçou com carinho, ela chorava. Mas eu fiquei com os braços retos sem retribuir aquele afeto, eu ainda estava muito magoada com ela por ter me abandonado.

”Oh, minha garotinha!” — eu lembro dela passar as mãos nos meus cabelos com ternura e depois me dar um beijo na testa. Mas a próxima lembrança gostaria de esquecer, pois eu empurrei minha mãe e comecei a gritar com ela, falando palavras duras que nem sabia o significado, palavras que eu aprendi com papai.

As roupas foram postas na minha frente, eu toquei o tecido de uma, era uma calça capri laranja, a tomei nas mãos e senti o cheiro dela.

—As roupas estão limpas, eu as coloco uma vez por quinzena no sol.

Zahara falava alheia ao meu drama pessoal. Eu fiquei imaginando Rennee naquelas roupas. Depois tomei a blusa de algodão branca em estilo bata, nesta peça eu senti o perfume de mamãe, era o mesmo. Sorri pensando que certos habitos não mudavam, aquele perfume mamãe ganhou de papai quando eles se casaram, pelo visto ela ainda usava a mesma fragrância.

—Madre? — Ergui meus olhos para a bela Zahara, ela me estendeu uma toalha e um pedaço quadrado de sabonete, eu o peguei e cheirei.

—Um que cheiro bom!

—Sim, nós fabricamos com ervas essênciais e algumas raízes de cheiro, elimina o odor do sebo.

Não pude evitar de franzir meu nariz, sebo? Eca!

—Vamos? Sua tina de banho esta pronta.

Banho? Que palavra maravilhosa de se ouvir, senti como se uma onda de entusiasmo tomasse conta de mim e pulei da cama sorrindo.

—Que noticia maravilhosa esta Zahara, obrigada! – sem pensar em nada corri para ela e dei um beijo no rosto.

—Por favor, é somente nossa obrigação! – depois Zahara ficou me olhando atentamente antes de voltar a falar – Agora eu sei o motivo dele ficar tão irritado.

Com certeza ela falava do tal Edward, eu desconfiava que aquele homem se irritava com a própria sombra dele, misericórdia! Voltei para a cama e tomei as peças de roupas em meus braços.

—Vamos, me leve para meu banho regenerador! – eu imitei a voz de uma personagem teatral, eu estava muito feliz! Zahara sorriu abertamente e me levou para fora do quarto, na verdade, fomos para fora da casa que era enorme. Saímos pela porta dos fundos e depois entramos em uma casinha menor e eu não consegui evitar de assobiar, era um quarto de banho. Zahara riu da minha expressão de surpresa.

—Não quero ofender madre, mas a senhora é tão jovem e tão cheia de vida que me pergunto como entrou para o convento?

Eu caminhei de boca aberta pelo quarto, havia alguns bancos, uma maca e no centro, um pouco acima do chão uma tina com água cheia de espuma. Eu comecei a tirar a batina com desespero enquanto respondia:

—Bem, meu pai queria me casar com Mike Newton quando eu completei dezessete anos... – eu tirei as botinas e chorei de dor, meus dedos do pé estavam grudados, coitadinhos. — ...acabei indo parar no convento, depois da briga que tive com papai, eu ameacei me matar primeiro, não fui muito convincente e passei uma semana cheia de machucados, depois de cada tentativa frustrada de suicídio... — tirei a calça e depois fiquei com o vestido branco somente.

—Minha nossa, este tal Mike Newton deveria ser horrível!

—Até que não, ele era bonitinho.

—Como o Sr. Cullen?

Neste momento eu gargalhei:_Zahara, ninguém se compara ao Sr. Cullen!

Acho que ela não entendeu que eu estava sendo irônica. Imagina, Mike Newton versus Edward Cullen?

—É como comparar anjo com demônio! — depois fechei minha boca, longe de mim querer falar mal do patrão dela.

—Mas, então o que aconteceu? Você largou seu noivo para atender o chamado?

Fiquei olhando para ela por um minuto, tentando entender sobre o tal do chamado, quando ela apontou para a parte de cima da batina.

—Vocação madre!

Vocação?! Só se for para encrenca! Mas fiquei de boca fechada, ela não precisava saber estes detalhes...

—Bom, numa noite, eu entrei na biblioteca do papai e disse iria fugir, no outro dia, acordei com as minhas coisas arrumadas e o motorista pronto para me levar para o convento.

—Oh, então não foi por vocação? – tive que gargalhar naquele momento. Quando eu tirei o vestido gemi de dor, uma parte do tecido ficou grudada nas minhas costas e quanto mais eu puxava, mais doía.

—Espere... – eu senti que Zahara estava tentando me ajudar, mas a impressão que eu tinha era que o tecido havia grudado nas minhas costas.

—Grudou, madre!

Bingo!

—Vou buscar uma tesoura.

—Como assim?

—O tecido grudou dentro do seu ferimento.

Olhei assustada para ela. Então eu me machuquei mesmo. Não aquele bicho fez isto comigo!

—Como está? – eu quase gritei.

—É um corte enorme, terá que levar pontos!

Comecei a tremer.

—Não sei como agüentou a dor, o ferimento parece profundo.

Zahara saiu de perto de mim e foi até uma cômoda e voltou com uma tesoura enorme. Acho que ela viu o susto no meu rosto.

—Madre, terei que cortar um pedaço do seu cabelo, pois o sangue secou a ponta de uma mecha junto com o vestido dentro do ferimento. Eu pensei que vocês usavam alguma peça intima antes do vestido.

Eu mordi a minha língua, como é que ia falar pra criatura que não tive tempo de colocar peça por peça?

Ouvi o barulho de algo cortando e senti que o repuxo no meu pescoço suavizou. Depois o vestido foi ao chão e eu fiquei somente de calcinha na frente dela. Coloquei um braço na frente dos meus seios. Nunca fiquei pelada na frente de ninguém, nem na boate da Sue, onde as meninas brincavam comigo pelo fato de eu ainda ser virgem, como se fosse algum defeito.

—Precisa de ajuda para se banhar?

—Não, obrigada! – eu entrei com calcinha dentro da tina e agradeci que a espuma me cobriu até o pescoço, a água estava morna, quase fria. Depois eu tirei a peça que faltava e joguei ela no chão, então eu me encostei no extremo da tina e fechei meus olhos, eu estava no paraíso!

—Vou levar tuas roupas para lavar e quando estiverem secas, vou remendá-las.

—Obrigada Zahara. – ela era um anjo!

Suspirei lentamente. O dia iria se fechar, e eu estava viva e inteira, apesar dos machucados. A tina era tão grande que eu consegui estender minha perna e batê-la na água, espalhando espuma para todos os lados, que delicia!

Comecei a me esfregar com o sabonete cheiroso, menos nas costas. Primeiro que eu não alcançava toda ela e as partes que meus dedos tocavam estavam de fato doloridas. Lembrei de Zahara falando sobre eu ter agüentado a dor. Acho que aquele lugar era tão quente que amortecia a dor do corpo ferido. Senti parte do meu cabelo molhado e fiz um coque meio frouxo nele, depois iria pedir ajuda da Zahara para lavá-los. Então tornei a fechar meus olhos e relaxei.

Acho que dormir, mas me lembro de tudo, da minha fuga desesperada da boate naquela noite. Eu sai por uma porta lateral que dava em uma viela, mas quando cheguei a rua tive que voltar, tinha um carro preto com um motorista estranho que saiu com uma arma na mão no momento em que apareceu a policia. Eu pulei o muro do vizinho caindo no pátio de uma fabrica desativada e corri feito doida com a valise de dinheiro.

Dinheiro...

Arregalei meus olhos, Zahara levara minhas roupas para lavar, ela iria achar os maços de notas. Pulei da tina com espuma por todo o meu corpo, corri para fora do quarto de banho me enrolando na toalha que mal me cobria. Eu senti os pedregulhos furando as solas dos pés, mas nem me importei, eu precisava achar Zahara, a pergunta era onde?

Dei a volta pela casa e fui parar em uma espécie de curral, voltei e entrei na casa pela cozinha, nada! Sai de lá e me vi em uma espécie de corredor, eu girei em torno de mim mesma, eu estava em um labirinto. Mas de repente eu dei um pulo de susto, a voz escandalosa de Edward Cullen fez todos os meus pêlos do corpo se levantarem. Olhei para trás e não vi nada, então resolvi me guiar por ela, que falava com uma espécie de radio:

—Cambio – Cullen – Meus homens disseram que você resgatou seu bezerro campeão – cambio.

—Cambio – confirmada informação – mas o bicho ta morto – cambio.

—Cambio – morto? – cambio.

—Cambio – com um tiro na cabeça – cambio.

—Cambio – não faz sentido – eles roubarem o bezerro para matar – cambio.

—Cambio – foi Jacob quem matou meu campeão – cambio.

—Cambio – porque Diabos? – cambio.

—Cambio – para salvar uma freira maluca – cambio.

—Cambio – freira? – cambio.

—Cambio – sim – cambio.

—Cambio – Cullen, capturamos um dos ladrões – já estava para morrer – cambio.

—Cambio – ele falou alguma coisa que prestasse? – cambio.

—Cambio – falou sobre ver a virgem Maria – achei que o homem estava alucinando para morrer – depois o infeliz disse que não queria ter roubado a madre – cambio.

—Cambio – estranho, como era este homem – cambio.

—Cambio – alto e ruivo, mas faltava um dedo na mão – cambio.

—Cambio – o ruivo, ele morreu? – cambio.

Ruivo? Um clarão apareceu diante dos meus olhos enquanto eu caminhava sendo direcionada pela conversa dele com o radio. Eu me vi sendo cercada por vários carros e uns homens atiraram no motorista do caminhão em que eu havia pego carona. Depois a porta se abriu e eu fui tirada com brutalidade de dentro do veiculo. Eu entrei na sala e vi Edward com um copo na mão e antes dele encostar a boca nele, ele falou um cambio final. Os cabelos bronze dele estavam desarrumados e ele passou a mão livre neles os desalinhando ainda mais. Então outra lembrança, do homem alto e encorpado, com sardas no rosto e de cabelos tão vermelhos quanto sangue. Ele tinha um olhar de culpa e me disse antes de me entregar o cantil com a água e minha frasqueira:_”Desculpe, madre!”

—Foi ele! – eu gritei e na mesma hora Edward se virou para mim com os olhos arregalados e com a boca aberta, a bebida do copo escorreu pelo queixo dele e ensopou a camisa azul na altura do peito.

—Pelo amor... – eu ouvi o sussurro dele e somente quando senti os olhos verdes me percorrendo de cima abaixo foi que lembrei que estava enrolada em uma toalha que mal cobria as minhas coxas.

E para comprovar a situação, eu olhei para mim mesma a começar pelos seios redondos e fartos que pareciam dois melões rosados para depois seguir com os olhos até os meus pés nus. Mas, assim que abaixei minha cabeça, meus cabelos se soltaram do coque e caíram sobre meu rosto que estava quente. Engolindo minha saliva seca, eu ergui meus olhos que pararam bem na altura da cintura do homem, que tinha um negócio crescendo igual quando se enche uma bexiga.

O que eu fiz?

Bom, primeiro eu gritei, para depois girar. Já falei alguma vez de como sou sortuda?! Pois então, eu bati em algo duro e despenquei no chão sentindo tudo girar e uma dor terrível dentro do meu nariz. Fechei meus olhos e estava sentindo que iria apagar, mas dedos fortes bateram no meu rosto e mesmo sentindo o gosto de sangue na minha boca, o hálito dele foi mais forte. Como alguém que está para desmaiar consegue sentir do hálito de outro o gosto de menta e mel?

—Puta que o pariu! O que eu vou fazer com você?

Foi a ultima coisa que eu ouvi.

continua....

Notas finais
ai está, um pouquinho mais das confusões da madre Bella e digo, pobre cowboy desbocado, ele vai estourar ainda....kakakakakakaka!ok - posto quando, deixa ver....depois das férias de julho tá bom?Bjus!