Kalahari

31 Capitulo 30 - parte 1


Kalahari

Capitulo 30

Fim – parte 1

Fills de pute, merde!

Era gritado pelo esquisito. Eu olhava para ele e não acreditava como podia ser tão alto, magro e amarelo. Parecia que tinha morrido e ninguém tinha avisado. Eu fiquei olhando muito assustada para aquela criatura do além, quando ele se volta para mim e aponta o maior dedo seco que eu já tinha visto na vida.

—Aiêêêê!!! — a unha era preta feito carvão. Eu pulei para trás assim que duas mãos, bem firmes agarraram o pescoço daquele homem e passaram a esganá-lo.

—Morre capeta! – era Edward tentando matar, o que na minha opinião, já estava morto havia muito tempo. Dois policiais separaram Edward do zumbi com muito sacrifício. Edward foi jogado ao chão, mas antes acertou com gosto um pé inteiro, descalço e sem meia, na barriga do esquisito.

—Cão desalmado, fica longe dela!

Eu vi o magro doentio ir ao chão e lá ficar estatelado com a sua horrível aparência de homem morto. Ao lado Edward se debatia com três policiais que tentavam sem muito sucesso imobiliza-lo. Edward era todo pernas, braços e pura força física.

—Não fica com medo, Santinha! – ele berrava do chão. Lembrei horrorizada como ele havia conseguido ficar descalço de apenas um pé, foi um pouco antes de sermos presos, todos nós! Edward de dentro da fonte, após conseguir derrubar o mimico, tirou o sapato do pé e de onde estava o lançou, assim mesmo, como fazem os jogadores de baisebol, eu acompanhei a trajetória daquele sapato grande que veio vindo para o meu lado e por um instante achei que ele iria me acertar. Tive tempo somente de abaixar a minha cabeça e gritar. Mas, meu berro não foi solitário, pois alguém atrás de mim berrou de dor, era ele, o sinistro, estirado no chão e do lado dele o sapato de Edward.

O homem olhou para mim e passou a me xingar, enquanto colocava um mão esquelética em um nariz que eu fiquei com duvida se já era torto ou se foi trauma da sapatada voadora de Edward.

— Va te faire foutre!– em seguida ele pega o sapato do Edward e avança para cima de mim, naquele momento eu tive a certeza de que morreria linchada com aquele sapato maldito.

—Uééé!!! – fui ao chão e senti que alguém passava por cima de mim com tudo, era Edward enfurecido. Ele enfiou algo pela goela do esquisito, era a meia. Voltei a realidade assim que alguém passou a me empurrar. Era um policial baixinho com cara de poucos amigos. Ele me passou um olhar nada, nada amistoso. Quase um aviso telepático para eu não me fazer de besta perto dele. Um pouco mais a frente estava Rosalie sendo carregada por três policiais. Estava uma enorme confusão, muito barulho e gente gritando e, ainda mais alto eram os gritos de Rosalie.

A frente da porta da delegacia estava apinhada de gente irada, muitos dedos sendo apontados para nós! Eu não sei, mas apareceram pessoas com carrinhos de pipoca quebrados, gente rasgada, olhos roxos e todos nos xingando. Eu estava aturdida, quem iria nos ajudar? Rennee deveria estar com Phil no alto da torre. Olhei para todos os lados, os policiais estavam com dificuldades em fazer um cerco contra todo aquele povo nervoso. Quando eu vi, por uma brecha deixada pela passagem de Emmett sendo conduzido por uns cinco policiais, lá do outro lado da rua, uma mulher muito elegante, vestida com muito esmero e com um belíssimo chapéu de abas largas. Mas o que na verdade chamou a minha atenção era o tamanho da mulher, era minúscula. Nossos olhos se encontraram e, eu a reconheci, era Alice.

—Alice! – berrei o mais alto que pude.

Emmett parou e todos os policiais pararam com ele.

—Alice?!

—Sim, olha ela lá, do outro lado! – apontei meu dedo na direção de Alice e todos ao meu redor olharam para ela também.

—Ueiii! – Alice guinchou para em seguida abaixar a aba larga do chapéu até encobrir todo o rosto e sair bem rápido das nossas vistas.

—Não vá, Alice! – o desespero tomou conta de mim.

—Porra, quando a gente mais precisa dos amigos eles somem! – Emmett bufou e seguiu adiante por conta própria, arrastando com ele os policiais que ainda o seguravam. Eu vi Alice se afastando apressadamente. Não poderia culpá-la! Alice era muito inteligente para se meter em toda aquela confusão.

Quando dei por mim, estávamos os quatro, cercados de policiais franceses muito zangados, na sala principal da delegacia. Lá, atrás de um balcão alto, um horrorizado policial idoso nos olhava.

— Incroyable! – foi a primeira coisa que o homem disse. Parecia que ele era a autoridade de maior patente daquele lugar. O homem olhou apavorado para cada um de nós e colocou uma das mãos no rosto antes de voltar a falar.

—Quem são vocês? – o tom da voz saiu tremido, parecia que ele estava falando com assombrações. Ainda assim, eu fiquei muito feliz que aquele homem falasse a nossa língua, tomei isto como um bom sinal.

—Me larga! – Edward agitou-se todo. O chefe dos policiais franceses fez um gesto com a mão, indicando que eles poderiam soltá-lo. Assim que se viu livre, Edward deu dois passos a frente.

—Então, eu sou Edward Cullen! – ele falou assim, colocando uma das mãos no peito. Depois apontou para Emmett e Rosalie que tinham ainda, várias mãos sobre eles, os segurando.

—Faça a gentileza, de pedir que soltem meus familiares aqui! – O chefe acenou com o queixo e os policiais soltaram Emmett e Rosalie.

—Pois então, Seigneur Cullen! Agora que seus familiares estão soltos, poderia elucidar-me o motivo de trazer o caos para a minha cidade?

O chefe dos policiais tinha um crachá no peito onde eu consegui ler lieutenant Fournier. Ele falava não muito alto e de um modo quase que soletrando conosco. Edward coçou o queixo antes de voltar falar.

—A gente não queria arrumar confusão!

—Não?! – foi dito com muita surpresa pelo chefe dos policiais.

—Arre, claro que não! — O chefe colocou duas mãos para o alto antes de inquirir bestificado.

—Então, por que trouxeram o caos, a devastação para esta comarca?

—Não foi a nossa intenção!

—Qual era a intenção de vocês? Matar cada parisiense aos socos, chutes e dentadas?!

Eu passei um olhar rápido ao nosso lado, a impressão que tinha era que a qualquer instante seriamos fuzilados.

—Oh, diacho! Viemos até aqui pelo amor!

O chefe balançou a cabeça, que era muito pequena a meu ver e tinha cabelos ralos e brancos para o alto. Eu até sorri, parecia que o homem estava entendendo alguma coisa de bom ao nosso respeito.

—Sim, sim! Os demônios também amam! – ele falou mais para si mesmo, como a confirmar algo.

—Olha, o senhor esta entendendo tudo errado! Deixa eu explicar! – Edward estufou o peito, ergueu as calças e, antes de falar, ele me olhou e foi somente neste momento que eu o vi de verdade.

—Oh, meu pai! – coloquei duas mãos na boca para abafar meu grito de susto.

—Esta aqui, é a Santinha! — olhei para o chefe dos policiais e vi o espanto no rosto do homem.

—Que Dieu m'aide!

—Meu nome é Isabella Marie Swan! – eu precisava falar alguma coisa, pois havia virado alvo de atenção máxima de todos naquela sala.

—Pode deixar que eu resolvo tudo, minha linda! – Edward virou-se para mim e sorriu. Eu abafei com as mãos ao meu berro. Edward estava medonho!

—Então, viemos até a sua cidade, para nos casar!

—Non, vocês vieram trazer a destruição para a população! – o homem bateu com força o punho no balcão – A perturbação que vocês causaram não é oriunda do amor e, tão pouca esta mulher representa a santidade! Agora, antes que as forças especiais anti-terrorismo cheguem, sanem a minha duvida, de onde vocês vieram e, por que escolheram Paris para aterrorizar?

Edward olhou para trás, para cada um de nós e falou com calma e muita educação. Estávamos metidos em uma encrenca muito séria!

—Viemos de Kalahari!

—É o nome do inferno de onde vieram?

—É bem quente por lá! E nos últimos tempos, ficou bem agitado também!

—Não me diga?!

—Olha, eu estou tentando muito lidar com tudo isto na diplomacia!

—Sim, agora o senhor irá dizer-me que é um diplomata vindo diretamente do inferno, chamado Kalahari?

—Bem, diplomata não! Mas, a verdade é que eu vim acertar tudo o que eu fiz de errado aqui com a Santinha!

O chefe voltou a olhar-me abismado, antes de voltar a falar.

—E resolveu se acertar em Paris?

—Foi sim senhor!

—Por que vocês odeiam Paris?

—Falando sério eu não gosto muito daqui!

—Nós percebemos, senhor Cullen, percebemos!

—Mas é que a Santinha já estava pra cá, então, viemos todos!

—Miséricorde! Por que você não ficou santificada lá no inferno? Por que veio para cá e trouxe a sua legião de demônios para nos atormentar?!

A palavra era minha naquele momento. Eu arrumei o que sobrou das minhas roupas, farrapos, e disse com o máximo de firmeza na voz.

—Eu sempre sonhei em vir para Paris!

—Sacre Bleu!

—Mas antes, eu fui parar em Kalahari!

—Por que não ficou por lá? – havia indignação na voz do chefe dos policiais.

—Por causa dele! – apontei um dedo para o lado de Edward

—Quem, o diplomata dos demônios?! – o homem olhou para Edward

—Foi sim! – Edward confirmou

—Folle! — o chefe bufou para Edward.

—Bem, mas eu vim arrumar tudo!

—Arrumar?!

—É, vim dizer para a Santinha que ela é a única mulher que este meu coração de lobo sarnento já amou nesta vida! Eu até fui para a velha Londres, na casa dos meus pais e lá eu peguei isto aqui para você, Santinha.

Edward virou-se para mim com um anel na mão.

—Era da minha avó! Eu vim até aqui pedir para você perdoar este peão, que foi uma besta por deixa-la partir! – meus olhos já estavam marejados.

—Me apaixonei de tal modo por você, minha Santa, que até esqueci que você é delicada. Não conhece nada da vida besta e sem rumo que eu tinha antes de ficar louco de amor por ti!

Meus joelhos tremiam!

—Jacob e Alice deram um jeito de enfiar na minha cabeça dura que você é meu rumo, minha vida e meu futuro.

Seja firme, Isabella!

—Perdi dois dentes e fiquei com este olho roxo aqui! Sem contar este novo corte de cabelo, feito a tiro de espingarda para tomar tenência na vida, pois minha vida é você! — agora estava explicado aquela aparência medonha de Edward.

—Eu mataria novamente aqueles italianos, passaria pelo fio da navalha e deixaria Alice e Jacob me estropiarem, mil vezes! Mas eu não posso ficar sem você! Vem, Santinha, vem ser o sol da minha vida. Vem aquecer meu coração e acalmar meu corpo! Me aceita na tua vida e eu prometo que vou me esforçar a cada dia que Deus me abençoar para te fazer feliz!

Eu não tinha palavras. Edward se ajoelhou diante de mim e pegou a minha mão.

—Eu quero tanto que este anel faça parte da nossa história de amor! Mas vou entender se você não me aceitar. Ainda sim, se tiver ainda um pouco de amor por mim, me perdoa e me deixa provar o quanto te amo!

Era muita coisa para o meu pobre corpo. Comecei a tremer todinha e antes que pudesse dizer tudo o que senti durante todos os meus dias em Paris, Rosalie manifestou-se.

—Oh, meu pai do Céu! Que até a minha periquita formigou agora! Vai Bezerrão me pede, me pede em casamento agora que eu não vou ficar pra trás!

Emmett se ajoelhou e pegou a mão de Rosalie. Esta tinha o rosto banhado de lagrimas e com um sorriso brilhante.

—Non!

—Oh, diacho! Eu posso saber por que não?! – Rosalie colocou as mãos na cintura e passou a bater um dos pés. Aquilo não agradou nada, nada ao chefe dos policiais, que pela primeira vez ergue-se de onde estivera sentado, contorna o balcão e para bem a nossa frente. Quase gargalhei, o fato era que eu já estava há muito abestada com tanta coisa pelo o que passei e, ver aquele homem baixinho com ar de comandante supremo estava me levando a falência completa dos sentidos.

Eu tinha um sério problema com autoridades!

Ele colocou as duas mãos nas costas e encarou cada um de nós. Edward levantou-se e ficou ao meu lado. Acho que o chefe dos policiais era tão pequeno quanto Alice e ficou finalmente parado bem a nossa frente, minha e de Edward.

—Parece que sua noiva, Seigneur Cullen, está achando algo de divertido! Talvez ela queira nos participar também? – ele olhou bem direto nos olhos.

Minha graça acabou!

—Ne pas?!

Ninguém falou nada!

Depois o homem volta-se para Emmett e Rosalie.

—Entendi que Signeur Cullen, veio pedir em casamente a sua satânica Santinha, mas e vocês, acólitos?

—Viemos casar também!

—Aqui?

—E onde mais seria?!

—No inferno de onde vieram, chamado Kalahari!

—Olha aqui seu policial! Edward estava lá em casa...!

—Casa?! Onde?

—Oh, Sôh! Em Kalahari!

—Mom Dieu! Por que não se casaram por lá?!

—Pois, Edward precisava vir até aqui, pedir perdão para a Santinha de toda a burrada que ele já fez na vida! – Rosalie falava com toda a expressividade que ela tinha.

—Esta parte eu entendi! O que eu não entendi, é porque vocês dois vieram também?

—Arre, se a Santinha pode casar em Paris, eu também quero!

O chefe dos policiais olhou para o alto e respirou fundo pelo menos três vezes. Depois ele voltou sua atenção para nós.

—Signeur Cullen?

—Hum?!

—Ouvi bem, mas o senhor matou italianos?

Edward coçou o queixo antes de responder.

—Matar, não seria bem a palavra!

—Explique-se melhor!

—A história é um pouco comprida!

—Ui! Temos toda a madrugada, o senhor acha que consegue?

—Bem, começou com a Santinha, aqui!

—Você sempre é o foco de tudo, “Santinha”?! – havia um tom de incredulidade naquela pergunta e, eu não sabia bem como responder.

Como assim, foco?!

—Oi?!

—Exatamente isto, o que eu estou dizendo! – Edward apontou as duas mãos grandes para mim.

—Não disse nada, Signeur Cullen!

—Ainda, não!

—Tenha piedade de meus nervos, fale de uma vez!

—A Santinha apareceu lá em Kalahari há alguns meses!

—Mon Dieu! Não foi ela quem criou este inferno?

—Inferno, Kalahari?! Não, Kalahari fica na África!

O homem virou para o lado.

—Alguém está anotando isto? Ele está dando o endereço do inferno.

Edward bufou irritado. Mas como estávamos encrencados, ele moderou a língua.

—Por favor, continue Signeur Cullen!

—Então, a Santinha – o homem deitou os olhos miudos em mim novamente – apareceu lá no deserto, toda desorientada, vestida de urubu!

—De madre, Edward!

—É!

—Madre?! Qual a ordem religiosa?

Complicou!

—Bem, não tem uma!

—Non?!

—Não, eu não sou religiosa, o senhor entende?

Ele olhou-me com muita atenção, antes de voltar-se para o lado novamente.

—Anotem, ela se recusa a dar mais informações do covil satânico de onde veio!

—Não! Eu não sou freira e nem madre!

Ficamos os quatro acompanhando o chefe dos policiais que passou a andar em uma linha reta imaginária, para lá e para cá e, de vez em quando ele nos olhava.

—Então, la mariée não é freira e nem madre?

—Eu?! Não, senhor!

—Entretanto, Signeur Cullen insiste em chamá-la de “Santinha”?

—É amor! – Edward estufou o peito nesse momento.

—Anotem, ela enfeitiçou o pobre homem.

—Ah, mas isto eu não vou negar, não senhor! Estou cego de amor, pela Santinha!

Edward estava complicando a minha vida.

—Signeur Cullen, fale-me sobre os italianos mortos! Por que os matou, foi a mando da sua “Santinha”?

—Arre, não matei ninguém! Mas vontade não faltou!

O homem parou de frente para Edward.

—Então?

—Continuando, a minha Isabella..!

—Quem é esta agora?!

—Oh, diacho!

—Quem é Isabella?

—É a Santinha!

—Anotem, ela tem várias identidades!

—Não, meu nome é Isabella Marie Swan!

—Isto é o que nos diz! Eu irei investigar a fundo!

Já estava me dando vontade de mijar com toda aquela conversa.

—Olha, ela andou perdida pelo deserto e quase morreu pisoteada pelo meu bezerro de ouro, mas o Jacob atirou no coitado primeiro e depois matou uma leoa que perseguia os dois.

—Anotem, sacrifício de animais!

—Arre égua! Que diacho de conversa doida é esta?

—Signour Cullen, estou coletando evidências!

—Do quê?

—De que todos vocês sofreram influência maligna desta tal “Santinha”!

—Não é nada disso, pelo amor!

—Não?!

—Claro que não!

—Vejamos! – ele pegou a prancheta onde um policia anotava tudo.

—Aqui está escrito que vieram de um lugar infernal chamado Kalahari, que houve sacrifício de um animal, o senhor nega?

—Não, Jacob matou o meu bezerro de ouro para salvar a Santinha!

—Vocês três vieram até Paris para encontrar esta “Santinha”, mas ninguém me diz, que tipo de milagre ela fez, além de enfeitiça-los!

Eu sentia frio e calor ao mesmo tempo.

—E ninguém me diz quem matou os italianos e a mando de quem?

—Os italianos estavam perseguindo a Santinha! Vieram lá dos Estados Unidos atrás dela.

—Estados Unidos?

—Sim!

—Por que eles a perseguiam?

—Por causa do roubo do dinheiro dos mafiosos!

—Anotem, intriga internacional! – depois ele se vira para os policiais que acompanhavam tudo – Senhores, estamos prestes a desvendar de que seita de terroristas vieram estas pessoas e, anotem, a suposta “Santinha” é a chefona deste crime organizado, cheio de detalhes sombrios que envolve feitiçaria e sacrifício de animais.

Um sorriso presunçoso aflorou no rosto dele.

—Senhores, posso garantir que me aposentarei com honras e méritos! Seremos todos condecorados pelo prefeito da cidade!

Continua...

Notas finais
Vamos participar, deixem seus comentários. Façam parte dos últimos momentos de Kalahari.