Kalahari

29 Capitulo 28


Notas iniciais
Vamos ao POV de Edward!

Kalahari

Capitulo 28

POV Edward

Depois de todo aquele bate boca eu peguei um copo e uma garrafa de uísque e fui para o lado dos estábulos. Não sei precisar ao certo, mas fiquei dando um tempo, até a minha cabeça esfriar. Já tinha perdido a conta de quantos tragos já havia bebido quando resolvi que ir direto a fonte seria muito melhor! Joguei longe o copo e peguei a garrafa de uísque e rumei direto para o meu quarto. Quando coloquei a mão na maçaneta lembrei que aquele era o único lugar da casa em que ela não estivera. Entrei de uma única vez e quando acendi a luz olhei para a cama. Eu tinha planos para nós dois ali, naquela noite!

—Merda!

Abri a garrafa e bebi um longo gole. Era isso! Iria me encharcar de bebida, seria mais fácil para dormir sozinho. Fui até a cama e desabei. Que droga eu havia feito da minha vida? Quando achei mesmo que estava no caminho certo, que era ela a minha pessoa, levei um coice na cara e um chute no saco.

—Toma peão!

Rennee não tinha nada que se meter na minha vida, também! Caralho, se tudo tivesse dado certo agora eu estaria com ela, bem aqui, embaixo de mim sussurrando com aquela boca suculenta meu nome bem gostosinho. Até quando eu iria ter que enfrentar tudo e todos com chutes e balas? Até parecia que eu não tinha o direito de ser feliz! Olhei para fundo verde da garrafa, o liquido marrom dançou leve lá dentro e minha mente me levou para o mundo dos sonhos, da fantasia que era o meio das coxas quentes de Isabella. Eu já me sentia embalado com a doçura daquele olhar, daquele jeitinho que ela me olhava e me tirava do eixo.

—Oh, Santinha!

Porra, era só ela dizer sim!

Eu enfrentava tudo, mandava a Rennee pro inferno e dava um chute no rabo de quem viesse me falar que eu não podia! Olhei para o travesseiro ao meu lado e vi a marca de uma cabeça, dai lembrei que Tania estivera naquele quarto, naquela cama e joguei aquele troço para bem longe de mim. Tomei outro gole. Era difícil acreditar que ela não me queria! Eu que nunca pensei em formar família, com mulher, bacuris, cachorros e sogras! Até encontrar Isabella eu tinha certeza que meu fim seria na ponta da faca ou através do cano de alguma pistola, estava lá de quatro uivando por uma menina sem noção de vida, sem rumo ou tenência.

—Oh, Isabella, agora a gente podia esta encaixadinhos, mexendo bem gostoso fazendo nossos bacuris! — mas ela não queria ser mãe dos meus filhos. Ela me rejeitou! E a satânica da Rennee deu um jeito de encher a cabeça dela com aquele monte de bosta, velha careta! Qual o problema da gente viver juntos e felizes, nos amando embaixo do nariz dos invejosos? Ela não fazia isto com o Phil?! Rennee não tinha direito de ditar como seria a vida da filha, porra! Tomei outro gole e decidi que iria olhar bem naqueles olhos azuis e dizer tudo que eu pensava! Não é por acaso que o povo fala mal das sogras!

—Velha enrugada!

Levantei da cama com a minha companheira na mão, decidido a dar uma pressão em Rennee, e que fosse pro inferno tudo o mais, quando bateram na porta.

—Quem é?

—Sou eu, Cabrón!

—Jacob, vaza!

Aquele espanhol burro abriu a porta e entrou, ficando parado bem na minha frente feito a uma visão vinda dos infernos! Procurei minha arma, eu ia descarregar todas as balas naquela cara comprida dele!

—Hombre, você é uma desgraça!

Eu e Jacob nos conhecíamos há muito tempo. Eu encontrei aquela criatura absurda quando entrei para o exercito da legião estrangeira. Jacob era o tipo de cara que todos seguiam, os superiores ouviam e as mulheres sonhavam. Ele salvou meu couro curtido mais de uma vez nas andanças que fizemos. Lembro de uma vez que me envolvi com umas bailarinas de dança do ventre, logo após a guarnição do regimento estacionar em uma cidade com gente estranha, mulheres com panos até nos cabelos e beduínos mal encarados. Em um dos inferninhos me deixei levar pelo gingado de uma e cai de boca nos peitos dela. Foi o inferno na terra aquele dia, saiu espada encurvada de tudo que foi lado. Tem que ficar malicioso com o povo do deserto, embaixo de todos aqueles panos eles carregam adagas, espadas curvas, até víboras! Naquele dia meu pescoço somente não foi degolado porque Jacob pulou bem no meio e deu tiro para tudo o que foi lado. Depois nós dois saímos por uma janela e corremos para onde o regimento estava acampado.

—Jacob, hoje irei me tornar um proscrito e quebra meu juramento se você não sair da minha frente!

—O que mais, Edward?

—O que mais?! – eu peitei o cara, mas acho que a bebida já fazia efeito pois fui empurrado para trás e cai no chão. O maldito do cão sarnento me pegou pelas lapelas e começou a me esganar. A garrafa caiu da minha mão, mas foi melhor, pois eu o segurei pelas laterais daquela cabeçona e dei com tudo bem abaixo da virilha. O cara urrou de dor e me olhou com sangue nos olhos. Naquele momento percebi que não foi bem, uma boa ideia encher o cu de pinga e arranja treta com aquele jagunço. Talvez eu perdesse alguns dentes naquele processo. Me preparei para o entrave e só percebi que nós dois já estávamos rolando pelo chão do lado de fora da casa, quando ouvi os tiros.

Era Alice!

A pequena tinha uma espingarda maior do que ela e um brilho de perigo bem no meio daquela cara de fuinha.

—Sai, Jacob!

Empurrei aquela montanha de cima de mim e lhe acertei em cheio no meio do olho, recebendo um murro duro feito ferro na cara. Nós dois tombamos no chão, cada um para um lado. Eu sabia que aquela merda ia doer por uns cinco dias. Mesmo passando os unguentos da Zahara. Mas naquele momento meu sangue estava fervendo e eu levantei pronto para meter o pé na cara do Jacob, quando um tiro passou tão perto da minha cabeça que até levou um tufo de cabelo.

—Tá louca, Alice?! Assim você me mata, porra!

O barulho da espingarda sendo engatilhada me deixou em alerta, esqueci por um instante do cão caolho do Jacob no chão e me concentrei naquela pigmeu albina.

—Com apenas um, um tiro eu aleijo os joelhos dos dois! Quem vai querer me testar?

Sei lá para onde ela estava mirando, mas como prevenção, coloquei minhas mãos sobre meu saco, Alice nunca foi boa de mira. Olhei para trás e lá estava ele, feito sombra maligna me espreitando. Jacob também se cobria. Ouvimos os passinhos de Alice, que ao meu parecer mais parecia elefante descendo as escadinhas da varanda. Ela continuava com o trabuco apontado para nós, sem vacilar.

—Vira este troço pra lá, Alice! Se você tropicar pode acontecer um acidente, olha lá!

—Então, você e teu amigo teriam que se valer para o resto da vida do auxilio de uma bengala!

O que voz irritante!

—Mas, como eu nunca fui muito bem de mira...! – ai ela ficou girando o cano do trabuco, para cima, para baixo e aquilo me deu um frio na espinha.

—Pelo, amor! Alice, assim você vai pro meu enterro amanhã!

Foi então que aquela megera me falou, assim mesmo, como alguém que fala, olha não tem mais café, a pior noticia que eu poderia ouvir. Curou minha bebedeira!

—Primeiro, vou no enterro de Isabella! O teu corpo deixo para os urubus darem cabo.

—Eita, porra! Que sandice é esta?!

—Dos urubus te comerem?! Espero que comecem pelos olhos!

—De mim não, caralho! O que aconteceu com a Santinha?

Alice desengatilhou a arma e ficou me mirando de cima a baixo, com aquela merda daquele suspense. Eu estava já nos nervos, sabe? Assim mesmo, sem muita paciência. Dei alguns passos e tomei a espingarda nas minhas mãos.

—Fala, Alice, meu saco já estourou!

—Você é uma besta, Edward, um bisonte descerebrado! Pronto, já falei!

—Não, não pedi poema não, Alice! Cadê a Santinha?

Alice estava dando nos meus nervos. Olhei para cima e vi os olhos arregalados de Zahara.

—A está hora, ela deve estar sendo torturada pelos italianos!

—Que merda é esta?

—Esqueceu que você a deixou sair debaixo deste teto? Para onde ela iria?! Quem vai cuidar dela?

Olhei para dentro da casa angustiado. Na minha birra eu não me dei conta que aquela doida fosse embora mesmo! Achei que ela iria se desmanchar de chorar a noite toda trancada no quarto!

—A Santinha foi embora?! Quem deixou? – não esperei por resposta, dei a espingarda para Jacob, era melhor mesmo eu entrar naquela casa sem qualquer arma nas mãos! Andei apressado até chegar em frente ao quarto de Isabella e com um pontapé, abri-lo.

—Que merda de mãe é você?

Rennee nem me deu confiança. Andava toda apressada, arrumando roupas em malas.

—Como você permitiu que ela saísse daqui? Olha lá para fora, já é noite alta!

—Tenha a paciência, Edward!

—Não, meu saco já estourou! Estou sem paciência e sem amor!

Rennee finalmente parou o que estava fazendo e me olhou bem fundo nos olhos.

—O que, realmente, você esperava? Que Isabella chorasse toda a noite e depois desmaiasse em seus braços?

—A gente ia se acertar! Era só você não ter metido este teu bico e estaríamos nos conformes!

—Que conformes? Amasiados, bígamos?

—Mas, felizes, diacho!

—Até você achar outra para se divertir, não é?

—Arre, eu não!

—Edward Cullen, você sabe muito bem, o que é está tua vida bagunçada! Não fui um bom exemplo de mãe, é verdade. Mas a vida me ensinou muita coisa e, até eu ter a certeza de que você merece a minha filha, vou deixa-la bem longe dos teus beiços!

—Vai é deixar a menina cair nas mãos daqueles italianos!

—Ela está com o xerife agora.

—Ben. Cheney é bom no gatilho, mas é um só! Onde todos vocês estavam com a cabeça?!

Eu havia cometido muitos erros na minha vida, era verdade! Mas eu não mandei Isabella para a morte.

—Jacob! – meu berro foi tão forte que um copo em cima de uma mesinha tremeu antes de se espatifar no chão. Assim que me virei eu vi o estrago que fizera na cara do espanhol.

—Como você permitiu que ela saísse daqui desacompanhada, sem escolta?

—Mandei dois peões da fazenda com eles, até os limites da cidade!

Aquilo e nada era a mesma coisa na minha opinião!

—Isto não é nada, Jacob! Eles vão matá-la, entende isto, desgraçado?! E a culpa é tua!

—No! A culpa é tua, Hombre! Você magoou a madrezita, Edward! Deixou-a ir-se desta casa e, ainda elogiou aquela rata da tua esposa, desfazendo da pobrezinha!

Eu ouvi o barulho de cavalos lá fora. Não respondi a verdade dos fatos que Jacob dizia. Era difícil conceber, mas as vezes eu esquecia que Isabella era de outra cultura e que ela não tinha a obrigação de entender como o povo de Kalahari se entendia. Empurrei Jacob e fui decidido ao encontro do que me esperava lá fora.

Para a minha surpresa, encontravam-se montados e bem equipados Jasper e Phil. Eles tinham rifles e espingardas na lateral presas aos cavalos.

—O está acontecendo?

—Noticias dos peões que acompanharam o xerife e a madre e, não é só!

Rumei para dentro da casa depois de haver sido posto a par e na cozinha o que eu encontro? O maldito do francês todo embicado para cima de Zahara.

Agora eu matava um!

—Mom ami!

—O cacete! – dei-lhe outro soco na cara.

—Vim ajudar, Mom ami, Eduardo! Para e escuta!

—É, para de socar o cara e ouve ai, meu irmão!

Era Emmett, armado e a postos. Soltei Besson que escorregou para o chão feito um saco de merda.

—Emmett?

—Viemos com mais alguns peões lá da fazenda de Jasper e Alice! Nagome rastreou aqueles ladrões para estas bandas. E não para por ai, cruzamos com os seus homens, eles estão agora no encalço de uns estrangeiros.

Continua...

Notas finais
Eita, será em vermelho o final de Kalahari?