Kalahari
27 Capitulo 26
Notas iniciais
Kalahari,
Capitulo 26
Edward posicionou-se em defesa. Ele ergueu as calças e estufou o peito largo, para depois soltar tudo de uma única vez.
—Rennee, amo a Santinha e você já tá com as rugas da cara cheia dessa história, eu sei! Fico ainda cheio de paz em saber desse teu cuidado todo ai! A Santinha já sofreu muito nessa vida e é nossa obrigação, minha e tua, dar amor e acolhimento para ela.
Rennee olhava para Edward com uma expressão de quem já tinha visto de tudo e toda aquela conversa não a estava impressionando.
—Não vem com embromação para o meu lado, Edward! – ela deu um impulso no corpo quando falou.
—Eu, não! Arre que toda Kalahari sabe que quando Edward Cullen promete, ele cumpre!
—Toda Kalahari sabe muitas outras coisas a teu respeito e todas de arrepiar os cabelos! Olha aqui peão, você não chega perto da minha filha até arrumar esta tua vida bagunçada!
—Oi, que assim fica difícil!
—E por quê?!
—Agora a Santinha não é mais santinha! Se eu não tomar conta logo de uma vez vem outro beiçar ela! Já tô cabreiro com o Jacob e nem quero pensar naquele francês de merda do Besson! Todo mundo já tem logo que saber que a tua filha é minha mulher e assim já fica nos conformes!
—Conformes?! Você quer se amasiar com a minha menina e acha mesmo que eu vou permitir?! – Rennee colocou as mãos na cintura, mas acho que se ela tivesse uma arma teria dado um tiro em Edward. Eu mesma não gostei do que ouvir. Eu Isabella Marie Swan não seria amante ou amasiada de ninguém, nem mesmo dele, que era a perdição em forma de ser humano! Edward parecia não se importar com a nossa indignação e deu continuidade aquele plano desavergonhado. Tudo por que eu não poderia ser cortejada por outros homens.
—E por que não?! Você vai é ficar muito orgulhosa dessa nossa união! Te garanto que genro melhor você não acha em canto algum desse mundo velho! Depois, quando os bacuris vierem você fica menos azeda e vai ter com o que se preocupar. Já tô até vendo as carinhas de anjos, para as meninas, duas. Mas elas só vem depois de termos os meninos, dois também! Sabe né?! É muita terra pra tomar conta e eu vou logo ensinando eles a montar no Alastrão e domar na unha toda esta bagaceira, pois serão meus herdeiros e, filho meu tem que ter o saco roxo!
Edward falava sem freios e sem noção de qualquer entendimento. Nesse momento eu fiquei ao lado de mamãe e acompanhamos abestadas todo o plano futurístico de enlace familiar que Edward planejava para mim e para ele.
—Imagina só mulher, esta casa cheia de bacuris gritando e chutando estas tuas canelas secas! Isto sim é felicidade! – Edward alargou o maior sorriso que pode e abriu os braços, como se desejasse abraçar o mundo.
Eu explodi naquele momento.
—O que você acha que eu sou, Edward Cullen?
—A coisa mais linda que eu já deitei meus olhos nessa minha vida de cão largado!
—Não!
—Como não?! Que até vou ter filhos com você e escreve ai, vão ser lindos de doer nas vistas!
—Quatro?! Você acha que eu vou parir quatro filhos teu?!
— Oh Santinha, é melhor mesmo numero par! Mas se você quiser podem ser seis! Espaço e comida tem pra todo mundo, viu! Eu até já fiz os cálculos, um filhote a cada dois anos, assim eles terão a mesma infância! Pode até vir gêmeos! Já pensou? Eu e Alice somos gêmeos! Ai é até bom, pois economiza tempo!
—Edward, eu não sou maquina de parir filhos para você!
—Que ideia doida é está, Isabella?! Você vai ser a mãe dos meus filhos, arre égua! Vamos fazer bem gostosinho na calada da noite. Mexendo direitinho que vai dar tudo certo!
Ele remexeu o quadril antes de finalizar e esticou o bico, revirando os olhos. Eu não pude me conter e dei-lhe uma tapa que atingiu apenas o alto da barriga. Minha mão doeu muito!
—O que você acha que eu sou? Uma das tuas búfalas?! Quer saber do que mais? Vai você mexer gostosinho com elas e tenha teus bezerros de ouro com esta tua cara vermelha e desavergonhada!
—Parece que ficou desenfreada de novo!
Aquilo era demais!
Como assim?! Parir a cada dois anos os filhos daquele mamute, seis, seis filhos ele desejava! Eu fiquei pensando em meu estado, redonda como um balão naquele calor escaldante, carregando gêmeos na barriga e dois pendurados nas barras da minha saia. Depois minha mente maligna me transportou para outra cena, na cozinha com a pia apinhada de louça suja e uma criança pequena, com lindos cachinhos bronze no meu colo com a goela arreganhada no choro e o nariz todo remelento! Outro quebrando alguma coisa no canto da casa e eu com aquele barrigão e tão inchada que até meu nariz parecia uma berinjela e, Edward esticado no sofá bebendo uísque.
Nem todo amor do mundo me faria passar por aquilo!
—Não quero! – berrei a plenos pulmões minha indignação. Edward colocou uma das mãos no peito e olhou-me chocado.
—Arre! Está me dispensando, Santinha?!
Rennee que até aquele instante acompanhava tudo calada, manifestou sua impaciência com Edward.
—Céus! Como você é bronco, criatura! Isto lá é coisa que se diga para uma donzela?! Que vai enchê-la de filhos, tudo escadinha! Assim não dá! Qual mulher vai aceitar um negocio desse?
—É, sou mesmo assim, um tantinho xucro e sem modos!
—Um tantinho?! Edward, você se escuta falando?
—Mas o que eu não entendo é a cabeça de vocês! Ainda mais, estas ai que vem lá da terra de gente doida e mole!
Ele estava se referindo a minha pessoa?! Eu, doida e mole? Meu sangue estava fervendo, eu podia senti-lo queimar as minhas faces! Era sempre assim quando Edward Cullen resolvia relinchar! Lá estavam aqueles dentões expostos pro meu lado enquanto ele me inferiorizava, logo após manifestar o desejo bestial de me ver parir seus filhos, seis vezes seguidas! Eu olhei a minha volta e desejei ter algo bem pesado e grande para acertar em cheio aquela cara larga e vermelha que agora ria.
—Chuá! Até mesmo cheguei a pensar! Pensar, olha só minha gente! Que o capeta chute a minha bunda! Pensei mesmo que esta ai poderia carregar um filho meu!
Pronto!
Eu ia dar um pulo e enfiar meu pé todinho por aquela boca infernal! Depois, eu pisaria naquela cara desaforada até ver todos os dentes voarem pela sala, como milho de pipoca estourando na panela!
—Pois fique sabendo que a única criatura neste mundo capaz de carregar a um filho teu, seu jegue, é aquela lá que você chama de cheirosa! Que eu fiquei foi com os miolos moles por causa deste sol infernal, quando pensei que te amava! Até parece que seria mesmo possível amar um mamute ruivo!
Edward bufou feito um búfalo! Ele levantou as calças e abaixou até ficar com o nariz, bem pertinho do meu antes de mugir.
—Olha só quem fala?!
—O quê?!
—Uma siriemazinha com os cambitos mais finos que eu já vi nesta vida! Confessa logo de uma vez que te falta vigor ai neste teu corpinho macio! É! Não tem capacidade pra segurar meus filhos e vem com conversa fiada pro meu lado!
Depois ele deu as costas para mim, com os braços cruzados e o nariz virado para o alto.
—Que acinte! Eu sou muito saudável, até resisti e sobrevivi neste deserto e as tuas grosserias! Não ouse dizer que eu não posso carregar um filho teu, seu mamute!
—Duvido, viu! Lembro até hoje que fui te dar um arrocho lá na cama e você murchou nos meus braços. Não segura nem um apertão bem dado no meio das coxas, quanto mais um Cullen te chutando por dentro!
Misericórdia! Edward havia ultrapassado a todos os limites imagináveis possíveis. Agora eu não somente era incapaz de gerar os filhos dele, como também, não servia para ser chuchada por ele!
O quê?! Eu era estragada, era isto?!
—Então que faz muito bem em continuar casado com aquela lá uma! – apontei um de meus dedos para o lado do corredor, para onde Jacob levara Tania, feito a um saco de esterco. Edward pensou mesmo que seria pai de um filho com ela, ao final, ela servia para ser mãe de um filho dele!
Eles se mereciam!
—Aquela desdentada e pelancuda e, espero mesmo que tenham filhos pelancudos e desdentados, todos com esta tua cara ai, de abutre vermelho que levou um tiro bem dado no meio da fuça!
Eu estava destroçada! Não sabia mais o que dizer, tão pouco o que fazer! Meus sonhos foram todos reduzidos à titica de galinha pela boca infernal dele!
—Crianças, por favor! – eu estava tão ressentida que mal conseguia ouvir Rennnee falando – Quero agora que acabem com esta discussão tola!
—Mamãe, você ouviu tudo o que este bronco disse sobre mim? Você acredita nisso mamãe?!
—Filha, este é Edward Cullen! Mas é um homem decente em quase todos os aspectos e..!
—Não precisa dourar a pílula para esta ai não, Rennee! – Edward falou assim mesmo, gesticulando com a mão em sinal de pouco caso. Aquilo acabou comigo!
—Edward, por favor, não complica mais! – Alice finalmente resolvera se manifestar. Ela bem sabia que tipo de irmão ela tinha e nem para me avisar!
—Não, Alice! Depois de tudo pelo o que passamos todos esses dias! Eu dizendo a todo o momento que a amava e idolatrava! Olha ai, mas você não sabe! Até com uma tribo inteirinha de guerreiros eu lutei por esta mulher! Ainda hoje eu ia ter com uns italianos que querem o couro macio dela e, o que este peão ganha em troca?! Ela se recusa a parir meus filhos! – ele ergueu os braços para abaixá-los novamente batendo nas laterais do corpo, antes de continuar.
—Isto eu não levo no lombo, não! Quem me ama, vai amar meus bacuris também! Tania pode ter um monte de defeitos e Deus é testemunha que não se pode confiar naquela víbora! Mas, ela teria orgulho de ser mãe dos meus filhos, isso teria!
Aquela era a prova, eu não precisava ouvir mais nada!
Com o coração despedaçado virei-me para o xerife e perguntei se poderia pegar carona com ele até a cidade. Vi que Ben. Cheney olhou de forma significativa para minha mãe e depois para Alice que assentiu com a cabeça.
—Lamento muito, Alice! Não era este os nossos planos!
Ben. Cheney entregou um envelope branco para Alice antes de me dizer que partiríamos quando eu estivesse pronta. Eu não olhei para ninguém quando me dirigi para o corredor. Passei por ele e abaixei minha cabeça. Nos meus ouvidos ainda soava as palavras em que ele dizia que Tania era melhor do que eu! Passei a sentir lagrimas quentes que molhavam meu rosto, nem sei como cheguei até o quarto e lá sem muito ter o que fazer, calcei aquelas botas malditas e pequei com dedos tremidos a única coisa que trouxera comigo e não fora roubada, aquela frasqueira inútil, cheia de papéis sem importância. Aquele era o meu legado, ao final de tudo. Eu precisava pensar no que fazer, como eu viveria? Estava claro naquele momento que não seria mais naquela casa.
Continua...
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