Kalahari

19 Capítulo 18


Notas iniciais
Olá queridas leitoras de Kalahari! Feliz 2012 muito atraso, mas cheio de saúde e boas realizações para vocês! Sim, me demorei por demais. E como me expliquei para as leitoras de Revenge, nos três ultimos meses de 2011 me preparei para mudar de casa e agora em casa nova desde a primeira semana de janeiro...tudo ainda está confuso e por colocar em ordem. E vejam ainda trabalho fora e tenho filho na escola...então algo ficou para trás e infelizmente foram as fics....Mas estou retomando! Então, meus sinceros agradecimentos a todas que não abandonaram a fic e nem esta autora e dedico o capitulo a todas que o aguardavam e as leitoras amadas que rederam indicações para esta história!! Bjus!!!!

Kalahari

Capitulo 18

A minha cabeça virou lentamente, seguindo o caminho indicado pelo queixo duro de Edward. Mas, meus olhos traiçoeiros foram rápidos demais se enchendo com a visão mais apavorante que eu já tive em toda a minha vida. Destoando em meio as cabeças redondas de homens compridos, que pulavam usando somente tanguinhas, lá estava ele com uma enorme e indecente barriga, redonda e lustrosa.

Era hipnotizante aquela visão!

Meu pavor era do tamanho daquele homem, de braços fortes e olhar negro, como a noite sem lua. Quando meu berro saiu pela minha goela, parecia que a estava rasgando.

O gigante, que foi chamado de noivo por Edward, deu um passo a frente e, eu dei pelo menos quatro para trás com Edward colado em mim. Então ele ergueu a maior mão que eu já havia visto e apontou para mim. Depois falou alguma coisa muito confusa de se entender e foi o caos na terra.

Os guerreiros, com pernas muito longas, saltavam e eu tinha a impressão de que eles iriam voar. As mulheres, que usavam uma espécie de sarongue, faziam barulhos estranhos com a língua e sinceramente eu nem sei como era possível todo aquele malabarismo, pois elas tinham uma argola da circunferência de uma laranja grande pendurada entre os buracos do nariz.

Será que eu teria que usar aquele troço no meu nariz também?!

Coloquei dois dedos em meu nariz e gritei novamente, e não foi que as mulheres passaram a gritar me imitando?!

Eu estava ficando completamente zonza com toda aquela algazarra. Homens pulando, mulheres gritavam e o tal do noivo barrigudo vinha para o meu lado. Senti os braços de Edward ao redor da minha cintura e me virei para ele.

—Eu não quero!

—Eu vou dar um jeito!

—Como?!

—Ainda não sei, estou pensando...

Dedos compridos pegaram meus braços, olhei desesperada para Edward.

—Então pense logo!

Eles me tiraram dos braços de Edward com muita facilidade. Ainda pude ouvi-lo gritar, esbravejar e brigar com alguns nativos.

—Isabella!!! — do que eram feito aqueles homens? Eu via Edward desferindo socos e pontapés, mas eles riam e se esquivavam com a leveza de bailarinos.

Então tudo parou!

Silêncio absoluto e, eu soube!

Os dedos firmes me soltaram e antes de me virar eu olhei para Edward ainda mais uma vez. Eu vi o pavor brilhando nos olhos dele, deveria ser o reflexo dos meus. Virei lenta e pesadamente e me deparei com os olhos mais profundamente perturbadores que eu já vi em toda a minha jovem vida.

—Não toque nela, eu te mato!

A voz de Edward soou estranha, me voltei e vi que estavam arrastando ele para longe. Edward se debatia, se jogava no chão e fincava os dedos na terra dura. Mas nada daquilo estava adiantando e os guerreiros o arrastavam com facilidade surpreendente.

—Edward! – eu me impulsionei e corri em sua direção, mas fui barrada por Kalebe.

—Mokika, fica!

—Kalebe!

—Mokika, fica! – ele ficava na minha frente cobrindo a minha visão. Eu soquei o peito dele com muita raiva.

—Eu quero Edward, Kalebe! Saia da minha frente, agora!

—Não, Mokika! Bwanna fica bem, eu cuido dele.

—Mas eu não estou bem! Não quero ficar aqui, sem Edward!

—Precisa! Chefe vai provar Mokika.

—O QUÊ?!

Será que eles eram canibais?! De repente a idéia do noivado me pareceu muito melhor!

—Não tenho carnes Kalebe, olha aqui! – levantei a minha perna e apertei a coxa. Depois olhei em volta e percebi que as mulheres daquela tribo eram muito mais magras do que eu. Um arrepiou gelou a minha alma quando ouvi a voz do noivo. Me joguei em cima de Kalebe e implorei.

—Me salva, eu não quero morrer!!!

—Mokika vai viver.

—Mas você falou que o chefe iria me provar.

—Sim! Depois ele deixa Mokika ir embora.

—Ele vai me comer?

—Não, ele vai provar se Mokika é boa para ser mãe de jovem guerreiro.

Misericórdia!!!

Sai dos braços de Kalebe e fiquei olhando para ele, como se na minha frente tivesse uma assombração. Eu acho que a minha mente estava me pregando alguma arte. Talvez, estivesse morta desde aquele momento, virado comida de crocodilo ou daqueles monstros de cabeça grande. Talvez, eu estivesse morta bem antes, tivesse levado um tiro no meio do caminho e agora minha alma penava pelo purgatório, isto explicava todo aquele calor.

Kalebe deveria ser um enviado do rei do mundo profundo, foi isto o que eu senti quando ele me virou de frente para a enorme barriga. Mas não foi a visão daquele hemisfério redondo que me fez tremer como se estivesse com febre de mais de quarenta graus, não! Foram as mãos grandes que desceram até por debaixo da barriga e levantaram um paninho encardido e me mostraram aquilo.

—Chefe está mostrando que é bom para fazer criança. — era uma coisa roliça, com um enorme bulbo roxo. Eu tremia tanto que meu corpo sacolejava todinho! Minha boca estava aberta e meus dentes batiam um no outro. Mas, foi quando Kalebe disse que era para eu pegar naquela coisa, que eu me joguei no chão e me estrebuchei.

Eu sentia meu corpo se debatendo no chão duro e quente. Eu tinha visões distorcidas de pés nus e lanças e tive um desejo atroz de que uma daquelas lanças me rasgasse ao meio se me fosse obrigada tocar naquele troço. A voz de Kalebe ainda martelava meu cérebro, me dizendo que eu deveria ter bebês com aquela criatura, o calor abrandava meu corpo somente por fora, pois um gelo inominável congelava meus órgãos, eu podia sentir meu estomago pesado feito uma pedra e, eu sabia, estava tendo uma sincope e teria falência mortal antes de tornar a ver os belos olhos de Edward novamente.

Que fosse assim!

Que Edward tivesse de mim a imagem da mulher que fui inteira e virtuosa. Não de uma destroçada, após passar pelo fio da navalha daquele nativo. Mãos tocaram meu corpo e vozes soavam como vindas do além.

—Nãooo!!! Eu prefiro morrer!

Eu me sacudi por inteira, acho que até babei. Na minha cabeça estava a imagem, que de tão perfeita que era, impregnou em mim o odor do sexo do nativo.

Repugnante!

Alguém segurou firme em uma de minhas mãos.

Era o meu fim!

Dizem por ai que a gente relembra de toda a nossa vida em um átimo de segundos, mas, estranhamente a minha vida repassou do instante em que eu o vi pela primeira vez, alto e belo em cima daquele cavalo me olhando como se desejasse me arrancar o couro. Depois tudo se passou em uma sucessão de imagens rápidas onde Edward predominava sempre!

Pegaram a outra mão com firmeza e eu gritei.

—Quééééé!!!!

—Isabella!!!

Alguém gritou meu nome, deveria estar passando para o outro lado, pois parecia com a voz da minha mãe. Eu continuava com meus olhos fechados fortemente quando algo me sacudiu pelos ombros e vozes alteradas falavam em uma língua estranha, mas, uma se destacava dentre todas, era uma voz de mulher que me fez abrir os olhos. Eu me deparei com olhos azuis brilhantes e intensos, eles me eram conhecidos, eram os olhos de mamãe.

—Eu morri?

—Ainda não! Mas continua se estrebuchando.

—Mamãe?! — ela me soltou no chão com brutal força e se ergueu com as mãos para os altos proferindo palavras estranhas. E não eram somente as palavras, tudo nela era estranho, as roupas, o cabelo e no rosto tinha um desenho que cobria metade dele, pelo menos.

De repente aquela mulher que eu chamei de mamãe deu um pulo e se sacudiu inteira. Eu me rastejei de costas e percebi que estávamos cercadas pelos nativos que se afastavam toda vez que mamãe se agitava. Ela continuava a falar esquisito e de repente ela se voltou para mim me dando um susto enorme.

—Desculpe querida! — Sem qualquer aviso, ela arrancou um tufo do meu cabelo.

—Éeee!!!

Depois, ela meteu uma das mãos para dentro de uma manta que cobria o corpo, era estranha demais, parecia com a pele de algum animal. Mas eu nem pude tentar me certificar, pois mamãe correu para perto da fogueira e jogou meu cabelo nela e uma explosão fez todo mundo se abaixar. Depois disto foi uma confusão. Nunca vi tanta perna correndo em toda a minha vida e quando todos haviam se afastado o mais distante possível, eu me vi no chão, com Kalebe ao meu lado e Rennee no centro, perto da fogueira com as mãos para cima falando repetidamente a uma mesma frase. Parecia um mantra.


Era tudo muito assustador!

De repente me senti em um daqueles contos malucos, como Alice no País das Maravilhas. Lembrei das loucuras que ela viveu, quando crescia ou encolhia, ou quando tinha que correr da rainha que queria cortar a sua cabeça.

A minha cabeça, após ser esmagada pelas patas de um búfalo, virar torrada e quase se afogar ainda estava pendurada em meu pescoço e ao contrário de Alice a minha história era Bella no País das Maluquices, tendo como chapeleiro louco Edward e rainha má a sua irmã pigmeu.

A minha sanidade nunca mais seria a mesma!

Principalmente vendo a minha mãe após tantos anos, fantasiada e gritando sandices em outra língua. Eu olhei ao redor, para os que restaram após meu cabelo explodir no fogo e lá estava o barrigudo com uma cara de poucos amigos. Foi então que ele esbravejou alguma coisa e de repente várias lanças foram apontadas para mim, uma inclusive arranhou o meu nariz.

—Mamãe...! — não sussurrei e nem gritei. Eu piei, chamando a única pessoa que me salvaria. Não era para aquilo que serviam as mães? Mas, ela nem se virou! Não olhou para mim e lagrimas faziam meus olhos arderem.

Eu me molhei todinha!

Foi ai que eu a ouvi falar alguma coisa, uma mistura de “cabekaleque” e no final Mokika. Todos olharam para ela e depois as lanças se afastaram de mim.

—“Cabekaleque, Mokika!”

Não sei o que era, mas estava afastando os guerreiros. Eles passaram a me olhar com pavor, medo mesmo, até Kalebe! Eu me levantei sentindo o molhado na minha bunda, as minhas pernas tremiam tanta que achei que elas sairiam correndo deixando meu corpo para trás.

Então me aproximei de mamãe.

—Mãe?!

—Quieta, querida, estou resolvendo tudo!

—Eles não vão mais me matar?!

—Não! Eu os convenci que você se transformaria em um espírito rancoroso e iria se vingar de todos os homens da tribo.

—Eu?!

—É, meu bem, Agora eles tem medo de você!

Olhei ao redor e constatei que era mesmo verdade! A tribo me olhava de forma apavorada.

—E o que eu faria, exatamente, para causar assim tanto medo nestes homens?

—Hum, nada de mais!

—Não é o que parece...

—Oh, homens, não importa em qual parte do mundo habitem, são sempre homens!

—E eu sempre serei eu, covarde e fraca!

—Então louvemos o fato destes homens não poderem entender nossa língua. Do contrário eu também, estaria morta. Agora, faça cara de menina má!

Hein?!

Voltei a olhar para os guerreiros e depois para o tal noivo que estava a uma boa distancia de mim e, me senti poderosa. Eu mostrei os dedos para eles em forma de garras e arreganhei meus dentes.

Foi deprimente ver aqueles guerreiros pulando como criancinhas.

—Não vamos abusar, meu bem!

—Somente fiz o que você mandou!

—Sim, este é um bom momento para irmos embora! Eles não irão nos impedir ou nos seguir e, se eu os conheço um pouco, antes do sol nascer todas as tribos da região temerão a ira de Mokika. Vamos, meu bem!

Mamãe me pegou pela mão e nos afastamos lentamente, e com passos teatrais, eu a imitava em tudo e percebi que Rennee divertia-se com tudo aquilo.

—Há! Eles acreditaram mesmo em um velho troque que aprendi no circo em que vivi na Europa, antes de vir para a África, fantástico!

Circo?!

Com aquelas roupas e aquele desenho no rosto achei mesmo que a minha mãe tivesse vindo de um circo, dos horrores! Quando nos afastamos o suficiente para ver a chama da fogueira bem pequenina um tremor se apoderou de mim.

—Eu tenho que voltar!

—Não! Apesar destes nativos serem inocentes, não são tolos! Se você voltar vai morrer.

—Mas, eu preciso salvar Edward!

—Edward?!

Eu vi um brilho de reconhecimento surgindo nos olhos de mamãe.

—Edward Cullen?!

—Sim, Edward Cullen, seu sócio!

—Pelos céus! Como você e Edward Cullen vieram parar no meio do deserto do Kalahari?

Olhei sem saber para ela e respondi abruptamente.

—Viemos procurar por você!

Foi um minuto de silêncio até que finalmente ela falou.

—Fique aqui! Você não pode voltar para aquela aldeia.

Meus olhos se encheram de lagrimas.

—Não posso ficar aqui, não sem Edward!

Mamãe colocou dois dedos em meu queixo e me olhou com ternura.

—Eu o trarei para você!

—Promete?

—Oh, minha querida! Sou tão grata a Deus de poder vê-la novamente. Não irei decepcioná-la, prometo sim!

Depois ela me abraçou com força, um cheiro forte de mel e ervas fizeram meu nariz coçar, mas eu não me importei. Retribui o abraço e tive a certeza de que ela, daquela vez, cumpriria com a sua promessa.

Continua...

Notas finais
Calma, logo saberão o que Rennee fazia naquela aldeia, vcs sabem que nada é por acaso em Kalahari, por mais louco que possa parecer.... Ao final, nossa vida às vezes é um tantinho louca tbm! Nada como a vida da nossa madrezita.... Bjus!!!! (espero que não estejam bravas e mandem os reviews!). P.s.: desculpe a estética do texto, não ando me entendendo muito bem com este novo Nyah...