Kalahari
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Kalahari
Capitulo 11
O que dizer daquele momento, da cena que meus olhos, muito esbugalhados, viam sem acreditar?
Um bolo humano rolava pelo chão, eram Alice e Edward. E meu assombro veio logo após as gargalhas escandalosas que ecoaram por todo o aposento e, minha boca escancarou ainda mais. Ninguém tinha pena de mim? Penei no calor do deserto, fui enxovalhada pela truculência máscula de Edward Cullen e, um pigmeu em forma de mulher surgiu na minha vida feito a um terremoto, meu maxilar doía, minha cabeça pesava e meu corpo estava podre, e lá embaixo no chão, Edward e Alice se abraçavam e riam feito duas hienas abestalhadas.
—Que merda toda é esta? – foi sem querer, as palavras pularam da minha boca mole e eu somente me dei conta quando quatro, quatro olhos verdes me miraram. Ai eu tremi, não tinha estrutura física ou psicológica para suportar a inquisição visual de Edward quanto mais da pigmeu e algo me dizia que ela, Alice, seria meu inferno pessoal. Então, ela se colocou sentada na barriga de Edward e cruzou os bracinhos curtos e finos e me mirou com gosto.
Eu?!
Eu sempre me pergunto sobre as minhas reações. como se visse a parte o meu próprio sofrimento, acho que eu tento buscar desesperadamente uma saída para as enrascadas em que me meto e a nova enrascada se chama Alice Hale que se ergueu como se fosse movida por cordinhas invisíveis e veio para o meu lado da cama. Sentindo-me acuada, eu engatinhei de ré, veja só que coisa mais sem cabimento, aquele toco de ser humano me intimidando, ai os olhos dela começaram a brilhar e eu quase gritei quando minhas costas bateram no batente da cama indicando que eu não tinha mais para onde fugir. Olhei desesperada para a porta e o enorme e sorridente Jasper Hale estava lá, bloqueando minha saída, depois, olhei para a janela, que estava fechada.
Por que diabos alguém fecharia uma janela de um quarto no meio do deserto escaldante da África? Com certeza esta pessoa nunca deva ter se sentido acuada, ameaçada, ou em estado de verdadeiro pavor, eu teria um treco dali a um instante se ela não parasse de me olhar daquele jeito estranho.
—Edward... – a voz dela soou baixa e soturna demais para a minha frágil estrutura psicologica- ..desça com Jasper, eu quero ter uma conversinha com esta mocinha aqui!
—Alice, meu bem, ela parece um gatinho assustado...
O tal do Jasper falou assim, como quem não está nem ai se houvesse um linchamento, com aquela voz grave o que, somente, me deixou ainda mais tremula. Eu dei um pulo cama, pois Alice se voltou muito rapidamente e falou com a voz alterada. Até parecia uma taquara rachada, meu pai!
—E por qual motivo ela estaria assustada? Momo, você está insinuando que eu meto medo nas pessoas?!
Foi muito teatral, ela colocou as mãos na cintura e bateu o pé, eu não podia ver a expressão na cara dela, mas não deveria ser das melhores, visto que Edward se ergueu bem rápido e se colocou entre ela e a cama, com isto eu respirei melhor, pois a figura minúscula de Alice sumiu das minhas vistas.
—Não momo, apenas que a jovenzinha deva ter penado no calor do deserto, acho que até mesmo, um marimbondo a assustaria nestas condições, e não se esqueça, ela esteve em companhia de Edward.
Desta vez foi Edward quem se manifestou.
—Eu não fiz nada de errado com ela! – mas a voz dele tremeu na ultima palavra e eu vi dedinhos o pegando pelas mangas da camisa de brim suada e empoeirada.
—EU QUERO QUE VOCÊ SAIA IMEDIATAMENTE!
Como ela tinha forças?!
E ele a obedecia?!
Edward foi empurrado para fora do quarto, ele olhava para trás, nossos olhos se encontraram e, antes que a porta batesse em seu nariz eu o ouvi falando.
—Estou lá embaixo, qualquer coisa grite!
A porta se fechou com um baque que estremeceu a parede, meu pai, eu a via, pequena e amedrontadora de costas para mim com mãos espalmadas na madeira fungando irritada.
—“Qualquer coisa grite” – sem dúvidas ela estava irritada – como se eu fosse algum monstro amedrontador...!
Alice se virou para mim e eu gelei, havia um sorriso cândido demais em seu rosto que se ampliou mostrando dentes brancos e perfeitos. Ela caminhou lentamente, como se dançasse pelo quarto até chegar perto da janela e, eu a vi fechado a cortina, isolando definitivamente a minha segunda rota de fuga.
Eu estava perdida!
Então, ela se voltou para mim e me olhou tão profundamente dos pés a cabeça que eu acho que ela viu até o buraco da minha calcinha.
—Enfim, sós!
As trevas tomavam conta de mim, eu tinha certeza de que não havia palavras mais nebulosas do que aquelas, assim pronunciadas por aquela mulher, com cara de anjo e alma demoníaca. Eu engoli a minha saliva, ela desceu rasgando pela minha goela, fez até um barulhinho de gente que sofre. Eu estava me mijando de medo e nem sabia o motivo. Foi ai que a criatura deu um pulo para frente e caiu em cima da cama, eu gritei de forma bem esparafatosa, com direito a jogar os braços para o alto, mas nesta, perdi o equilíbrio e cai da cama de forma vergonhosa, ficando com a bunda pro alto e as palmas das mão no chão, o que impediu que meu nariz o varresse.
—Aiê! – gemi baixinho, pois meu corpo doía tanto que eu nem tinha forças. Então dedinhos de ferro me puxaram para cima, ela era baixinha, mas tinha uma força dos demônios.
—Se apruma mulher! — Alice me socou sentada na cama e esticou a minha roupa, quando ela se sentiu satisfeita engatinhou dois palmos para trás e passou a me avaliar novamente.
—Então...?
—O quê?! – eu estava disposta a confessar todos os meus pecados, mesmo os que eu não havia cometido.
—Eu quero saber de tudo, e não ouse me esconder os detalhes.
A voz era macia, os olhos penetrantes e ela cruzou os dedinhos no colo, pronto, foi o bastante para a minha boca se mexer.
—Misericórdia! Que eu não sou freira, sou uma fugitiva procurada pelos mafiosos e que não tem aonde cair morta! – após o meu desabafo eu despenquei na cama ficando com a cara enfiada na colcha e o rabicho empinado pro alto, que fosse tudo para o inferno. Eu não iria sofrer tortura daquela pigmeu!
—Interessante!
O quê?!
Havia um tom meio disfarçado de surpresa na voz dela? Eu lentamente voltei a posição original e a olhei desconfiada, assim, com um olho aberto e o outro fechado.
—Hein?!
Alice colocou um dedinho fino no queixo e olhou para o alto, como quando as pessoas buscam inspiração para uma duvida cruel.
—Fugitiva?! — depois ela me olhou e sorriu abertamente antes de voltar a falar – Olha, eu esperava por tudo, claro que eu não engoli aquele papinho de freira, só de olhar para você a gente já vê de qual estirpe você é feita.
—Oh, mais respeito, por favor!
Ela estava mesmo me xingando?!?
—Calma menina, não se ofenda, mas uma mulher assim, na flor da idade, boca carnuda e com pele de pêssego não poderia ser de fato uma freira!
—Pois fique sabendo que eu fui interna em um convento e...
—Edward apareceu em sua vida?
—Como?! Não, você ouviu a parte que eu disse que fujo dos mafiosos?
—Sim, esta parte me surpreendeu e, poucas coisas neste mundo conseguem me causar a isto! Eu imaginei de tudo, que Edward te seduziu, que ele te roubou de algum colégio interno também e veio até aqui.. – nisto ela firmou os dois dedos indicadores para baixo — ...para te esconder. Sim, pois neste fim de mundo ninguém poderá te achar, ainda mais se eu te acobertar!
Depois ela ergueu um dedinho para o alto.
—Agora mafiosos?! Nem “euzinha” teria tanta imaginação! – alguém bateu na porta neste momento o que a fez fungar irritada.
—Odeio ser interrompida – outra batida e um grito estridente – Já vai!
Alice descruzou as pernas e pulou da cama, caminhando feito um sargento em direção a porta e a escancarou. Os olhos de Edward pareciam dois faróis.
—O que é, Edward?
Eu deveria estar com a cara de um sapo, quando fica muito tempo fora da água.
—Está tudo bem? – havia preocupação na voz de Edward e raiva na de Alice.
—E porque não estaria?!
—Bem, Bella está fragilizada, ela pode ser um pouco incoerente, então tem que ter cuidado quando falar com ela e...
—Edward?!
Ele não olhava para Alice, seus olhos famintos me devoravam.
—Edward? – o grito de Alice fez meus ouvidos doerem, mas serviu para atrair a atenção dele.
—Alice, poderia não gritar?!
—Impossível! Você está surdo homem?!
—Não! Mas vou ficar!
—Vai nada! Agora dê o fora, pois eu estava em uma parte muito interessante da nossa conversa, não é mesmo madre?!
—É...bem...!
Sei lá eu o que dizer!
—Obrigada por trazer o suco, tchau! – ela tomou o copo da bandeja e fechou pela segunda vez a porta no nariz dele.
—Pelo amor...achei mesmo que ele não ia embora! – Alice caminhou de volta para a cama e sentou nela, de frente para mim, na mesma posição que estava antes de sermos interrompidas. Meus olhos ficaram grudados naquele copo, ele era transparente e a cor do suco era muito convidativa, o cheiro então...
—Onde estávamos mesmo?! – eu molhei meu bico, senti a minha goela seca, mas tão seca que nem tinha mais saliva para lubrificá-la.
—A sim, você estava me surpreendendo, com extrema eficiência, eu diria... – ela mexia as mãos, para lá e para cá e nada de me dar aquele suco maldito — ...você ia me dizer com todos os detalhes, como se tornou uma fugitiva e, por mafiosos, são italianos?
Eu balancei a minha cabeça como se fosse vaquinha de presépio e meus olhos estavam saltados em meu rosto, o copo com o suco, de repente era a visão mais surrealista, mas sublime e mais desejada em toda a minha vida. Finalmente Alice percebeu meu estado lamentável.
—Oh, querida, perdão! Tome este suco irá te re-energizar... – ela mal havia acabado de falar e eu tomei o copo para mim, como se fosse ouro. Durou um segundo apenas, nem cheguei a sentir o gosto da fruta tamanho que era a minha secura.
—Há! – eu recostei no espaldar da cama e larguei o copo vazio de qualquer jeito e fechei meus olhos. Estava em estado de graça, estava em um estado que transcendia a razão. Aos poucos eu senti meu corpo relaxar e estiquei as minhas pernas, que viesse a anã inquisidora, o brucutu com seus lábios de mel e até mesmo os italianos, eu estava hidratada!
—É melhor do que gozar, não é mesmo?!
Aiê!
Abri meus olhos, ela havia conseguido me tirar do estado de graça, como assim gozar?! Será que ela estava falando daquilo?! Os olhos de Alice brilharam maliciosos, sim ela estava falando daquilo...!
—Bem...eu acho que o suco revigorante do Haj, em determinadas situações é muito mais milagroso do que uma estocada bem data. – Alice passou a lamber os beiços e, revirou os olhos — ...ai, mas para falar a verdade, não existe trepada melhor do que a do Jasper.
Ela falou...trepada?!
A minha hidratação foi para as cuias, pois minha boca ficou escancarada novamente, Alice pegou os próprios peitos, os massageando!
—Humm... – ela começou a gemer e eu também, mas de medo — ...O Jasper tem uma pegada...!
Que pegada, meu pai?!
Então, de supetão, ela pergunta a queima roupa.
—E o meu irmão?
—Que irmão?! – eu recuei, mais um pouco iria passar pela parede. Alice revirou os olhos antes de falar com impaciência comigo, calma ai mulher!
—Como que irmão?! Edward!
Edward?!
Edward?
Edward!
Os dedos dela estralaram diante dos meus olhos.
—Você e Edward são irmãos?!
—Sim, e gêmeos!
Primeiro eu morri.
Depois revivi.
Só que mais retardada do que nunca, pois me arreganhei na gargalhada, a minha boca ficou tão aberta que dava para ver a minha sinetinha. Eu ria tanto, tanto, mas tanto, que senti o suco do Haj sair pela minha xoxota e molhar a calcinha. Bem, voltei ao estado semi normal quando vi o brilho da morte reluzindo nos olhos verdes dela e, foi somente neste momento que cogitei a menor possibilidade deles serem de fato, irmãos!
—Agora que voltou ao normal, poderia me dizer o motivo da graça?
Eu hein?! Nem pensar que falaria alguma coisa. Tomei vergonha na cara e me aprumei. Acho que ela se deu por satisfeita, satisfeita por demais, pois a louca voltou com aquele papinho pervertido para o meu lado.
—Muito bem, dona Isabella, já sei que você não é madre e, nem precisava abrir a boca para me dizer! Também, fiquei surpresa por você ser uma fugitiva e, de mafiosos! Agora, só resta a derradeira pergunta que não quer calar...
Alice esticou o dedo indicador e me chamou, eu inclinei para frente um pouquinho, o dedo continuou a me chamar e, eu inclinei mais um pouco, depois, ela também fez o mesmo e nossos narizes quase se tocaram.
—Você já deu para o meu irmão?
continua...
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