Notas iniciais
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos. Esta história também está disponível no Social Spirit, segue o link do meu perfil: https://spiritfanfics.com/perfil/pifranco

Ao amanhecer, Kagome, Inuyasha, Sango e Miroku partiam para mais uma de suas aventuras. Os Youkais lobo, já haviam ido na frente, mas indicaram em que direção eles deveriam seguir.

— Senhor monge, sou sua esposa mas não acho apropriado andarmos com você grudado ao meu traseiro o apertando! – Disse Sango o repreendendo.

— Eu só queria saber se está tudo bem meu amor... – Ele respondeu com um sorriso, desconcertado por ter sido exposto.

— Ah Miroku, você não muda não é mesmo. – O meio-youkai disse rindo da cara do amigo.

Kagome apenas sorriu. Não estava realmente prestando atenção nisso.

Um casamento... ele decidiu mais rápido do que eu esperava. Cabe a mim refletir agora.

Andaram por vários quilômetros até alcançarem uma aldeia vizinha, completamente destruída. Os telhados das casas haviam sido parcialmente arrancados, o que indicava um ataque aéreo.

—Vejo que já nos alcançaram! – Constatou Kouga saindo de trás de uma das casas destruídas.

— Algum sobrevivente? – Perguntou o irritado meio-youkai lutando contra a raiva de vê-lo ali.

— Espere um pouco cão sarnento. – Disse virando-se em seguida para Kagome. – Bom dia minha querida Kagome, você dormiu bem?

Eu só não vou matá-lo para não assustar a Kagome e não magoá-la seu verme imbecil.

— Sim, obrigada por se preocupar. – Ela respondeu sorrindo.

— Que maravilha, assim poderemos acompanhá-los, visto que o inútil do Inuyasha é lerdo e não tem um faro apurado como o meu.

Maldito! Mudei de ideia vou matá-lo...

— Será ótimo, você vai atrair os Youkais pássaros com sua presença e cheiro horríveis, nesse caso será bem-vindo. Tomara que te devorem, gostaria até de assistir. – Não resistiu a provocação. Respondeu sem pensar. Tarde demais, Kagome achou horrível, foi nítido em sua expressão.

— Inuyasha, SENTAAA! – gritou de forma que o eco provocado, espantou os corvos que voavam por ali.

Com a cara no chão Inuyasha praguejou. Levantou-se e encarou Kagome por alguns segundos, em seguida virou-se de costas, indo procurar por mais pistas.

— Kagome você está bem? – A voz era de Sango, que percebeu que sua amiga estava chateada com a atitude infantil de Inuyasha em responder às provocações do rival.

— Estou. – respondeu simplesmente.

— Nosso amigo não pensa direito quando se sente ameaçado. – reparou o monge, segurando Kirara no colo.

— Com certeza minha presença o perturba. – emendou Kouga.

— Ele não deveria agir assim. – Kagome concluiu.

— Esqueça-se dele Kagome, eu vou acompanhá-la. – E num gesto delicado o jovem príncipe dos youkais lobo, inclinou-se suavemente oferecendo sua mão.

Kagome olhou para o gesto por uns momentos, sentia-se confusa. Aceitou o apoio e foram caminhando enquanto procuravam pelo rastro dos inimigos.

Era difícil não admirar a beleza do jovem príncipe. O corpo moreno, com um magnifico conjunto de músculos que adornavam a pele bronzeada. Faziam um contraste perfeito com as peles de lobo que compunham sua vestimenta. Cabelos negros e longos amarrados num rabo de cavalo masculino, um belo rosto cheio de masculinidade e traços fortes. Tudo isso coroado com um belíssimo par de olhos, profundamente azuis. Realmente, quando ainda era uma adolescente, não tinha reparado em tantos detalhes físicos do youkai. Só reparava mais na gentileza, o que era com ela muito maior. Que interessante... Pensou, com um pouco de malícia. Enquanto ainda não havia sido despertada a mulher dentro dela, não tinha pensamentos como esse. Apenas tinha sentimentos puros, a amizade e carinho era o que sentia. Continuava gostando dele como amigo, mas não era cega a ponto de ignorar tanta beleza. Resolveu não alimentar tais pensamentos.

O vilarejo estava completamente deserto. Sem sobreviventes, sem mortos... Onde estariam os aldeões? Sumiram por completo, o que indicava que provavelmente ainda estariam vivos.

Miroku, Sango e Kirara sobrevoavam a aldeia em busca de uma pista para seguir em frente. Do alto podiam ver que algumas marcas nos telhados destruídos, indicavam o oeste.

— Kagome, Kouga! – chamaram ao vê-los juntos.

—Sim pessoal venham aqui!!- Gritou Kagome para o casal de amigos.

Eles pousaram próximo e desceram de Kirara.

— Vimos marcas que indicam que os youkais seguiram para o oeste. – Disse Sango.

— Temos que encontrar o Inuyasha. – Disse Kagome, já preocupada com seu sumiço.

— Eu não sinto o cheiro dele. – Concluiu o Príncipe lobo.

— Onde ele deve estar? – Indagou Kagome visivelmente preocupada.

— Não importa, onde você estiver ele vai descobrir. – Kouga disse olhando atento para o oeste. – Não podemos perder mais tempo.

...

Maldito lobo fedido!!! Como ele consegue me irritar tão facilmente? Não suporto a ideia de vê-lo perto de Kagome, tocando ela... que nojo.

O meio-youkai seguia com grande velocidade ao oeste, sentira cheiro de sangue humano naquela direção, não perderia tempo discutindo com o infeliz do Kouga, quanto antes encontrassem os humanos e matassem os youkais pássaros, antes retornariam ao vilarejo e teria Kagome só para si novamente.

...

Anoiteceu e os jovens aventureiros precisavam acampar, fizeram uma fogueira, onde Kagome e Sango cozinhavam o que tinha trazido para tomarem a refeição noturna.

Comeram olhando ao redor, tinha uma floresta ali, e o barulho de água corrente os fez lembrar que precisavam encher os reservatórios de água, para ter como se hidratar durante o outro dia. Kagome levantou-se pedindo as garrafas que já estavam vazias, reunindo-as em um furoshiki. Sango guardava a panela usada para cozinhar a refeição, e alimentava a fogueira. Os dois acompanhantes de Kouga, estavam dormindo abraçados um ao outro e Miroku se aconchegava ao dorso de Kirara que estava deitada em volta da fogueira com eles.

Kagome chegou a uma pequena queda d’água, que terminava em uma linda piscina transparente. Tirou as garrafas e as destampou uma a uma, começou a preencher seu interior com o precioso líquido cristalino.

— Você precisa de ajuda? – Ouviu a voz masculina e familiar de Kouga, que em seguida agachou-se ao lado dela.

— Na verdade não precisa, são só algumas garrafas com água. – Disse olhando para o reflexo da lua no pequeno lago.

— Eu também adoro admirá-la. – Disse Kouga, mas olhando para o céu.

— A lua é muito importante para os youkais caninos não é mesmo? – Perguntou já sabendo a resposta, pois Inuyasha tinha lhe explicado tal fenômeno uma vez.

— Sim, nos orienta em tudo. A lua nos deixa a par do tempo, das estações e sentimentos. – Continuava a contemplar o perfeito círculo marfim no céu.

— Kagome, eu creio que saiba o que sinto por você. – continuou, porém voltando-se para a jovem sacerdotisa.

— Ora Kouga, eu sei que você adora irritar o Inuyasha, se diverte com isso não é mesmo? – Dizia de forma vazia, como se não acreditasse no que estava dizendo.

— Não. Eu sou apaixonado por você desde o primeiro dia em que a vi. Te levei comigo, não por interesse nos fragmentos da joia, mas porque tinha esperança de você me aceitar quando me conhecesse. Essa era apenas uma desculpa para a alcateia.

— Mas e a Ayame? Ela o ama, e disse que você prometeu se casar com ela quando fosse grande o bastante. – Kagome questionou o Youkai lobo, lembrando-se da jovem e linda garota youkai que veio procurá-lo uma vez.

— Eu não sinto nada por ela. – respondeu olhando a jovem nos olhos.

Por um momento era como se o mundo tivesse parado ali, meio que entendia o que o belo youkai falava. A situação de Ayame, era a mesma que a dela há três anos atrás. Inuyasha amando Kikyou profundamente e ela o amando em silêncio, aceitando a situação e dividindo as atenções do seu amado. Sempre que ele a via saía correndo sem pensar duas vezes. Era humilhante... mas ele não tinha culpa dos sentimentos dela. Sentia-se mal por ter se apaixonado por ele.

Kagome perdia-se em seus pensamentos, o que não passou despercebido pelo youkai. Para chamar a atenção dela, ele levantou-se e estendeu sua mão para que ela o acompanhasse. Ainda perdida em tristes lembranças, ela via Kouga a olhando intensamente. Ele delicadamente se aproximou dela, fazendo com que ela ouvisse as batidas fortes do seu coração. Sentia o calor do corpo másculo envolvendo o seu. Aceitou o carinho que arrependia-se de não ter aceitado antes, teria sido mais fácil não sofrer por causa da Kikyou tendo tão agradável consolo. Ele ergueu o rosto da linda e tristonha Kagome e roçou levemente os lábios nos dela. Fez isso por um tempo até tomar um beijo profundo da jovem, mas não ousava invadi-la com sua língua, não poderia se controlar se fizesse isso e seus instintos falariam mais alto. Jamais faria isso com ela dessa maneira, sem dar-lhe conforto e aproveitando da tristeza da mulher que estava apaixonado. Desceu com beijos tímidos pelo rosto meigo dela, pousando o rosto no seu pescoço delicado. Em meio a estes carinhos tão ternos, Kagome pode sentir o tamanho do auto controle do youkai lobo, vendo-o segurar a respiração evitando que o seu cheiro o dominasse fazendo-o perder a cabeça. Ele tinha afastado o corpo dela alguns centímetros sutilmente para não tocar-lhe o corpo com o membro que estava ereto salientado entre as pernas dele, mas assim que Kagome olhou naquela direção percebeu que deveria parar com isso. Aquela situação a levaria para coisas irreparáveis e não poderia se comportar dessa maneira, não era decente.

— Kouga! – Disse séria, espalmando as mãos no peito do jovem youkai apaixonado. – Não devemos continuar com isso. Eu não posso fazer isso, me perdoe por minha atitude desonrada.

Kouga piscou algumas vezes também constrangido pela sua excitação, não conseguira se controlar tão bem assim, mas não insistiu em continuar nos braços de Kagome e não se irritou com a atitude dela. Passou a admira-la mais. Não ia se aproveitar da tristeza dela e nem ela mesma faria isso. Começou a raciocinar que não deve ter em seus braços uma mulher que sofre por outro. Mas ainda assim estava apaixonado, não podia evitar. Ajoelhou-se aos pés de Kagome e tomou suas mãos nas suas.

— Por favor, perdoe-me Hime! Eu jamais quis tomar sua honra e manchar sua família... Me sinto profundamente arrependido de ter tomado tal atitude. Não sou digno de sua presença.

E sem nada dizer correu deixando Kagome para trás.

Ela caminhou confusa até o acampamento onde todos dormiam, mas Kouga e seus acompanhantes não estavam mais ali. Foi embora sem ao menos dizer adeus. Sentiu-se culpada por ter deixado se levar por seu corpo, e de ter feito Kouga sofrer com a rejeição.

O que estou fazendo?!

...

Durante a noite Kagome acordou coma sensação de estar sendo observada. Acordou de sobressalto vendo o meio-youkai encará-la, sentado bem a sua frente. Tinha um ar desconfiado.

— Volte a dormir Kagome. Está tudo bem. – Disse olhando-a atentamente.

— Eu perdi o sono...

— Onde está aquele infeliz daquele lobo fedorento? – Perguntou sério.

— Eu não sei, quando voltei do lago com as garrafas de água eles não estavam mais aqui. – Respondeu com sinceridade.

— Hum... está mesmo sem sono? – Perguntou mudando de expressão, ficando mais leve.

— Sim.

— Sente aqui do meu lado, eu vou aquece-la.

Kagome levantou-se e como o Meio-youkai havia pedido, sentou-se próxima dele. Ele sentiu o cheiro de Kouga nos cabelos, rosto e pele de Kagome, estava impregnado, significava que ele chegou perto dela, perto demais...

O que está acontecendo? O que aquele maldito fez? Não ficarei em paz se não perguntar.

— Kagome, o que houve entre você e o Kouga enquanto eu não estive aqui? – Perguntou se controlando para não parecer agressivo.

— Nos beijamos.

Notas finais
Muito Obrigada por acompanharem!