Kagome e Inuyasha - Pertencentes um ao outro
6 Capítulo 6
Notas iniciais
— Kagome, o que houve entre você e o Kouga enquanto eu não estive aqui? – Perguntou, se controlando para não parecer agressivo.
— Nos beijamos.
Eu ainda não sei como, mas eu vou matá-lo, vou torturá-lo antes e até depois de morto, maldito.
Sentimentos desagradáveis tomaram conta de Inuyasha. Ficou cego de ciúme, se afastou de Kagome violentamente o que fez a jogando com o rosto no chão. O barulho fez com que os amigos acordassem, fazendo com que Sango desse um grito, enquanto Miroku tentava apartar o meio-youkai enfurecido de Kagome. O monge foi jogado longe dando com as costas em uma árvore e em seguida caindo sentado, Sango correu ajudá-lo, e já ia lançar o Osso voador em Inuyasha, quando Kagome a interrompeu.
— Não Sango! – Dizia entre lágrimas. – Fiquem longe dele, deixem-no em paz, está nervoso. Eu dei motivos, deixe que ele extravase o ódio em mim e não em vocês.
— Ele a tocou!!! – O meio-youkai gritava transtornado. Os olhos vermelhos, e os caninos protuberantes. – Maldito desgraçado, que nojo!!! Como pôde permitir isso? – Perguntava entre rosnados olhando para Kagome.
Kagome parou de chorar, e o encarou erguendo o queixo.
Não importa o que ele faça, não vou me esconder. Se quiser me matar que mate, eu não vou mentir pra ele nem pedir perdão.
O meio-youkai estava possuído por ódio, não via mais nada. Foi rapidamente na direção de Kagome segurando-a pelo pescoço. As garras dele fizeram finas linhas de sangue escorrer. Ela continuou em silêncio, o olhando nos olhos. Em seguida ele puxou um de seus braços com força, rasgando a manga do quimono da sacerdotisa, a arrastava para dentro da floresta. Os amigos foram na mesma direção mas pararam ao ver Kagome fazer um sinal para eles. Não queria envolvê-los. Ele não a mataria, não poderia fazer isso.
Puxava seus braços com força, as garras cortavam os delicados pulsos de Kagome, que continuava em silêncio tentando acompanhar a caminhada frenética do meio-youkai enfurecido. Chegaram à beira da pequena queda d’água. Inuyasha parecia um animal selvagem, cheirava o rosto de Kagome, seus braços, seus seios, entre rosnados rasgou sua roupa e a jogou dentro da pequena lagoa. O sangue de Kagome manchava as águas cristalinas, ela ficou ali sem saber o que fazer. Ele a olhava enfurecido.
— Tire o cheiro desse maldito do seu corpo AGORA! – Gritava transtornado. Sua respiração estava acelerada, caminhava de um lado para o outro como se estivesse encurralado, perturbado. – Que nojo, como você teve coragem? O que mais ele fez? Eu não posso entender isso... Você é minha fêmea, MINHA!!! Ainda não entendeu não é mesmo? – Dizia entre grunhidos.
Kagome olhava para sua situação humilhante. Nua, agredida. Seu sangue escorria no lago e as feridas ardiam enquanto eram lavadas. Se permitiu chorar. Tinha cometido muitos erros... Se entregara a Inuyasha de maneira impensada, deixou-se dominar pela solidão e suas dúvidas, e acabou se permitindo ficar próxima de Kouga e também o magoou. Não devia estar ali, não devia ter voltado. Carregou tanto sofrimento em silêncio e agora...
— Quem você pensa que é para me ferir desse jeito? – Disse olhado para baixo, os punhos cerrados. – Você não pensava duas vezes para sair correndo durante a noite fazer sei lá o que com Kikyou. Sempre que ela aparecia, você me abandonava.
— O que?
— Isso mesmo. Eu lutei com você, chorei por você e mesmo assim se ela estivesse viva VOCÊ ESTARIA COM ELA!!! – Disse a última frase aos gritos. – Eu só estou substituindo sua preciosa Kikyou. Como ela não está aqui, então você resolveu “me dar uma chance”. Sou a segunda opção. Te incomoda eu ser a primeira opção dele não é mesmo?
— O que você está dizendo, ficou louca? – Disse tentando raciocinar. Aos poucos foi se acalmando. Percebeu que passou dos limites por completo.
— Sim, quando ela estava viva, não te incomodaria se eu estivesse com você ou não... não importavam meus sentimentos, nem o quanto eu sofria e chorava enquanto você sumia a noite e só voltava de manhã.
— Você era só uma menina Kagome, não compare as situações.
— Eu nunca te agredi dessa maneira, nem mesmo fiz isso com a Kikyou. – Disse com lágrimas de raiva em seus olhos. – Eu podia tê-la deixado morrer quando pude, quando a decisão cabia a mim.
Naquele momento Inuyasha se inundou de arrependimento. Finalmente pode contemplar o estrago que havia feito. Kagome estava nua jogada dentro da água, os braços cortados por suas garras, o pescoço com marcas roxas e havia sangue a sua volta. Sangue que ele, quem jurara que iria protegê-la, havia arrancado com extrema violência. Nada justificava sua atitude. Nunca ela o perdoaria... nem ele mesmo.
Kagome sentiu vergonha. Vergonha de estar ali, de ser mulher, de estar viva. Arrependia-se das suas atitudes, todas elas. Queria se afundar no esquecimento absoluto e sumir dali para sempre. Mas o pior, não conseguia odiá-lo. Compreendia também o sofrimento dele, seu coração estava confuso, mas não deixava de ser puro.
— Kagome... eu sei que você nunca irá me perdoar. Nem mesmo eu me perdoo. Você merece alguém melhor com certeza. Esse foi o pior, de todos os meus erros. – Disse fechando os olhos os cobrindo com as mãos. Não suportava mais olhar a monstruosidade que havia feito. Quase a matou, por ciúme.
Miroku correu através da floresta atrás deles a pedido de Sango que estava angustiada. Quase deu um grito de horror ao ver Kagome daquele jeito.
— O que você fez Inuyasha? – Dizia desesperado tirando parte de suas vestes, e cobrindo Kagome a ajudando a levantar. O monge tremia de nervosismo.
O meio-youkai não moveu-se, não falou, não reagiu... apenas desabou de joelhos no chão. E ficou ali de cabeça baixa, enquanto ouvia os dois se afastarem.
...
— Meu Deus Kagome! – Disse Sango, que começou a chorar ao ver a amiga daquela maneira deplorável. — O Inuyasha fez isso com você?
— Ele está nervoso, e também precisa de apoio. Eu o magoei. – Disse enquanto Sango a secava e examinava seus ferimentos em meio a lagrimas. Pobre Kagome! Inuyasha o que deu em você?
— Eu não sei o que você fez Kagome, mas isso não tem justificativa. – Disse o monge visivelmente revoltado.
— Eu contei a ele que Kouga e eu trocamos um beijo. – Disse de cabeça baixa.
Sango e Miroku trocaram um olhar surpresos, não imaginavam uma coisa dessas. Também acharam a atitude do meio-youkai exagerada, só um beijo.
—Por que você contou a ele? – Sango perguntou enquanto aplicava um unguento de ervas nos ferimentos de Kagome. – Não devia ter feito isso. — Não condenava a atitude de Kagome, sabia que ele não tinha o direito de exigir nada, visto que aceitou as duas quando Kikyou ainda estava viva.
— Eu não queria mentir pra ele. Seria inútil, ele percebe os cheiros e ficou desconfiado. Não imaginei que ele ficaria tão transtornado assim.
— O instinto youkai dele falou mais alto. – Explicou o monge. – Ele considera você propriedade dele, e só de imaginar o que poderia ter acontecido entre vocês ele perdeu cabeça. Ele já detestava o Kouga antes, agora vai ser mais difícil quando eles se encontrarem novamente.
Kagome estremeceu só de imaginar. Se matariam.
O que foi que eu fiz?
— Miroku por favor, vá falar com o Inuyasha. — Pediu Kagome com olhar perdido. — Perdoem ele, eu já o fiz. Ele não tem culpa de ter essas características de youkai. É só instinto, quando eu estiver melhor vou falar com ele. Espero que não o julguem por favor, igual fizeram comigo façam com ele.
O monge assentiu com a cabeça e seguiu rumo ao lugar onde o meio-youkai estava. Surpreendeu-se em vê-lo do mesmo jeito, ainda de joelhos com a cabeça baixa. Ele chorava.
— Ei Inuyasha. – Disse em tom amistoso, enquanto se agachava ao lado do amigo envolvendo-o em um meio abraço. – Ela está bem. Eu quero saber como está você?
— Eu sou um monstro... eu... fui tão egoísta! Eu a perdi para sempre. – Lamentou-se.
— Ela já o perdoou. E nós também. — o monge prosseguiu. – Ela me contou o motivo do seu descontrole, eu entendo você. Mas considero que você exagerou muito e poderia a ter matado. Não era para tanto, ainda mais você que tinha as duas, Kagome e Kikyou lembra?
O Meio-youkai balançou a cabeça em afirmação. Seu desejo de se casar com ela havia sido sufocado. Ela jamais o aceitaria depois disso.
— Vamos, ela que falar com você. – disse o monge com um sorriso tranquilo.
Eu tenho realmente os melhores amigos do mundo.
...
Inuyasha e Miroku, surgiam dentre as árvores. O meio-youkai continuava de cabeça baixa. Ao levantá-la cruzou o olhar com Sango, que para sua surpresa sorriu apaziguadora.
— Eu realmente sinto muito. – Disse a exterminadora. — Mas nós perdoamos você e queremos que as coisas voltem ao normal.
Ele não respondeu. Só deu um sorriso apagado, os olhos baixos. Viu mais afastada Kagome, que estava sentada olhando na direção oposta. Ele dirigiu-se até ela. Quando ficou próximo parou hesitando.
— Sente-se aqui Inuyasha. – chamou Kagome sem se virar.
Ele obedeceu. Ao observa-la viu seus braços envoltos em ataduras, sentia o cheiro das ervas medicinais.
— Eu sinto muito realmente. Contei a verdade a você... não esperava tal reação. – Ela começou a dizer, lutando para não chorar. – Se você me perdoar, podemos continuar com os nossos planos quando nossa jornada acabar.
— O que quer dizer Kagome? – ele questionou sentindo esperança. — É você que precisa me perdoar, eu juro que nunca mais chegarei perto de você, é só me pedir.
— Eu já o perdoei, nunca poderia odiá-lo. Eu não quero ficar longe de você nunca mais... – enquanto falava, pegou a mão do meio-youkai. – Vamos tentar seguir em frente.
Ele sorriu aliviado. Não poderia viver sem ela, perdeu o controle. Sua meiga Kagome o perdoara. Ele também a perdoou.
— Sim Kagome. Eu quero seguir em frente.
Com um movimento leve ela levou uma das mãos ao rosto do meio-youkai, e trocaram um beijo suave, enquanto se abraçavam. Uma lágrima rolou pelo rosto de Kagome e quando ela abriu os olhos para se recompor, percebeu que no rosto do seu amado Inuyasha havia uma marca úmida, indicando o rolar de uma lágrima também.
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