KURAI YOKUBÔ (desejos obscuros)
17 capítulo 17- Enfim, você é meu!
Notas iniciais

Minos não esperava ver o rosto de Yoshiki por cima do ombro do senhor Tadaka. O velho empurrou a porta, mas o professor parecia esperar algo do gênero e apontou a arma diretamente para o rosto dos dois.
– Serviço de quarto? Mas que eficiência! – disse Yoshiki com um sorriso cruel.
– Quer saber, vamos acabar com essa palhaçada! Deixe o Misty e o Henry saírem que eu fico com você. – falou Minos se colocando à frente do senhor Tadaka.
– Não, Griffon! – disse o velho.
– Por favor, isso já foi longe demais. – falou Minos.
– Minos! Mas que prazer... Ou eu devo dizer que o prazer começa agora?- Yoshiki encarou-o com um estranho brilho nos olhos escuros.
– Misty, Henry, saiam. Ele feriu algum de vocês? – perguntou o jovem e os dois responderam que não com um movimento de cabeça.
– Ora, ora... a atração do Kabukicho querendo dar ordens. Quem disse que tem esse poder?
Um sorriso distendeu os lábios de Minos.
– Você tá fodido, Yoshiki. Mas, eu posso reverter tudo isso... Se eu disser que fui pra cama com você por livre e espontânea vontade, tudo acaba aqui.
Franzindo o cenho, Yoshiki encarou Minos.
– Você faria isso?
– Se você deixar todos sair...
– E não seria nenhuma mentira. Você se prostituía no Kabukicho e eu sei que estava a fim de ir pra cama comigo. Eu notei cada olhar seu, cada insinuação. Você quis que eu te fodesse daquele jeito, você pediu! – falou Yoshiki com um tom autoritário e insano.
Controlando a repulsa e a raiva que sentiu ao ouvir aquelas palavras, Minos inspirou fundo e continuou a desempenhar o seu papel. Interiormente, se perguntou como podia ter se enganado tanto com aquele homem. Ele o admirara, confiara nele!
– Tem razão, eu quis e... continuo querendo. – falou Minos, insinuante.
Yoshiki sorriu.
– Saiam daqui! – disse ele para Misty, Henry e o senhor Tadaka.
O velho franziu o cenho, enquanto Misty e Henry se olhavam confusos e assustados.
– Façam o que ele disse... – falou Minos se aproximando do professor.
Nesse exato instante, passos foram ouvidos e Yoshiki mudou a expressão.
– Polícia! – gritou uma voz vinda do corredor.
O professor empurrou Misty por cima de Henry que, por conseguinte, atingiu o senhor Tadaka, obrigando-o a recuar em direção à porta aberta. Com extrema agilidade, Yoshiki puxou Minos para si e empurrou os demais, fechando a porta.
Hades se aproximou com o cenho franzido e a expressão dos três, que agora se encontravam no corredor junto à porta, dizia tudo.
– Minos... – murmurou o executivo fechando os punhos com força.
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Kobayashi perdera bilhões em questão de horas. A distribuição da mercadoria nas ruas estava comprometida. A droga vinda da China não seria repassada se não fosse paga e aquele rombo em suas finanças implicava em sérias consequências na imagem que criara para si, tanto como yakuza, quanto como reitor.
Àquela hora, a universidade estava vazia e ele aproveitava o momento para planejar, mas não estava funcionando.
– Merda! – vociferou ele ao desligar o telefone. Seus aliados também haviam perdido muito dinheiro naquele dia e estava difícil receber o devido apoio.
O yakuza inspirou e pegou outro charuto. Assim que o acendeu, uma batida baixa na porta anunciava a chegada dela. A amante jovem conseguia fazê-lo esquecer das agruras e sabia muito bem como entreter um homem.
– Entre! – disse ríspido, mas já excitado.
Shizue entrou com um sorriso malicioso nos lábios pintados de vermelho. Vestia uma capa vermelha e sapatos de salto pretos que a deixavam alta e sedutora. Uma bolsa a tiracolo insinuava que ela trazia algo. Brinquedos eróticos que ela sabia usar muito bem... Anteviu Kobayashi sentindo as cuecas ficarem apertadas.
– Hummm... mas que carinha é essa? Problemas, meu senhor? – disse ela abrindo a capa e revelando o corpo mignon, totalmente, nu.
Os olhos de Kobayashi percorreram a anatomia perfeita que exibia algumas tatuagens florais e a luxúria se sobrepôs ao sentimento desagradável de impotência administrativa.
– Venha cá! – ordenou ele.
A jovem obedeceu, tendo o cuidado de manter a bolsa em suas mãos. Quando ele a colocou sentada em seu colo, ela sorriu e afastou as pernas de forma provocativa.
– Eu sugiro uma brincadeira para acalmar os ânimos... Sinto que está irritado.
– Brincadeira? Eu quero foder você até esquecer esse maldito dia!
Shizue sorriu e levou o dedo de Kobayashi aos lábios, sugando-os devagar, enquanto com a outra mão ela acariciava o membro já excitado sob as calças. Fazendo um biquinho e olhando-o bem dentro dos olhos ela disse:
– Vai me foder com muito mais empenho depois de brincar... Seja um bom menino... Por favor!
Acostumados aos jogos da amante, Kobayashi assentiu. Ela então retirou uma arma de dentro da bolsa que carregava. O yakuza franziu o cenho, porém ela continuou sorrindo com bom humor.
– Vamos brincar de roleta russa do amor. A arma está carregada com uma bala de festim e nós dois nos alternaremos. Aquele que tiver o azar de dispará-la deve pagar uma prenda sexual ao outro. Combinado?
Os olhos escuros de Kobayashi se estreitaram.
– Combinado.
– Eu começo! – disse ela entusiasmada.
O tambor da arma foi girado e fechado, de modo que a localização da bala tornou-se desconhecida. Shizue apontou para a têmpora e apertou o gatilho. Um clic e nada! Tragando o charuto e soltando uma baforada, Kobayashi sorriu e pegou a arma com força, olhando bem dentro dos olhos brilhantes da jovem em seu colo.
– Eu vou te foder por trás em cima desta mesa se eu ganhar...
O som seco e o cheiro da pólvora preencheu o ar quando ele apertou o gatilho. Os olhos do yakuza pareceram vitrificar um segundo antes de ele deixar cair a arma, enquanto uma trilha de sangue escorria de sua têmpora e ele desabava para o lado.
Com uma expressão de escárnio, Shizue saiu do colo do yakuza morto. Por alguns segundos, ela o observou com um sorriso nos olhos e falou baixinho:
– Hasta la vista, baby! Lembranças da minha senhora Seiko e de seu irmão Hiroaki. Boa estadia no inferno, seu otário!
Em seguida, ela trocou os sapatos de salto por uma sapatilha e colocou um boné. Deixou a sala verificando se havia algum segurança no corredor, mas não viu ninguém. Em seguida, pegou o celular e ligou para a portaria. Uma gravação foi acionada de forma que o porteiro acreditava estar conversando com alguém que lhe pedia informações. Desta forma, enquanto ele estava ao telefone, ela se esgueirava e deixava o local sem ser vista. Já na rua, retirou o boné e soltou os cabelos com um sorriso largo. Sentiu-se a própria *Nikita e seguiu até encontrar o carro que estacionara algumas quadras dali.
Missão cumprida! Disse a si mesma com orgulho, enquanto girava a chave na ignição e voltava para casa.
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Afrodite estava impaciente, uma agonia lhe preenchia o peito sem que soubesse a razão para tal. Ele havia preparado um cappuccino do jeito que Ângelo gostava e esperava que ele chegasse logo, mas algo parecia errado e ele pensava em ligar para Minos, quando o executivo chegou com um pacote nas mãos e um sorriso nos lábios.
– Tome, demorei porque queria trazer-lhe isso. – disse ele estendendo o pacote e beijando-o nos lábios.
Uma expressão de surpresa surgiu nas feições bonitas do loiro, mas foi substituída por um sorriso ao ver do que se tratava.
– Você conseguiu! – disse ele após ter desembrulhando o pacote.
– É o tom que você queria?
– Sim! Eu não sei o que seria de mim sem você! – respondeu Afrodite se dependurando no pescoço do executivo.
– Gosto de vê-lo sorrir desse jeito. – disse Ângelo, agora enlaçando o loiro pela cintura e beijando-o profundamente.
Após o beijo, Afrodite continuou sorrindo, porém aquela sensação que tivera antes continuava a assombrá-lo.
– O que foi bello?– perguntou o executivo.
– Eu... Eu estou com uma sensação ruim, como se algo fosse acontecer.
– Você está sensível com tudo isso. – disse Ângelo abraçando-o mais forte.
– Tomara... – falou Afrodite afundando o rosto no peito forte do executivo.
Entretanto, quando ambos bebiam o café e ligavam a TV para assistir ao noticiário local, uma notícia chamou-lhes a atenção.
Há uma movimentação da polícia em torno do Hotel Hankyu. Ainda não temos informações do que está acontecendo, porém cremos ser uma operação para prender integrantes da yakuza. Recebemos a informação que o executivo conhecido como imperador do Shinjuku, o senhor Hades, se encontra junto ao inspetor que comanda a operação. Não sabemos o porquê, nem se a informação procede. No entanto, estamos verificando e informaremos logo que soubermos dos detalhes.
– Está vendo? Eu sabia que algo estava acontecendo! – falou Afrodite apertando a xícara em sua mão.
– Se Hades, realmente estiver lá significa que tem a ver com o Minos. – disse Ângelo.
– Ai, minha santa Amaterasu! Não permita que aconteça nada ao Minos.
– Vamos até lá. – falou Ângelo.
Imediatamente, Afrodite colocou a bota ortopédica trazida por Máscara da Morte e logo os dois rumavam até Osaka.
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– Obrigado por me convidar para jantar. – Shun estendeu a mão para o homem grisalho que estava sentado no bar do hotel, bebendo uma dose de uísque.
Theo Konstantos ignorou a mão de Shun e bufou rudemente, não erguendo os olhos do copo que tinha em mãos. Entretanto, uma voz suave os interrompeu e logo uma senhora muito bem vestida e parecida com Aiolia juntou-se a eles.
– Boa noite, Shun! Perdoe o meu marido. Ele se transformou em um velho mal-humorado e também sem educação.
Aiolia sorriu e beijou a mãe no rosto, ignorando o pai que continuava bebendo sem encará-los.
– Pedi que reservassem um lugar para nós no restaurante do hotel. Seu pai e eu ficamos um tanto perdidos neste país.
– Eu peço desculpas por não ir esperá-los no aeroporto. – disse Aiolia. — Este é o Shun. – completou apresentando-o com um sorriso que mascarava a tensão que sentia pela atitude do pai. Quando sua mãe sugerira aquele jantar, pensara que seu pai estivesse em comum acordo.
– Ora, nós trocamos de voo trocentas vezes! Não teria como nos apanhar nem que quisesse. – falou Aidé. – Shun, Aiolia havia descrito a sua beleza, mas admito que eu não o imaginava tão bonito assim. Você parece um anjo...
– Obrigada, senhora Aidé. Agradeço o convite para jantar e me sinto muito honrado com os seus elogios. – disse Shun sentindo o rosto corar.
– Ah, meu filho! Seu namorado é uma gracinha. – disse ela beijando Shun no rosto.
Theo observou a cena, bebendo o restante do uísque. Não concordava com aquilo, não imaginava que o único filho que lhe restara tivesse uma relação estéril, sem netos com o seu sangue para herdar tudo o que havia construído.
– Querido, deixe de ser mal-educado e cumprimente os dois! – falou Aidé com um tom autoritário.
O homem levantou do banco e encarou os três.
– Estou aqui por insistência da sua mãe. Não concordo com nada disso, portanto não me incluam em nenhum assunto.
Aiolia cerrou os dentes e o encarou de volta. Não deixaria de responder àquela provocação de forma adequada. Não mais!
– Como quiser pai, eu não imaginei que estivesse sendo forçado a vir até o Japão nos encontrar. Portanto, sinta-se livre para nos deixar.
– Está me excluindo? – perguntou Theo.
– Eu o excluindo? Não. O senhor mesmo acabou de fazê-lo no momento em que recusou cumprimentar Shun. Não precisamos ser maltratados, nem aceitos. Eu e Shun estamos vivendo juntos e isso é um fato consumado. Não estamos aqui para pedir a sua bênção ou qualquer outro tipo de aprovação.
A resposta dura fez com que Theo sentisse o sangue ferver. Aiolia jamais falara com ele daquele jeito.
Shun sentiu o clima tenso e apertou a mão de Aiolia que não deixara de segurar a sua desde que haviam entrado no hotel.
– Bem, agora que esclarecemos tudo, vamos jantar? – perguntou Aidé sem exibir nenhuma nota de constrangimento.
– Vamos. – respondeu Aiolia com um sorriso tenso.
Theo ficou parado. Então Aidé olhou-o como se ele fosse uma criança rebelde e ele juntou-se aos três, carrancudo e em silêncio.
O jantar transcorreu animado, mesmo que Theo nada falasse. Shun sentia os olhares dele sobre si, porém Aidé estava sendo tão agradável que ele se policiava para continuar agindo com desenvoltura. Os anos em que fora obrigado a aturar clientes de todos os tipos o haviam preparado para lidar com o constrangimento. Mesmo que fosse, apenas, aparente, ele se mostrava confiante ao lado do leonino.
A comida foi servida e todos experimentaram os frutos do mar e o bom vinho que fora servido. De repente, Theo colocou a mão no pescoço, o rosto tornando-se vermelho. Ele se levantou em desespero e Shun não hesitou, pegou-o por trás, inclinou-lhe o corpo para frente e apertou-lhe a cintura, entre o tórax e o abdômen num movimento forte e intenso para cima. A pressão fez com que Theo cuspisse o pedaço de lagosta que o fizera se engasgar.
Aidé e Aiolia ficaram perplexos com a rapidez e atuação de Shun. Theo foi amparado pelo jovem que o olhou preocupado.
– O senhor está bem?
Completamente atônito e ainda tossindo, Theo encarou Shun.
– O-Obrigado. – disse ele.
– Sente-se aqui e respire. Logo se sentira melhor de novo. Garçom, por favor traga um copo de água! – disse Shun.
Se aproximando de Theo que já conseguia inspirar profundamente, Aidé e Aiolia o cercaram, um de cada lado.
– Querido... que susto! – disse Aidé tocando-o no rosto.
– O senhor está bem, pai?
Theo elevou os olhos encontrando os de Shun e, em seguida, os de Aiolia. Por alguns segundos, experimentou uma enorme gratidão para com aquele jovem que destratara sem nem ao menos conhecer direito. A vergonha acompanhou o sentimento e ele estendeu a mão.
– Muito prazer, Shun e obrigado por salvar a minha vida.
– O prazer foi meu, senhor Theo. – respondeu o jovem com um sorriso tímido.
O resto da noite foi aproveitado com muita conversa e risadas. Theo mudara da água para o vinho. Não que concordasse com a relação, mas sua honra lhe dizia para passar por cima de seu orgulho e crenças. Aquele jovem salvara a sua vida. Se estivesse no lugar dele, talvez não agisse com tanta abnegação. Shun era um rapaz forte e decente como poucos. Pelo menos, devia a ele consideração e, também, educação.
– Olhe, não vou mentir que aceito vocês dois nessa relação de... casamento. Mas, tenho que admitir que você, Aiolia, tem ao seu lado um rapaz decente e com bom coração. E já que não me compete interferir na sua vida, faço um brinde para que vocês dois fiquem bem. – disse Theo elevando a taça com vinho.
Aiolia sentiu os olhos marejados e Aidé também. Shun abriu um sorriso e tocou a sua taça na de Theo, brindando. Podia não ter sido uma noite perfeita, mas ainda assim, o final dela se revelava justo e feliz.
– À saúde do amor! – disse Aidé.
– À saúde do amor! – responderam todos e a conversa seguiu animada até altas horas.
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Hades sentiu uma ira contida e gelada. Os pensamentos tomando sua mente junto a uma enxurrada de sentimentos. Minos está em perigo com aquele homem insano! Eu pedi para que não o fizesse! Droga, Minos!
– Senhor Yoshiki, pedimos que saia com as mãos para cima! – gritou o inspetor.
Silêncio. Nenhum movimento. Nada.
A ordem se repetiu.
Dentro do quarto, Yoshiki olhou para Minos.
– Diga a eles o que me prometeu.
– Abaixe esta arma e saia comigo. Vamos esclarecer tudo. – respondeu Minos.
Yoshiki levou a mão aos cabelos e depois limpou a testa suada. Sua mente estava assolada pela dúvida. E se a polícia o estivesse procurando por outro motivo? E se Kobayashi tivesse sido denunciado também e agora armara para ele? Ele era um yakuza e, certamente, haveria de passar a responsabilidade a outrem que no caso, bem podia ser um professor!
– Preciso pensar. – disse ele em voz alta.
– Pensar no quê? – indagou Minos.
– Fique calado! – gritou Yoshiki.
Minos foi em direção à porta.
– Pare! Não me obrigue a atirar!
– Quer saber? Você é um homem patético! Se quiser mesmo atirar, atire! – provocou Minos.
O professor andou na direção do jovem, encostando a ponta do cano na testa de Minos.
– Você acha que eu não tenho coragem? Quem é você para me chamar de patético, seu putinho de merda?
– Sou mais homem que você! Pelo menos nunca estuprei ninguém! – devolveu Minos sem demonstrar medo perante o ato.
Yoshiki fuzilou-o com o olhar e, em seguida, bateu com a arma no rosto de Minos, fazendo-o cambalear e bater com as costas na porta. Ao mesmo tempo, uma voz que ele conhecia muito bem se fez ouvir:
– Yoshiki, chega desta loucura! Deixe Minos sair e se entregue. – disse Hades percebendo que algo acontecera.
O professor pegou Minos pela gola da camiseta. O jovem estava estonteado e sangrava abundantemente no supercílio.
– Venha aqui, putinho. Seu amante também está aí achando que pode me dar ordens! Pois vou mostrar a ele e a todo mundo com quem estão lidando.
A porta se abriu e armas foram apontadas para Yoshiki que segurava Minos junto a si. A visão do jovem ensanguentado fez Hades conter a respiração antes de olhar com mais atenção e constatar que era um ferimento superficial. A ira, já existente, se intensificou fazendo-o enrijecer o maxilar.
– Professor, não faça nenhuma loucura. Se entregue e vamos conversar! – falou o inspetor.
– Ouça o que ele diz. Você está indo longe demais. – disse Hades com os dentes cerrados.
Yoshiki olhou na direção do elevador que estava parado no andar.
– Eu vou para a cobertura. Não tentem nada e ninguém sairá ferido.
Ditas as palavras, ele entrou no elevador com Minos e apertou o botão, subindo quase imediatamente.
A polícia foi atrás, subindo as escadas e Hades os acompanhou. Ao chegar à cobertura, viram que Yoshiki mantinha Minos junto ao corpo e andava junto à murada procurando uma saída. Hades ser aproximou lentamente.
– Solte-o. Eu vou fazer você pagar muito caro pelo que fez e continua fazendo. – disse encarando o professor bem dentro dos olhos.
Uma gargalhada em tom histérico irrompeu o ar.
– Olhem só que ironia! O grande Hades de quatro por um puto do Kabukicho!
– Solte-o. – falou Hades, novamente, se aproximando um pouco mais.
Em meio ao sangue que escorria do supercílio, Minos percebeu o deslocamento estudado de Hades. Lembrou-se de vê-lo fazer aquilo quando praticava Kendô. Os movimentos eram lentos e enganadores, pois quando piscava os olhos, ele estava a sua frente como um predador. Resolveu ajudar um pouco pisando no pé de Yoshiki e levando o cotovelo às costelas dele, a fim de libertar-se da contenção. Pego de surpresa, o professor se desequilibrou, deixando cair a arma. Minos saiu de perto de Yoshiki, deixando-o à mercê dos policiais que apontavam as armas diretamente para seu peito.
O professor subiu na murada numa atitude desesperada.
– Eu não tenho culpa de nada! – gritou ele.
– Se acalme e desça! – ordenou o inspetor.
– Não! Eu não vou ser preso por causa de um puto, nem por causa de um reitor corrupto! – gritou Yoshiki com o corpo oscilando.
O inspetor baixou a arma, tentando convencê-lo a descer.
– Fique calmo e desça!
– Não! – gritou o professor e olhou para baixo.
No instante em que ele fez menção de pular, Hades foi rápido e saltou junto dele, pegando-o pela gola do casaco. Assim que o impediu, o imobilizou com maestria, entregando-o para a polícia.
Algemado, Yoshiki encarou Hades com perplexidade.
– Por que me impediu? – perguntou ele.
O olhar com que Hades o encarou estava tão carregado de ódio que Yoshiki estremeceu.
– A morte seria um prêmio para um homem desprezível como você. Vai viver e vai se arrepender dia, após dia, de ter tocado em Minos. Pode ter certeza. – respondeu o executivo.
– Eu sou um professor e sou filho de um empresário importante. Minos é só um puto! Ele não vale o que você pensa! – gritou Yoshiki.
Hades não respondeu. Olhou para Minos que vinha na sua direção e foi ao encontro dele, segurando-o pelos ombros com o cenho franzido.
– Eu disse para não se colocar em risco! Minos, o que eu vou fazer com você? – falou o executivo com um suspiro profundo.
O jovem sorriu de forma provocativa.
– Que tal fazer... amor?
– Eu falei sério, Minos! Você podia ter se ferido gravemente ou até ter sido morto! – disse Hades abraçando-o com força.
– Eu sei. – respondeu o jovem encostando o rosto no ombro do executivo, manchando-o com seu sangue.
Misty, Henry e o senhor Tadaka juntaram-se aos dois, enquanto a polícia levava Yoshiki.
– Você está bem, jovem Griffon? – perguntou Tadaka.
Minos sorriu, mesmo vendo todos em dose dupla. Hades percebeu que ele estava relaxando em seus braços e ficou tenso.
– Senhor Tadaka, nos leve ao hospital. – disse o executivo.
– Nós iremos depor. – falou Misty. – Nos deem notícias, por favor.
Hades assentiu com a cabeça e olhou para Minos.
– Fique comigo. Vou levá-lo ao hospital. – disse ele.
– Eu estou bem, só um pouco tonto. – respondeu o jovem sentindo os joelhos amolecer.
Após despistar os repórteres, o senhor Tadaka os deixou no Hospital. Minutos depois, Minos se encontrava sob os cuidados de uma enfermeira que limpava a ferida no supercílio e, em seguida, dava alguns pontos.
– Vai ficar uma pequena cicatriz. – disse ela colocando o esparadrapo sobre a gaze e finalizando o curativo
– Tudo bem. – respondeu Minos sentindo a boca seca.
– É normal que se sinta um pouco tonto e que tenha dor de cabeça por uns dias.
– Eu estou é com sede.
– Tome. – disse ela estendendo um copo com água junto com um analgésico.
Minos colocou o comprimido na boca e bebeu toda a água do copo descartável.
– Perfeito. Agora já pode ir. Seu amigo o espera na sala ao lado. Descanse e, feliz aniversário!
O jovem sorriu, lembrando que faltavam apenas algumas horas para que completasse dezoito anos.
– Obrigado. Tinha até me esquecido do meu aniversário. – disse ele se levantando.
Hades o esperava na sala, como a enfermeira dissera. Estava perto da janela com o semblante fechado e a postura ereta. Observou-o por alguns segundos com certa ansiedade. A presença magnética parecia preencher aquele espaço e o fazia temer que o executivo estivesse furioso e que isso alterasse os sentimentos dele ou, até mesmo suas intenções.
– Terminei! – disse Minos tentando aparentar calma.
O olhar que recebeu de Hades provocou-lhe um arrepio na espinha. Esperava uma expressão dura, mas o que encontrou foi preocupação.
– Vamos para casa. – falou o executivo.
– Desculpe. Eu... não queria causar mais esta preocupação a você. – disse o jovem.
Os dedos longos do executivo tocaram a face de Minos com suavidade.
– Creio que tenho que me acostumar com isso. Você é impossível, sabia?
Um sorriso de alívio distendeu os lábios de Minos e ele não se conteve. Tomou a boca de Hades na sua, beijando-o com força. O ato surpreendeu o executivo que deixou-se invadir pela língua ávida.
– Desculpe de novo... – murmurou Minos se afastando dos lábios do executivo.
– Duas travessuras num mesmo dia. Acho que vou ter que castigá-lo por isso. – Falou Hades com o olhar carregado de desejo.
– É meu aniversário, não pode me castigar. – provocou Minos.
– Verdade. Então, infelizmente, eu tenho que esperar... Afinal, a pressa é inimiga da perfeição. – retrucou Hades.
Os dois sorriram e se preparavam para deixar o hospital sob o olhar curioso de algumas enfermeiras que ora suspiravam, ora questionavam sobre o tipo de relação existente entre aqueles dois.
Assim que chegaram à porta de saída, encontraram Afrodite e Máscara da Morte que estavam ansiosos e preocupados.
– Minos! – falou Afrodite notando o curativo acima do olho esquerdo do amigo.
– Oi, Afrodite. Como sabiam que estávamos aqui?
– O noticiário, meu bem! Já sabemos tudo o que aconteceu com aquele homem horroroso.
Ângelo olhou para Hades.
– Soubemos que Yoshiki foi levado direto para a prisão.
– Sim, ele foi.
– Também nos contaram que ele tentou se matar e você o salvou. – continuou Ângelo fitando Hades dentro dos olhos.
– É verdade.
– Então você pensa como eu. A morte é uma saída muito fácil.
– Exatamente.
– Você deve ter um plano. – falou Ângelo chegando bem próximo do executivo, de forma que o que dizia só podia ser escutado pelos dois.
– Sua perspicácia me comove. – respondeu Hades.
– E a sua me faz parecer um anjo- — devolveu Ângelo com um sorriso malévolo.
Enquanto os dois conversavam baixo, Afrodite questionava Minos sobre os acontecimentos. O jovem não pode evitar rir da bota ortopédica do loiro no mesmo tom de cor do jeans azul claro.
– Eu não acredito que você fez o Ângelo comprar uma bota azul que combinasse com a sua roupa!
– E o que tem demais? Enquanto você se arrisca com o psicopata nerd, eu procuro amenizar o fato de ter que usar essa bota horrível por mais quinze dias!
– Que coisa mais gay, Afrodite!
– E o que nós somos, delícia albina? Tá se achando o machão só porque gosta de andar de mãos dadas com o perigo? Eu sei bem quem é que come, nesta relação, ouviu?- disse Afrodite elevando uma sobrancelha.
– É... você tem razão. Mas, um dia eu ainda consigo inverter essa posição. – disse Minos sorrindo.
– Não se esqueça de me contar com todos os detalhes! – completou Afrodite rindo.
– E então, podemos ir? – perguntou Ângelo se juntando aos dois.
– É claro, amor... – respondeu o loiro com um olhar sugestivo.
Ângelo puxou-o para si e o beijou sem se importar de estarem em público. Logo, os quatro deixaram o hospital e rumaram para os seus respectivos destinos.
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No quarto amplo e iluminado apenas pela luz do abajur, Hades e Minos tateavam o corpo um do outro, despindo as roupas e decorando cada centímetro de pele percorrido...
Hades tocava o corpo de Minos com urgência e ardor, mas também com uma ternura que deixava o jovem totalmente entregue. Precisavam daquele momento como se estivessem no deserto ansiando por água. A tensão dos momentos vividos com Yoshiki explodia numa busca de mãos e corpos que se roçavam e completavam. Podia tê-lo perdido! Pensou Hades ao vislumbrar o curativo no supercílio de Minos e sentir um princípio de ira, emoção que tratou de suprimir. Haveria tempo para aplacá-la...
Os lábios de Minos se abriram para Hades com avidez e ele invadiu-lhe a boca, explorando o calor da língua e a textura dos lábios desenhados. O moreno prendeu-lhe o lábio inferior entre os seus para depois beijá-lo com ardor, as línguas sôfregas tocando-se com luxúria, deixando rastros de calor e saliva.
Deliciado, Minos gemeu quando Hades esfregou o nariz pelo seu rosto e mordiscou-lhe a depressão entre o pescoço e o ombro, enquanto as mãos deslizavam de encontro aos mamilos. Com um arquejo, o jovem enterrou os dedos pelos cabelos negros do executivo e puxou-lhe a cabeça para mais perto. Sorrindo, o moreno tomou um dos mamilos na boca, roçando a língua e sugando, enquanto acariciava o outro e esfregava sua dura ereção entre as pernas do amante, fazendo-o antever o que viria.
Olhando-o fixamente, Hades escorregou para baixo, o contato da língua úmida e quente abrindo um caminho de fogo na pele alva de Minos. Abriu-lhe as pernas, empurrando cada joelho para cima de seus ombros e começou a acariciar-lhe a virilha com longas lambidas.
Uma sensação ondulante de prazer sacudiu Minos e ele arfou. Quando a boca de Hades fechou-se sobre o falo túrgido do jovem, ele se contorceu num espasmo e o moreno iniciou um movimento sensual de sobe e desce, sentindo o pulsar violento do membro em sua língua, arrancando gemidos entrecortados, segurando as nádegas dele com firmeza e enlouquecendo-o com aquela carícia íntima que também lhe dava prazer.
Ondas de desejo tomavam de assalto o corpo de Minos, a pele suada exibia um brilho lascivo, os mamilos enrijecidos chegavam a doer, as mãos crispavam-se sobre os ombros de Hades e ele aproximava-se do prazer enlouquecedor que sempre sentia quando fazia amor com o executivo.
Sentindo a proximidade do orgasmo do amante, Hades interrompeu a exploração oral e voltou junto da boca arfante de Minos, sussurrando antes de beijá-lo com luxúria:
– Nunca mais se exponha ao perigo... Nunca mais me faça sentir medo de perdê-lo... Prometa.
Arfante, Minos olhou-o e fez uma careta.
– Está me castigando... – gemeu ele.
– Prometa. – repetiu Hades.
– E-Está bem... Eu prometo. – falou Minos arqueando o corpo.
Deslizando a mão entre os dois corpos e guiando Hades para dentro de si, Minos percebeu o pulsar da ereção do moreno em sua entrada, sentindo as gotas da excitação do amante lubrificá-lo num delicioso tormento. A língua de Hades buscou a de Minos num beijo alucinantemente lento e profundo, enquanto roçava o falo com a mesma lentidão, sentindo os anseios da carne, mas ainda assim controlando ao máximo o desejo de se enterrar com força dentro dele...
Minos se contorcia, faminto, desejoso de acolher aquele homem dentro de si com um desespero. Sua respiração estava acelerada e ele agarrava-se aos ombros de Hades, quase implorando que ele o penetrasse logo.
Percebendo a vontade do jovem, o executivo levou os dedos a entrada do amante e o tocou, lentamente, preparando-o, sentindo as contrações que o faziam antever o prazer de ter seu falo dentro dele. Minos gemeu e mexeu o corpo convidativo, aprofundando-se nos dedos e na boca de Hades, abrindo mais as pernas para que ele percebesse o quanto o queria.
Mais uma vez, Hades correspondeu. Retirou os dedos e introduziu seu falo, penetrando-o com um só movimento. Minos gemeu alto e envolveu-o com as pernas, sem dar-se o tempo para acostumar-se à invasão. Cravou as unhas nas costas musculosas, incentivando-o a enterrar-se mais dentro dele e sussurrou rouco:
– Me come... não aguento mais...
Minos passou as pernas em torno das nádegas rijas de Hades colando-se a ele e conseguindo o que queria. Jogou a cabeça para trás com um gemido longo, glorificando-se no prazer sensual de ser tomado por inteiro.
Todo o controle que Hades manifestava esvaiu-se com aquele gesto e ele moveu-se estocando fundo, grunhindo ao sentir-se acolhido tão profundamente pela cavidade estreita e quente. Os dedos másculos se enterraram quase em desespero nas nádegas moldadas de Minos, os quadris moveram-se insanos, investindo e recuando... O jovem acompanhava os movimentos, apartando mais as pernas, absorvendo cada sensação, enquanto a pressão do falo de Hades em seu interior o levava a sentir uma avidez tensa, crescente, violenta...
O executivo sentia o clímax se aproximar, seu corpo se contraindo, latejando num suplício que implorava pelo alívio. Os dois deliravam com as bocas entreabertas, com o suor que vertia de todos os poros e os movimentos acelerados que traziam o orgasmo.
As pupilas de Hades estavam dilatadas, os lábios foram de encontro ao pescoço de Minos, mordendo-o. O jovem abriu os olhos e sentiu intensificar seu prazer, permitindo com o corpo e com o coração que o executivo soubesse que se entregava totalmente... Hades era seu e ele era dele. Isso era amor.
Os dentes de Hades roçaram no pescoço alvo de Minos e ele ofegou, tomado por um tremor convulso que só não o separava do executivo, porque era segurado com força e possessivamente.
– Eu te amo, Minos...
A frase dita uma fração de segundo antes de liberar seu sêmen numa explosão de prazer fez Hades vivenciar um orgasmo longo e seu corpo pareceu estilhar-se em mil pedaços de luz.
Minos sentiu-lhe a tensão e apertou as pernas em torno da cintura estreita sentindo-se inundado pelo esperma quente e seu corpo respondeu num ápice violento fazendo-o se contorcer em espasmos múltiplos, gritando o nome de Hades e mergulhando num clímax avassalador que lhe roubou o ar dos pulmões.
– Também te amo... muito. – disse o jovem antes de fechar os olhos e sorrir.
– Feliz aniversário... – falou o executivo ao perceber a hora piscando no relógio digital ao lado da cama.
Trêmulo, ofegante e com os olhos ainda fechados, Minos murmurou:
– Tive medo que desistisse de mim.
– Eu jamais desistiria de você.
O jovem abriu os olhos, encontrando os do executivo sobre si. Tinha a certeza que aquele olhar era só seu, permeado de amor e confiança. Tocou-lhe o rosto e sorriu.
– Venha cá. – disse ele e logo as bocas estavam unidas, novamente.
Hades acariciou o rosto juvenil, tomado por um sentimento inusitado e forte que o colocava numa linha tênue feita de vulnerabilidade e força. Franziu o cenho ao ver o curativo e o pequeno inchaço. Estendeu o braço e retirou algo que estava debaixo dos travesseiros dispersos.
– Tome. – disse ele dando uma chave a Minos.
Minos olhou constatando ser uma chave de carro.
– Ganhei um carro?
– Sim, espero que goste. Se não gostar do modelo ou da cor, é só trocar.
– Obrigado.
– Não fui feliz na escolha do presente? Não parece entusiasmado. – disse Hades se apoiando nos cotovelos e elevando uma sobrancelha.
– É claro que gostei. É só que... Ah, deixa pra lá. Mesmo sendo rico, você deve ter gastado pra caramba e não vou ser ingrato. Vamos levantar e dar uma volta nele! – respondeu Minos com mais entusiasmo na voz.
Fitando-o bem dentro dos olhos, Hades percebeu o que Minos desejava. Seu amante passional não ligava para questões materiais. O que importava para ele era a expressão intensa e aberta dos sentimentos, diferente de si que sempre resguardara suas emoções. A infância vivida sob o espectro do abuso o fizera construir uma muralha sólida que o afastava da entrega total. Era mais fácil dominar e agir. No entanto, Minos fora o único a penetrar em suas defesas e em seu coração, então... era o momento de arriscar e vivenciar a plenitude daquele amor.
– Sim, nós vamos dar uma volta depois. Antes, nós temos algo a fazer. – disse Hades.
– E o que seria, meu senhor? – provocou Minos.
Hades sorriu.
– Ainda tem mais um presente e creio que este será mais do seu agrado.
– E que presente é este? – perguntou Minos, curioso.
– Um ritual...
– Ritual?
– Sim. De iniciação para você e de passagem para mim.
– Você está dizendo o que eu estou pensando? Você está disposto a...
– Venha, Minos... Mostre-me do que é capaz. – disse Hades puxando o amante para junto de si.
Minos estremeceu. Queria muito sentir-se dentro de Hades, ouvi-lo gemer rente ao seu ouvido e dar-lhe todo o prazer que sabia ser capaz. Sabia que aquela decisão havia custado muito ao executivo e não podia decepcioná-lo!
– Tem certeza?
– Está com medo?
Minos hesitou por um instante, mas a proposta era tentadora e inusitada. Desde quando eu recuo diante de um desafio? Nunca! Disse para si mesmo com uma expressão confiante.
– A palavra medo não existe no meu dicionário, meu caro...
Hades jogou a cabeça para trás, mas manteve o olhar fixo no dele, guiando-o para dentro de si...
Minos sorriu e segurou-lhe as mãos.
– Ainda não... Agora sou eu quem conduz as coisas e... quero aproveitar cada centímetro deste seu corpo gostoso sem nenhuma pressa....
Os dedos longos e talentosos do jovem exploravam a curva das axilas, apertavam os quadris e deslizavam sobre os mamilos rijos, enquanto seus lábios, língua e dentes provocavam a carne sensível e ardente de Hades fazendo-o entreabrir os lábios e gemer, agarrando-se a ele com força.
O executivo havia esquecido o quanto aquela boca sabia provocar prazer. Desde os beijos profundos, em que a língua dele mergulhava quase em fúria, buscando a sua, até agora em que ele a deslizava por todos os centímetros de sua pele num lento e tortuoso assalto ao seu corpo, arrancando tremores, deixando rastros, fazendo-o arder e morder os lábios para não gemer alto.
A boca de Minos continuou a explorá-lo cada vez mais profundamente, até chegar ao falo, tomando-o por inteiro e levando-o às profundezas de sua garganta.
Hades sentiu as mãos fortes agarrando as suas nádegas em concha e erguendo-o na direção da boca exigente, quente e úmida que executava movimentos de vai e vem, num ritmo lento e alucinante. Com um gemido de prazer, viu Minos abandonar o falo e mordiscar a parte interna de sua virilha, chupando e lambendo todo o seu baixo ventre, insinuando a língua em sua entrada, fazendo-o contorcer os quadris.
Seus calcanhares se fincaram nas costas de Minos quando ele inseriu um, depois dois dedos dentro de si e aumentou a intensidade e a velocidade dos movimentos com a boca, sugando o falo com força, enquanto penetrava-o com aqueles dedos experientes.
A forma como o amante o tomava, cada toque sensual e demorado com a língua era por demais alucinante e o executivo não conseguiu suportar mais, cedendo àquela varredura erótica que vinha crescendo dentro dele como um fogo líquido embrenhando-se pelas veias. Seu corpo tremeu e foi sacudido com violência pelo clímax rápido e intenso. Ele agarrou-se a Minos, cravando com força, seus dedos nas costas suadas.
– M-Minos! – gritou, enquanto o jovem colhia aquele orgasmo em sua boca e sorvia com gosto, orgulhoso de deixá-lo, naquele estado.
De olhos fechados, Hades arfava e tentava normalizar a sua respiração.
– Pelos deuses... Isso foi...
– Só o começo! – emendou Minos, invadindo a boca do executivo com a língua ainda impregnada com o seu prazer, deixando-o sem fôlego.
O beijo atiçou Hades, deixando-o pronto para o que viria a seguir... Nenhuma palavra foi dita, a linguagem que se seguiu era somente a dos corpos se entregando, ardendo juntos. Com cuidado, Minos penetrou-o devagar com os dedos, arrancando um gemido abafado do amante, cuidando cada expressão. Quando o sentiu relaxar, posicionou-se para penetrá-lo e o fez com cuidado, sabendo que aquela entrega era um presente oferecido somente a si e precisava honrá-lo.
Hades estava completamente enredado naquela teia de prazer e, ignorando a dor inicial, começou a movimentar os quadris, estimulando Minos a mover-se dentro dele e deixar escapar um gemido de puro êxtase em sentir-se tão apertado e quente.
Arquejando e pressionando todo o seu corpo contra o de Minos, Hades abriu mais as pernas, fazendo com que ele entrasse cada vez mais fundo, mais rápido e mais intenso dentro de si. O rosto afogueado de Minos e o brilho aquoso nos olhos violáceos mostravam o prazer que ele sentia em apossar-se daquele corpo que sempre o enlouquecia e despertava em si um amor raro e infinito, capaz de curá-lo de todas as dores, de fazer emergir quem ele era...
Moveu-se com força para sentir melhor o calor úmido que emanava de Hades e, enquanto movia-se dentro dele, sentia a pulsação furiosa do sangue em seu pescoço, coração e falo. Todas as células do corpo inundando-se de uma luxúria possante, ao ponto de fazê-lo arfar descontrolado e sentir a aproximação do gozo eletrizando até o último fio dos seus cabelos.
Olhou para Hades que fechara os olhos e estocou com mais força, vendo-o cerrar os dentes e arquear o corpo. Ambos estremeceram convulsos, quase ao mesmo tempo, os gemidos intensos vibrando na carne quente, o suor vertendo por todos os poros...
Minos grunhiu ao alcançar o orgasmo e puxou Hades para si, afundando-se mais dentro dele, esgotando cada gota de seu prazer na cavidade quente que, contraía-se e o apertava mais forte. Neste momento, Hades gemeu e abriu os olhos em meio aos espasmos de seu corpo, derramando-se no tórax de Minos e sentindo o sêmen dele derramando-se dentro de si.
Ficaram abraçados, durante um tempo. Hades sorriu sentindo o coração de Minos batendo tão forte que parecia ecoar por todo o corpo. Encostou os lábios em seu pescoço e falou com voz rouca:
– Feliz aniversário... Se eu soubesse que era tão bom assim, tinha feito essa proposta há mais tempo.
Minos sorriu, confiante e feliz. A visão fez com que Hades sentisse a felicidade dele em si também e uma leveza que jamais sentira em toda a sua vida.
Ainda ofegante Minos beijou-o nos lábios, murmurando.
– Esse é o melhor presente de toda a minha vida. Amar você não tem preço! Cara, você é gostoso pra caramba! Ainda não acredito que deixou eu te comer!
Hades gargalhou e o som reverberou pelo quarto amplo. Somente Minos tinha aquele poder. O poder de fazê-lo sentir-se livre, intenso, amado.
– Do que está rindo? – perguntou Minos próximo dos lábios entreabertos.
– Da felicidade de ter você. – respondeu Hades puxando-o para cima de seu corpo.
– E agora? Como vai ser daqui para frente?
– Nós vamos morar juntos e continuar tendo prazer, muito prazer. – falou Hades e foi a vez dele insinuar-se sobre o corpo quente do amado.
– Você está dizendo que nós vamos morar juntos, tipo casamento?
– Estou. Você pode ser emancipado e assim se tornar apto para assumir um compromisso.
Os olhos de Minos se iluminaram e ele sorriu.
– Você quer mesmo ficar comigo? Tem certeza?
– Absoluta.
– Mas isso significa que nós...
– Vamos assumir um relacionamento público. Está preparado? – perguntou Hades segurando o queixo de Minos e fitando-o bem dentro dos olhos.
Minos não conseguia parar de sorrir, o olhar intenso e entusiasmado.
– Totalmente preparado!
Hades beijou-o de leve nos lábios.
– Então vamos, precisamos festejar.
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Naoko olhou para o quimono vermelho com gardênias brancas estampadas ao fundo. Tocou o tecido e sorriu. Sua cunhada havia lhe presenteado com ele, dizendo ser um vestido de casamento. Lembrou-se das palavras dela: Viva o amor como se fosse morrer a qualquer instante! Só assim você terá a verdadeira dimensão deste sentimento em seu coração. Não se importe com a tradição, fique com seu homem e seja feliz.
Sim, Seiko entendia do que falava, pois ela era apaixonada por Hiroaki e, embora seu irmão tivesse mudado bastante, ainda assim isso não configurava a certeza de uma relação verdadeira. Mas para ela, nada importava a não ser estar com Hiroaki.
Espero que você também seja feliz, Seiko. Pensou Naoko.
– Irmã, nosso pai...! – a voz da irmã mais nova fez a oyabun olhar na direção da porta.
– Estou indo. – falou Naoko já sabendo do que se tratava.
Tadashi parecia menor em meio ao futon. Ele havia emagrecido bastante e seu rosto estava encovado pela doença. Ele olhou na direção de Naoko, tendo o filho que amava ao seu lado segurando a sua mão. Hiroaki estava com os olhos inchados, porém secos.
– Filha...
Ouvi-lo chamá-la de filha fez o coração de Naoko se apertar. Os últimos dias de Tadashi haviam sido de longas conversas sobre o destino da família e também do orgulho que sentia dela. Ele estava morrendo e ela seria, definitivamente, a oyabun da Gardênia com todo ônus e bônus desta tarefa.
– Estou aqui, pai.
– Se aproxime... Chegou a minha hora.
Ela endireitou a postura e caminhou com passos seguros. Tomou a mão de Tadashi na sua e sentou-se ao lado dele.
– Pode ir tranquilo, meu pai. Eu cuidarei desta família com o mesmo empenho que o senhor.
– Eu sei... Mas agora, o que eu desejo dizer a você é... Perdoe-me.
– O quê? Não, meu pai, o senhor não precisa...
– Sim, eu devo... Você é minha filha e meu orgulho. Eu amo você...
Lágrimas escorreram pelo rosto de Naoko. Ela sentiu a mão do pai apertar a sua e então afrouxar. Um suspiro baixo deixou os lábios de Tadashi e ele se foi.
Hiroaki colocou a mão sobre a da irmã e Tsuki, a caçula, se aproximou também. Unidos, os três choraram a morte do patriarca, como uma família devia ser e como estava sendo com Naoko construindo e fortalecendo uma relação fraterna com os irmãos.
Após o funeral do pai, Naoko se reuniu com os líderes das facções aliadas e soube que Kobayashi havia cometido suicídio. A postura forte e eficiente dela atraiu mais adesões, após a morte do rival e as novas regras foram esclarecidas.
– A Gardênia não se alia mais ao tráfico de drogas, prostituição ou jogatina. Nosso foco são os negócios ligados a importação e exportação, de forma que tenhamos pouco contato com a polícia. Kobayashi é um exemplo bastante claro sobre a ineficiência dos velhos métodos. Levaremos nosso respeito e pêsames à família dele e veremos se continuam com o espírito da velha guarda. Aqueles que se unirem a nós deverão estar dentro destas regras ou não aceitaremos sua adesão. Fui clara?
– Sim, oyabun! – gritaram os vinte homens dispostos no tatame.
– Mais uma questão. Eu me casarei com Raiden assim que ele estiver plenamente restabelecido. Agradeço a honra de alguns pedidos de casamento vindos de líderes yakuza das mais importantes famílias, porém minha decisão já está tomada.
Houve um murmúrio no recinto, mas logo todos elevaram seus sakazukis cheios de saquê à saúde de sua oyabun. Nada foi dito e o olhar seguro que ela lançou a todos não deixou espaço para comentários ostensivos.
Ao lado de Hiroaki, Seiko sorriu para a cunhada. O semblante delicado e as atitudes comedidas escondiam a força e o destemor que a fizera vingar o seu amado sem que ninguém, além da fiel Shizue, soubesse.
– À saúde do amor! – disse ela e todos os outros a acompanharam.
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O pequeno salão de festas estava decorado com balões e lanternas vermelhas. Afrodite orquestrava tudo cuidando de cada detalhe. Quando Minos chegou, acompanhado de Hades, todos bateram palmas e o jovem se surpreendeu com alguns convidados que lhe sorriam com intimidade. Misty, Henry, Aiacos e até Lune o receberam como amigos e, a sensação, era agradável e inusitada.
Shun e Afrodite vieram ao seu encontro e o abraçaram rindo, enquanto Aiolia e Ângelo se juntavam à Hades. Pandora e Radamanthys chegaram em seguida e também se juntaram aos mais adultos.
Halldora e o namorado esperaram os cumprimentos terminarem e também foram abraçar Minos. O senhor Tadaka estava com eles e havia trazido a esposa. O clima era de alegria e descontração e um grande bolo com dezoito velas estava em uma mesa no centro do salão.
– Tudo isso pra mim? – perguntou ele sorrindo.
– E pra quem seria meu albino favorito? – respondeu Afrodite.
– Isso é coisa sua. – disse Minos abraçando o amigo.
– Bem, a decoração sim, mas a ideia da festa foi de Hades.
Minos olhou na direção do amante e sorriu. Então, viu chegar alguém que não esperava.
– Hiroaki?
O japonês atravessou o salão acompanhado de Seiko que chamava a atenção com seu quimono preto com flores douradas.
– Feliz aniversário, Griffon! Esta é Seiko, minha mulher. – disse Hiroaki.
– Obrigado. E muito prazer, senhora Seiko. – respondeu Minos fingindo não conhecer a jovem que lhe sorria tímida.
Os três conversaram um pouco, até o momento em que Afrodite chamou Minos para cantar os parabéns. O coro de vozes foi animado e quando silenciou, o jovem apagou as velas e fez um pedido especial... Que esta felicidade nunca acabe!
A festa ficou animada, todos comendo do bolo e bebendo champanhe. Quando terminou, Hades tomou Minos em seus braços, o olhar carregado de ternura...
– Está feliz?
Minos fitou-o com tanto sentimento que as palavras se tornavam desnecessárias. Entretanto, mesmo assim, ele traçou com os dedos os contornos do rosto de Hades e respondeu:
– Eu nunca imaginei que podia ser feliz deste jeito. Amo você...
Hades abraçou-o com força.
– Eu também te amo, Minos. E vou te amar para sempre! Pensou o executivo enquanto tomava os lábios do amado nos seus e o beijava com uma paixão explícita e ardente.
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