Notas iniciais
♡♥ Olá, galerinha amada!!! Obrigada a todas vocês meninas que acompanharam a fic comentando, dando aquele apoio maravilhoso e cheio de carinho. Aos leitores silenciosos, também agradeço. Embora as vezes eu pense que um único comentário poderia ser feito, mas... paciência

A cerimônia foi marcada para o final da tarde, quase ao pôr do sol. O Templo Xintoísta se tornara o cenário para a realização do casamento de dois casais: Pandora e Radamanthys, Naoko e Raiden. A ideia de um casamento duplo havia surgido por acaso, quando ambos souberam que a data e o estilo de cerimônia desejado coincidiam em dia, mês e hora.

As bodas de casamento consistiam numa cerimônia curta, composta de uma oração e um discurso feitos por um religioso, seguido de um ritual de purificação para todos os presentes e a leitura do seishi, o juramento de amor e fidelidade feito pelos noivos.

No altar, dois rosários budistas simbolizavam a junção das famílias. O incenso queimado mostrava o Shinto, ou O caminho dos Deuses e a união dos dois opostos e complementares, a força (masculino) e a beleza (feminino). Ao final da cerimônia, o religioso ofereceria uma bebida cerimonial, compartilhada pelos noivos, em três taças distintas que significavam o respeito ao sagrado, à família e à comunidade.

Pandora estava belíssima em seu quimono lilás, o ventre já insinuando a presença do bebê. Seu rosto estava pintado de forma suave, com destaque aos olhos violáceos e à boca pintada de carmim. Radamanthys vinha vestido com um quimono preto e elegante. Na expressão, a felicidade em unir-se a mulher que amava.

Naoko vestia o quimono vermelho, parecendo uma princesa com seus cabelos adornados com flores, pérolas e pingentes de ouro, todos eles significando boa-sorte para o casal. Raiden usava branco como um guerreiro samurai, o rosto iluminado pela admiração e amor que sentia pela oyabun.

Ambos se encontraram na porta do templo e dirigiram-se o seu interior, após passarem pelo ritual de purificação. A localização do templo era privilegiada, cerejeiras florescendo, bonsais circundando o caminho que levava até o interior da construção sagrada, fontes serpenteando entre arbustos nos mais diversos matizes de verdes, tudo magnífico, como devia ser para a celebração do poder ancestral de um clã como o da Gardênia, assim como a união de um gaijin que contribuía para o progresso do Japão.

Quando a cerimônia terminou, os noivos receberam os cumprimentos. Naoko e Raiden deram uma pequena recepção, enquanto Pandora e Radamanthys optaram por uma viagem.

— Obrigada por tudo, maninho... – disse Pandora abraçando e beijando Hades com espontaneidade. – E você, Minos fique de olho nele. – completou ela piscando o olho.

O executivo retribuiu beijando-a também, enquanto Minos observava a cena e relembrava a primeira vez que a tinha visto e a maneira insólita como haviam se conhecido.

— Cuidem-se e cuidem do meu sobrinho. – disse Hades apertando a mão de Radamanthys.

Quando entraram no carro de Minos, ele perguntou:

— O que você e Hiroaki tanto conversavam quando você foi cumprimentar a irmã dele? – perguntou Minos.

— Assuntos de negócios.

— Ah, esqueci que ele continua trabalhando na estação de TV. Ele mudou bastante.

— Todos nós mudamos. Alguns mais, outros menos.

— Será que aquele escroto do Yoshiki vai mudar? Sorte que Misty e o Henry resolveram ignorar sobre o meu passado. Aquele filho da puta fez questão de gritar bem alto pra quem quisesse ouvir. Mas, deixa pra lá. Não vou me estressar por isso. Já me basta saber que ele está preso.

Hades colocou a mão na coxa do amado e fez uma pressão sugestiva.

— Yoshiki está tendo o que merece, pode ter certeza.

Minos sorriu e Hades também...

A prisão de Fuchu tinha uma rotina rigorosa. O trabalho iniciava às quatro da manhã e terminava às seis da tarde. Os presos não podiam conversar entre si e deviam baixar os olhos sempre que entrassem em contato com os guardas. Yoshiki havia sido designado para uma cela especial onde permanecia sozinho e isolado. O advogado designado para defendê-lo ouvia os gritos e os xingamentos em silêncio.

— O senhor está em uma situação delicada. A lei é clara e eu estou fazendo o possível. – disse Kirosaki, um dos melhores advogados do país.

— Não me interessam as suas desculpas! Eu não pretendo passar o resto da minha vida aqui! Eu sou um professor universitário e quero voltar a lecionar. – esbravejava Yoshiki.

— Não desejo desapontá-lo, mas... creio que a sua carreira acadêmica está encerrada.

Yoshiki bateu na mesa e, em seguida, dois guardas entraram para levá-lo de volta à cela. Ele ainda gritava quando a porta foi fechada e ele viu-se, mais uma vez, confinado aquele espaço minúsculo.

— Merda! – vociferou ele.

De repente, ouviu o ruído de uma respiração e seu coração deu um salto. Alguém estava ali. Mas como?

Devagar, uma silhueta foi se avolumando ao se levantar da cama. Era um homem vestindo um uniforme e com o rosto ocultado por uma máscara de couro preta.

— Q-Quem é você e o que faz aqui? – perguntou Yoshiki recuando um passo.

— Tire a roupa. – a ordem foi dita com um tom tranquilo, apesar de ser uma ordem.

— O quê? Quem você pensa que é para...

Rapidamente, o homem avançou e deu uma bofetada tão forte em Yoshiki que ele sentiu dor e, em seguida, um amortecimento no lado do rosto atingido.

— G-Guarda! – gritou ele com a mão no rosto avermelhado.

— Tire a roupa e faça silêncio. – falou, novamente, o homem.

— Eu não vou fazer silêncio! Eu vou gritar ainda mais alto! Guardas! Guardas!

O mascarado suspirou.

— Bem que ele disse que você seria difícil. Merda! Perdi a aposta e a culpa é sua!

Desta vez, a bofetada que Yoshiki recebeu afrouxou um dos dentes laterais e o fez cuspir sangue.

— P-Pare! – gritou ele com os olhos cheios de lágrimas.

— Faça o que eu disse! E rápido, porque não estou com paciência. – falou o homem com a mesma entonação monótona na voz grave.

Yoshiki obedeceu com as mãos trêmulas. A boca sangrava e seu rosto doía. Assim que se despiu, olhou para o homem que o observava de forma inexpressiva.

— Me acompanhe. – falou, simplesmente.

— P-Para onde?

O olhar duro fez Yoshiki se calar, com medo de outra agressão.

Os dois andaram por um corredor silencioso e vazio, até chegar a uma sala escura. Yoshiki apertou os olhos, percebendo o vulto de um homem alto que segurava algo nas mãos.

— Q-Quem é você e o que eu estou fazendo aqui? – perguntou o professor.

O homem misterioso se revelou e Yoshiki arregalou os olhos.

— Você?! O-O que faz a-aqui?

— Eu disse que você ia pagar pelo que fez ao Minos e, como sou um homem de palavra, estou aqui para cumprir o que prometi. – falou Hades com um olhar cruel.

— Você n-não p-pode! Guardas! Socorro!

O executivo sinalizou para o homem que trouxera Yoshiki e ele retirou a máscara, revelando o rosto.

— H-Hiroaki? M-Mas... v-você...

— Pois é, seu escroto filho da puta... Ta na hora de pagar por tudo o que fez. Me faça o favor de não ser cuzão!

O professor se encolheu, porém Hiroaki se afastou e se sentou na cadeira que jazia solitária junto de uma pequena mesa. Em seguida, Hades se aproximou de Yoshiki como se fosse um temível predador. Em suas mãos, trazia uma corda feita de couro. O professor tentou reagir, porém o executivo não lhe deu nenhuma chance, encaixando um Hadaka Jime ou, popularmente conhecido como Mata-Leão. O golpe aprendido nas artes marciais se enquadrava na categoria dos "Enforcamentos de sangue", pois restringia a circulação do sangue pelas artérias. Feito corretamente causava inconsciência temporária por alguns segundos, o tempo necessário para o que precisava fazer. Com a ajuda de Hiroaki, começou o *shibari.

Quando Yoshiki acordou, trinta segundos depois, estava deitado com a barriga para baixo e amarrado de forma que suas pernas estavam afastadas e elevadas, deixando suas nádegas expostas e contraídas. Tinha um arreio dentro da boca, o que o fazia babar sem parar. Os braços também estavam amarrados para trás e repuxados fazendo com que mantivesse o torso elevado e não o encostasse no chão.

— Muito bem, vejo que acordou. – disse Hades andando em volta de Yoshiki.

O professor tentava se mexer e quando o fazia, sentia o couro adentrar-lhe a pele. A baba escorria pela boca e lágrimas desciam quentes pelo rosto...

— Eu vou dizer o que vai acontecer, daqui para frente... Você receberá muitas visitas como essa até eu decidir que já foi o suficiente e cada uma delas deixará uma marca. Essa marca o fará lembrar-se de cada ato desprezível seu. Você nunca saberá quando, nem a frequência de como as visitas acontecerão. Mas cada uma delas promete ser muito especial e fazê-lo sentir toda dor e humilhação que infringiu ao Minos e aos outros.

— N-nn---hhhhh---nnnn—aaaa – Yoshiki grunhia com o terror estampado nos olhos lacrimosos.

Hiroaki acendeu um cigarro e colocou as pernas sobre a mesa, apreciando a cena.

Hades foi até a bolsa que trouxera e retirou dela uma lixa, um estilete e um cassetete de madeira polida. Com movimentos estudados, se aproximou de Yoshiki e passou a mão nas costas e nas nádegas como se procurasse um local específico na pele do professor.

— Bem, vamos começar a Escarificação... O melhor de tudo é que não preciso explicar nada a você, não é mesmo? Um Dom conhece todos os métodos.

Yoshiki tentou se mexer, mas cada movimento apenas aumentava a pressão das cordas. Ele estremeceu quando o estilete afiado cortou a pele da sua nádega direita. Seguido ao corte, ele sentiu a lixa arrancar-lhe pedaços de pele das costas, numa sincronia cruel entre as sensações de dor.

Cada vez que ele se retesava, Hades o puxava pelos cabelos com força e ameaçava ir mais fundo se ele se mexesse. Com a paciência de um cirurgião, o executivo criava imagens na pele de Yoshiki. A lixa retirava pedaços da pele formando um grande círculo vermelho permeado por gotículas de sangue, enquanto o estilete desenhava um grande pênis na nádega direita cuja profundidade das linhas fazia surgir grande profusão de sangue.

Assim que terminou, Hades observou sua obra por alguns segundos, vendo que Yoshiki chorava, os soluços sacudindo o corpo amarrado.

— Pronto! Em prisões americanas e europeias, os estupradores são marcados assim... E depois, a culminância de tudo... Vai sentir como é ser violado.

Mais uma vez, Yoshiki se moveu, o desespero evidente nos olhos arregalados.

Hades pegou o cassetete e bateu-o na mão. A entrada de Yoshiki estava exposta e se contraía pelos movimentos angustiados que ele fazia. Sem piedade, o executivo enfiou o cassetete sentindo a barreira de a carne sofrer com o ato violento.

O grunhido que Yoshiki deixou escapar demonstrava a dor imensa que sentira com aquele ato. O corpo estremecendo sob o olhar implacável do executivo e de Hiroaki.

— Então? Como é ser violado sem piedade? Gosta? Sente prazer com a dor?- perguntou Hades mexendo o cassetete dentro do corpo do professor.

A expressão de Yoshiki era de dor extrema e ele chorava e babava, deixando escapar sons ininteligíveis devido ao arreio em sua boca.

Então, assim como enfiou o cassetete, Hades o retirou com a mesma violência. Após constatar que Yoshiki sangrava, o desamarrou, vendo-o se encolher e tremer encostado à parede. Em seguida, retirou-lhe o arreio da boca.

— Levante-se! – ordenou seco.

O professor estava em choque, o corpo tremia e não conseguia parar de bater os dentes. Os olhos estavam vermelhos e o rosto molhado pelas lágrimas. Ele não ousava falar, apenas olhava para Hades que estava vestido como um Dom. A calça preta e justa de couro e evidenciava o físico bem proporcionado. O torso estava nu e ele usava luvas de couro com abertura para os dedos.

— Levante-se ou vou deixar que Hiroaki use o chicote! – falou Hades, novamente.

Tremendo e fazendo um esforço supremo, Yoshiki levantou. Um gemido baixo escapou de sua boca e ele não conseguiu frear o choro.

— Que pena... Bem que eu queria te dar umas chicotadas. – falou o yakuza.

Hades não demonstrava nenhuma compaixão naqueles olhos azuis acinzentados. Como um Dom impiedoso, ele encarou Yoshiki.

— Essa foi a primeira visita. Eu ainda não acabei com você. Divirta-se tentando prever quando será meu retorno. Prometo brincar mais e ir bem mais fundo que isso...

— Na próxima vez eu terei uma atuação mais ativa, sabe? Vai ser bem divertido... Eu prometo! – falou Hiroaki.

Ditas as palavras, Hades pegou seus instrumentos, limpou-os antes de guardá-los e deixou a sala junto com Hiroaki. Assim que ambos saíram, Yoshiki desabou. Em seguida, um dos guardas da prisão adentrou a sala encontrando-o no chão em posição fetal tremendo e soluçando.

— Levanta e vista as roupas! – disse ele atirando o uniforme sobre o corpo nu. – Se quando eu voltar você ainda estiver atirado ao chão, vou ter uma conversinha particular com você. Não vou nem precisar de lubrificante com todo esse sangue te deixando molhadinho. — completou com uma gargalhada.

Yoshiki apertou os olhos e desejou do fundo do seu coração que Hades o tivesse deixado morrer...

FIM

Notas finais
**shibari: é um verbo japonês que significa literalmente amarrar ou ligar e é usado no Japão para descrever o uso artístico na amarração de objetos ou pacotes. Kinbaku é a palavra japonesa para "bondage" ou ainda Kinbaku-bi que significa "o bondage bonito". Kinbaku (ou Sokubaku) é um estilo japonês de amarração sexual ou BDSM que envolve desde técnicas simples até as mais complicadas de nós, geralmente com várias peças de cordas (em geral de 6mm ou 8mm) e que podem ser de materiais diferentes, sendo a tradicional corda japonesa utilizada para o Shibari, a de cânhamo que pode ser substituída por couro. A palavra Shibari tornou-se comum no ocidente em meados dos anos 1990 para denominar a arte de amarração chamada Kinbaku. **Escarificação: é a técnica de provocar pequenas cicatrizes na pele com instrumentos cortantes, bisturi, lixas, ou materiais abrasivos. Em vez do calor, usa-se a lâmina do instrumento para se fazer cortes, que formam o desenho na pele.É uma atividade bastante controversa dentro da comunidade BDSM. Mesmo feito com todos os cuidados é extremamente doloroso, traumático, agressivo ao corpo e permanente. *****♡♥ OBRIGADA, de coração a todos que passaram por aqui e me deram a honra e o privilégio de me acompanhar em mais uma viagem!!! Bjs e até uma próxima!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!