KURAI YOKUBÔ (desejos obscuros)

16 Capítulo 16 - O começo do fim...Parte II


Notas iniciais
♥*♥ Galera amada!!! Perdão pela demora, mas meu tempo está tão corrido que eu precisaria de um dia com 36 horas!! Mas, deixa assim...*risos Penúltimo capitulo saindo de madrugada depois de um dia cheio de trabalho, então se houver algum erro me avisem!!! ♥ Obrigada pela presença carinhosa e pelos reviews que responderei logo!!! Bjs e espero que gostem! :)♥

Yoshiki deixou a universidade com a rapidez de um ninja. Assim que chegou ao estacionamento, seu celular tocou. Pensou em não atender, mas, nervoso, puxou-o do bolso e olhou o visor reconhecendo o número.

– Senhor? – falou baixo, olhando para os lados.

– Fique fora de circulação até eu resolver isso.

– E-Eu... Senhor eu gostaria de explicar. O que estão dizendo é...

– Não perca o seu e o meu tempo. Estou emitindo um comunicado cancelando sua saída de estudos alegando que está doente. Saia de Tóquio e vá para Osaka agora mesmo. Se hospede no hotel Hankyu e espere que eu faça contato.

– S-Sim, senhor.

Kobayashi desligou e pegou mais um charuto, acendendo-o. Franziu o cenho com as más notícias que recebera e exalou a fumaça num sopro irritadiço. Hiroaki havia escapado, seus homens estavam mortos e agora mais essa. A conversa com aquele inspetor delineara mais um problema.

Entretanto, nada o preparara para a principal revelação que chegara em forma de números e estatísticas. Suas ações estavam despencando, vertiginosamente, o que comprometia sua rentabilidade para seus outros negócios. Como era possível? Sabia das oscilações da Bolsa, mas nunca vivenciara uma situação como essa!

Merda! Vociferou, enquanto tentava conter todas aquelas situações estressantes. Pegou o celular, apertando-o com uma força além do necessário.

– Quem está vendendo ações a este preço? – perguntou ele para um de seus informantes na Bolsa de Valores.

– Duas empresas, senhor Kobayashi.

– De quem são? – gritou ele.

– Uma pertence à família Tadashi e a outra do estrangeiro Hades.

O reitor mordeu o charuto fazendo-o cair. Desligou o celular e inspirou fundo. O mundo estava mudando e sua vontade era mandar fuzilar todos aqueles que se intrometiam em seu caminho. No entanto, mesmo uma ação radical exigia estratégia e sangue frio. Precisava impedir que as suas ações perdessem o valor de negociação.

– Aquela cadela metida a oyabun e aquele gaijin. Eu vou mostrar a eles...

Enquanto Kobayashi planejava, Yoshiki respirava fundo sentado dentro do carro. As coisas estavam acontecendo rápido demais e isso o assustava. Era um homem metódico, acostumado a planejar tudo cuidadosamente. Mas algo havia mudado e ele não sabia lidar muito bem com isso. Estava agindo instintivamente, apenas reagindo e não mais planejando. Olhou para o compartimento onde guardava uma pistola por precaução. Nunca a usara, mas gostava de armas de fogo e tinha uma que mantinha dentro do carro. Abriu-o e tocou a arma tentando se acalmar. Em seguida, ligou novamente para Izumu.

– Conseguiu falar com o Misty?

– Sim e ele concordou em me encontrar.

– Ótimo. Esteja lá e faça o seguinte...

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A luz branca e os sons ritmados não pertenciam a nenhum paraíso ou inferno. Aos poucos, a sensação de possuir um corpo e de experimentar a dor, fez Raiden abrir os olhos devagar, encontrando o olhar aflito de Naoko sobre si. Ela apertava a sua mão e estava com o rosto vermelho e molhado.

– Você... Está chorando? – disse ele com uma voz baixa.

– Eu? Claro que não! Sou...

– M-Minha oyabun... Não deve... chorar.

Naoko fitou o rosto pálido e as palavras de Hiroaki ecoaram em sua mente. Então, ela decidiu...

– Não, meu amor! Eu sou a sua mulher... E sim, eu estava chorando, porque tive muito medo. Medo de te perder! – disse ela beijando a mão entre as suas.

O yakuza levou a mão ao rosto delicado e colheu uma lágrima.

– Eu vi o grande vazio... Mas seu rosto... ele estava acima de tudo...Eu tinha que voltar.

Um sorriso distendeu os lábios da oyabun.

– Eu te amo...

– Eu sei...

– Seu convencido! – disse ela sentindo um grande alívio.

– Tem que ter cuidado... Kobayashi... Ele...

– Ele vai cair e quando estiver de joelhos, eu darei o golpe de misericórdia.

Raiden fez uma careta ao tentar sorrir.

– Não duvido... – disse, por fim.

– Eu vou mostrar aos yakuzas tradicionais que uma nova era chegou e foi trazida por uma mulher!

Hiroaki entrou, neste momento e sorriu.

– Então, seu filho da puta, resolver acordar, heim?

Junto do yakuza chegou uma enfermeira.

– Por favor, saiam todos! O paciente ficou consciente, mas isso não quer dizer que possam cansá-lo. Ele ainda requer muito cuidado.

Naoko assentiu, sorrindo para o amante, enquanto Hiroaki fazia uma careta. Os dois saíram deixando Raiden ser medicado. A atmosfera sombria cedera, um pouco, mas a expressão da oyabun voltara a ser firme e séria.

– Quero você ao meu lado. – disse ela para o irmão.

Hiroaki franziu o cenho.

– Pra quê?

– Eu sei que nunca nos damos bem, mas você é meu irmão e quando nosso pai se for, só restaremos nós e Tsuki. Eu sempre questionei papai pelo amor que ele devotou a você. Eu tive mágoa e... ciúme. Mas, agora, eu vejo que chefiar uma família é muito mais que ditar regras ou provar que tenho valor. Nós precisamos nos unir ou este escroto do Kobayashi vai acabar vencendo.

O jovem yakuza coçou a cabeça antes de falar, em seguida fitou a irmã dentro dos olhos.

– Papai fez bem em nomear você. Eu não teria feito a metade que você fez. Você é chata e implicante, mas é inteligente e forte. Tem mais colhões que muito homem que eu conheci e é... minha irmã. É chato ter que admitir, mas eu tenho orgulho do que você se tornou.

Os olhos estreitos de Naoko se fixaram no rosto do irmão. Depois de tanto tempo, era a primeira vez que os dois conviviam sem conflito e sem aquela sensação incômoda de separatividade. Podiam não ter a intimidade, naturalmente, existente entre irmãos, mas estavam começando a construí-la.

– Orgulho de mim? Bem, admito que é uma atitude inteligente. – disse ela sorrindo e com um tom presunçoso.

– Eu disse orgulho, não quer dizer que eu caia de amores por você. – rebateu Hiroaki.

– Eu também te amo, irmão. – disse ela e ambos gargalharam juntos pela primeira vez.

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Minos olhou para o anel em seu dedo. Para quem não sabia o que ele significava, diria que era apenas uma joia cara e de excelente qualidade. Mas, não era somente isso. Ela significava um passo importante em seu relacionamento com Hades e a constatação o fez repensar o impulso inicial de ir atrás de Misty e Henry sem dizer nada a ninguém.

Pegou seu celular e ligou.

Deixe sua mensagem após o sinal.

Desligou e tornou a ligar. A mesma mensagem repetida na voz monótona.

– Oi! Bem, o Henry me ligou e disse que a professora Izumu pediu para encontrá-lo naquele bar perto da universidade. Ele está desconfiado e eu confesso que também fiquei. Eu vou até lá e vou ficar observando.

Recado deixado, Minos ligou para o senhor Tadaka que, prontamente, o atendeu. Instantes depois, o táxi verde aportava em seu destino.

– Você cresceu jovem Griffon e está muito bem. – disse o velho quando estacionou abrindo a porta do táxi.

Minos sorriu.

– E o senhor continua firme e forte. Como vai a sua esposa?

– Bem, apesar da artrite e da vista cansada, ela está muito bem. Aonde vamos?

– Olha só, nós vamos dar uma de espiões. Eu preciso observar umas pessoas.

Tadaka sorriu.

– Uma aventura! Então vamos, meu jovem.

O pequeno táxi partiu pelas ruas movimentadas de Tóquio até chegar ao seu destino. Minos sentia uma inquietação, como se algo perigoso estivesse prestes a acontecer. Hades não atendera o celular, mas ouviria a sua mensagem.

Observando Minos pelo espelho retrovisor, o senhor Tadaka sorriu.

– Você está compromissado? – perguntou ele olhando para a mão de Minos.

– O senhor notou.

– Fico feliz, jovem Griffon. Encontrar o amor é uma benção rara nesta vida.

Minos sorriu também e, nesse ínterim, Misty e Henry chegaram. Os dois entraram no bar, mas logo saíram junto com a professora Izumu.

Droga! Onde será que eles vão? – disse o jovem.

O taxista franziu o cenho e espichou o pescoço.

– Parece que eles vão até aquele estacionamento ali. – disse o velho.

Merda, vou ter que sair. – falou Minos.

– Eu vou tentar estacionar naquela rua que fica na saída do estacionamento. – falou Tadaka.

– Certo. Eu desço e fico observando até nos encontrarmos novamente.

O taxista fez um sinal com o polegar e Minos deixou o carro. Se esgueirando por entre os carros estacionados ele chegou até o estacionamento e viu que a professora Izumu deixava Misty e Henry, enquanto alguém descia de um dos carros estacionados. A silhueta alta e altiva logo se revelou fazendo Misty e Henry dar um passo para trás.

– Yoshiki... – murmurou Minos.

O jovem notou um movimento estranho por parte do professor. Ele está armado! A constatação o fez arregalar os olhos. A frente dos dois, Yoshiki os encarava com a pistola em punho. Misty mordeu o lábio, enquanto Henry se colocou a frente do amigo.

– P-Pense bem no que e-está fazendo. Se acontecer algo com a gente, você será preso. – disse Henry.

– Cale essa boca e entrem os dois no carro! – falou o professor.

– O que você vai fazer? – perguntou Misty.

– Façam o que eu estou mandando e ninguém se machuca. Vamos, entrem logo!

Minos observava tudo com atenção e temor. Não esperava que Yoshiki chegasse a esse ponto, algo trágico podia acontecer a qualquer momento. Sentiu um conflito interno em assistir sem nada fazer. Sua natureza impulsiva implorava para agir, porém a cena se desdobrava rápido demais.

Misty e Henry entraram e o carro arrancou. Minos correu de volta para o táxi antes que Tadaka o deixasse.

– Yoshiki os obrigou a entrar no carro. Vamos segui-los! – disse o jovem.

O senhor Tadaka franziu o cenho, acentuando as linhas de expressão da testa.

– Vamos! Mas, ligue para a polícia!

Minos fez que sim com a cabeça, mas ao pegar seu celular constatou que a bateria tinha acabado.

– Merda! Me empreste o seu celular. – pediu o jovem.

O taxista levou a mão ao bolso e alcançou seu aparelho para Minos.

– Está mudo! Mas que merda!

Tadaka pegou seu celular de volta e o sacudiu como se isso fosse fazê-lo funcionar. Então suspirou e o colocou no bolso.

– Talvez funcione quando chegarmos mais perto. Agora... Eu posso perguntar uma coisa, meu jovem amigo?

– Sim. – respondeu Minos ainda alterado.

– Quem são essas pessoas? Por que as está espionando?

Minos encarou o olhar firme de Tadaka.

– Eu vou lhe contar tudo.

O velho Tadaka ouviu com atenção, os olhos se estreitando a cada detalhe daquela narrativa. Como membro de uma família que se fundamentara em valores muitas vezes sombrios e violentos, ele podia entender certas coisas. Porém, quando a violência era dirigida a pessoas inocentes e se transformava em perversidade, isso o deixava extremamente incomodado.

– Pois bem, jovem Griffon, vamos em frente. Não podemos deixar esse... esse maldito se safar dessa!

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Em frente ao telão exibindo números, nomes e porcentagens, Hades orquestrava o plano desenvolvido com Naoko. Ambos haviam injetado suas ações no mercado imobiliário a preço baixo, atraindo investidores para o mesmo tipo de negócio que Kobayashi investia. Em segundos o yakuza foi informado que estava perdendo investidores o que o obrigou a baixar suas ações também.

Experiente, Hades forçou a queda com um blefe muito bem engendrado. Deixou que pensassem que havia problemas na área e então sustentou o preço em queda até que Kobayashi não tivesse saída a não ser fazer o mesmo e de modo apressado.

Quando Kobayashi mordeu a isca, ele e Naoko compraram todas as ações colocadas à venda. A respeitabilidade de ambos as fez subir, novamente, quando um novo boato foi espalhado e os negócios se mostraram muito rentáveis e atraentes, desmentindo o terror de horas atrás. O preço delas voltou a subir, agora valendo cinco vezes mais do que o yakuza vendera. O choque de milhões sendo negociados em algumas horas foi o suficiente para encerrar a compra e venda e estabilizar as ações, novamente.

Um sorriso frio desenhou-se nos lábios do executivo que, enfim, pode relaxar um pouco. Seu terno escuro mantinha o corte elegante. A camisa branca continuava impecável e a gravata grená lhe conferia um ar de autoridade confirmada em cada segundo naquele ambiente competitivo.

Em seu escritório Naoko também comemorou quando todo aquele planejamento sagrou-se vitorioso. Kobayashi dificilmente se recuperaria em tempo hábil e o prazer de vê-lo cair era bom demais.

Ângelo e Aiolia se juntaram a Hades e ficaram sabendo de toda a situação. O italiano se pronunciou:

– Esse Kobayashi é reitor da universidade e um dos chefões do crime. Eu sei quem ele é, pois tive o desprazer de negociar com ele. Ele usa professores para distribuir drogas na universidade e o tal Kanon estava trabalhando pra ele a fim de saldar uma dívida antiga. Paguei para me livrar daquele imbecil.

– O quê? Mas isso tem de ser denunciado! – falou Aiolia.

– O homem tem as costas quentes, é um yakuza e sabe muito bem como conduzir o negócio. Tem clientes riquinhos que pagam caro por droga de qualidade e também pela comodidade de não ter que procurar as lojas ilegais ou as bocas de fumo em meio aos labirintos desta megalópole. – disse Ângelo.

– Mas são estudantes!

– São maiores de idade e escolhem por livre e espontânea vontade. – cortou o italiano.

– E daí? Shun e Afrodite estudam na universidade. E se alguém os viciar sem que eles se deem conta? Olha o que aconteceu com o Minos!

Hades levou a mão aos cabelos, a imagem de Minos atordoado, após o estupro, voltou vívida em sua mente. Costumava pensar como Ângelo, mas tinha de admitir que Aiolia tinha um bom argumento.

– Aiolia tem razão, este homem tem de ser destituído do cargo. As leis aqui são severas e mesmo que ele seja da máfia, existem policiais honestos que desejam exterminar com esses yakuzas. – falou Hades.

– Mas você se aliou a uma oyabun. – disse Ângelo.

– Naoko é uma mulher de visão e criou outro tipo de vivência para a família que chefia. Não trafica, nem aposta na prostituição ou jogatina. Seus negócios estão, cada vez mais, dentro da legalidade e não há violência na forma de conduzi-los. O inspetor Satoru a vê como uma aliada no controle dos yakuzas tradicionais. Analisando custo-benefício, creio que esta união é temporariamente necessária.

Ângelo respirou fundo e Aiolia pediu à secretária que trouxesse café.

– Bem, eu concordo com você. – disse o leonino pegando a xícara fumegante. – Se esta aliança tirar Kobayashi da jogada, será por um bem maior.

– Tem razão, vai ser divertido ver aquele crápula cair. – falou Máscara da Morte bebendo um gole do café forte e encorpado.

Foi então que Hades resolveu tirar seu celular pessoal do modo silencioso, percebendo uma mensagem de Minos. Escutou-a e franziu o cenho, ligando para o jovem, logo em seguida. Nada! Foi a vez de o executivo ouvir a mensagem: celular desligado ou fora da área de cobertura.

Droga. – disse baixo para si mesmo.

– O que foi? – perguntou Ângelo.

– Minos me deixou um recado e não consigo falar com ele.

– E isso significa algum problema?

– Sim.

A resposta curta e enfática de Hades fez perceber que não era, apenas, um problema. O executivo não perdeu tempo, conhecia Minos e temia que o jovem se deixasse levar pelo impulso e se colocasse em risco. Só havia um homem capaz de ajudá-lo naquele exato momento.

– Aiacos?

– Fala Senhor dos Infernos!

– Preciso que localize um celular. Rápido!

– Ok! Passa o número.

Assim que o hacker retornou com as coordenadas, Hades as conectou com o GPS em seu celular e as enviou para a delegacia. O inspetor Satoru recebeu as informações e tratou de reunir uma força-tarefa discreta onde ele próprio se inseriu.

Hades sabia que o tempo estava correndo e se Minos estava seguindo Yoshiki já estava com uma grande vantagem. Para alcançá-lo teria de usar outro meio de transporte. Lembrou que a Fuji News Network utilizava um helicóptero para realizar as missões de captação eletrônica de notícias por todo o país. Mais um telefonema e logo estava sobrevoando o trânsito frenético de Tóquio. Dentro da aeronave tentou, mais uma vez, falar com Minos, mas o resultado foi o mesmo. Fechou os olhos e inspirou fundo. Minos, não ouse se colocar em risco! Disse mentalmente, rezando para que o amante não fizesse nenhuma loucura.

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Yoshiki dirigia de forma cuidadosa, embora estivesse perturbado. Sua mente planejava incessantemente, imersa em arrogância, medo e loucura. Misty e Henry permaneciam em silêncio, temendo aquele homem que um dia admiraram como professor e agora os mantinha como reféns.

– P-Por que está fazendo isso? – arriscou Misty.

– Não se faça de tolo, você sabe muito bem o que fez! Você me traiu!

– O que pretende fazer conosco? – questionou Henry.

– Vocês dois irão desmentir tudo!

– Se fizermos isso você nos deixa ir?

– Sim.

– Então porque está nos levando para fora de Tóquio?

– Quero vocês bem debaixo dos meus olhos.

– Nós não vamos...

– Cale-se, Misty! Não quero ouvir a sua voz! Fiquem quietos e me deixem pensar!

Misty se encolheu e Henry o abraçou, consolando-o. Os dois ficaram abraçados em meio àquela atmosfera hostil sem notar o táxi verde que acabara de ultrapassá-los.

Tadaka usou da sua experiência para ultrapassar Yoshiki sem que ele percebesse. A tática era passar à frente para, em seguida, deixar que o professor seguisse para o seu destino sem perceber que estava sendo seguido. Havia muitos carros na pista, o que facilitava aquele jogo de gato e rato.

– Aonde será que ele vai? – falou Minos.

– Se este homem está fugindo, certamente vai procurar um hotel. Veja, ele entrou à direita. Aquela zona em Osaka é conhecida por possuir hotéis controlados pela yakuza.

Minos quase perguntou ao velho como ele sabia, mas deu-se conta que Tadaka era um ex-yakuza.

Não é muito seguro circular por lá sem um passe. – continuou Tadaka.

Passe? Que passe?- questionou Minos.

– Esse. – respondeu Tadaka mostrando as tatuagens em seu braço.

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Seiko estava preocupada. Hiroaki ligara, apenas uma vez, após a emboscada que sofrera. O fato a deixara furiosa e ela já estava cuidando disso. Sentia-se uma idiota por ter achado que poderia estabelecer uma aliança com Kobayashi. Ele tinha tentado matar Hiroaki e isso causava uma dor e um ódio terrível dentro de si.

No mesmo quarto de hotel onde vivera momentos de paixão e prazer, ela foi até a janela e, após abrir uma garrafa se saquê, se serviu de uma dose generosa.

– Parabéns para mim. – suspirou ela, levantando o copo.

– Perdi alguma coisa? Por acaso é o seu aniversário? – a voz masculina veio detrás dela.

Ela se virou para encontrar Hiroaki encostado à porta. O yakuza elevou uma sobrancelha e ela sorriu.

– Não, não é meu aniversário, mas sua presença é um presente para mim. – disse ela.

– Se não é seu aniversário e está comemorando, deve ser algo importante. Achou outro homem?

– Isso o deixaria feliz? Deseja se livrar de mim? – perguntou ela sentindo um aperto no peito.

Pela primeira vez, Hiroaki não se sentiu confortável com aquele pensamento, embora soubesse que suas preferências sexuais sempre seriam ambíguas... Olhou para o rosto delicado de Seiko e sentiu algo estranho dentro do peito. Estaria se apaixonando por uma mulher? Negativo! Era, apenas, um tesão repentino.

– Você sabe com quem se meteu. Eu a avisei desde o primeiro dia. – falou ríspido. – Mas... ainda não me cansei desse teu corpo. – continuou, agora num tom mais ameno.

Seiko baixou a cabeça e desviou o olhar.

– Sim, eu sei. Mas não tenho outro homem e nunca terei. Eu preciso confessar uma coisa, mas não é sobre este assunto. Eu o amo e tudo o que faço é para a sua felicidade. Eu cheguei a pensar que Kobayashi poderia ser um aliado poderoso para que você criasse a sua própria facção. Eu coloquei Shizue como espiã para saber o que fosse necessário para que isso acontecesse. Ela se tornou amante ocasional de Kobayashi. Mas, mesmo assim, ele tomou a atitude de mandar matá-lo e ela não soube a tempo de repassar esta informação. No entanto, já cuidei para que ele pague por isso.

– Você fez tudo isso sem me contar?

– Queria que fosse uma surpresa. Não suporto vê-lo sendo menosprezado. Você é tudo para mim! Tudo!

Os olhos escuros de Seiko brilhavam, tomados pela paixão e pelas lágrimas que os inundavam. Hiroaki se viu aprisionado naquele sentimento explícito. Seiko jamais o cobrava, era toda dele, envolvendo-o com um tipo de amor que ele jamais vivenciara e que não conseguia compreender, mas podia sentir em cada toque, sorriso ou até mesmo o silêncio. Por vontade própria, a mão dele foi para a lapela do quimono vermelho e então a puxou para perto, baixando a cabeça, conectando seus lábios na maciez dos dela.

Seiko deixou escapar um leve gemido antes de o beijo bloquear o som. O gosto do saque e a entrega dela excitaram Hiroaki. Ele a puxou mais para perto, sua ereção latejando de encontro ao ventre dela.

– Você é louca... Sabe disso, não? – disse ele mordiscando os lábios delicados.

– Sim... sou louca... Louca por você.

O beijo se aprofundou, o ar ficou carregado... Os dois acabaram na cama. Hiroaki se sentia dividido, mas não era a sua natureza pensar muito sobre o assunto. Gostava de transar com Seiko, assim como gostava de transar com homens. No entanto, havia algo estranho acontecendo consigo, percebia-se preenchido por um sentimento novo, algo que o fazia ver Seiko de forma diferente.

O sexo entre eles foi rápido e intenso. Por alguns minutos, não havia mais nada. Nada além do corpo mignon debaixo dele, em torno dele. Seu sabor, seu perfume delicado, o gosto de saquê, sua voz gemendo de forma cada vez mais aguda. O gozo veio, assim como a realidade...

– Não quero que se arrisque fazendo coisas desse tipo. Eu voltei para a família e não pretendo chefiar nenhuma facção. Kobayashi vai ter o que merece. Naoko sabe ser muito foda quando quer.

Seiko sorriu e acariciou o rosto do amado.

– Naoko é sua irmã. Não esperaria menos dela.

Hiroaki sorriu também e, pela primeira vez em semanas, se sentiu relaxado e bem.

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Assim que estacionou o carro e desceu, Yoshiki pegou o braço de Misty, porém Henry o enfrentou.

– Deixe-o ir. Eu fico com o senhor.

Um sorriso debochado se fez presente nos lábios finos.

– Vocês andaram transando sem eu saber?

– N-Não! Eu e Misty nunca...

– Cale-se e ande! – falou o professor estapeando Henry na cabeça.

Mesmo aterrorizado, Misty sentiu raiva do homem que um dia desejara. Yoshiki sempre fora autoritário, mas nunca pensou que ele podia ser cruel a tal ponto.

– Eu te odeio! – disse o loiro.

Yoshiki aproximou os lábios do ouvido de Misty e sussurrou:

– Ótimo. Sei bem o que o seu ódio pode fazer... Sua rebeldia vai torná-lo perfeito para o que eu quero. Eu vou te comer até você não conseguir permanecer sentado!

Misty afastou o rosto, os olhos arregalados.

– Nunca mais!

Um riso cuja mistura mostrava sarcasmo e crueldade distendeu os lábios do professor.

– Nunca é uma palavra, digamos, definitiva e nós dois sabemos que definitivo mesmo, só a morte. Agora ande e fique calado. E você, Henry, não tente nenhuma bobagem ou perderá a chance de conhecer seu amiguinho, intimamente.

Os dois jovens obedeceram, pois Yoshiki encostava o cano da arma nas costelas de Misty, enquanto encobria tudo com o seu próprio corpo e adentrava o saguão do hotel. A princípio, pensara que seria um hotel pequeno, porém era um prédio enorme e moderno com uma decoração bastante contemporânea que exibia um foyer octogonal de mármore tão amplo que caberia umas 400 pessoas e ainda haveria espaço para circulação.

– Pois não, senhor? – falou o recepcionista.

– Sou o senhor Kawasaki.

– Oh, sim. Recebi instruções para hospedá-lo na suíte 644. Seja bem-vindo ao nosso hotel. – disse o recepcionista estendendo um cartão para o professor. — O senhor tem bagagem?

– Não.

Misty e Henry encararam o recepcionista, porém este continuou sorrindo como se tudo transcorresse normalmente.

– Desejo-lhes uma ótima estadia.

Yoshiki sorriu de volta e colocando a mão nas costas de Misty, foi em direção aos elevadores.

Logo que os dois subiram, Minos e Tadaka entraram e se dirigiram à recepção.

– Viemos encontrar o homem que acabou de entrar aqui acompanhado de dois jovens estudantes. – disse Minos.

O recepcionista franziu o cenho.

– E quem são os senhores?

– Somos amigos dos três. – falou Minos sorrindo.

– Como vou saber se estão falando a verdade.

– Por causa disso. – falou Tadaka arregaçando as mangas da camisa e mostrando a tatuagem em seus braços.

– Vou anunciá-los. – disse o recepcionista.

– Não precisa, tudo já foi acertado e devemos ser o mais discretos possíveis. Sem nomes, ok? – falou Tadaka encarando o recepcionista.

O homem assentiu e sorriu. Assim que se dirigiram ao elevador, Minos se controlou para não olhar para trás e ver o que o recepcionista faria. Ele e Tadaka entraram no elevador panorâmico e subiram com uma expressão séria.

– Acha que ele acreditou? – perguntou Minos.

– É um hotel da yakuza, ele não é pago para duvidar e sim obedecer. Se tivéssemos nos enganado ele não teria permitido nossa passagem. – respondeu Tadaka.

– O senhor não tinha certeza?

– Não, por isso mostrei meus braços.

– Me empreste seu celular. Vou tentar ligar, novamente. — falou Minos.

– Tome.

Minos respirou fundo e ligou para Hades. Foi com um alívio enorme que ele ouviu a voz grave responder.

– Minos... Sei onde você está. Não faça nada, entendeu? A polícia já está aqui.

– Onde você está?

– Estou no prédio. Fique onde está.

Sem se surpreender com a eficácia do amante, Minos sorriu e balançou a cabeça. No entanto, segundos depois de desligar o celular ele ouviu um tiro. Tadaka o olhou e os dois franziram o cenho.

– Aquele louco atirou... A polícia não vai chegar a tempo. Temos que fazer alguma coisa! – falou Minos.

Tadaka tocou em velha companheira, a Wakizashi, uma lâmina curta que carregava consigo para uma eventualidade qualquer. Uma vez yakuza, sempre yakuza, embora a intenção em trazê-la no táxi fosse apenas como autodefesa.

– Fique atrás de mim, jovem Griffon!

– O que o senhor pretende fazer?

– Ele não sabe que estamos aqui. Eu vou bater e assim que ele abrir vou tentar desarmá-lo.

O velho parecia decidido e sereno. Até a postura do corpo havia mudado. Tadaka se parecia com o senhor Miyagi, o mestre do filme karatê kid e Minos sabia que ele já estava decidido, mas ainda assim estava preocupado.

– Senhor Tadaka, eu não posso deixar que se arrisque. Yoshiki está louco, ele...

– Não se preocupe, meu jovem, eu já enfrentei situações piores. Fique atrás de mim e, assim que eu desarmar esse professor louco, tire seus amigos de lá. Qual o sobrenome deste homem?

– Kawasaki.

– Prepare-se. – disse o velho em voz baixa.

O jovem respirou fundo e assentiu. Tadaka bateu, a voz calma e rouca...

– Serviço de quarto. Cortesia para o senhor Kawasaki!

Houve um instante um tanto longo de silêncio. Então, a maçaneta girou e a porta se abriu...

Notas finais
♥*♥ Obrigada a todos que leem, favoritam, recomendam, silenciam, deixam sua presença nos contadores, arriscam um comentário de vez em quando. Gratidão e alegria!! XD♥