Juuzou e Sen são os tipos de namorados que...

Sempre apoiam um o outro, não importa o que aconteça.

2 anos atrás no hospital

— Ei, Juuzou você às vezes consegue ser um idiota teimoso sabia?

Sen estava na sala do hospital, olhando para Juuzou que tinha uma máscara na boca, ele tinha acabado de chegar no hospital e como ela tinha se colocado como número de emergência, ela foi a primeira a saber de seu estado, aparentemente ele e Shinohara tinham ido a uma missão extremamente perigosa e se deram de cara com um ghoul muito forte, Juuzou tinha escapado com uma perna a menos e alguns cortes aqui e ali, mas Shinohara ainda estava na emergência, a esposa dele ainda estava no corredor esperando, Sen iria falar com ela mais tarde, a coisa mais importante era Juuzou e se ele iria acordar, Sen observa seu rosto adormecido, tão indefeso e calmo enquanto ele estava inconsciente, quando acordado ele era pura energia e imaturidade, como se o tempo parasse para ele devido ao que quer que tivesse acontecido em seu passado, Sen não se importava ela gostava dele de qualquer jeito, desde aquela entrevista ela começou a querer conhecer ele mais, foi difícil no início, mas depois de um tempo ela conseguiu ver partes dele que apenas Shinohara dizia ver, por isso ela não conseguia impedir que as lágrimas caíssem, não conseguia deixar de ficar triste quando ele se machucava, mesmo que ele não sentisse nada parecia que ela sentia o suficiente pelos dois, mesmo quando ela sabia que era o trabalho dele e isso era normal, ela ainda ficava preocupada, quando soube que ele estava escrevendo testamento na mais recente missão, ela fez ele prometer que voltar vivo, mas não nesse estado não desse jeito, Sen levanta sua mão e entrelaça com a dele, levando até seu rosto molhado de lágrimas, ela sente seu toque frio devido a perda de sangue, Sen naquela hora queria gritar ou sacudi-lo para acordar, mas ela não era assim, ela podia ficar preocupada com ele, mas o jeito que tinha vivido até agora nunca deixou ela mostrar muitas emoções, a ser humana Sen e nunca sua irmã gêmea Eto, apenas uma ser humana que se sentia vazia por todos esses anos até encontrar ele, até saber que não tinha que fingir emoções quando ele tinha despertado elas, ela não se sentiu uma falha ou um erro pela primeira vez na vida, ela apenas se sentiu ela mesma com ele, os dois estranhos e desajeitados nesse mundo enquanto tentam viver ao seu próprio jeito, ela não sabia o que faria sem ele e também não podia fazer nada agora, ela odiava isso e o fato de isso ter acontecido com ele, se ele tomasse mais cuidado! Se desse mais valor para sua própria vida... Sen continua a chorar, soluços saindo de sua boca:

— Idiota, dê mais valor a si mesmo, se algo acontecer com você eu nunca mais vou poder ser a mesma, eu te amo tanto... por favor não me deixe.

Juuzou não fala nada, nem abre seus olhos quando Sen faz sua confissão pela primeira vez, sempre tinha sido um segredo bem guardado dele a sete chaves, apenas amigos foi como os dois definiam sua relação e ela sabia que Juuzou não sabia o significado do que queria dizer mesmo que gritasse para ele, ele não estava pronto para ela dizer essas palavras a ele, mesmo quando ela dava a ele todos os sinais Juuzou só a veria como amiga, ela respira fundo e se concentra na sensação de sua mão em seu rosto, suas lágrimas ainda caindo quando ela pensa na situação em que se confessou, que irônico que ela se confessasse em meio a lágrimas quando sempre pensou que iria rir de sua cara quando ele finalmente notasse seus sentimentos, ele provavelmente teria uma cara fofa e surpresa escrita no rosto, mas nunca que Sen pensou que o veria desse jeito tão machucado, e embora ela soubesse que ele era mais forte do que pessoas normais ela ainda tinha tanto medo de ele morrer, tanto medo que quando viu seus olhos abrindo ela apenas chorou de alívio conforme seu aperto em sua mão ficava maior, ele apertou de volta e esse foi o único sinal que ela precisou para ver que ele estava aqui, que estava ao seu lado:

— Por que está chorando?

Ele pergunta com a voz rouca, ela apenas tenta parar de sorrir que nem uma idiota, ela deveria estar brigando e dando um enorme sermão nele, mas tudo o que ela conseguiu fazer foi sorrir:

— Por sua causa seu bobo, nunca mais me preocupe desse jeito, tenha mais valor por si mesmo, e mais uma coisa...

Sen se inclina até a cama dele e coloca seus braços envolta dele, ele arregala um pouco os olhos, mas permite que ela continue:

— Bom dia e Bem-vindo de volta.

Juuzou não entendia muito o que significava consolar alguém por um abraço, era apenas contato corporal com outra pessoa, mas quando ele estava sendo abraçado por Sen, e ouviu aquelas simples palavras dela foi como se algo tivesse mudado dentro dele, e quando ele retribui seu abraço, ele descobre que está aliviado por ter alguém por quem voltar, ele tinha falhado com Shinohara, nado no mundo iria mudar isso, mas ele pelo menos não iria perder tudo o que ele tinha, ele ainda tinha alguém que esperava por ele e que se preocupava com ele, e embora ele não admitisse uma pequena e esquecida parte dele estava feliz com isso, era provavelmente a parte dele que ainda tinha emoções e que ansiava por ser amado por alguém, que só queria ficar ao lado de Shinohara e Sen, sua amiga e seu parceiro.

E dessa vez ele não iria estragar tudo, ele iria proteger cada um deles.

—x-

Sen olhou para Juuzou que estava no quarto com Shinohara, ele não tinha chorado nenhuma vez desde que soube que ele iria ficar em coma, e ela soube o quão perto ele estava disso, ela tinha visto o olhar que ele tinha quando disseram sobre o coma, ela conhecia aquele olhar muito bem, era o tipo de olhar que alguém tinha quando tentava aceitar a dura realidade, e embora ela quissese abraçar ele e dizer que tudo ficaria bem, ela sabia que não era desse jeito que ajudaria Juuzou, não com abraços e palavras, sabia que ele era forte para passar por esse obstáculo, mas ele era uma pessoa solitária, os dois eram terrivelmente iguais nesse sentido e ela sabia que tudo o que ele precisava agora era alguém que ficasse ao lado dele, ela podia não ser Shinohara, mas ela era Sen, sua amiga e para sempre a pessoa que ficaria ao seu lado, ela nunca deixaria ele, ela iria estar aqui para ele quando mais ninguém estivesse, era o mínimo que ela podia fazer por quem amava, ela espera ele terminar de falar com Shinohara para poder conversar com ele, quando faz isso ela se dá de cara com ele fora de sua cadeira de rodas:

— Não é por causa que você consegue usar uma perna que devia estar fora da cadeira de rodas, Juuzou.

Ele olha para ela, um olhar de determinação e de repente ele parece anos mais velho, maduro até, mas tudo isso acaba quando ele faz beicinho:

— Não quero, consigo ficar perfeitamente bem em pé.

Sen suspira, mas não desiste ela também sabia como ser teimosa, ela olha para ele e sorri, deixando claro o quanto que estava irritada:

— Juuzou, a não ser que queira que eu quebre sua outra perna, você vai sentar na cadeira, e se isso não funcionar saiba que eu vou chamar a enfermeira e fazer com que você não possa sair mais da cama do hospital.

Sen sabia que Juuzou não ficaria com medo de um blefe tão óbvio como quebrar sua perna, mas ele percebeu que ela foi muito sincera quando disse que ele teria que ficar de repouso na cama pelo resto da estadia no hospital, ele então sentou na cadeira de má vontade, com as bochechas inchadas, ela suspira com sua imaturidade, era incrível como ele parecia maduro por um segundo até estragar tudo isso, Sen vai até ele e coloca um pirulito verde em sua frente, ele estende a mão para pegar com os olhos brilhando, mas Sen afasta sua mão até o alto e olha para ele, diversão em seu rosto quando vê ele frustrado por não poder pegar o doce:

— Prometa que vai ficar na cadeira de rodas, se cumprir sua promessa irei dar um pirulito para você por dia.

Ele na hora aceita, com a cabeça balançando para trás e para frente:

— Trato feito.

Ela sorri e dá o pirulito para ele:

— Trato feito.

Em seguida ela olha para Shinohara, ela tinha aprendido muito sobre Juuzou por meio dele e estava grata por ele ter sido uma das pessoas que tinham guiado ele pelo caminho certo, talvez se não fosse por ele, eles nunca poderiam ter se conhecido tão bem, ela se inclina para ele em um gesto de gratidão:

— Muito obrigada por tudo, saiba que Juuzou não está sozinho, eu irei cuidar dele enquanto você estiver dormindo, quando voltar você verá que ele estava em ótimas mãos.

Com esse último gesto Sen levanta a cabeça e olha para Juuzou que tinha voltado com aquele olhar, ela vai até ele e coloca sua mão no topo de sua cabeça, ela vê ele arregalar os olhos enquanto ela afaga seu cabelo gentilmente, o modo lembrando ele de Shinohara, ela dá um sorriso suave e gentil para ele e só para ele:

— Está tudo bem chorar quando estiver triste.

Ele abaixa a cabeça, não recuando ou rejeitando o carinho, apenas fechando os olhos:

— Eu não posso, eu prometi trabalhar duro enquanto ele estiver dormindo.

Ela sorri para ele, mas ele não consegue ver por causa de seus olhos fechados, apenas sente o toque dela em seu cabelo, um ato nostálgico e carinhoso:

— Pelo visto você vai virar uma pessoa muito trabalhadora e madura daqui para frente, não é mesmo?

Ela dá uma pequena risada, ele aproveita a sensação de sua mão em seu cabelo, não querendo dizer nada:

— Mas até pessoas trabalhadoras e maduras choram as vezes sabia? Todos nós somos humanos Juuzou, está tudo bem chorar quando estiver triste e rir quando estiver feliz, querer proteger aqueles quem você ama também, eu sei que você é forte e pode superar isso, mas não consigo aguentar esse olhar de tristeza em seu rosto, desse jeito quem vai acabar chorando vai ser eu, então eu te peço que por favor, apenas por esse momento, chore quando você puder e se livre de todo esse peso que você nem sabe que carrega.

Ela olha para ele, esperando que seu discurso tenha algum efeito, pois tudo o que ela falou era verdade e quando ela olha para ele, por um momento ela quer chorar também, mas engole sua vontade e continua ao seu lado, as lágrimas que não paravam de cair de seus olhos, os soluços que ele fazia pareciam como gritos de sua dor para o mundo, que ninguém além dela poderia perceber, naquela hora ela queria muito abraçar ele, mas viu que poderia fazer isso quando ele acabasse de chorar, por enquanto ela apenas continuou fazendo carinho em sua cabeça.

Uma prova que ele sempre estaria com ela do seu lado, apoiando ele não importa o que aconteça.