Juste Attendre-I
7 Peut-Être
Notas iniciais
Com a revelação da localização de Baelfire, Rumple teve que contar o porquê de a Terra do Nunca ser tão perigosa. Ainda doía tanto falar sobre este assunto, mas ele precisava fazer Belle acreditar no que ele dizia. Contou a história de sua vida e de certa forma foi como se livrasse de um enorme peso de suas costas, falou tudo sobre o que houve na sua infância desde o momento em que conseguira o feijão mágico até o momento em que vira o pai se transformar em um menino novamente, com toda certeza uma das piores coisas que lhe acontecera.
A moça ficou perplexa, o olhava de forma indesifrável. Abriu um delicado sorriso e o confortou com belas palavras. Falou que compreendia, que não insistiria para ir com ele nesta nova aventura, mas que se ele mudasse de ideia ela estaria o esperando. Belle inclinou o corpo e levou a cabeça até as pernas dele, ficou deitada ali por longos e intermináveis minutos. O Senhor das Trevas ficou a acariciar os cachos dela, até finalmente completar.
– Queria que você tivesse uma família. — A voz dele ainda estava embargada, não queria tocar naquele assunto. Não naquele momento, mas era a verdade. Ele havia separado ela do pai, dos amigos. De repente isso parecia tão errado.
– Você é a minha família. Somos casados, lembra-se? Além do mais, quem sabe um dia ela não cressa. — A morena depositou a mão no ventre e sorriu com o pensamento.
– Gostaria de ter um filho comigo? — Ele estava em dúvida quanto a isso? Rumple sabia que Belle o amava, nada mais justo do que eles terem o fruto deste amor, não é verdade? Mesmo assim não parecia a coisa certa a se fazer.
– Mas é claro. Eu te amo com cada grama do meu ser, acredita mesmo que eu não iria querer uma filha sua?
– Filha? Então além de poderes sobre o gelo, você também pode ver o futuro? — Ele fez graça.
– É só uma coisa que penso. Acho que eu só não me imagino mãe de um menino. Mas eu o amaria da mesma forma. Ter Alex aqui me fez sentir o que é essa experiência maternal, este é o verdadeiro amor.
Os dois ficaram na mesma posição por horas incontestáveis. Belle adormeceu rapidamente e por uma questão de conforto Rumpelstiltiskin a levou até o travesseiro.
Com os meses passando de forma quase que imperceptível, a Rainha finalmente chamou pelo Senhor das Trevas. A pequena princesa Emma havia sido sequestrada e coube a ele recuperá-la, obviamente Rumple pediu como "pagamento" dois dos feijões mágicos, o que foi fácil para o Rei e a Rainha conseguirem, já que Anton voltara a cultivá-los. O trabalho não fora tão fácil quanto pensara, mas ao botar os olhos na menina ele soube imediatamente que era ela. Aquela seria a criança que o levaria até Baelfire, aquela pequena garotinha fruto do amor verdadeiro, era sua Salvadora.
Emma estava bem, não havia se ferido. O Rei George havia a sequestrado como uma forma para se vingar de David, mas agora estava tudo bem. Logo ele pensou em Belle, ela precisava ficar em um lugar com pessoas que não machucariam ela, um local protegido não por magia, mas sim por guardas. Pensou no castelo do pai dela, não era uma opção. Primeiro porque Avonlea sofria com sérios problemas de segurança e segundo porque ele não confiava no velho Maurice.
Aumentou uma cláusula no contrato que fizera com Branca de Neve e conseguiu o que queria. A Rainha não se importou em abrigar a moça ali, talvez ela sentiasse um pouco sozinha ou apena quis ajudar. Belle por sua vez não entendia o fato de que ela não poderia ficar em casa, o que mais queria era passar o tempo que ficaria longe dele em sua biblioteca, lendo os inúmeros livros que lá continha.
– Mas a única coisa que quero é o seu bem, a sua segurança. — Rumpelstiltiskin tentava argumentar.
– Por que não posso ficar segura aqui?
– Quando eu sair daqui, a magia em volta do castelo enfraquecerá, não quero que você se exponha a qualquer risco.
– E o castelo de meu pai? Tenho certeza que ele iria me acolher.... — Por mais que tentasse parecer convicta do que falava, realmente havia dúvidas que a perseguiam em relação ao pai dela, fato que deixava a voz falhar em demasia.
– Não. Já disse que eu não confio em seu pai, ele deixou você, a única filha que ele tinha, vir comigo, um monstro. Isso não é uma atitude de um pai.
– Tens razão, um pai não deve agir deste modo. Mas você também errou com o seu filho, no entanto se arrependeu. Meu pai pode não ser perfeito, mas eu o amo, quero estar junto dele.
– Fazemos assim, querida: Você ficará no castelo da Rainha, caso sintas muitas saudades ou desaprove o modo de como te tratam, eu não me chatearei de você ir para com o seu pai, mas tente ficar no castelo de Branca, por mim, me deixará muito mais aliviado. — Ele não havia percebido, nem ela, entretanto Rumple havia acabado de manipular a decisão de Belle.
– Está bem. Mas terá que me prometer que não demorará tanto.
O homem apenas sorriu. Se ele encontrasse problemas para voltar, estava disposto a sacrificar sua vida pela liberdade de seu filho. Belle, entretanto, não podia saber de seus planos. O dia seguinte trouxe junto dele um inverno que fez a morena se preocupar, olhou para a mão esquerda e fitou o anel que a protegia, ele estava lá. Contudo, Rumple adentrou o quarto e com muitos argumentos convenceu a moça que o melhor a se fazer naquele momento era, sem sombra de dúvidas, ensiná-la a administrar o poder que ela tinha.
Contou à ela, que era uma forma de ele se certificar que ela estaria segura com sua ida. Mas esta não era a verdade, o que realmente ocorria era que o frio, a neve presente naquela simples tarde de primavera era culpa de Belle. Ela não fazia aquilo por querer, tanto que ela nem imaginava que o anel não era forte o suficiente para deter os poderes dela. Mas de certo ela estava com algo no coração a aflingindo, Rumpelstiltiskin pensou que poderia ser o fato de que o dia de sua viagem estava se aproximando, menos de uma semana, no entanto ele não podia afirmar isto. Não desistiria de encontrar seu filho, mas se ela precisasse dele, certamente a viagem seria adiada.
Os dois fizeram seu caminho até o jardim do castelo, onde gentilmente Rumple pegou o anel de Belle. A moça, agora loira, esforçavasse ao máximo, tentava fazer com que o gelo não a dominasse, mas era exatamente isto que estava ocorrendo. O Senhor das Trevas não queria ter que mexer com o emocional de sua esposa, isso era demasiadamente perigoso, muitas feiticeiras acabaram destruindo a si mesmas por deixarem as emoções as dominarem. Mas não havia outro jeito, a moça já estava começando a demonstrar frustração e ele devia confiar em sua amada.
– Belle, querida.... Olhe para mim. — A moça estava focada em suas mãos, tentava fazer o gelo parar, por segundos ela conseguiu.
– Não dá. Ele sempre volta. — O gelo veio outra vez cobrindo a pedra nas mãos dela e logo o sorriso desaparecera de seu rosto.
– Preste atenção, pense naquilo que lhe aflige, que ainda te mágoa... A emoção que mais tem domínio sobre você.
– Não, Rum. Não irei fazer isso, está fora de questão.
– Para o seu próprio bem. E o bem das aldeias próximas ao castelo. Só pense. — Ele estava mais perto dela, foi então que a nevasca começou a atingir com mais brutalidade ao redor deles. O que estava acontecendo? — Pare, Belle. Há algo errado, abra os olhos.
A visão era horrível, havia vento por toda parte, neve cobria tudo e era quase impossível manter os olhos abertos por muito tempo. Rumple começou a pensar em outra coisa, algo que o ajuda-se a deter o poder de Belle, mas o que? Ele tinha que imaginar a maneira em que o coração dela funcionava, no entanto estava extremamente difícil criar algum plano com toda aquela tempestade de neve. Parou o tempo e o espaço somente por alguns minutos, tempo o suficiente para o Senhor das Trevas saber exatamente o que se fazer. Desfez o feitiço e começou a pequena explicação à Belle.
– Amor, escute. Perdoe-me eu sei que estava enganado, você não é como as outras, nunca foi. — Belle o olhou confusa, sem saber do que ele falava, mas realmente estava gostando do rumo da conversa, pois ela abriu um pequeno sorriso involuntário. — Eu deveria ter visto isso antes, mas o que importa agora é que eu errei. Eu nuca te ensinei nada, você sempre aprendeu por conta própria, então se alguém tem que te ajudar a usar magia, esse alguém é você.
Os flocos foram caindo no chão aos poucos, sem perceber Belle abraçou Rumple e por segundos deixou-se a pensar em quão boa era sua vida no momento. Teve amores, seu pai Maurice, sua mãe Elsa, Alex, Rumple, havia tantas pessoas que ela amava e que lhe amavam. Sorriu ao lembrar de cada momento bom que teve com cada um deles, o pai ensinando-lhe a dançar, a mãe fazendo belos bonecos de neve e lhe contando história sobre o reino de que veio, Arendelle. Entretanto, as memórias mais recentes foram aquelas onde somente duas pessoas compartilharam com ela, Alex e Rumple, desde o dia em que ele lhe touxe a menininha até o momento presente. A esperança, a dor, a felicidade e o amor. Tantos sentimentos havia experimentado com eles.
– No que estás pensando? — Rum lhe perguntou, tirando-a assim de seus devaneios.
– Em nós, em Alex. Na minha vida, achei que essa poderia ser a chave para conter os meus poderes.
– Funcionou. Como sempre você estava certa. — Ele lhe mostrou que aos poucos o clima foi voltando aos poucos.
Por segundos Belle parecia uma criança que acabara de ganhar um ótimo presente. Pulou nos braços de Rumple e lhe deu um longo beijo. O final do dia não teve acontecimentos tão relevantes, mas os dias se seguiram e o Senhor das Trevas continuou a observar Belle praticar magia. Ele viajaria na manhã seguinte e precisava levá-la até o castelo da Rainha. Ao terminar de arrumar as malas Belle foi até a cozinha tomar um pouco de água, não sentia-se tão bem quanto gostaria, fitou a pequena xícara lascada sobre o armário e foi inevitável conter um pequeno sorriso. Ele havia guardado, mesmo depois de tanto tempo.
– Está tudo bem, amor? — A moça assustou-se, entretanto o sorriso continuou.
– Você ainda tem... Minha xícara lascada! — Dizia ela com os olhos marejados.
– Por que eu não teria?
– Não sei, de repente achei que talvez você não iria a querer. Seu jogo de louça é tão fino, a pobrezinha poderia estar estragando a bela ótica que o conjunto por inteiro dá. — Ela brincou.
– Mas essa é exatamente a razão por eu querer ela. Me faz lembrar da menina desajeitada por quem eu me apaixonei e por quem eu ainda sou completamente apaixonado. As vezes, a melhor xícara está lascada.
A manhã seguinte chegou rápida demais e sem se dar conta a morena já estava no castelo de Branca de Neve. O lugar era encantador, todos os cômodos tinham um toque de doçura especial. Levaram as malas de Belle até os aposentos onde ela passaria os próximos meses, enquanto ela familiarizava-se com os residentes do local. Avistou uma pequena menininha com cabelos loirinhos, inevitavelmente lembrou-se de Alexandra, um olhar diferente chegou aos seus olhos, nostalgia talvez.
– Emma, venha conhecer a moça de quem nós lhe falemos.
O rei foi ao encontro da criança e a moça com longos cabelos negros apenas sorriu e comentou.
– Eles são assim mesmo, David e Emma tem uma ligação que eu nunca saberei explicar.
– Majestade, eu entendo perfeitamente bem o seu marido, acredite. Rumple agia da mesma forma.
– Desculpe...? Vocês tem filhos? — Branca de Neve parecia realmente confusa.
– Não, é só que....
– Belle querida, eu realmente preciso ir. — Ele viu que ela estava, sem dúvidas, enrolado com que resposta dar, acreditou ser melhor interferir. Levou a morena até um canto mais reservado da sala em que estavam e continuou. — Prometa-me que irá ficar bem.
– Prometo que irei tentar.
– Os feijões já estão comigo, preciso ir encontrar o meu menino. Nunca tire este anel de seu dedo, está bem?
– O que? Mas eu já consigo controlar os meus poderes, você mesmo me disse.
– Sim, eu sei. Acontece que as pessoas são mais maldosas do que você pode imaginar, se soubessem de um poder como o seu, com toda a certeza não compreenderiam. Para o seu bem, por favor faça isso.
Os dois compartilharam um longo beijo, Rumple sentiu o gosto salgado das lágrimas da moça, mas ele tinha que ser forte, por ela e por ele. Precisava ir encontrar o seu filho, tinha que mostrar à Baelfire que não havia desistido dele. Se afastou aos poucos do castelo ao olhar preocupado de Belle.
A moça acariciou o ventre ainda plano e sorriu entre as lágrimas. Se tudo corresse como planejado, logo seu Rumple voltaria para ela, os dois criariam a criança que estava a caminho ao lado de Bae e finalmente teriam o seu final feliz. Ela só não sabia que nem sempre os sonhos se tornavam realidade.
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