Juste Attendre-I
8 Épilogue
Notas iniciais
A menina corria desesperadamente, tentava se esconder de um futuro certo. Um futuro completamente diferente do que sonhara, queria dar um jeito de se esconder do destino. Ela tinha por volta dos seus onze ou doze anos, os longos cabelos loiros envoltos em uma trança e brilhantes olhos azuis. O casamento lhe parecia algo tão doloroso, era como se estivessem lhe tirando a sua própria liberdade.
Ela estava ciente de que o estresse nunca a ajudara, que por razões de descontrole emocional ela já havia ferido quem mais amava. Entretanto, ouviu os sons abafados de gritos de socorro. Tentou decifrar de onde viam os tais, aproximou-se do penhasco com o medo a consumindo de tal maneira que era possível ouvir o som da sua mente gritando para recuar. Sempre ouvira dizer que onde faltava vida nas terras, sobravam trolls ansiando por uma única oportunidade de acabar com qualquer ser que precisava de oxigênio para sobrevivência.
Respirou fundo e se apavorou ao ver uma moça pendurada em um galho apenas com uma das mãos, ela precisava ajudar. A jovem com cabelos castanhos lhe sorriu aliviada, mesmo não tendo esperanças que aquela magra e fraca criança pudesse lhe socorrer. A princesa não podia mostrar seus poderes,no entanto precisava salvar aquela vida.
– Farei um suporte para você pisar. Não se preocupe, tudo ficará bem.
– Como você vai....? — A frase não teve tempo para um término, antes mesmo que pudesse perceber uma plataforma de gelo se formava em baixo de seus pés e a elevou até onde ela já poderia sair da situação constrangedora. Queria agradecer a criança por tê-la ajudado, mas seu encanto era tanto que sussurrou apenas uma palavra. — Obrigada.
– Não há de quê. Mas me responda, como foi parar lá embaixo? — A mais nova parecia demasiadamente interessada em tudo ao seu redor, a cor da terra, as pessoas ou até mesmo o modo das vestes pareciam ser uma grande novidade a ela.
A morena teve vergonha de contar o que realmente havia acontecido, mas a pequena parecia tão interessada no assunto, além do mais, havia ela salvado a sua vida. Olhou de modo encabulado para baixo e respondeu levemente.
– Eu estava farta da minha vida, na minha vila todos são tão pobres... Eu achei que, talvez, a morte fosse a única solução.
– Não! Isso errado. A morte nunca é uma solução, devemos viver, aproveitar cada segundo da vida, até os mais inoportunos.
– Para você é fácil, aposto que é uma grã-duquesa ou alguém desta parte superior da realeza.
– Superior? Oh, não. Eu não sou superior a ninguém. Tenho muitos problemas se queres saber, talvez até piores do que os seus.
– Diga-me um. — Desafiou a moça.
– Meu pai quer que eu me case com um futuro rei, quer unificar os nossos reinos através de mim e dele, mas eu nem o conheço, não sei ao menos como se porta, se é educado ou não.
– Mas você é tão nova.
– Ele também é, por isso devem esperar até chegarmos a uma idade mais avançada.
– Aposto que é um belo príncipe , que tem muitas posses e ouro. — Um olhar sonhador subiu aos olhos da adolescente, o que estava acontecendo com ela?
– Mas eu não me importo com isso. Quero alguém que tenha um bom coração, queria fazer a minha própria decisão. — A pequena menina queixava-se.
– Isso é muito pouco.
– O que? — Indagou confusa.
– Você disse que iria me contar um grande problema, maior que o meu. Conte-me.
– Não tem o quê falar.
– E seus poderes? Nasceu com eles ou foi alguma espécie de maldição?
– Nasci... — Lágrimas nasceram em seus olhos e sem sua permissão começaram a escorrer por seu rosto pálido.
– O que foi? Perdão, eu não queria.... Pare de chorar, menina. — Disse de forma reprendedora, mas ainda assim doce.
A garota saiu a correr pelo bosque, enquanto a mais velha apressava o passo atrás dela ao perceber o quão perigoso lá poderia ser. Alcançou a jovenzinha e a segurou pelo braço, a menina apenas a abraçou sussurrando.
– Ela morreu, morreu por minha culpa.
– Quem?
– Minha irmã, Anna.
– Querida, eu realmente sinto muito.
A garota que aparentava ter dezesseis anos ou mais, levou a mais nova até um riacho que ali tinha e limpou suas lágrimas. Após um tempo ela virou-se e perguntou curiosa para a mesma.
– O que é isso? — Disse referindo-se ao colar em forma de floco de neve que a menina tinha pendurado em seu pescoço.
– O colar?
– Sim. Estava brilhando enquanto choravas.
– Foi um presente de uma fada. Uma fada diferente.
– Ele é lindo.
– Muito obrigada.
As duas permaneceram ali por mais alguns minutos ou talvez horas, nenhuma delas sabia ao certo quanto tempo exatamente haviam passado jogando pedrinhas no pequeno riacho. Entretanto, de repente um toque veio na loirinha e imediatamente ela virou-se para a jovem ao seu lado.
– Eu ainda não sei o seu nome!
– Ah, perdão. Acho que acabei esquecendo de lhe dizer. Chamo-me Cora, e você?
– Elsa. Princesa Elsa de Arendelle.
– Eu lhe falei que era da realeza. Sabia! — A moça apenas sorriu vitoriosa.
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