Just love me
6 Friends
Notas iniciais
~Pov Harry~
Finalmente a hora da saída, já estava cansado de dormir na sala, naquela mesa dura.
Depois de passar quase a noite inteira dançando, bebendo e catando qualquer um naquela droga de balada, eu estava acabado. Minha sorte foi que o Matt estava comigo, ele bebeu e tudo mais, mas ainda estava bem sóbrio e pelo o que lembro, ele me ajudou a voltar pra casa (ainda fico de cara de como ele consegue saber o caminho só com aquela bengalinha, com certeza eu no lugar dele não ia saber nem como levantar da cama sem bater no criado-mudo), e disse que estava devendo uma pra ele.
— Harry. — ouvi, virando pra trás vendo a Gwen correndo em minha direção.
— Menina Stacy, apareceu então?! — falei me referindo a na hora do intervalo ela não aparecer, logo quando o Peter ia a apresentar o Wade direito, pois tenho certeza que a imagem que ela tinha dele ainda era a de um Flash versão maior.
— Sentiu minha falta, é? — disse me acompanhando enquanto ia a caminho de casa.
— Claro, sempre é você que pega os lanches, tive que ir buscar o meu hoje. — Falei em tom dramático a fazendo rir.
— Claro, claro. — disse me dando um tapinha no ombro. — Fiquei sabendo que o Wilson esta sendo tipo um protetor do Peter, e que estava na mesma mesa que vocês. — Disse.
— Que absurdo, quem contou? — falei num tom irônico.
— Estava todo mundo comentando sobre isso, sobre o Wade ter humilhado o Flash na frente do professor Logan por conta dele estar mexendo com o Peter. — disse revirado os olhos
— É, isso é verdade. — falei sorrindo de forma provocativa, como se mostrasse que ela nem sabia metade da historia. — Se tivesse aparecido hoje no intervalo iria conhecer o Wade.
— Tive que ir falar com a diretora sobre uma festa de “Boas vindas” aos alunos, que ela esta pensando em fazer no próximo fim de semana, e perguntou se eu queria ser uma das organizadoras e tudo mais. — disse dando de ombros, dizendo ter aceitado.
Assim fomos andando o caminho todo conversando, o até o possível relacionamento do professor Charles e do professor Eric viraram assunto. Até que na metade do caminho nos separamos, ela indo pra um lado e eu pra outro. Já estava cansado, e então que penso, por que raios to indo pra casa andando, se podia ter ligado para o motorista? Harry Osborn você definitivamente esta ficando louco.
Peguei o celular o intuito de ligar para o motorista até que vejo do outro lado da rua o Matt, me perguntava o que ele estava fazendo ali, a casa dele era do lado oposto da minha.
— Murdoc. — falei atravessando a rua.
— Harry, oi. — disse assim que toquei em seu ombro. — O que ta fazendo aqui?
— Indo pra casa. — falei indiferente.
— A pé? — fez uma cara engraçada o que me fez rir.
— Também estranhei isso, mas e o que você esta fazendo aqui, não devia ir pra casa? — perguntei, vendo sua feição divertida se desfazer.
— Pra que, não vai ter ninguém lá me esperando. — falou em tom deprimido.
— Mais uma das suas crises sentimentais?! Desculpa, mas não sou o Peter para passar a mão na sua cabeça e falar palavras bonitinhas. — disse com pouca diferença.
Desde que ele ficou cego e o pai morreu, digamos que ele nunca mais foi o mesmo. Não se vê mais ele sorrir como sorria quando éramos menores! Antes... um simples sorriso dele fazia qualquer um querer se alegrar, mas hoje... ele quase nunca sorri de forma sincera ou ri por puro divertimento, chega a ser trágico, mas de certa forma é plausível. Assim ele passou a morar num orfanato de freiras, depois foi adotado por um velho qualquer lá, e depois abandonado pelo o mesmo, assim começando a viver sozinho, sendo que ele tem um tipo de acordo legal que já o faz de maior de idade e blá, blá, blá, não entendo nada dessas coisas.
Mas resumindo: Ele sofreu pra caralho, ficou com o coração duro como pedra e de vez em quando tem momentos de tristeza e crises existenciais, nada bonito.
— Não te pedi nada. — disse com um tanto de raiva na voz.
— Ok, vamos pra casa então, conversamos lá, vou ver se posso ajudar. — falei dando de ombros, pegando o celular e mandando uma mensagem para o motorista.
— Já falei que não te pedi nada, Harry. Não se preocupa. — falou agora mais ameno.
— Sei que por dentro quer atenção, além de que meu pai vai estar lá, ele fica um pouco mais agradável quando tem visita. — Falei sorrindo.
Ele ficou em silencio por alguns minutos, até minha BMW preta parar à nossa frente, descendo o motorista do bando sair do carro indo até a porta de trás, abrindo-a para assim eu entrar.
— Vamos. — falei pegando ele pela mão e o puxando para dentro do carro, que logo tem a porta fechada.
— Você é bem chato e insistente quando quer. — falou.
— Considere isso como um... agradecimento por ontem. — falei sorrindo.
— Ha... é bem mais complicando que aquilo. — falou rindo irônico.
— Ótimo, adoro coisas complicadas. — assim o carro começa a andar.
oOo
Em poucos minutos chegamos em casa, e assim que a porta do carro é aperta para eu sair (puxando o Matt), entro em casa com cautela.
— Meu pai está? — perguntei para um dos empregados.
— Sim, esta na sala dele e disse que não queria ser incomodado. — falou, e assim subo as escadas para meu quarto pisando forte no chão, ouvindo os passos ecoarem por todos os cantos, na esperança de que aquilo atrapalhasse meu pai.
Logo chego ao quarto, me jogando na cama, e Matt fechando a porta.
—Continua querendo irritar seu pai? — perguntou se sentando ao meu lado na cama.
— Não estamos aqui pra falar de mim e sim de você, então começa aí, desabafa, eu to ouvindo. — disse, olhando para ele ainda deitado.
— Falar o que?
— Sei lá, diga o que esta sentindo; o que te levou a aquela rua... — disse dando de ombros.
— Sei que você não da à mínima.
— Realmente não dou, mas vou fazer um esforço. — falei, mas não estava sendo muito sincero, só o levei pra casa para não ficar sozinho com “o senhor Oscorp”.
— Não, você não se importa e nem esta se importando agora. — falou rindo convencido.
— É... você é esperto Murdoc. — ri divertido. — Então vamos conversar sobre outra coisa.
— Qualquer coisa? — perguntou.
— É.
— Vamos fazer uma aposta então? — o olhei desafiador.
— Que aposta? — perguntei.
— Acho que o Wade vai acabar namorando com o Peter. — falou.
— É... Também acho isso.
— Então vamos apostar quem deles é que vai pedir o outro em namoro. — disse dando um sorriso sínico.
— Acho que vai ser o Wade, ele é mais ousado. — falei bem convencido.
— Acho que o Peter, de certa forma, acho que o Wade é tão perdido e confuso nesse papo de relacionamento, que, quem vai ter que tomar a iniciativa vai ter que ser o Peter. — não botei nem um pouco de fé nisso que ele disse.
— Aposto no Wade mesmo, o Peter é muito mole. — disse ando de ombros. — Vamos apostar o que? — perguntei curioso.
— Que tal, além de quinhentos dólares... — assoviei, bem alta essa aposta. —... Também vamos poder cada um escrever algo que queremos do outro num papel, e quem ganhar embolsa os quinhentos e ainda ganha o que esta no papel. — adorei.
— Claro. – falei pegado duas canetas e um pedaço de papel, do qual dividi no meio dando parte pra ele. — É... Como voe vai escrever? — perguntei rindo.
— Ainda me lembro de como escrever em letra normal, um pouco, só digo que vai ficar com uma letra horrível e com certeza algumas letras fora do lugar. — falou rindo e apenas ri também.
Fiquei olhando por um tempo para o “amigo” a minha frente, ele mordia os lábios tentando escrever, enquanto mordia levemente também a caneta. Assim escrevi no pedaço de papel Boquete.
— Se você perder vai ter que fazer mesmo o que escrevi na folha. — falei a dobrando.
— Tenho certeza que vai ser algo bem gay. — falou rindo, dobrando o pedaço de papel também. — agora a gente dá pra algum dos seus criados, e fala pra esconder em algum lugar, quando a aposta acabar pegamos os papeis. — falou e assim chamei um dos criados falando pra fazer o que ele disse.
— Olha só, vir na minha casa sempre se torna algo interessante. — falei.
— Realmente. — lambeu os lábios.
Autora Povs:
Certa ruiva massageava suas temporãs, suspirando pesadamente, se controlando para não bater no loiro a sua frente. E acreditem, está sendo difícil.
— Eu não tenho culpa Clint – ela esbraveja cruzando os braços – Se o Fury mandou vocês trabalharem juntos, vocês vão trabalhar juntos, e acabou!
— Não acabou não. – Responde o loiro inconformado. – Desde quando eu virei babá?!
— Eu não sou uma criança, você que é um velhote. – Fala Pietro, grosso, olhando feio para o maior.
— Saiba que poderíamos ser irmãos.
— E eu fico feliz que não somos.
— Viu Naty, como “isso” pode ser o meu parceiro? – ele indaga, fuzilando Pietro com o olhar.
— Vocês não são parceiros, lembre-se que Pietro é seu aprendiz, então trate de ensiná-lo. – Fala Natasha perdendo ainda mais a paciência.
— Por que a Wanda não pode ser minha aprendiz? – Clint indaga olhando desesperado para a ruiva, que não sabia o que dizer. – Pelo menos ela não é chata!
— Você é o chato aqui, velhote! – fala Pietro ficando frente a frente com Clint. – E eu não vou trocar de parceiro – fala ríspido.
— Por que não? Você me odeia, não é mesmo?
O menor trava, buscando achar algo para responder, no final desvia o olhar desconcertado.
Clint o fita, um pouco culpado.
— Ah porque vocês não vão logo pra um quarto? – questiona Natasha áspera. – Já estou cansada dessas brigas.
— Como se eu gostasse de homens. – Fala Clint cruzando os braços.
— Nem você fosse gay pra eu ficar com você. – Fala Pietro cerrando os olhos.
— Então você é gay? – indaga Clint brincando.
Pietro morde os lábios, parecendo incerto.
— Vamos logo trabalhar. – Fala Wanda puxando Natasha. – Depois a gente se vê. – Ela diz praticamente puxando a ruiva.
— Por onde você quer começar? – Clint pergunta.
— Arco e flecha. – Fala Pietro sério.
Clint assentiu, seguindo pelo corredor.
Eles não dizem mais nada, ficando até incomodo a tensão que se formou.
— Você se lembra do que eu te falei? – indaga o loiro.
— Mais ou menos. – O menor segura no arco colocando no mesmo a flecha, ele a puxa para trás. Ele a solta, acertando na ultima linha de mira.
— Nem parece que é meu aprendiz – debocha Clint pegando outra flecha indo ao menor. – Levanta o arco – assim que o menor faz ele coloca a flecha, permanecendo com a mão na mesma. – O que foi que eu te disse?
— Segurar forte o arco. – Fala Pietro entediado. – E três dedos abaixo na flecha.
— Não é que você lembra pirralho – fala o loiro sorrindo de canto. Ele toca na mão de Pietro, levando a linha para trás. – Agora e só olhar a ponta da flecha e o alvo... – ele fala movendo o objeto. – E atira. – ele solta as mãos, vendo a flecha acertar o alvo. – Não parece muito difícil né?
— Pra você não, faz isso há anos. – Fala Pietro sorridente, sem nenhum sarcasmo na voz.
— Quer uma pausa?
— Sim.
Eles sentam em colchões no chão, bebendo garrafas de água.
— Por que você não quer trocar de parceiro? Você me odeia. – Fala o loiro olhando sério para o menor.
— Eu não te odeio – Pietro diz, abandonando sua garrafinha. – É que de algum jeito você me irrita.
— Você também me irrita sabia? E muito! Por que me inferniza tanto?
— Eu não sei – diz o menor olhando para os lados –, ou melhor, não quero dizer.
— Por que não? Não sou fofoqueiro, pode falar.
Pietro olha para ele, incerto.
— Promete não rir de mim?
— Prometo. – Diz Clint.
— É que eu fico estranho quando estou com você.
— Estranho como?
— Não sei, estranho.
— Precisa ser mais detalhado.
O moreno o fuzila com o olhar, dando de ombros.
— Tipo frio na barriga e coração batendo rápido.
Clint o fita de um jeito estranho.
— Você é gay por acaso? – indaga.
— Não sei – fala o moreno com duvida no olhar – Mas eu acho que gosto de você.
O loiro não sabe o que dizer, ou melhor, não sabe como reagir. Ele não tem preconceito, mas nunca pensou em ouvir um homem se declarar para si.
— Você não vai dizer nada? – indaga o moreno frustrado.
— E o que eu posso falar? – Clint rebate.
— Não sei, qualquer coisa!
O loiro bufa, passando as mãos no rosto, ele fuzila o menor constrangido, que tentava se manter sério.
— Talvez eu também goste de você – ele admite, vendo Pietro arregalar os olhos – Mas não tenho certeza.
— Podíamos tentar uma coisa.
— O quê?
— Promete não socar a minha cara?
— Claro.
— Feche os olhos – fala o menor sorridente.
Clint os fecha a contra gosto, ele sabe que vai ser um beijo, mas porque negar? Se não gostar é só cortar a aproximação.
Ele ouve e suspiro pesado de Pietro e sua mão tocar o chão. Logo sente algo apertando seu ombro, e uma respiração quente lhe bater o rosto. Sente um frio na barriga, quase perdendo a respiração. Sentindo uma corrente elétrica passar de seu corpo para aquela mão alheia seu coração salteia como louco.
Será mesmo que quer esse beijo? E a resposta é sim!
— Gente, vamos alm... — Natasha entra na sala junta a Wanda.
As duas ficam boquiabertas.
Os dois se separam, indo para lados apostos do salão.
— Sabe, se vocês quiserem, podemos voltar outra hora, não tem problema. – Diz Natasha desconcertada.
— Não, a gente vai. – Fala Clint nervoso, não entendendo tudo o que sentiu nesse ultimo minuto.
— Que tal comermos um hamburguês? Faz um tempo que eu não como um. – Pietro fala indo ao lado da irmã, a arrastando para longe dos adultos com as pernas trêmulas.
— Clint, o que tava rolando aqui? – questiona Natasha, tentando processar tudo. – Você tá gostando do Pietro?
— Não, quero dizer, não sei – diz o loiro exasperado. – Eu só preciso pensar. Depois a gente se vê, okay?
— Tá bom então. Vamos estar na lanchonete daqui de perto. Encontra a gente lá?
— Sim. Até mais Naty.
O loiro sai da Shield, quase que correndo, indo a um parque um pouco longe.
Deito-se embaixo de uma arvore, sem conseguir esquecer-se dos lábios de Pietro.
— Eu odeio esse pirralho! – fala rolando na grama. – Ou não?
oOo
~Pov Autora~
Pietro literalmente arrastou Wanda para dentro da primeira lanchonete que achara, estava começando a se irritar com Natasha o fazendo mil e uma perguntas sobre o que vira a pouco. Sentaram-se numa mesa ao fundo e logo fizeram seus pedidos.
—Então, vai falar ou não o que era aquilo? — perguntou a ruiva de maneira pouco paciente.
— Não é meio obvio? — deu como resposta.
— Claro que não. Também quero saber, pode explicar, por favor Pietro? — disse a irmã sorrindo gentil.
O moreno soltou um leve suspiro cansado.
— Certo. — disse ficando um tanto incomodando. — Eu... acho que estou gostando do velhote, não sei como... E acabei falando com ele, e topamos tentar nos beijar pra ver o que acontecia... — falou pausadamente e um pouco envergonhado. — Bom é... quase isso.
— E aí? — Natasha estava afoita, aquilo realmente parecia divertido aos olhos dela.
— "E aí" nada, você chegaram antes que acontecesse algo. — falou meio decepcionado.
— Desculpa. — falou Wanda com um sorriso nos lábios. — Mas seja sincero com sigo mesmo, você realmente gosta dele? — perguntou de maneira provocativa ainda sorrindo.
Pietro parou por alguns momentos. O que realmente sentia pelo Clint? As borboletas no seu estomago, o coração a mil, a dificuldade de se concentrar toda vez que via o loiro, talvez ele estivesse realmente apaixonado, mas ainda não sabia sobre o que Clint pensava, então decidiu se calar naquele momento.
Logo após os pedidos deles chegaram e assim começaram a comer, sendo que a russa insistia por mais detalhes. E para completar, minutos depois o loiro entrara no local, avistando a mesa e indo sentar-se junto desses.
— Aonde estava? — perguntou Natasha com um sorriso malicioso.
— Fui dar uma volta. — disse irritando-se logo de cara com a ruiva, sabia que essa ia lhe encher o saco.
Assim o arqueiro fez seu pedido, e ficou tentando ignorar a ruiva.
— Tem uma folha. — disse Pietro coletando um pouco de coragem, vendo o loiro lhe olhar.
—Que? — perguntou.
— Tem uma folha no seu cabelo. — falou olhando diretamente para os olhos desse, sentindo uma pequena vontade de sorrir para ele, mas logicamente não faria isso.
— Serio? Onde? — começou a passar as mãos pelo cabelo, e a balançar de leve a cabeça, no intuito de tirar a folha.
— Aqui. — disse se erguendo um pouco do banco onde estava e tirando a folha dos fios loiros. — Não presta nem para tirar uma folha do cabelo. — soltou rindo convencido.
— Te perguntei algo, pirralho? Não pedi nada a você. — falou irritando-se um pouco.
Por fora Pietro fez um semblante nervoso começando mais uma de suas discutições com o Clint, mas por dentro ele sorria, de que mesmo depois de o que ele disse, o loiro ainda estava o tratando igual. E Natasha e Wanda apenas observaram ambos e sorriam, entendendo então um pouco mais do "conflito e birra" de ambos um com o outro.
~Pov Harry~
Certo, pelo o que discuti com o Matt, cada um de nós podia usar a arma que quisesse para ganhar a aposta, mas de forma moderada, nada muito elaborado, apenas na lábia da conversa e das palavras certas. Como eu apostei no Wade, vou fazer de tudo para que ele note que realmente ama o nerd e o peça em namoro logo, e o Matt vai ficar com o Peter. Sinto que vou ganhar.
Estávamos na frente da escola esperando os dois, até que avisto o Peter chegando.
— Peter. — gritei, chamando a atenção do moreninho de óculos para mim e o cego ao meu lado.
Ele corre até nós sorrindo, me abraçando e beijando a bochecha de Matt, como sempre nos dias que estava feliz.
— Bom dia. — falou animado.
— Acordo animado hoje? — perguntou Matt rindo.
— Realmente. Você esta até meio radiante. — falei sorrindo meio suspeito.
— Ah, é que meus pais me deram um gato ontem. — disse sorrindo, pegando o celular e mostrando a foto do gatinho preto e pequeno, que tinha uma pequena manchinha branca no peito.
— É bonitinho mesmo. — falei, assim olhando para o Murdock. — É pequeno, preto e com uma manchinha no peito. — falei vendo o ruivo agradecer.
— Parece ser muito fofo. — disse ajeitando os olhos de lentes escuras. — Qual o nome?
— Spider. — guardou o celular no bolso da camisa xadrez que usava.
— Por que Spider? — perguntei.
— Se ver de perto, a manchinha dele parece uma pequena aranha. — sorriu. — Bom... vou entrando.
— Vou contigo. — falou Matt, assim entrando com o Parker.
Minutos depois vejo Wade se aproximando, ele parecia meio triste... e raivoso. Me aproximei cuidadosamente desse, vestindo o sorriso mais cara-de-pau possível.
— Como vai Wade? — perguntei cruzando meu braço no dele e o acompanhando até entrarmos na escola.
— Péssimo. — falou ríspido.
Realmente, estava com pouco saco para ouvir os problemas dele, mas fazer o que.
— Quer conversar? Não ligo em cabular essa primeira aula... nem a segunda... nem todas as outras. — disse dando de ombros o fazendo rir egocêntrico.
— Não, você ta pouco se fodendo em me ouvir. — falou, e ai quem riu de forma egocêntrica foi eu.
— Realmente. — assumi. — Mas melhor que entrar na aula. — assim ele me olhou nos olhos e assentiu positivo.
Fomos andando em caminho da quadra, sentando nas arquibancadas, e perante a um silencio chato, eu comecei.
— Pode começar a falar. — disse.
— Não é algo fácil de se dizer. — parecia realmente nervoso ao dizer aquilo.
— Ótimo, então fale pelo menos a "fonte" do problema. — acho que a primeira parte do pequeno plano que tinha inventado naquele momento era: primeiro, ganhar a confiança do grandão; segundo, falar sobre o Peter e, tentar descobrir os sentimentos dele; terceiro, o convencer de mostrar pro Peter o que ele sente. Era um planinho até que bem razoável.
— Meu pai. — disse de maneira pesada.
— É um bom começo! O que seu pai fez? — não obtive resposta. Pelo jeito, ia ter que o "sensibilizar" comigo. — Bom... Também tenho problemas com meu pai.
— Não queira me comparar a você. Um Osborn não saberia a dor de um ninguém como eu. — disse triste, esse era um Wade que eu não estava acostumado a lidar, mesmo conhecendo ele a pouco tempo, podia dizer que aquele não era o seu normal.
— Cala a boca e escuta. — falei dando um tapa de leve no braço desse.
— Ok, fala então. — assim se calou.
— Desde que minha mãe morreu fiquei muito sozinho, meu pai meio que nunca ligou muito pra mim, ele apenas me vê como o herdeiro da Oscorp e um mauricinho que aparece em sites e revistas de fofocas, não sou filho dele, sou apenas um desconhecido que mora junto dele e que ele tem que dar dinheiro. — de certa forma era doloroso falar aquilo, até um pouco hilário. — Mesmo cercado de empregados me sinto sozinho na maioria do tempo, mesmo rodeado de pessoas que me idolatram eu me sinto invisível, e os únicos momentos que me sinto vivo é perto daquele maldito cego convencido e do Peter, eles foram uma salvação pra mim.
— Conhece eles a muito tempo. — ele parecia mais calmo, acho que estava conseguindo. — Sim. Conheci o Peter no primário, e Matt conhecemos uns anos depois, desde então viramos amigos, eles me aguentam e eu aguento eles, e olha que a gente é chato. — ri fazendo o Wade rir também. — Até hoje agradeço de certa forma por ter eles, ou pelo contrario eu seria um cara metido, que esbanja o dinheiro por aí e não liga pra ninguém.
— Você é assim! — falou ele gargalhando da sua maneira... Wade de ser.
— Não sou não... — parei pra pensar um pouco. — Ok, não todo o tempo. — rimos juntos. — O que estou tentando dizer é que todos temos problemas, mas temos amigos com quem podemos contar, e mesmo não querendo ouvir seus problemas, eu estou aqui, e pode contar que sempre vou estar, assim como o Matt e o Peter, porque agora você também é nosso amigo. — isso ficou muito mais meloso do que eu esperava, mas de certa forma, não estava mentindo.
Antes que pudesse recapitular o qual "não eu" aquelas palavras haviam saído, senti os enormes braços do Wade me envolverem num abraço.
— Obrigado Harry, você é uma pessoa muito boa, apesar de tudo que dizem. — falou Wade.
Retribuo o abraço, sentindo o calor do corpo enorme do loiro, e o carinho que ele passava por aquele gesto.
— Claro que sou. — disse.
Assim ele me solta e eu faço o mesmo.
— Agora vai contar ou vai continuar com o cu doce? — ele me olhou nos olhos e então respirou fundo.
— O meu pai....
~Pov Peter~
Na hora do intervalo o Wade e o Harry pareciam mais colados, não sei explicar, pareciam mais amigos. Pelo o que parece cabularam as aulas para ficar conversando, já que Wade não estava na sala e o Murdock disse que o Harry também não estava na sala deles.
— Não esta comendo. — falou Matt que estava sentando do meu lado.
— Como sabe? — perguntei curioso.
— Não ouso o som de você mastigando, ou do garfo pegando comido no prato. — falou como se fosse algo normal.
— Você tem uma audição incrível. — falei começando a comer.
— O Harry esta falando bastante com aquele Wade. — falou Gwen olhando para os dois que conversavam fora da cantina.
— Você ainda não conheceu o Wade, né? — perguntei e ela apenas fez positivo com a mão. — Harry, Wade. — gritei vendo ambos virarem pra mim.
Assim vêem andando na nossa direção, chegando na mesa e sentando, Wade do meu lado e Harry do lado da Gwen.
— O papo tava bom? — perguntei.
— Tá com ciúmes, é? Fica calma que não vou tirar o Wade de você. — falou Harry me fazendo corar e o Wade apenas riu.
— Que? — olhamos para Gwen que fazia cara de confusa.
— Ah. Esse é o Wade, Gwen. Wade, essa é a Gwen. — falei.
— Oi. — disse ele meio assustada.
— Olá. — falou sorrindo roubando o meu Hambúrguer da minha bandeja. —Prazer, achei seu cabelo bonito. — assim começo a engolir o lanche de tão rápido que comia.
— Filho da.... — dei um soco no ombro dele o fazendo rir.
Quando íamos voltar para as salas o Matt me parou.
— Podemos ir embora juntos hoje? — perguntou ele.
— Claro. — Falei estranhando, ele nunca gostava de companhia quando estava indo embora.
— Ótimo, te espero do lado de fora da escola, se chegar primeiro, me espera. — disse assim indo para a sala dele.
— Ok. — disse ficando parado no partiu vendo todos passarem por mim.
Por algum motivo, tudo estava muito estranho pra mim.
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