Just One Day

1 JUST ONE DAY - Where Did You Come From?


"Você está dizendo que gosta de mim?"

Eu estava sentindo muita raiva naquele momento.

Como meu pai teve coragem de fazer isso comigo?

Talvez eu devesse deixar o drama de lado, mas ele me arrastou até essa igreja, que fica nos "Cafundó do Judas" onde eu não conheço ninguém, para assistir à Reunião Anual Cristã quando eu poderia ir para minha querida igreja perto de casa. Essa reunião é transmitida via satélite e todo ano minha família assiste junta. Ou deveria. Esse ano nós quebramos a tradição, minha mãe não foi conosco por conta de seu emprego e minha irmã ficou em casa fazendo trabalho da faculdade. Por isso meu pai decidiu assistir em outra capela.

Mas tudo bem, só duas horas sentada e depois vamos embora...

Pensei enquanto terminava de colocar minha sapatilha vermelha. Levantei-me quando meu pai passava por mim fazendo uma careta irônica.

"Tem um vestido mais arrumado não filha?" disse olhando para meu vestido branco.

Talvez um vestido branco não tenha sido a melhor escolha para quem quer ser invisível em plena tarde de domingo, mas foi o primeiro que vi na minha frente, estava com preguiça e raiva demais para escolher uma roupa. Peguei minha bolsa e me levantei bufando.

Já dentro da igreja e depois de ter recebido olhares preconceituosos das garotas de lá, sentei-me no fundo do grande salão, já que a maioria dos assentos estava ocupado. O cronômetro na grande tela mostrava que faltavam poucos minutos para começar a transmissão.

Até que não vai ser tão ruim.

Se conseguisse ficar até o final sem problemas e sem constrangimentos eu estaria satisfeita. Meu pai, como de costume, estava conversando com alguns amigos antigos, me pediu para guardar o lugar dele. Eu tentei me concentrar no cronômetro e ignorar tudo ao meu redor, porém ouvi um murmúrio e logo depois um "psiu". Abaixei a cabeça não acreditando que aquilo estava acontecendo comigo, todo aquele barulho vinha de um grupo de rapazes ao meu lado. Disfarçadamente peguei meu caderno na bolsa, comecei a rabiscar algumas coisas, a cada rabisco eu ficava mais incomodada e meu coração batia mais rápido. Os rapazes ao meu lado não paravam de tentar chamar minha atenção.

Finalmente desisti, coloquei meu caderno no banco e olhei para o lado com cara feia. Lá estavam sete rapazes hiperativos que eram até bonitinhos. Todos bem vestidos, com seus paletós e gravatas pretas.

Só cara de santos, pois de santos não têm nada.

Um em especial me chamou a atenção, ele não estava olhando para mim, estava acanhado no canto, usando um boné vermelho para trás. Desfiz a cara feia e fiquei sem ação, sem saber o que pensar daquela situação. Eles só sorriam para mim e puxavam o garoto acanhado, na tentativa de fazer com que ele olhasse para mim também. Não podia negar que recepção daqueles rapazes foi muito mais calorosa do que a das garotas.

Voltei minha atenção para a grande tela quando meu pai sentou ao meu lado.

"Tudo bem?" perguntou ele.

"Sim..." eu disse incerta.

[...]

Meu pai estava tendo conversas intermináveis novamente, ou seja, plano de ir embora assim que terminasse: FALHOU.

Caminhei rapidamente até a arquibancada da quadra atrás da capela, o vento soprava forte então coloquei meu casaco vinho e fiquei alguns minutos desse jeito, apenas pensando em como eu estava animada pelo dia seguinte. Em como seria meu aniversário. Levantei a cabeça para procurar meu pai na multidão que interagia à minha frente, mas as únicas figuras masculinas que eu reconheci foi a de dois dos rapazes que estavam me encarando no início da reunião. Eles vieram em minha direção e eu novamente não sabia onde enfiar minha cabeça.

O que será que esses meninos querem comigo?!

"Oi." falou o rapaz de cabelo liso castanho claro "Eu sou Jung Kook."

"Oi..." respondi para não ser mal educada, mesmo querendo sumir dali.

O outro rapaz cujo rosto era rechonchudo e fofo se apressou em dizer seu nome animadamente.

"E eu sou o Jimin! Qual o seu nome?"

"Oh, sou a Kelsey." sorri e encarei aqueles rapazes simpáticos "Prazer em conhecê-los."

"O prazer é nosso." Jung Kook disse e sentou-se ao meu lado.

"Posso?" perguntou Jimin apontando para o meu outro lado vazio.

"Claro!" respondi.

Até que é bom ter alguém para conversar.

Recompus-me, fiquei mais à vontade entre os dois, coloquei a bolsa no chão e me estiquei para trás. Eles me observavam.

"Então Kelsey, nós nunca te vimos por aqui... Onde você mora?"

"Na parte alta da cidade."

"Sério?" Jung Kook pareceu surpreso com minha resposta.

"Sério. Algum problema?"

"É tão longe." Jimin falou baixinho.

"Pois é..."

Continuei a olhar para a multidão e avistei os outros rapazes, um loiro e outro moreno com um porte alto.

"Quem são aqueles?" perguntei curiosa.

"O de cabelo loiro é o V." Jung Kook me respondeu "O mais alto é o Rap Monster."

"Rap Monster?" não consegui me conter e dei uma gargalhada.

"Qual é? Ele é o monstro do rap!" Jimin se manifestou rindo junto comigo.

"Ah, e aquele com a câmera é o Suga."

Suga.

Aquele nome, ou apelido, era realmente fofo. Olhei para o garoto com a câmera e percebi que ele não só estava com a câmera, mas estava tirando fotos minhas. Dei um sorriso brincalhão e ele abaixou a câmera olhando diretamente em meus olhos, me virei e escondi meu rosto nas mãos.

"Oh, ela ficou tímida!" disse Jung Kook passando a mão na minha cabeça como se eu fosse um cachorrinho.

"Melhor sair de perto dela, se não o Suga vai te matar." Jimin se levantou.

"Como assim?" perguntei.

"Eu vou chamar ele, esperem aqui." ele se foi enquanto Suga guardava a câmera e desaparecia na multidão.

"Kook... Posso te chamar assim?"

"Claro, Kelsey."

"Por que o Suga estava tirando fotos minhas?"

"Primeiro por que ele ama fotografia. Segundo por que ele te achou linda."

Fiquei sem palavras. Um rapaz me achar tão linda a ponto de me usar como "modelo natural" dele era uma honra. O silêncio prevaleceu naquele momento até que os outros voltaram fazendo uma algazarra por conta do garoto acanhado. Suga era realmente muito bonito. Na verdade, lindo! O cabelo parcialmente bagunçado junto com seus olhos em formato de meia lua e seu sorriso que parecia iluminar seu rosto, aquele rapaz era realmente lindo.

"Vai. Senta ao lado dela." sussurrou Jimin no ouvido de Suga alto o bastante para todos ouvirem.

"Oi Suga!" falei sorridente esperando uma resposta.

"Oi." sua voz é grave. "Desculpa por tudo isso."

"Tudo isso o quê?"

Não entendi o porquê de ele estar se desculpando. Ao contrário de minhas expectativas, o meu dia estava sendo muito divertido. Eu estava precisando disso.

"Por esses babacas terem forçado você a falar comigo." o semblante dele é de decepção e timidez.

"Eles não me forçaram a nada.” um a um, os outros rapazes saem, ficando apenas eu, Suga e Kook. "Eu estou falando com você por que você pareceu interessado em mim. Bom, você é o primeiro menino que eu flagro tirando fotos minhas. E eu acho legal que você goste de fotografia."

"Mesmo assim, desculpa qualquer coisa..." ele finalmente mostrou seu sorriso "Eu sou um amador, obrigado."

"Ainda quer tirar mais fotos de mim?" eu quis saber fazendo poses exageradas "Dessa vez eu tenho que estar preparada." ele gargalhou alto e pegou a câmera novamente.

"Posso?" ele perguntou já atrás da câmera.

"Pode!"

Kook estava de pé fingindo que não segurava vela e Suga se aproximou mais de mim. Olhei para o nada e fiquei apenas sorrindo. A única coisa que veio à minha cabeça nesse momento foi o quanto aquele dia estava sendo louco, eu estava posando para um garoto que eu nunca vi na minha vida e ao que parecia ele estava a fim de mim.

Quais as chances de isso dar errado?

Noventa e nove por cento. Como diz aquele ditado: tudo que é bom, dura pouco. Suga tirou algumas fotos e se aproximou mais. Olhei diretamente para a câmera e fiz caretas. Ele riu e se aproximou mais. Senti uma de suas mãos passando pelo meu cabelo solto e bagunçado por conta do vento. Fechei os olhos e esperei ele tirar mais fotos. Quando abri, ele estava de frente para mim, com a câmera no colo. Seu sorriso brincalhão no rosto me cativou.

"Posso tirar uma foto com você?" ele soltou.

"Nem precisava perguntar!" juntei nossos rostos e tiramos mais fotos.

"Os pombinhos já terminaram aí?" Kook puxou Suga pelo braço bruscamente e apontou para meu pai que vinha na minha direção.

"Droga... Você o conhece?" perguntei baixinho, Kook acenou levemente que sim com a cabeça e sentou ao meu lado. "Espera, cadê o Suga?" tarde demais, ele tinha ido embora. "Acho melhor você também ir embora."

"Que nada, eu conheço teu pai."

"De verdade?" fiquei surpresa.

"Mais ou menos."

"Kook! Como assim..."

"Filha, está tudo bem?" quando papai chegou perto, levantei imediatamente e o abracei.

"Está sim, mas eu estou com fome." disse tentando disfarçar.

Mas não era mentira, eu estava realmente com fome.

"Tem uma lanchonete aqui ao lado, por que não vai lá? Tome." ele me deu dinheiro e percebeu a presença de Kook. "Jung Kook? Acabei de falar com seu pai! Graaaande Jung Kook! Está um grande rapaz!"

Ah, que ótimo agora só falta ele dizer que viu Kook nascer e perguntar: se lembra de mim?

"É... Meu pai sempre fala de você." disse Kook enfim.

"Então você poderia me fazer um favor?" meu pai perguntou suspeito "Poderia acompanhar minha filha até a lanchonete aqui ao lado?"

"Claro, será um prazer."

"Também, uma menina linda dessa, quem não quer acompanhar não é?"

Jung Kook ficou totalmente sem graça e se levantou ajeitando a gravata.

Depois que meu pai saiu, Kook recebeu uma mensagem, checou o celular e riu alto. Assustei-me com sua risada e tentei ver a mensagem, mas ele guardou o celular antes que eu pudesse.

"Kelsey, pensa rápido, o Suga teria uma chance com você?"

Sem pensar eu disse que sim e ele se apressou em mandar uma mensagem de volta. Olhei para onde os rapazes estavam e todos comemoravam com a minha resposta. Suga sorriu triunfante e eu retribuí o sorriso selando aquela química que rolou entre nós.