Just One Day
2 24/7=?
"No meu primeiro encontro com você,
eu estava tremendo como uma criança."
Sentada na mesa dos fundos, eu esperava Kook chamar a garçonete com seu forte assobio. Quase fiquei surda do meu ouvido direito, mas em compensação a jovem mulher veio sem demora.
Nas últimas horas meu pai estava sendo muito liberal, eu estava surpresa por ele não ter cismado com a cara de Suga e por ele ter me dado dinheiro para comer com Kook. Ele é muito "pão-duro" e ciumento. Acho que ele bateu com a cabeça ou Deus falou com ele através da Reunião Cristã.
Prefiro nem comentar sobre isso com ele, vai que muda de ideia?!
Eu estava meio nervosa, sem saber o que falar ou fazer. Ficamos em silêncio por alguns minutos, Kook ficava me encarando e eu apenas olhava para o cardápio tentando me distrair. Como ainda eram onze horas da manhã, só pedimos torradas com queijo, um café com leite para mim enquanto ele quis tomar uma lata de Sprite.
"De onde você conhece meu pai?" perguntei curiosa.
"Ele trabalha na BigHit, certo? E meu sonho é me tornar um cantor famoso um dia, então meu pai, que é muito amigo do Sr. Norman, pediu uma força para me colocar lá dentro."
"E você conseguiu?"
"Sim, quero dizer, seu pai me ajudou e tal. Mas como eles disseram que eu não era bom o suficiente sozinho, me colocaram num grupo, que infelizmente não soube trabalhar em harmonia." ele ficou cabisbaixo "E esse foi o fim da minha carreira musical. Na verdade, como eles admiravam minha voz, ficaram de ligar caso desejassem me colocar em algum novo grupo, só que já faz três anos que isso aconteceu."
"Não acredito que desperdiçaram seu talento! Quero ouvir você cantar algum dia."
Antes que o nosso pedido pudesse chegar, vi que os outros amigos de Jung Kook entravam no estabelecimento. Reconheci Suga e Jimin, mas os outros eu realmente nem conseguia me lembrar do nome ou até mesmo do rosto. Eles faziam algazarra e ao mesmo tempo faziam "shh" uns para os outros.
O que eu fiz para merecer esses loucos?
Um dos rapazes, de cabelo loiro (depois de vasculhar minha mente, me lembrei, o nome dele era V), empurrou Suga para sentar ao meu lado, e assim por diante o restante foi se sentando, barulhentos e desajeitados. Eu estava me sentindo desconfortável no meio deles, não por eles serem loucos, barulhentos e desajeitados, isso até os deixava fofos, mas por conta do meu pai. Eu sabia que de algum modo ele havia batido a cabeça para estar tão liberal, mas eu não podia abusar da sorte! Se ele entrasse ali, o que podia ser a qualquer momento, e me visse rodeada de rapazes iria me matar. Mesmo assim, lembrei-me que eu estava na semana do meu aniversário e eu, nem meu pai, poderia estragar o clima!
Os rapazes estavam tendo conversas, cochichos na verdade, alheios enquanto eu e Suga estávamos calados.
"Então rapazes, eu não me apresentei formalmente para todos vocês." tomei coragem e falei alto interrompendo-os "E nem todos vocês para mim." todos me olhavam curiosos.
"Eu, Jung Kook e Suga já nos apresentamos antes..." disse Jimin.
"Exatamente, mas dos outros eu só consigo me lembrar do V."
"Por que eu sou uma pessoa inesquecível!" se gabou V, que logo em seguida levou alguns tapas dos outros rapazes.
"Bem, para começar: eu sou Kelsey Norman. Mas meus amigos me chamam de Keey."
"Eu sou Jin, prazer Kelsey." o rapaz de rosto angelical respondeu, parecia ser bem mais educado do que os outros.
Se é que vocês me entendem!
"Eu sou o Rap Monster, mas para você, pode me chamar de Nam Joon." ele tinha uma voz bem grave.
"Eu prefiro Rap Monster, tem mais swag!" eu disse os fazendo rir.
"Ah é?" indagou "Pois eu soube que você tirou sarro do meu nome a alguns minutos atrás!"
"Eu fiquei surpresa, só isso, desculpa! Já que você é o Monstro do Rap, por que não canta um pouco para mim?"
"Waaah! Ela te desafiou!" todos gritaram e em seguida olharam para Rap Monster.
"Come here, I’m 'bout to take you higher. We'about to set this love on fire. What am I to you girl? What am I to you? I do love you crazy, uh, do you?"
"Você é muito bom!" reconheci "Sabe, meu pai trabalha na BigHit Entertainment, talvez ele pudesse te ajudar."
"Oh, como Jung Kook?" ele fez uma cara de assustado "Eu não acho que sou bom o suficiente sozinho."
"E por que você e Kook não fazem uma dupla? Ele no vocal e você no rap monstruoso!" ele riu.
"Quem sabe um dia."
"Se você não tentar, nunca vai saber."
"Eu vou seguir seu conselho. Mas continuemos com as apresentações..."
"Eu sou o J-Hope. Prazer." o jeito e o sorriso dele me contagiaram de um jeito que eu comecei a gargalhar "O que foi?" perguntou ele assustado "O que eu disse de errado?"
"Nada, é que eu estou drogada hoje..."
Todos ficaram me olhando com cara de paisagem. Rapidamente tentei corrigir minhas palavras.
"Eu não estou drogada, drogada, sabe?!" eles continuaram a me olhar sem reação "Ei! Vocês acham que eu usaria drogas?! Com drogada eu quis dizer louca, sei lá, por que vocês estão me olhando desse jeito?" falei e enterrei o rosto nas mãos.
"Calma Keey!" disse Kook e todos começaram a gargalhar. Suga me abraçou de lado e eu senti um frio na barriga na mesma hora em que ele me tocou.
"Calma Kelsey", você acabou de conhecer ele! Apenas respire fundo.
De qualquer jeito, eu não podia negar que eu senti as famosas borboletas no estômago e eu já tinha, de certo modo, dado uma chance a ele. Era um sentimento bom e ao mesmo tempo ruim. Eu comecei a rir e senti minhas bochechas queimarem. O pior? Quando eu fico assim, dá para perceber, ou seja, com certeza minhas bochechas estavam vermelhas naquele momento. Tentei disfarçar colocando as mãos em cima e apoiando meus cotovelos na mesa.
"Ei, vocês já fizeram o pedido?" perguntou Jimin passando a mão na barriga. "Eu estou morrendo de fome!"
"Já pedimos sim." respondeu Kook.
"Ah, mas pediram só para vocês." se adiantou Rap Monster pegando o cardápio "O que vamos comer?"
"Keey, já passou muita vergonha com esses idiotas?" Suga se virou para mim enquanto os outros discutiam sobre a comida.
"Na verdade, estou me divertindo muito com vocês. Obrigada."
"Obrigada?" ele ficou confuso.
"É que eu achei que hoje seria um saco! Principalmente por não ter feito amizade com as garotas daqui."
"Ah, que nada, você saiu ganhando. Aquelas meninas são todas mimadas e manipuladoras." ele coçou a nuca, pegou o celular no bolso da frente da calça e me entregou "Seria demais pedir para você colocar seu número aí?"
"Não..." digitei o número e salvei como Kelsey N, entreguei o celular na mão dele e levantei meu olhar para os rapazes na minha frente, ainda discutindo sobre o que comer "Eles são sempre assim?" perguntei apontando para J-Hope e V que estavam já se batendo.
"Infelizmente sim..." Suga bateu a mão na mesa e olhou seriamente para os dois "Será que as crianças podem escolher logo o que vão comer?" gritou, mas estava mais para um grito irônico. A discussão piorou. Kook e eu nos encaramos sorrindo um para o outro como cúmplices.
[...]
Já com a mesa servida e com os rapazes mais calmos, nós comíamos e conversávamos. Eles realmente eram muito divertidos e, como diria meu pai, gente boa.
E Suga...
Bom, Suga era um rapaz muito doce e com um grande coração, porém quando começa a se soltar, é um pestinha! Gostava de fazer piadas sobre os outros membros e, de vez em quando, fazia um rap freestyle sobre a situação. Parecia que todos ali tinha talento para música.
"O Suga já fez um rap para você, agora é sua vez de fazer uma declaração para ele." disse Jin.
"É verdade!" todos concordaram.
"Eu não tenho talento para fazer rap, cantar ou escrever músicas."
"Mas pode falar algo para ele!"
"OK..." olhei para ele que já estava com aquele sorriso lindo na cara "Para de me olhar assim!"
"Assim como?" Suga tentou fazer carinhas fofas para me irritar. "Pode se declarar para mim, eu deixo."
"Você é..." olhei para a xícara que eu tinha em mãos "...o açúcar do meu café!" eu disse mais do que envergonhada, já morrendo de rir.
"Ela está pior do que eu!" V gritou quase caindo de tanto rir da minha declaração.
"Não foi tão ruim! Por favor, se recomponha!"
"Tudo bem, jurados..." V passou o microfone invisível para Rap Monster.
"Então Keey, eu acho que, apesar de muito clichê, foi muito fofo." disse Rap Monster passando o microfone invisível para Jung Kook.
"Em minha opinião, foi nota nove, pois o Suga não é tão doce assim como você pensa. Ele é um pé no saco, é preguiçoso..."
"Chega não é?!" Suga pegou o microfone invisível das mãos de Kook.
[...]
Meia hora se passou e eu já havia me esquecido que tinha um pai. Quando me lembrei disso, tive um sobressalto, me apressei em ligar para ele e saber que horas iríamos embora. Não podia correr o risco de ele vir atrás de mim na lanchonete.
"Pai? Onde o senhor está?" perguntei quando ele atendeu.
"Já estou indo, daqui a pouco chego aí. Como está indo com Jung Kook?"
"Está tudo ótimo pai, mas não precisa vir me buscar, eu vou com Kook até aí..."
"Não, eu já já passo de carro. Pergunte onde ele mora e se já tem carona, se não, eu o levo em casa. Tenho que desligar, estou dirigindo, tchau."
"Mas... tchau."
Eu estou ferrada!
Todos perceberam minha cara de preocupada e começaram a me perguntar o que era.
"Meu pai está vindo me buscar."
Ao contrário do que eu pensei, todos ficaram felizes. Começaram a planejar como Suga iria me pedir em casamento! Aqueles garotos não tinham noção do perigo que estavam correndo.
"Eu preciso saber o nome do meu sogro." disse um Suga ousado.
"Hm, é Jongdae Norman. O homem que vai acabar com a tua raça." eu disse passando a mão como uma faca pelo pescoço. Todos gritaram com Suga.
"Acho melhor nós irmos embora." ele se levantou ainda rindo.
"Já amarelou?" perguntou Jimin.
"Não, eu só não quero arranjar problemas para Keey e..."
"Kelsey?" ouvi a voz de meu pai entrando no estabelecimento.
"Pai!" me levantei rapidamente puxando Kook comigo "Tão rápido?"
"Sim, vamos..." meu pai falou e passou o olhar pela mesa atrás de mim. "Quem são esses?"
Já era hora...
"Esses são os meus amigos. Jin, Rap Monster, J-Hope, V, Jimin e Suga." declarou Kook apontando para cada um.
"Legal, bom dia rapazes! Cuidaram bem da minha filha? Espero que sim." meu pai sorriu para eles "Obrigado Jung Kook! Vamos filha, está ficando tarde, sua mãe já deve estar preocupada."
"Sim papai." Concordei mesmo achando estranha toda aquela simpatia.
"Oh, Jung Kook você tem carona para ir para casa?" meu pai lembrou-se.
"Ah, não precisa Sr. Norman. Obrigado."
"Tudo bem então..." meu pai já ia saindo.
"Pai, espera." falei o puxando pelo braço "Posso dar a eles convites para minha festa de aniversário?"
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