"Eu pensei em você a noite toda, garota."

"Pare de mexer no meu cabelo!" reclamei pela milésima vez com minha irmã. "Eu não vou colocar essa coroa."

"Mas é seu aniversário de dezesseis anos!" ela insistiu.

"Exatamente: é meu aniversário e eu faço o que eu quiser." terminei de fechar meu vestido azul e calcei meu tênis branco. "E eu quero muito comer no momento."

"Seus convidados estão esperando você!" gritou minha mãe na porta do cômodo improvisado para eu me trocar. "Oh, e tem sete rapazes no portão dizendo que te conhecem, mas não trouxeram convite."

"Sete?"

Como esperado, aqueles idiotas esqueceram-se dos convites.

Revirei os olhos sorrindo.

"Tudo bem mãe, eu conheço eles, pode deixar entrar."

"Certo." ela piscou "Adriene venha comigo, preciso de sua ajuda."

"Já vou!" minha irmã saiu correndo para fora da sala seguindo mamãe.

[...]

"...muitos anos de vida! Kelsey! Kelsey! Kelsey!" todos cantavam e batiam palma animadamente enquanto eu estava sorrindo atrás da grande mesa. Devia haver no máximo cinquenta pessoas ali, mas eu estava muito tensa com todos aqueles olhares sobre mim.

Gostaria que os cientistas descobrissem, o mais rapidamente possível, a resposta para a pergunta: "O que fazer enquanto batem os parabéns para você no seu aniversário?".

Assim como eu pedi, minha festa foi simples, porém divertida. Alugamos um salão de festas que vinha junto com salas de Karaokê, Boliche e Just Dance. A decoração era toda baseada em azul marinho, com jogos de luzes e, para completar, muita música. No cardápio havia de tudo um pouco. Tinha muitos doces e salgados. Só de olhar para a mesa à minha frente, minha barriga doía mais.

"Faça um pedido!" Adri gritou histericamente.

Olhei para as velas queimando, não consegui me concentrar muito bem, mas sei que pedi com todas as minhas forças, fechei os olhos e soprei. Todos começaram a bater palma e gritar novamente.

"O que você pediu?" perguntou meu pai chegando perto de mim juntamente com mamãe.

"Você sabe... não posso contar, senão ele não vai se realizar."

[...]

Depois de eu ter cumprimentado todos meus familiares e amigos mais próximos, eu fui em direção da mesa dos sete meninos que haviam esquecido seus convites, e até que eles estavam bem quietinhos.

"Quer dizer que vocês entraram de penetras?" perguntei com uma expressão séria e sentei-me ao lado de Jimin. "Quando vocês vão se tornar mais responsáveis?"

"Para com isso Keey, está parecendo meu pai falando!" ele disse igualmente sério e logo todos caíram na gargalhada.

"Na moral, como foi que vocês se esqueceram dos convites?" perguntei rindo desta vez.

"Nem olha pra mim, quem ficou com eles foi o Jung Kook." acusou Suga.

"Eu?" Kook nem soube esconder sua cara de culpado. "Nem lembro onde foi que eu os deixei." confessou ele tomando mais um gole de refrigerante.

"Keeeelsey!" ouvi alguém gritar, fazendo com que Kook engasgasse.

Espera, essa é a voz da minha irmã... Por que ela tem que ser tão escandalosa?

"Oi, querida irmã que está sempre gritando por mim ou comigo, pode dizer." falei sarcasticamente.

"Nada." o jeito como Adri jogou o cabelo para trás denunciou o que ela desejava "Só vim conhecer os seus amigos que eu nunca vi antes na vida." ela estava de olho neles.

"Bom... Jimin, J-Hope, Suga, Rap Monster, Jongkook, Jin e V lhes apresento minha irmã, Adriene Norman. Irmã, eu te apresento todos eles." falei enquanto ela se sentava ao lado de J-Hope e fazia barulho com aquele maldito chiclete.

"Oi, todos vocês!" ela jogou novamente o cabelo para trás de uma maneira exagerada "E, oi J-Hope!"

"Waaah! J-Hope está arrasando corações hoje!" gritou Rap Mon.

"Oi, Adriene Norman." J-Hope falou timidamente com um enorme sorriso no rosto.

"Oh, todos vocês podem me chamar de Adri." ela sorriu e todos concordaram com a cabeça.

Até que minha irmã se deu bem com todos eles, principalmente com J-Hope, depois que ele se soltou, ninguém aguentou de tanto rir. Eles são dois piadistas!

"Eu podia passar a noite toda conversando com vocês," confessei depois de um tempo "mas nessa festa todos querem um pedaço do bolo que, nesse caso, sou eu." eu falei me levantando e saindo.

[...]

"Strike!" gritou Jin pulando em cima do pobre J-Hope ao comemorar os dez pinos que minha irmã havia impiedosamente derrubado com sua bola verde fluorescente.

Pouco tempo antes de isso ocorrer, Jung Kook tinha um sorriso esperançoso estampado no rosto, mas depois dessa jogada já havíamos perdido de lavada.

Eu disse que colocar eu e Rap Monster no mesmo time não iria dar certo!

"Tudo bem, eu confesso que você é melhor que eu." disse Rap Monster. "Só no boliche!"

"Fazer o que? Nasci assim, cheia de dons." ela piscou de lado.

Estávamos na sala de boliche há pelo menos quarenta minutos, como a festa começou cedo, no final da tarde, deduzi que naquele momento a maioria dos convidados já tinham ido embora. Só eu, Adriene, Jung Kook, V, Jin, J-Hope e Rap Monster estávamos naquela sala.

Onde estão Suga e Jimin?

Lembrei-me de que eles haviam se sentado perto da mesa de doces e dito para nós virmos na frente e até agora nada.

"Que estranho essa demora do Suga e do Jimin..." comentei alto.

"Devem ter sofrido uma overdose de doces." V fez piada da situação.

Imaginei os dois prostrados no chão cobertos de doces.

"Bem que eu avisei para não deixá-los perto da mesa!"

"É melhor irmos atrás deles." J-Hope disse e se recompôs.

"Sim." concordei "É capaz de eles comerem até a decoração se deixarmos!"

No caminho até a próxima sala, que seria a de karaokê, olhei a hora no meu celular e nós percebemos que todos haviam realmente ido embora.

Nove horas... Onde será que meus pais estão?

"Onde estão todos?" perguntou Rap Monster.

"Já se foram..." eu não tinha convidado muitas pessoas, meu círculo familiar e de amizade não são muito extensos. Ao nos aproximar ouvimos música vindo da sala. "Eles com certeza estão aí." bocejei "Podem ir na frente, vou procurar meus pais."

"Volta logo que eu quero te desafiar no karaokê!" gritou Jung Kook com um sorriso brincalhão e eu acenei com a mão.

Cheguei perto do salão principal e no canto da grande varanda estavam meus pais juntamente com meus avós maternos. Foi ótimo ver aquela cena. Por um momento, fiquei atrás da pilastra observando-os. Minha avó contava histórias de sua infância que sempre fazia todos rir ou até chorar. No momento estavam todos rindo, radiantes e saudáveis. Aproximei-me devagar, meu pai segurou minha mão e a beijou.

"Como foi sua noite?" perguntou.

"Perfeita." respondi sorrindo.

"Já foram todos embora?"

"Não, ainda tem alguns amigos na sala de karaokê."

"Então vá lá se divertir!" mamãe piscou para mim "Pois só ficaremos por mais uma hora e ainda temos que arrumar as coisas."

"Tudo bem, amo vocês!" gritei enquanto corria.

[...]

Estávamos todos abandonados na sala de Karaokê depois de rir até a barriga doer com as cantorias exageradas dos rapazes. E obvio que eu ganhei a batalha com Kook. Eu, Suga e Jimin brincávamos desleixadamente com as mãos, algo que acabou se tornando Pedra, Papel, Tesoura. Ríamos como se estivéssemos bêbados enquanto os outros conversavam aleatoriamente.

"Tive uma ideia!" gritou Rap Mon indo para o centro da sala e se sentando como uma criança "Vamos jogar aquele jogo... Como é o nome?"

"Ah, sim, eu conheço, aquele que se joga?" debochou Suga.

"Aish! Aquele em que tem um detetive e um assassino." Rap Mon ia se lembrando.

"Sim! Vamos jogar!" gritei e fui logo sentando no chão.

Separamos os papéis e sorteamos, depois disso um silêncio absurdo e olhares fixos dominaram a sala. Eu olhei para Adriene e sorri. Eu não conseguia parar de sorrir vendo todos encararem aquele jogo seriamente.

"Morri!" disse Jin encenando uma morte.

"Mas já?" indagou Adriene "Eu achei que você era bom nisso."

"Quero ver vocês ficarem cinco minutos sem piscar como eu!"

"Ya! Ya! Ya! Que eu saiba mortos não falam." V o empurrou até deixá-lo deitado completamente no chão.

Depois dessa morte, eu comecei a observar todos com calma. J-Hope parecei quieto demais enquanto Jimin quase não parava o olhar numa pessoa.

Com certeza ele é uma Vítima.

Flagrei Suga olhando fixamente para mim, mas mesmo depois de eu o ter flagrado, não deixou de me olhar. Fiz o mesmo. Com um pouco de receio de que os outros notassem, cocei a nuca, abaixei a cabeça e quando voltei a olhar ele ainda estava lá me encarando.

Certo Kelsey, você é uma vítima. Não pode ficar encarando desse jeito se não quiser morrer.

Fiz uma careta engraçada e ele sorriu fazendo por sua vez uma careta engraçada. Abaixei a cabeça e antes que eu pudesse rir alguém gemeu.

"Morri!" Adri que estava ao meu lado se contorcia para denunciar sua morte.

Olhei de volta para Suga que sorria maliciosamente e logo piscou para mim. Senti novamente um frio na barriga ao ver aquele sorriso e aquele doce olho piscar para mim, mesmo que para me matar. "Sério?" sibilei para ele e engoli em seco. Ele piscou novamente.

Percebendo que eu não tinha me manifestado ainda, Suga pigarreou.

"Morri..." falei e abaixei o olhar.

"Onde estava o detetive numa hora dessas?" perguntou Jin "Está tão claro que o assassi..." V pulou em cima dele e o fez calar a boca, olhei para Suga que colocou o dedo na boca dizendo para eu ficar em silêncio.

Quem ele pensa que é? Matou-me duplamente com aquela piscadela!

[...]

Estávamos na frente do portão principal, tínhamos nos despedido e os rapazes iam embora, mas antes eu tive que voltar à sala de Karaokê para buscar o celular que Rap Mon esqueceu. Já estava muito escuro e as luzes já haviam sido desligadas então foi um pouco difícil achar. Depois de alguns tropeços eu finalmente achei e fui saindo da sala quando trombei com alguém.

"Desculpa, eu... Suga?" eu olhei para cima, quase não dava para ver seu rosto pálido, e tentei me afastar, mas minhas costas foram de encontro com a porta fechada. "O que você está fazendo aqui?"

"Eu fui beber água e vi a porta abrindo... Pensei que você precisasse de ajuda." ele me segurava pelos ombros.

"Obrigada, mas eu já achei." meu coração estava acelerado pela presença dele, eu só queria sair dali antes que meu coração saísse pela boca.

"Eu também não te dei parabéns apropriadamente. Desculpe, mas todos estavam querendo falar com você e eu...."

"Você não precisa se desculpa, você me conheceu agora, estava tímido. Obrigada, de qualquer jeito."

"Eu não sou tímido!" ele pareceu ofendido.

"Bom, você pareceu." eu olhei para o chão evitando contato visual com ele.

"Keey, você nem me conhece direito ainda." ele deslizou suas mãos que estavam nos meus ombros até minhas mãos e em seguida as segurou.

Foi aí que meu coração gelou de vez e eu só consegui dizer a primeira coisa que me veio em mente olhando pasma para nossas mãos entrelaçadas.

"E nem você a mim." eu disse com um tom suave, com medo de ele entender errado.

"Mas e se eu quiser te conhecer melhor?" uma das mãos de Suga levantou meu rosto calmamente.

Eu não sabia o que fazer o dizer depois disso. Eu só conseguia ouvir a batida descompassada do meu pobre coração. Quando sua mão segurou meu rosto delicadamente e foi se aproximando, minha respiração parou. Fechei os olhos e apertei firmemente sua outra mão.

Minhas pernas não me obedeciam, elas tremiam e eu sentia que ia desabar a qualquer momento. Até que eu senti os lábios gelados de Suga tocarem minha testa. Nesse momento expirei de vez e abri os olhos, ao contrário do que eu esperava, isso só piorou tudo. Meu coração batia mais forte ainda e até minhas mãos tremiam.

Meu pai! Se ele me vir aqui assim vai me matar!

Afastei-me rapidamente de Suga, mas novamente, não só minhas costas foram de encontro com a porta fechada, como minha cabeça. Logo meu corpo voltou a ficar perto ao de Suga. Vendo que eu havia batido com a cabeça, ele me ajudou a ficar em pé.

Eu sou uma idiota!

"Está tudo bem? Desculpa!" Suga ficou preocupado.

"Está, eu só..." tentei falar, mas minha mente estava uma bagunça naquele momento. "Temos que ir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.