Just Friends
50 Pov Matt
Notas iniciais
Se eu me arrependia de ter deixado todos para trás? Não. Se eu amo Rebeca ou algo assim? Não. Porque eu estou aqui e não ao lado de quem eu amo? Foi para o bem deles, Rebeca vinha me ameaçando a um bom tempo, não tinha opção, admito que aqui é muito mais legal que o acampamento, todos os monstros nos respeitam, temos acesso ao Tártaro a hora em que quisermos, como nesse exato momento, não gosto de vir aqui, não é um lugar exatamente agradável, e me lembra de que Larissa vive aqui, ela toma conta de tudo isso, e talvez eu tenha medo de encontra-la.
– Tio Matt? – esse é Gui, ele é irmão de um dos ajudantes de Rebeca, tem só oito anos e está aqui, ele era uma graça, vive aqui cuidando dos monstros desde os seis anos, eu também não imaginava que eles estavam a tanto tempo planejando toda essa guerra. Ele me ajuda muito, quando cheguei aqui e o conheci, vi que ele era um amor de criança, que não merecia estar aqui, quando o chamei para conversar, ele disse que gostava daqui, tinha seus amigos, todos monstros, menos uma, ele vivia falando dessa tal Princesa, dizia que gostava de vê-la, que ela o tratava muito bem, cuidava e brincava com ele, e dizia que ele um dia seria seu príncipe. Quando contei isso a Rebeca, ela riu, me dizendo para ignora-lo, que o menino vivia fantasiando coisas.
– Eai pequeno – o peguei no colo e fui me afastando para onde não pudessem nos ouvir – como vai a Princesa? – perguntei me sentando com ele. Ele me olhou triste.
– Ela não vem mais, faz tempo que ela não vem me ver, eu acho que ela me esqueceu – as lagrimas começaram a brotar de seus olhos – você acha que ela me esqueceu, tio? – sorri e sequei suas lagrimas.
– Não, tenho certeza que não – ah sim, esqueci-me de contar-lhes um detalhe, a tal Princesa também era conhecida como Larissa, um dos dias que vim aqui, segui Gui e o vi se encontrar com ela, eles passearam de mãos dadas e ele contou a ela que os monstros estavam bonzinhos com ele e outras coisas, quando descobri, passei a perguntar mais sobre ela. – a Princesa pode estar com problemas, cuidando do seu reino, não é o que as princesas fazem? – ele assentiu – eu acho que logo ela vai voltar a vê-lo, e quem sabe um dia você não me apresenta a essa Princesa? – ele negou.
– Não! Você vai rouba-la de mim, se você a conhecer ela vai passar a brincar com você, e ai eu fico sem meus dois amigos – cruzou os bracinhos e fez bico, eu ri e ele me olhou feio.
– Eu prometo que não vou rouba-la de você, vamos continuar brincando, só que juntos, não seria mais legal? Três pessoas brincando? – ele inclinou a cabeça um pouco para o lado, uma mania que talvez ele tenha pego da minha Larissa.
– Tudo bem então – sorriu e me abraçou, eu gostava tanto de crianças, quando essa guerra acabasse eu o “adotaria”.
– Que cena linda, Matheus, quero falar com você – disse Rebeca chegando onde estávamos. “Bruxa má” Gui resmungou e saiu correndo – há boatos de uma deusa grávida, isso é ótimo, porem todos voltaram antes de saber quem é a tal deusa, vá ate lá e descubra, será a primeira a cair, estamos nos preparando, avançaremos ainda hoje – assenti e sai, não seria difícil, provavelmente Afrodite novamente, chamei Rajada e fomos até o Olimpo, havia uma grande movimentação por ali, vi alguns deuses menores para lá e para cá, mas nenhum dos doze, os campistas iam e vinham, corri em direção a sala dos tronos, talvez conseguisse ouvir algo. Por pouco não fui visto por alguns semideuses, mas finalmente cheguei, fui ate a pequena janela, podia ouvir Zeus falando.
– Você sabe dos riscos, certo? Sabe o que pode acontecer caso lute nessa guerra, certo? Você tem certeza de que colocará a vida dessa criança em perigo? – não conseguia enxergar com quem ele falava.
– Querida, pense com carinho, desde o começo temos te aconselhado, não persista com essa ideia – Afrodite, então não era ela.
– Você sabe minha opinião sobre isso, você tem me ajudado demais desde que chegou e eu estou tentando te ajudar, não faça isso, eu, deus da guerra estou te pedindo para não ir para essa guerra – Ares? Desde quando ele se importa com alguma deusa que não seja Afrodite?
– Por favor, não faça isso, já te perdemos vezes demais, já o perdemos, não coloque sua vida e a vida dessa criança em risco, por mim – espere Anna? Não seria... Não, não pode ser...
– Larissa, eu sou seu pai, estou te falando, não há nada de errado em ficar aqui, em segurança, cuide das crianças, assim Afrodite poderá lutar conosco, estou te pedindo filha – meu mundo caiu, Larissa? Ela é a deusa que está esperando um filho? Justo ela? Espere, de quem é essa criança? Não poderia ser meu, faz tanto tempo, talvez ela tenha esquecido, superado. Meu coração apertou.
– Seu pai está certo, querida. Quando a virem, eles tentarão lhe derrubar primeiro, para nos afetar, eu sei o que se passa nessa sua cabecinha, não acontecerá, a escolha foi dele, vê-la grávida não o fará mudar de lado, entenda isso – de quem Perséfone falava? Será que há a mínima possibilidade de ser eu? Rajada me avisou que está na hora de ir, mas antes quero vê-la, procurei alguma outra janela, vi que haviam diversas janelas mais acima, Rajada me levou ate elas. Então a vi, estava tão perfeita, a barriga tão evidente a deixava tão maravilhosa, então ela começou a falar.
– A culpa disso tudo é dela, eu vou lutar, vou destruí-la, ela pagará por tudo o que me fez, e quanto a ele, não espero que ele caia de joelhos pedindo perdão, nem que me beije dizendo que me ama e que se arrepende por ter me deixado. Quero que ele veja, o quão melhor que ele eu sou, quero que ele veja, que mesmo grávida de uma filha dele, eu lutarei, cuidarei da minha família, da minha casa, farei o que ele nunca vai ser capaz de fazer, se preciso o matarei, junto com aquela que causou isso. Eu sinto por deixa-los tão preocupados, mas eu lutarei, caso eu caia, não se preocupem, continuem com a guerra e a vençam, depois, se possível, salvem minha filha e cuidem dela – pude ver a expressão de choque nos rostos de todos e o meu deve estar da mesma forma. A criança é minha, eu vou ter uma filha, sinto meus olhos marejarem ao vê-la passar as mãos pelo ventre – minha pequena Helena deverá ser bem cuidada, eu mesma cuidarei dela, mas caso não seja possível, vocês devem me prometer que cuidarão dela, e principalmente, prometam-me que ele nunca saberá de sua existência, não o quero perto dela – mais uma vez Rajada me avisou que devemos ir, olhei-a uma ultima vez, agora só a veria na batalha, não posso deixar Rebeca mata-la, não posso.
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