Just Friends
52 Pov Bianca
Notas iniciais
Corri ate Gui assim que a batalha começou, o menino parecia tão pequeno em comparação aos monstros ao seu redor e aos outros semideuses, porem o menino era muito inteligente, sempre que um dos monstros se distraia ele o apunhalava pelas costas, derrubou algumas dúzias de monstros antes que eu conseguisse chegar até ele. Quando notou que estava me aproximando entrou em posição de combate, felizmente a batalha estava sendo conduzida como previsto e não tinha muitas pessoas ao redor, permitindo que eu guardasse minhas adagas, me aproximei do menino.
– Oi, eu sou a Bianca e você deve ser o Gui? Sou amiga da Larissa e vou levar você pra um lugar seguro, você vai ficar com a minha mãe Afrodite e as outras crianças do acampamento – ele me encarava como se eu fosse louca, abriu a boca prestes a falar algo, mas fechou a boca no mesmo instante – Gui, precisamos ir, Larissa deu ordens claras para que eu te levasse a Afrodite imediatamente – ele negou.
– Não vou, precisam de mim, a Princesa precisa de mim, agora mesmo – falou serio e logo depois saiu em disparada, corri atrás do menino as adagas já em mãos novamente, tinha que proteger o menino afinal. O menino de oito anos passou correndo por entre os monstros e semideuses que lutavam, corri o mais rápido que podia para alcança-lo, quando finalmente o menino parou ele estava encarando uma cena que eu não esperava. Rebeca estava sobre uma Larissa quase desacordada com uma faca sobre a barriga da mesma ameaçando matar o bebê, Matheus encarava tudo paralisado e os olhos de Gui passavam dele para Larissa, então o menino me assustou puxando a espada e correndo em direção a Rebeca, dando com a lateral da espada em sua cabeça fazendo-a sair de cima de Larissa, então o menino golpeou as costas de Rebeca e a mesma caiu de joelhos. – Não toque na Princesa, Bruxa Má! – Rebeca respirou fundo e apertou a faca em sua mão, Matheus captou o movimento e correu em direção a Gui, o pegou no colo e trouxe ate mim.
– Leva ele, agora! – peguei o menino do colo de Matheus e corri pra longe antes de desaparecermos em uma nevoa rosa. Voltamos a aparecer em uma grande casa, lotada de crianças e quase adolescentes, esses mais impacientes, andando de um lado para o outro e mexendo em tudo, avistei minha mãe em sua forma jovem e linda, revirei os olhos, ela estava com duas crianças no colo, tentando acalma-las, ela sorriu pra mim.
– Filha! – sorriu para Gui que a olhou desconfiado – você deve ser o Gui, Larissa me contou sobre você, um menino muito forte, sou Afrodite – ele esticou a mãozinha como um adulto e Afrodite a aceitou.
– Desculpe senhora, mas eu não entendo o que faço aqui, quem são essas crianças, eu devo voltar e lutar, Larissa está em perigo, preciso ajuda-la – disse seriamente, Afrodite arregalou os olhos e colocou as crianças no chão, me puxando para uma sala separada.
– O que está acontecendo lá? – perguntou, seu sorriso já não se encontrava mais em seu rosto, os olhos um pouco arregalados me encaravam – Larissa está bem? O bebê?
– Aparentemente Rebeca está em boa forma, quando Gui parou de correr, estava em frente a uma Larissa quase desacordada com a Rebeca em cima dela e... bom, Rebeca estava ameaçando matar o bebê – Afrodite levou as mãos a boca em choque – mas Gui pegou sua espada e acertou Rebeca, Matheus pediu para que eu o tirasse de lá, vou voltar e tentar trazê-la para cá, assim poderemos cuidar dela – Afrodite assentiu.
– Desculpe, mas você disse que ele estava correndo, como assim? E ele enfrentou Rebeca? E o Matheus o entregou a você? – assenti.
– Sim, eu estava tentando convencê-lo de vir comigo, quando ele disse que a Princesa precisava dele e saiu correndo, quando parou estávamos na frente daquela cena, sim ele a enfrentou, a empurrou com a lateral da espada e a atingiu algumas vezes, então disse “Não toque na Princesa, Bruxa Má”, foi uma gracinha, então Matheus correu e o entregou a mim quando Rebeca ameaçou levantar com a faca em suas mãos – Afrodite continuava em choque.
– Por Zeus, vá buscá-la agora! – assenti e desapareci novamente, quando reapareci estava de volta a batalha e Matheus lutava contra Rebeca e a mantinha afastada de Larissa, antes que eu pudesse chegar perto deles, Nico surgiu atrás de Rebeca e atravessou a barriga da mesma com sua espada de ferro Estigio, ela arregalou os olhos e caiu de joelhos, pude ouvi-la chamar o nome de Matheus, porem este já corria em direção a Larissa, Nico não o deixou chegar perto. Corri ate onde estavam.
– Precisamos leva-la até Afrodite, agora! – Matheus se adiantou, mas Nico colocou a espada em sua garganta, coloquei a mão em seu braço – Nico, ele a ajudou, a protegeu – notei que a barriga de Larissa sangrava onde Rebeca a cortara e podia ver que Larissa estava inconsciente – precisamos leva-la imediatamente, Nico, você é necessário aqui, Matheus venha comigo – Nico fez menção de negar, mas o impedi – deixe que ele vá, quero que ele acompanhe as consequências do que ele causou – Nico assentiu e voltou a luta, Matheus pegou Larissa no colo e segurou minha mão, desaparecemos novamente em nevoa rosa, estou ficando enjoada disso.
Desaparatamos em um dos quartos da casa, Matheus colocou Larissa na enorme cama, logo Afrodite apareceu correndo, Gui veio atrás, ele precisou pular pra subir na cama, mas assim que conseguiu tentou acordar Larissa, chamou-a diversas vezes enquanto sacudia seus ombros. Afrodite chorava, então correu para ver o corte. Matheus que estava no canto do quarto se aproximou e desatou a fazer perguntas.
– E ai? Como está? É muito ruim? E a criança? Ela vai ficar bem? — Afrodite ainda chorava com a mão sobre o ventre de Larissa, ela sorriu levemente, Gui pulou no colo de Matheus.
– Tio, ela não me responde, por que ela não acorda? Ela vai ficar bem? E ela tem um bebê dentro dela? É por isso que não tem ido me ver? – Matheus estava claramente nervoso, tremia um pouco e seus olhos estavam marejados, ele se sentou com Gui na beirada da cama.
– Pois é, meninão, parece que sim, acho que logo, logo, você vai ter um amigo bem pequenininho, menor que você ate pra brincar – disse e Gui bateu em seu braço.
– Ei! Eu não sou pequeno! – disse cruzando os bracinhos, emburrado – mas um bebê ia ser muito legal, e ai, quando eu apresentasse vocês, poderíamos brincar juntos, e iríamos ser quatro, não só três, e iria parecer que eu tenho uma família – o sorriso do menino foi se fechando e ele abraçou Matheus, enterrando o rostinho em seu peito, Matheus o apertou em seus braços.
– Você tem uma família, okay? Você tem a mim e a Larissa, e agora vai ter um bebê pra ajudar a cuidar – disse de forma tão paterna que eu quase derreti – mas Afrodite, e ai? – Afrodite enxugou as lagrimas, mas estas continuavam a cair.
– O bebê está bem, foi um corte superficial, porem Larissa esgotou suas forças, e quando um deus esgota suas forças... bom, talvez ela demore a acordar, ou... – ela parou de falar. Quem terminou a frase fui eu mesma.
– Ou talvez ela não acorde – Afrodite assentiu e Matheus apertou Gui em seus braços, lagrimas grossas escorrendo por seu rosto, Gui abraçou seu pescoço.
– Vai ficar tudo bem, ela vai acordar, ela vai ser minha mamãe, vamos ser uma família, não é? Foi o que ela me disse, que ela ia ser minha mamãe – todos no cômodo choravam, Afrodite secou as lagrimas novamente e pediu para que nos retirássemos, assim ela cuidaria das crianças. Quando deixamos o quarto Matheus pediu que Gui fosse ficar com as outras crianças.
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