Just Begun.
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Thomas POV’S
“–Ainda não tenho uma. E esse não é um bom momento para você me cobrar.” – Carolina respondeu com um tom ligeiramente diferente do que ela usava quando falava comigo, demonstrando estar chateada por algum motivo. Isso era claro no tom da sua voz e nos seus movimentos. Sua cabeça estava baixa, coisa que ela nunca se propunha a fazer quando estava comigo. Só Deus sabia quão incomodado eu ficava quando seus olhos me encaravam... E agora seu olhar estava longe do meu.
Durante toda a viagem, aquela frase não saia da minha cabeça. Por mais que eu tentasse, aquele sentimento maldito não me deixava. Sentimento de curiosidade, de impotência por não conseguir descobrir o motivo do abatimento dela. Ver aquela mulher que tanto me desafiara em dias em um momento de fraqueza era um momento raro, e não saber o porquê era o fim pra mim. Não era justo só ela conseguir mexer tanto com a minha cabeça, me fazendo deseja-la tanto, mesmo que para isso ela não fizesse nenhum esforço.
Carolina POV’S
Uma semana. Uma semana havia se passado desde a minha briga com Laís, desde minha ultima conversa com Thomas, e meu ultimo momento com Max. Havia o encontrado logo após a conversa com Thomas e ele fora inexplicavelmente compreensivo comigo, me dando o apoio que eu estava esperando de Thomas. E sim, eu ainda estava tentando entender o quão idiota eu era por esperar tal atitude dele. Era por isso que eu não podia me deixar ficar frágil, sempre acabava cometendo alguma besteira. A semana havia se passado, lentamente e dura. Laís não me olhava, não conversava comigo e fazia de tudo para me evitar. Aquilo estava me machucando. Eu precisava tomar alguma atitude para voltar a preencher o espaço vazio que Laís deixara com suas palavras.
O despertador me acordou pontualmente às 7 da manhã daquele sábado. Forcei-me a levantar da cama enquanto meu corpo ansiava por mais alguns minutos de sono. Porém, eu precisava sair para refrescar meus pensamentos antes de ter que encarar novamente Thomas, Max... E por fim, Laís. Só o fato de pensar em pedir perdão me deixava angustiada. Com esses pensamentos entrei no banho sentindo a água gelada cair sobre o meu corpo, me fazendo acordar.
A manhã se passou rapidamente enquanto eu caminhava pela praia tentando colocar meus pensamentos em ordem. Pensamentos esses que se desorganizaram logo que voltei ao hotel e encontrei um tumulto generalizado de fãs a sua frente, novamente. Suspirei lembrando que eles estavam de volta. O meu problema estava de volta, e eu sentia que isso ia continuar por um bom tempo, tendo em pensamento a minha resposta para a proposta de Martin. Subi as escadas lentamente tentando o máximo adiar o meu encontro com Laís. Porém eu sabia que aquilo aconteceria uma hora ou outra, eu tinha que fazer aquilo o mais rápido possível.
Contudo ao chegar ao apartamento encontrei Laís acompanhada de Jay, os dois muito entretidos na conversa. Resolvi não interromper, mas Jay logo se antecipou e anunciou que estava de saída.
– E eu tenho que ir agora. – Jay disse logo que me viu entrando no cômodo. – Depois eu volto pequena. Eu te amo. – Depositou um beijo em sua testa e saiu, sorrindo confiante para mim.
Tomando coragem, me virei em sua direção e a observei encarar o chão e prolongar aquele silêncio sepulcral por mais alguns segundos, antes de eu começar a falar.
– Eu acho que a sua amiga aqui, egoísta e narcisista tem que pedir desculpas. – Comecei a falar enquanto me direcionei até o sofá onde ela estava sentada e sentei ao seu lado – Eu realmente sinto muito. Não devia deixar os meus problemas sentimentais atrapalharem a sua vida... Eu tento esquecer tudo o que passou, mas não consigo, e acabei passando esse sentimento para você, me desculpe. Eu fui uma péssima amiga esse tempo todo, mas eu não posso mudar quem eu sou, La. Eu vou continuar assim, mas eu só não quero que isso interfira na nossa amizade. E eu estou vendo agora, o quanto você e Jay combinam, são perfeitos um para o outro, e eu sinceramente te desejo toda felicidade do mundo com ele. – Observei Laís desviando seu olhar do chão para mim, e alargando seu sorriso a cada palavra proferida por mim. — Que você consiga superar todos os desafios dessa relação e seja feliz. De verdade, com todo o meu coração eu te desejo isso. – Finalizei, suspirando aliviada esperando Laís se pronunciar.
– Estou feliz, inexplicavelmente feliz por ter minha amiga de volta, e surpresa por você ter deixado seu orgulho de lado para me pedir desculpas! – Laís murmurou divertida. – Eu só sinto que você pode ser feliz como eu, só precisa deixar seu passado de lado, se permitir... Você tem tanto potencial. – Laís me encarava analisando meu rosto e minhas reações a cada palavra proferida. – Mas isso é uma decisão sua, e eu não posso te obrigar a mudar. Eu te amo pelo o que você é com seus infinitos defeitos e qualidades.
– Obrigada por me entender, sua coisa. – Falei dando um tapa em sua perna, sentindo Laís reclamar e me abraçar logo em seguida.
Aproveitei o momento e resolvi contar sobre a proposta que havia recebido há algumas semanas, e sobre a minha decisão. Logo que terminei de descrever meus últimos dias, fui surpreendida por Laís que já sabia de tudo o que havia acontecido e também já estava adiantada, programando um intercambio de um ano em Londres.
– Agora você planeja tudo sem a sua amiga para opinar? – Perguntei fingindo uma careta de desaprovação tentando permanecer séria escondendo toda a minha excitação por morar com minha amiga novamente.
– Ah, e você não ficou feliz com essa noticia? Agora eu só preciso saber sobre a sua resposta à proposta de Martin, o que eu imagino que seja um sim, te conhecendo como eu conheço. – Laís afirmou com convicção.
– Se trata de um sim mesmo. E há bem mais que um grande desafio nessa nova etapa de minha vida, não é só um desafio profissional. Mas isso não importa agora. A única coisa que importa é essa nova etapa da nossa vida, novamente juntas. – Falei sorridente enquanto observava o rosto de Laís se transformar em uma careta de curiosidade.
Thomas POV’S
Estar no Rio de Janeiro novamente era um alivio, enquanto ao mesmo tempo conseguia ser angustiante. A semana havia se passado lentamente, e eu ainda não havia conseguido tirar a imagem digna de pena de Carolina a minha frente. Aquilo me incomodava e a curiosidade me torturava ainda mais. Eu precisava saber o porquê de tudo aquilo, e já sabia quem poderia me dar essas respostas.
Jay estava esparramado no sofá com uma expressão tediosa no olhar, enquanto procurava o controle remoto perdido pelo sofá.
– Jay, você sabe por que a nossa vizinha estava tão triste na ultima semana, antes dos nossos shows? – Perguntei a ele na esperança de conseguir uma resposta esclarecedora.
– Não sei de muita coisa, só sei que ela tem muito ciúmes da Laís e não confia em mim. – Jay inspirou ar enquanto encarava meu rosto para continuar. — Ela não acredita nas pessoas, nos sentimentos delas, e é muito dura consigo mesma. Quando Laís pediu conselhos a ela em relação a nós, ela a aconselhou a desistir dando como argumento o fato de que Laís não precisava de mim para ser feliz, e que sem mim ela iria ser melhor. Estou te dizendo isso porque sinto que ela mexe com você. Eu só acho que você tem que organizar os seus sentimentos perdidos em Londres, você sabe do que eu estou falando. – Ele finalizou me olhando receoso enquanto eu finalmente consegui entender o que se passava pela cabeça dela.
– Ela não mexe comigo, eu só estava curioso. Semana passada ela estava na praia e não me quis falar sobre o que havia acontecido. – Menti. – Então, eu quis saber o que estava acontecendo, apenas uma curiosidade.
– Eu te conheço mais do que você imagina, Thomas. Você pode querer negar, mas eu sei que ela querendo ou não, mexe com você. E você querendo ou não, gosta disso. – Jay disse com convicção, assentindo.
Antes de pensar em alguma resposta que não pudesse ser rebatida por James e toda a sua esperteza, me retirei do cômodo, tentando por os pensamentos em ordem.
Carolina POV’S
Passei o resto da tarde arrumando minhas malas e conversando e informando a minha mãe todos os fatos recentes, inclusive o meu emprego em Londres. Ela como sempre fez um drama básico de mãe preocupada e me deu milhares de conselhos para essa nova etapa. Logo que terminei de arrumar as malas, decidi fazer uma visita para Max. Eu realmente precisava lhe contar sobre a minha conversa com Laís, e abraçá-lo. Só Deus sabia o quanto ele me fazia bem.
Tomei um banho rápido, vesti um short, uma camisa de pano leve e calcei um chinelo. O dia estava ensolarado e abafado, e eu já conseguia sentir falta do clima tropical Brasileiro, imaginando que em Londres o clima não fosse tão ameno. Parada em frente à porta do apartamento mais uma vez, eu toquei a campainha e aguardei alguém atender. Infelizmente quem me recepcionou foi Thomas
– Já que Max não está eu volto depois. – Disse rapidamente antes de me virar e seguir em direção à porta do meu apartamento.
Só que Thomas foi mais rápido e com maestria me puxou pelo braço para dentro do apartamento me encostando contra a parede sem delicadeza alguma. E então eu me vi presa novamente por suas mãos que apertavam meus pulsos.
– Oh, o que você quer dessa vez? Eu já disse que não quero nada com você, preciso soletrar, desenhar? – Perguntei tentando soltar meus braços enquanto observava sua face séria me encarar com certa curiosidade no olhar.
– Eu sei qual é a sua decisão. – Thomas afirmou enquanto um sorriso sacana começava a surgir entre seus lábios. Eu apenas ignorei e desviei meu olhar para baixo, evitando o contato visual.
– Então você deve saber também que ela não foi tomada pensando em você. Estou indo por amor ao meu trabalho, para ficar perto da minha amiga e de Max. – Falei esclarecedora. Eu precisava dar a ele toda a certeza do mundo que eu não estava interessada, mesmo eu não tendo essa certeza.
– Isso é óbvio. Eu só queria confirmar com você. Tenho certeza que você gostará de Londres, amor. – Thomas proferiu a ultima palavra murmurando lentamente enquanto soltava meus pulsos.
– Ah, não seja patético. Ainda não estamos em frente às câmeras. Isso será apenas atuação, creio que você saiba como atuar perfeitamente. – Disse mais uma vez, tentando soar irônica. – Agora me desculpe, mas eu tenho que terminar de arrumar minhas malas. – Menti.
– Pode ir, mas tenha plena consciência que você estará perto de mim todos os dias, e não continuará mantendo essa pose de mulher forte e independente por muito tempo. Não comigo por perto. – Thomas falou com uma convicção que me botava medo.
– Acho que você não entendeu Thomas. Quem dá as cartas aqui sou eu. Quando eu quiser te ter, eu terei. Enquanto não sentir vontade, você só esperará a sua vez de jogar. É assim que funciona, espero que tenha entendido. – Falei sarcástica e o encarei profundamente. Infelizmente não senti as minhas frases surtirem o efeito que eu esperava. Thomas apenas me olhava sorrindo ceticamente. Ele não acreditava em nenhuma palavra que eu proferi. Por algum motivo, ele acreditava que eu sentia algum desejo reprimido por ele, e aquilo me assustava. Eu precisava mais do que tudo ser mais forte diante dele, precisa mostrar que o toque dele não me surtia nenhum efeito, a não ser repugna. Só não sabia como.
Quando estava quase fechando a porta atrás de mim, ignorando qualquer tipo maior de contato com Thomas, consegui escutar a frase que indiretamente penetrou a minha mente sem pedir licença.
– Você sabe o que quer, mas foge do que precisa. – Eu podia imaginar claramente aquele sorriso sacana se desenhar nos seus lábios, mesmo estando de costas.
Tentei ignorar aquela voz rouca pronunciando aquela frase de livro de autoajuda e finalmente saí sem falar mais nada.
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