Notas iniciais
Gente, chorei rios escrevendo esse capitulo... Ficou bem emocional, espero que não se importem. Quero avisa-los também que a fic vai abordar bastante o tema da amizade, ok? E é isso, o capitulo ficou gigante, e mais uma vez eu espero que não se importem hahaahah. Enfim, boa leitura. :)

Atordoada. Era o sentimento que definiria com extrema precisão o estado em que eu me encontrava logo após acordar com um som estranho invadindo o quarto. Um choro. Um choro baixo e quase imperceptível, isso se eu não conhecesse a dona daquele ruído tão bem. Sem pensar, levantei-me em um pulo procurando o cômodo em que Laís estava. E então a encontrei na sala, agachada abraçando suas pernas, chorando baixinho provavelmente para não me incomodar. Naquela situação ela se encontrava tão inofensiva, tão frágil. E ali estava eu, receosa, estática, sem saber o que fazer... Como se qualquer palavra minha fosse a atingir como uma faca.

– O que aconteceu? – Questionei me aproximando e a envolvendo em um abraço. – Você não foi feita para chorar, lembra? – Sussurrei uma das frases que ela sempre me dizia quando eu estava em meus momentos melancólicos... Raros, porém intensos.

– Não fui feita para dar certo na vida também. – Ela começou, me fazendo levar a atenção para os olhos dela. Marejados, vermelhos e frágeis. Eu não sabia como agir a vendo naquela circunstância. – Porque eu não consigo vencer a minha insegurança? – Laís me questionou com o cenho franzido enquanto fazia esforço para continuar a falar em meio aos seus soluços. – Jay está indo embora daqui a algumas horas, e eu não consegui pensar na possibilidade de ficar longe dele. Eu sei, está recente demais, temos apenas duas semanas de convivência, mas não é tão difícil assim de se compreender, Carol. – Segurei o rosto dela com minhas duas mãos como um gesto de apoio para ela continuar. – Ele me faz tão bem, e daqui a algumas horas eu vou ficar longe dele, novamente... E-eu só não consigo lidar com perdas mais, não consigo lidar com um relacionamento a distancia novamente... Nós brigamos. Ele tentou me explicar, só que eu não estava disposta a entender, mais uma vez. – Laís finalizou, se esforçando para conter o choro que vinha acompanhado dos soluços frenéticos.

Naquele momento eu só conseguia me sentir incrivelmente estúpida. Estúpida por estar com a minha melhor amiga nos meus braços, chorando por todos os problemas do passado dela estarem reunidos mais uma vez em uma pessoa só, e eu só conseguir pensar em como aquilo era bom. Bom para mim que teria minha amiga integralmente perto de mim. Como eu podia ser tão egoísta?

– Eu sei que isso pode soar estranho, e você vai entender mal, mas eu estou feliz por isso. Você não quer se envolver em um labirinto sem saída como seu ultimo relacionamento, não é? Eu sei disso. – Comecei a falar, observando o rosto de Laís se transformar em uma expressão de duvida. – E me desculpe mais uma vez, mas eu me sinto feliz. Eu não quero que esse cara tire toda essa felicidade de você como está fazendo agora. Eu quero que você continue radiante, e essa perda vai te deixar assim, mesmo que demore. – Despejei todas aquelas palavras rapidamente, como se tivesse tirado um peso das minhas costas. E era exatamente assim que eu me sentia, aliviada. Eu só não sabia que ia ser tão mal compreendida.

– Eu não acredito nisso que você acabou de falar. Nunca imaginei que você pudesse ser tão egoísta! Carolina, porque você não consegue enxergar as coisas a sua volta? – Ela questionou aumentando o tom de sua voz. – Os sentimentos existem! Eles estão por toda a volta, e você não pode simplesmente ignorar isso se fechando em seu mundo. Desculpe-me, mas nesse momento, mas do que tudo no mundo eu sinto você oca. Tão egocêntrica com você mesma, comigo... Gostaria que você enxergasse tudo que eu enxergo, e entendesse quão bom é. EU NÃO QUERO ME DAR POR VENCIDA, EU NÃO PRECISO DISSO NA MINHA VIDA! – Ela gritou com uma expressão que mais beirava desespero. – Eu não quero ser que nem você que tem medo de encarar seus sentimentos e se tornar fraca. Você é a pessoa mais incrível que eu conheço, mas quando se trata de sentimentos, você pode até parecer forte, mas não passa de uma garota assustada por tudo que passou. E eu realmente lamento por isso, lamento por você não poder superar o seu passado e seguir em frente, se permitir. – Laís despejou as palavras em cima de mim rapidamente, antes de se desvencilhar dos meus braços e sumir cômodo afora.

E eu mais uma vez me encontrava sozinha. Uma das únicas pessoas que me mantinha forte, havia acabado de me dizer que tinha pena de mim. Agora a pessoa que estava lutando por tanto tempo para continuar forte e em pé, estava despedaçada, chorando e soluçando como um bebê frágil e sem proteção. Frágil, a única palavra que eu nunca desejei ser mencionada na mesma frase que o meu nome, estava me descrevendo perfeitamente naquele momento.

Não sabia bem quanto tempo havia passado enquanto eu estava sentada na sala do apartamento, esperando por algo que eu nem sabia explicar o que era. Um ombro amigo, talvez. Até me lembrar de que o único ombro amigo que eu desejava estava me odiando naquele momento. Odiando. Tremi ao pronunciar aquela palavra em voz alta. Laís não guardaria tanto rancor a ponto de me odiar, assim eu afirmava, reafirmava mentalmente. Porém, com um resquício de duvida. Eu sabia que ela estava magoada por uma atitude minha. Por uma atitude estúpida, egoísta e incrivelmente ridícula, e eu não sabia o que fazer para melhor aquela situação. Só sabia que teria que me acalmar. Logo após uma pausa em meus soluços frenéticos, eu ouvi meu celular apitar e reconheci o numero na tela, abrindo um sorriso satisfeito.

“Hey Carol, estou saindo de viagem daqui a 2 horas, não quer me encontrar na praia? Quero te ver xx.”

Max. Sorri instintivamente quando me lembrei dos momentos que passei com ele nas duas ultimas semanas. Ele me fazia bem, me proporcionava um sentimento de paz que eu não conhecia há muito tempo. Aquele sentimento de serenidade em que eu conseguia vencer todos os monstros que me perturbavam, todos os dias. O sentimento que eu nutria por ele era diferente, eu conseguia aceitar. Porque eu sabia, de alguma maneira, que não seria definitivo, e não me magoaria. Respondi a mensagem rapidamente com uma resposta afirmativa e corri para o banho. Não havia duvidas que Max pudesse ser meu refugio naquela noite.

Logo após terminar o banho, vesti uma roupa básica e quente, levando-se em conta que fazia frio na cidade. E então antes de sair, me olhei no espelho. A imagem que eu observava não refletia o que eu sentia sobre mim. Eu era forte. Não me abalava por qualquer detalhe. Só que ali estava o problema. Minha amiga, meu ponto de paz não era apenas um detalhe. Muito pelo contrario, ela me conhecia desde sempre, talvez até melhor do que eu mesma, e eu não podia pensar na possibilidade de perder um “detalhe” que transformava a minha vida, me fazendo mais feliz. Eu realmente me sentia frágil naquele momento, e a única coisa que eu queria era voltar a me sentir, me ver como uma mulher forte. Eu não conseguia me decifrar de outra maneira, era impossível.

Antes de sair, escrevi um bilhete para Laís, repetindo em alto em bom som as palavras escritas, antes de descer as escadas e começar o meu caminho até a praia.

Laís POV’S

Tentando juntar toda a coragem que havia em mim, eu estava frente a frente com a porta do apartamento de Jay. Após a conversa com Carolina, me senti incrivelmente renovada e encorajada, eu só não conseguia decidir se isso era bom ou ruim, levando-se em conta que a minha coragem repentina viera de uma discussão, uma discussão que revelara um lado da minha amiga que eu estava a tempos tentando esquecer. Infelizmente dessa vez, esse lado aparecera ainda mais forte. Sem perceber, perdida em meus devaneios, percebi que a porta havia se aberto a minha frente, revelando James com um sorriso abobalhado.

– Você não sabe como me faz feliz estando aqui. Eu realmente quero que você entenda que...

Não o deixei terminar. A única coisa que eu desejava naquele momento era estar em seus braços. Eu precisava mais do que tudo daquilo, precisava de forças para enfrentar tudo que estava por vir. O beijei como se dependesse daquilo para viver. Ele retribuiu o beijo me envolvendo em um abraço, o melhor abraço do mundo. Ainda relutante, tive que separar o beijo para conseguir respirar e responde-lo decentemente.

– Eu entendo. E eu vou ser forte por você... Eu sei que parece idiota falar isso para você, tendo apenas duas semanas de convivência. Mas você me faz um bem que eu jamais havia imaginado que alguém faria. E eu quero manter isso, custe o que custar. – Falei com firmeza nas palavras fazendo um carinho inocente em suas mãos.

E ele também me entendia. De uma forma inexplicavelmente boa, ele me entendia.

Passamos um bom tempo ali, em seu apartamento, assistindo um filme na TV enquanto fazíamos planos para conseguirmos lidar com as barreiras que seriam impostas. Quando estava ficando tarde, eu me despedi dele, enquanto ele fazia suas malas. Senti meu coração apertar observando. Sabia que em uma semana ele voltaria, mas depois partiria novamente. Reuni todas as forças que eu possuía e me despedi dele. Eu sabia que aquilo seria difícil, mas estava disposta a enfrentar qualquer tipo de barreira, só por ele.

Nunca na minha vida imaginei ser tão difícil chegar em casa. Não queria encarar o rosto frustrado de Carol, não mais uma vez. Porém quando cheguei a única coisa que encontrei foi um bilhete. Suspirei aliviada com o fato de não ter que enfrenta-la depois daquela discussão.

“Sabe quando você quer ser remédio e se sente veneno? Eu te amo.”

Aquilo seria difícil, mas eu precisava mais do que tudo nesse mundo abrir os olhos da minha amiga. Nem que para isso eu precisasse me distanciar.

Carolina POV’S

Estava na praia há alguns minutos e nada do Max aparecer. A impaciência já estava tomando conta de mim, enquanto eu cogitava a possibilidade de voltar para casa e dormir até que todo esse pesadelo acabasse. Porém antes de tomar qualquer iniciativa, senti um par de mãos quentes tamparem minha visão.

– Oh, claro... Eu tenho que adivinhar quem é. – Falei tentando parecer convincente sem evidenciar o tédio em minha voz, como se aquele fosse um bom momento para adivinhações. – Max?

– Não, bobinha. Sou eu.

Em qualquer planeta eu reconheceria aquela voz. Rouca, e com um sotaque inconfundível, era inevitável não distingui. Thomas.

– Estou tentando imaginar um motivo realmente bom para você perder o seu tempo e vir me encontrar aqui... Correndo risco de ser seqüestrado por uma de suas fãs malucas. – Falei assídua e seca enquanto continuava com meu olhar fixado nas ondas.

– Eu queria saber sobre a sua decisão. – Thomas falou logo após de se sentar ao meu lado, pondo-se a olhar atentamente o meu rosto. – Fiquei curioso quando você me contou, só não deixei o orgulho falar mais alto, até agora.

– Ainda não tenho uma. E esse não é um bom momento para você me cobrar. – Falei sussurrando de cabeça baixa evitando o contato visual, obviamente para não evidenciar meu rosto visivelmente abatido por causa das lágrimas.

Silêncio. Tudo que eu recebera naquele momento era silêncio, e eu odiava isso. Eu precisava saber que estava com alguém ao meu lado, mesmo que ironicamente fosse a única pessoa que eu desejasse que estivesse longe. Eu não conseguia aceitar o fato de que estava tão frágil a ponto de querer apoio da pessoa que eu mais desprezava, e isso me fez questionar se ainda existia salvação para uma mente tão perdida, insana e masoquista quanto a minha.

– Que pena. – Ele se pronunciou depois de um longo tempo calo. – Se eu estivesse com tempo até poderia te dar um ombro amigo e essas baboseiras todas, mas eu não estou... Então, tenho que ir. E ah, Max não vai aparecer, fui eu que mandei aquela mensagem. Talvez ele te dê um tchau, mas se eu fosse você, não contaria com isso. Aproveite o resto do dia.

Logo após ouvir os passos de Thomas se distanciando atrás de mim eu realmente percebi o quão fraca eu estava. Não conseguia acreditar que estava esperando consolo da pessoa que me havia feito estar naquela situação, mesmo que indiretamente. Realmente, me encontrava perdida. E naquele momento eu só consegui ter uma certeza: O motivo da minha indecisão acabara de se tornar o motivo da minha decisão.


Notas finais
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