Just Begun.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
"And here it comes"
Quando cheguei ao hotel encontrei um desafio gigante nas portas. Conseguir entrar foi como estar na terceira guerra mundial. Havia fãs por todo lado, e aquela gritaria me deixava mais nervosa ainda... Qualquer barulho fora do normal me irritava e me deixava nervosa. Sempre fui irritada com tudo fora do normal. Pacifica nunca foi um adjetivo certo para me descrever. Quando finalmente consegui entrar, me direcionei a recepcionista para sanar minhas duvidas.
– Boa tarde, você poderia me dar uma informação? – Sorri, perguntando. – Como é o nome da banda que está hospedada aqui?
A recepcionista analisou meu rosto com um olhar desconfiado, expressando uma careta, e por final dizendo:
– Não sei se posso te dar essa informação... Afinal, como vou saber que você não é uma fã maluca também? – Falou arqueando a sobrancelha
– Não! – Soltei uma gargalhada. – Eu estou em fase de testes para um canal de TV como jornalista, e fiquei sabendo agora pouco que vou entrevista-los. Mas, eu nem sei o nome da banda ainda! Você poderia me ajudar? Falei explicando.
– Ah claro, me desculpe! Estou preocupada, sempre acabo sendo enganada por fãs aqui, fico nervosa. O nome da banda é The Wanted, senhorita. – Informou. – Algo mais?
The Wanted! Já havia escutado uma musica deles em alguma rádio, só não conseguia me lembrar qual.
– Ah, obrigada! Gostaria de saber qual é o meu quarto também. Meu nome é Carolina Hüringg, e um amigo meu já fez a reserva a alguns dias.
– Oh certo, está aqui. – Disse enquanto observava calmamente o computador a sua frente. — Seu quarto é o 1024. E acho que você terá um tempo para conhecer seus entrevistados, já que o quarto deles é o 1025, de frente para o seu. – Falou me entregando as chaves.
– Ah, acho que isso não é necessário, mas... Obrigada! – Falei me direcionando ao elevador.
Com a curiosidade que reinava sob mim naquele momento, resolvi procurar dados significantes sobre a banda, não achei nada. Só precisava saber o nome de todos eles.
– Max, Jay, Tom, Siva e Nathan. – Falei repetindo e memorizando enquanto observava o rosto de cada um. E assim passei uma boa parte dos meus minutos iniciais no meu apartamento.
Estava concentrada lendo curiosidades sobre a banda quando meu telefone tocou. Era o Ricardo, estava ferrada. Esqueci totalmente de avisar a ele sobre a minha chegada.
– Alô? – Atendi receosa pensando em alguma desculpa convincente para o meu esquecimento.
– Carol, você já chegou? – Falou com um tom preocupado do outro lado da linha.
– Sim, esqueci de te ligar e avisar, estava pesquisando sobre a boy band que eu vou entrevistar, sabe... – Falei com tom engraçado esperando que ele não se zangasse.
– Sem problemas. Eu só queria te avisar que não vou poder passar ai para te dar as instruções sobre a entrevista de amanhã. Mas já te mandei por e-mail, espero que não se importe.
– Não, tudo bem. Que horas está marcado amanhã? – Disse enquanto tamborilava meus dedos no Notebook.
– Às 14h30min da tarde, na sala própria para imprensa, nesse mesmo hotel. – Afirmou.
– Nossa, porque tão tarde? – Perguntei curiosa imaginando milhares de hipóteses.
– Ah, você sabe... Garotos preguiçosos adoram acordar cedo. – Falou ironicamente.
– Entendi. Estarei lá na hora certa. Boa noite – Falei e desliguei. Terminei a minha pesquisa, e então fui tomar banho. Logo, não consegui terminar porque a campainha começou a tocar insistentemente. Enrolei-me na toalha e fui verificar quem estava me incomodando. Surpresa! Um dos integrantes da querida banda que eu iria entrevistar no próximo dia estava parado na minha porta. Só não sabia o porquê. Respirei fundo e atendi a porta.
– “Oi, tudo bem?” – Falou em um português muito improvisado, o integrante que parecia ser Max. Max, como eu já havia percebido em fotos, tinha um corpo atlético, era careca e moreno. Incrivelmente atraente.
– Oh, eu falo em inglês... Não se preocupe. – Falei em sua língua.
– Que ótimo. Então, você estava no banho, certo? – Falou me olhando dos pés a cabeça. – Desculpe te atrapalhar, mas eu preciso de massa para cozinhar um macarrão, já que não posso descer para comer por alguns motivos... – Falou sorrindo de canto. – Você tem?
Os motivos poderiam ser chamados facilmente de fãs histéricas e malucas.
Como minha mãe era muito preocupada com a minha alimentação, deduzi que havia alguns pacotes de macarrão na minha bolsa.
– Acho que tenho! Vou por uma roupa e pego pra você, ok? Entre, eu já volto.
Me direcionei ao quarto, troquei de roupa rapidamente, peguei três pacotes de macarrão e entreguei pra ele.
– Aqui está. – Falei entregando os pacotes a ele.
– Oh, muito obrigada! Boa noite. – Falou logo em seguida fechando a porta.
Então finalmente pude voltar ao meu banho. Quando terminei, coloquei um vestido, calcei um chinelo liguei o notebook, e comecei a ler as instruções da entrevista que ocorreria no próximo dia.
“Carol, serão apenas duas perguntas. Simples e objetivas. Especificamente sobre o que eles estão achando do Brasil. Do clima, da comida, das mulheres, essas coisas. Quando responderem, você vai perguntar como foi o inicio da carreira deles, e se algum deles tem interesse em voltar pro Brasil pra fazer turismo.” Apenas isso, eu sei que você consegue. Beijos.”
Terminei de ler aquele e-mail com um sorriso estampado de canto nos meus lábios. No fundo eu sabia que uma simples entrevista não poderia ser tão complicada assim.
Eram 14h30min da tarde, o sol estonteante refletia na minha janela e eu estava tediosa. Foi então que eu lembrei que estava na cidade maravilhosa, e me dei o direito de curtir aquele sol maravilhoso. Já que eu me julgava preparada para a entrevista do próximo dia. Caminhei sem pressa até o calçadão de Copacabana, observando as ondas ir e vir, tudo estava muito calmo. Porém, se o que eu desejava encontrar na praia eram tranqüilidade e paz, estava totalmente enganada. A praia estava totalmente cercada de fãs. Pelo o que eu conseguia enxergar, estava acontecendo à gravação de uma entrevista ali, eu só não conseguia entender como os integrantes conseguiam ouvir suas próprias vozes com toda aquela gritaria. Tentei ignorar tudo aquilo colocando meu fone de ouvido. Coldplay. Aquilo sim era musica para os meus ouvidos.
“I turn the music up, I got my records on, I shut the world outside until the lights come on Maybe the streets alight, maybe the trees are gone, I feel my heart start beating to my favorite song”
Quando estava totalmente empolgada com a música, senti uma mão gelada no meu pescoço. Obviamente virei-me com sete pedras na mão, mas infelizmente não podia faltar com respeito ao educadíssimo rapaz que fora me pedir macarrão mais cedo, e soltei uma risada involuntária com o pensamento que tive.
– Oh, desculpe. Eu te assustei? E porque você está rindo? – Ele falou enquanto puxava uma cadeira ao meu lado e se sentava.
Analisei os seus movimentos com calma e falei:
– Eu te dei permissão para sentar ao meu lado? – Falei arqueando as sobrancelhas e senti-o ruborescer. – Estou brincando! O que você deseja? Mais macarrão? Falei tentando não parecer arrogante com a minha pergunta, infelizmente ele justamente a interpretou assim.
– Oh, sua acidez juntamente com a sua ironia me assustam. – Falou enquanto coçava sua nuca desajeitadamente. – E não, não desejo mais macarrão.
– Me desculpe, estou meio nervosa, tenho um teste amanhã e não consigo relaxar. – Disse sem revelar do que se tratava o meu teste, achava melhor assim. – Mas enfim, o que você deseja? – Balancei a cabeça e sorri debilmente.
– Nada. Só queria aproveitar um pouco a praia. E por mais incrível que pareça, aqui é o único lugar em que eu estou salvo. – Falou gesticulando com as mãos.
Por algum motivo aquela aproximação toda dele conseguia me incomodar. Decidi me afastar enquanto podia.
– Ok. Sinta-se a vontade paga pegar a minha mesa, porque infelizmente eu tenho que ir agora. Te vejo depois! — Falei saindo da mesa rapidamente sem dar tempo de esperar uma resposta.
Senti que aquilo foi meio rude, mas eu não poderia criar laços amigos com o meu entrevistado. Isso não daria certo, como meu professor de faculdade sempre fazia questão de frisar em suas aulas.
Nunca senti tanta felicidade em chegar a casa, mesmo aquela não sendo a minha definição perfeita de lar. E o meu apartamento estava incrivelmente silencioso, silêncio que eu nunca podia usufluir morando com Laís. Porém, eu não ousaria reclamar. Paz era tudo que eu precisava naquele momento de tensão. Joguei-me no sofá da sala e fiquei trocando os canais aleatoriamente até achar algo que me chamasse a atenção. Nada. O tédio mais uma vez estava me fazendo uma visita não muito agradável. Foi quando recebi uma sms um tanto quanto curiosa de Laís.
“Amiga, tenho uma surpresa pra você! Aposto que vai adorar! Xx” Ela só podia estar brincando. Com certeza estava brincando. Ela mais que todos sabiam que eu odiava surpresas inesperadas.
“O que pode ser?” – Respondi a mensagem seca.
“Calma amiga, eu sei que você não gosta de surpresas, mas eu tenho certeza que essa vai te agradar. Você sabe que falta menos de um mês pra eu terminar a faculdade... Então, faltava. Por que eu decidi entregar os trabalhos finais agora e estou indo pro Rio te fazer uma visita e tirar umas férias da faculdade. O que você acha? Maravilhoso né? Eu sei que você está com saudades.”
Ri lembrando do quanto Laís conseguia ser orgulhosa quando queria, e logo depois agradeci mentalmente por saber que minha amiga estaria do meu lado, me apoiando no que eu imaginava ser o desafio da minha vida.
“NÃO ACREDITO! Amiga, quando você chega? Já estou ansiosa. Você vai se hospedar no mesmo apartamento que o meu, ok?” – Respondi a mensagem ordenando.
Continuei conversando com Laís até anoitecer. Ela conseguia me animar de qualquer maneira, isso era inevitável e muito claro pra mim. Ter ela por perto seria muito bom, minha guia para evitar em agir precipitadamente em tudo. Sorri ao pensar nas tantas besteiras que já cometi só por atitudes precipitadas. Quando percebi, já eram 9 da noite. Pedi um prato simples no restaurante do hotel, jante, programei meu despertador para o próximo dia, tomei mais um banho e deitei no sofá da sala novamente. Só que dessa vez com um filme.
Acordei com o despertador do meu celular tocando, desliguei-o e levantei. Tentei ignorar as dores na costa por conta do sofá do hotel, eu definitivamente precisaria aprender a dormir na cama.
Eram 13h00am, teria tempo suficiente para me arrumar. Fui até o banheiro, tomei um banho demorado e então fiz minha higiene matinal enquanto pensava em que roupa iria usar. Lavei e sequei meu cabelo e fiz uma trança normal. Vesti uma saia preta de cós alto colada ao corpo e uma camisa de cetim verde por dentro. Coloquei um salto preto, fiz a maquiagem e então finalmente estava pronta.
Enquanto preparava meu café da manhã agradecia mentalmente a todos os santos existentes no mundo por ter Laís comigo nos próximos dias. Ela conseguia preparar o melhor café do mundo, e eu como sempre fui viciada em café, estava em abstinência, mesmo que por apenas 2 dias. Eu era um desastre na cozinha.
Logo que terminei de tomar meu café da manhã, me encaminhei ao andar superior, onde se encontrava o salão, e o encontrei vazio. Achei estranho porque já eram 14h35, 5 minutos após o horário combinado. Decidi ligar para Ricardo para me informar sobre o que estava acontecendo.
– Ei, eles vão se atrasar! Mas você tem que ficar esperando aí, ordens da produção deles. – Falou logo que atendeu ao telefone.
Revirei os olhos em sinal de desaprovação.
– Nossa, que banda profissional, pontualíssima. – Disse ironicamente enquanto procurava algum lugar para me sentar. Já estava vendo que aquilo não seria nem um pouco agradavel.
– Sim, mas temos que respeitar as ordens. Logo estarei aí, então, me espere. – Falou, e logo em seguida desligou.
Esperei longos 20 minutos ali, enquanto imaginava o quanto iria escutar de Laís quando ela chegasse ao apartamento e então percebesse a bagunça generalizada que ali estava. Nunca fora a pessoa mais organizada do mundo, muito pelo contrario. Cheguei de viagem e nem me dei ao trabalho de guardar minhas roupas, apenas joguei-as em algum canto do quarto, e não me importaria em ter que arrumar tudo aquilo porque provavelmente Laís quando chegasse o faria, já que ela sempre fazia questão.
Fui despertada dos meus pensamentos quando o primeiro membro da banda apareceu, era Thomas. Ele se direcionou a mim e deu inicio a conversa:
– Quem é você? – Falou seco enquanto observava todo o ambiente.
– Prazer, Carolina Hüringg, sou jornalista e estou aqui para entrevista-los. O empresário de vocês não mencionou isso? – Falei arqueando as sobrancelhas e me ajeitando na cadeira tentando aumentar o tamanho de minha saia.
– Mencionou, mas... Tanto faz. – Thomas falou demonstrando indiferença na conversa. – Ah, e prazer não se discute em ligações profissionais. – Piscou, e saiu rapidamente, me fazendo ficar com cara de boba.
Meu Deus, quanta prepotência em uma pessoa só. Não conseguia imaginar o quão estressante aquilo seria. Logo depois apareceram os outros membros, e Jay, ao contrario de seu companheiro, foi muito simpático.
– Oi, você deve ser a Jornalista que vai nos entrevistar. Nada de perguntas indecentes né? – Falou coçando a nuca timidamente
– Não! – Falei rindo. – Serei puramente profissional, prometo – Fiz sinal de promessa.
– Oh, obrigado... – Falou esperando eu dizer meu nome.
– Carolina! E você deve ser o Jay, né? — Disse deduzindo e me lembrando rapidamente da foto dele.
– Isso. Estou ansioso para sua entrevista. – Piscou e saiu.
Oh, será que todos os integrantes dessa banda têm um sinal relacionado a piscadas?
A entrevista começou, e eu estava me sentindo constrangida. O senhor prepotente estava com seus olhos fixados nas minhas pernas e aquilo parecia que não ia terminar até a entrevista ter um fim, aquilo me incomodava.
Comecei dando inicio a entrevista com a pergunta relacionada a hospedagem e ao Rio de Janeiro.
– O que vocês têm achado do Brasil nesses primeiros dias de hospedagem aqui? Mais especificamente, do Rio de Janeiro. O que acharam das fãs, comida, mulheres? – Soltei um riso para tentar descontrair aquele ambiente que estava me dando tonturas. Infelizmente, tive a má sorte do integrante mais prepotente e metido responder.
– Estou achando maravilhoso tudo isso, sério! As fãs são vibrantes e loucas, fico até com medo – Falou tentando fazer uma cara de medo. A comida é maravilhosa, mais especificamente os doces... O “brigadeiro” – Falou com sotaque estrangeiro. – é maravilhoso! Muito gostoso. E, as mulheres são maravilhosas, hoje mesmo, há alguns minutos atrás, conheci uma incrivelmente mandona e sexy. – Falou olhando fixamente para mim, fixamente.
Ele não poderia nem disfarçar? Falso. Ele disse essas palavras proibidas na minha frente. Olhando fixamente pro meu rosto, falando apenas pra mim. Naquele momento queria abrir um buraco no chão e enfiar ele lá dentro, sem nenhum arrependimento.
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